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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Quem sabe Sabe




Há dois anos conheci alguém que escrevia muito bem!
Frases com sentido, pontuação adequada, letra grande quando necessário.
Corrigia-me a toda a hora, já que a emoção de expressar os meus desejos, baloiçava com a minha escrita de almofada.
Não mencionava um piropo. Não escorregava num simples arroto. Era pura e simplesmente escrita, num excelente português.
Acentos na direcção certa. Os tiles, tão suaves como a brisa de verão. E o H, sempre que a oportunidade o pusesse à prova.
As vírgulas faziam parar a minha emoção (parecia propositado), de continuar ansiosamente a procurar o fim da frase.
E os pontos? Obrigavam-me a travagens bruscas, para não misturar a alegria em me conhecer, com os meus desejos mesmo ao entardecer.
Expressava uma educação, já em desuso nos manuais escolares.
Começou com o você tradicional e depois de eu tanto insistir, passou a tratar-me por tu.
Quando eu mais atrevidote, tentando sair fora da linha de escrita, evitando perguntar. Ela chamava-me à razão com um simples ? ou !.
Por largos momentos pensei estar perante uma pessoa que leccionava Português.
Mais tarde já a nossa intimidade deixava escapar virgulas, pontos e iiis. Confessou-me que sabia falar e escrever três línguas!
Perante isto só me restava dar a mão à palmatoria e encutinhar-me perante alguém que quando era feliz comigo, escrevia num excelente português!
Quando se chateava a valer, era impropérios em inglês.
Quando lhe rogava para me perdoar algo que inocentemente causava, era num alemão de fazer inveja, aos que cá permanentemente praguejam.



  

domingo, 3 de maio de 2015

Dia da Mãe



Mãe hoje é o teu dia
Estás bem perto, de noite e de dia
Hoje que já temos os nossos filhos
Mais te amamos, admirando o teu carinho

Mãe viva ou desaparecida
Estás presente a cada acordar do dia
A ti recorremos, enroscando-nos no teu colinho
Aí sonhamos no calor dos teus miminhos

Mãe muitas vezes estás bem longe
Deste coração amolecido na saudade
Basta lembrar o teu rosto purificado
Para me sentir protegido e abençoado

Mãe oh mãe, chamei-te milhões de vezes
Para ficar bem perto da tua guarda
Por vezes estavas longe e demoravas
Mas sempre a tempo da tua alçada



sábado, 11 de abril de 2015

Corria como um Tolinho




Ele só queria aproveitar as poucas horas que permanecia no seu país para sentir o palpitar do coração ao ver a sua joia.
Corria como um tolinho logo que chegava, depois de quase sete horas de viagem. Para os braços da Julieta sua amada.
Nada mais interessava do que galgar os vinte e tal quilómetros, rumo ao consolo de um sorriso e ao descanso de um coração.
Engolia o jantar preparado pela mãe já gasta pelos anos (e muitos), passados a fazer sempre de tudo. Para numa enfiada aparecer na casa da namorada.
E nessa noite tudo se repetiu, só com uma enorme carga de ansiedade: iria ser a última durante longos dias. Muitos mais do que até agora eram suportados.
Apareceu quase de surpresa já, que o alongar da distância que iriam permanecer bem longe de cada alma. Tinha deixado na véspera enormes desconfianças.
Ela ali estava, vestida como andava na lida da casa!
Que maravilha de mulher!
Bem mais bela (já de si belíssima), do que aparecia diante dos meus olhos, aperaltada e soltando levemente o aroma do perfume francês.
Aqui, soltava o aroma da tarde que o trabalho a obrigava.
Olhou-a vezes sem conta.
Confessou-lhe que era mais bela assim, deixando vestígios de andar pelo jardim, que lhe adocicava o rosto e polvilhava a roupa, com pequeníssimos salpicos de arvoredo.
E foi junto ao arvoredo que se deu a mágica noite que perdurará no tempo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Outras Paragens




Vou-me embora, vou partir para outras paragens que esperam por mim!
 Ficam longe, bem longe do que estava bem perto do meu sentir.
É mais do mesmo, nestes últimos anos sempre com as malas entreabertas esperando pelo inevitável: passe o tempo que passar, são chamadas para arrancar.
Deixo um legado matizado de esperança, a cada dia lembrado.
 Deixo um pecúlio de promessas por cumprir, porque o tempo não me deu uma parte do seu tempo.
Deixo uma boca que constantemente me chama, depois de ver em tudo fantasmas, mas a minha voz já se cansa.
 Deixo uma família desagregada, onde uns lutam com pieguices de uma velhice anunciada, farta de lamentos desnecessários.
E os mais novos ainda bem que não conhecem a luta, já que felizmente não coabitam com o campo de batalha.
Restam dois que fazem das tripas coração, para recuperaram o tempo perdido, onde andaram a brincar aos bandidos.
 Até breve, é sempre breve.
Longe mas perto de alguns!

quinta-feira, 26 de março de 2015

E tudo muda da Noite para o Dia




A tarde desaparecia e a noite iria-nos acompanhar escura e bastante fria. 
Só nós dois regressávamos para umas férias alongadas.
Um terço da lua vigiava-nos permanentemente e granizo repentino assustava os nossos pensamentos.
Trazíamos novidades para a família, não muito agradáveis.
E em dois dias, tudo mudou, como da noite para o dia.
Que fazer desta vida quando ela dita o destino de quem necessita fazer por ela, dia-a-dia.
A nossa mente baloiçava pelas notícias recentes. E o tempo é curto para mudar o nosso rumo!
Repetíamos sem fim o que já milhentas vezes apregoávamos.
Por vezes o otimismo era elevado, mas segundos depois era visível um esgar de inconformismo. Mas por fim, a certeza de conseguirmos, superava qualquer indício de ceticismo.
Somos bons colegas de trabalho e já nos consideramos amigos dentro e fora dele.
Por isso a viagem decorreu num clima agradável e não tardou que sete horas de viagem, terminassem sem um esgar de cansaço.
Acredito que esta amizade se perlongue por muitos dias. Bem precisamos para tornar a nossa vida, mais doce e macia.