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sábado, 22 de agosto de 2015

O Povo acredita no Amor




As canções enchem-se de palavras de amor!
Fartam-se de acordes amorosos e cada refrão repete vezes sem conta a palavra. E o amor paira nos palcos levitando no coro imenso de plateias em delírio.
Os poetas falam de amor!
Enchem livros de amor. Desenham em folhas brancas o amor em milhentas feições, rimando sob diversas formas, para no final resumiram numa só palavra a maravilha, amor.
O povo acredita no amor!
Vai na sua procura em cavalgadas infinitas, tentando recolher uma migalha da sua enorme grandeza.
Uma vida inteira buscando o amor. Desde o colo materno que o povo mama a essência do amor, para mais tarde oferecer o colo ao amor da sua vida.
E o mundo maldito, confunde o amor!
O mundo em que vivemos, tanto o apregoa como logo o confunde com oportunismo evidente.
Com insensibilidade premente, escondendo a mão ao infeliz que tanto o procurou e por fim se prostra nas calçadas sem mais forças para viver.
Com violência gratuita, tirando a vida a milhões que passam a sua existência, na sua busca para serem felizes ao menos uma vez na vida.
Com arrogância prepotente, dos cada vez mais ricos pensando serem os donos e senhores do amor.
Essa arrogância vincada nos cada vez mais pobres, muitos deles apesar de despidos de beleza, encontram nas quatro paredes que os acolhem, o amor que não tem preço.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

As pétalas em papel Vegetal


Já lá vão muitas luas, encontrei uma flor tão linda como o sol.
Aquele sol, que rasga as nuvens negras teimosas em fazer prevalecer a sua vontade, trazendo a Primavera tão aguardada, depois de um interminável Inverno.
Contei-lhe as pétalas, dez como os dedos das mãos.
Arranquei logo a primeira para a colar aos lábios.
Era o aroma de um sorriso tão natural que abriu de par em par, as minhas entranhas encerradas dias a fio, já não acreditando em saborear maravilhoso sorriso.
De seguida saquei a segunda, um olhar meiguinho como se tratasse de um bebé tão querido.
Assim permaneci, embebido nesse encantador aroma libertado pelas primeiras pétalas de uma flor que encantou o meu pobre jardim.
Dias depois libertei a terceira!
Descobri a ansiedade em oferecer amor. Que beleza de toque. Que doçura em partilhar as emoções. Que entrega em repartir o prazer, por vezes infinito.
O tempo passou e nós embrulhados na terceira, que se colou aos nossos corpos, deixávamos correr os dias como se nada mais tivesse valor
A quarta, soltou-se com as vicissitudes da vida.
Partilhamos as ansiedades, as preocupações e os projectos de um futuro que era tão só, logo ao raiar da alvorada.
A quinta. Foi a dolorosa. Continuou-nos a afastar, um cá dentro, outro bem fora. E a viver intensamente cada regresso tão ansiado.
A sexta trouxe as suspeitas que dia-a-dia aumentava na mente de quem esperava, por ter as certezas bem certas, não se importando em cometer piáculo, para aliviar a vingança.
Mas a terceira permanecia no trono onde habita o coração e daí soltava-se uma imensidão de paixão.
A sétima. Quebrou-se com o tempo e ao encurtarmos o tempo de afastamento, aliviamos as malditas interrogações em permanecermos tão juntos como a casa e o botão.
Os longos meses bem unidos trouxeram a oitava que se soltou como uma lança, enfiando-se bem no fundo da alma.
Estávamos tão unidos em corpo que eles se encarregavam de falar por nós e guiar-nos nas catacumbas da intensidade do nosso amor.
A nona. Veio salpicada de nódoas negras.
Eram fantasmas ao virar da esquina. Eram pinóquias de nariz tão comprido que invadiam a mente já insegura para fazer jus, ao que essa mesma mente produzia.
A décima ainda tilinta no assombro do que era uma flor tão bela como o sol.
Ainda guardo cada pétala em papel vegetal para perdurar no tempo, como um sinal de maravilhosos momentos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O relógio do meu dia-a-dia





Tu és uma pessoa que merece algo belo para que a tua vida pare um pouco e penses nem que seja por momentos, na pureza em te revelar sentimentos.
Por isso penso em ti!
E farto-me de pensar em ti!
E cubro o dia pensando em ti!
Porque será?
Penso eu a toda a hora!
Amar-te justifica ter-te tão presente a qualquer momento.
Sei que furo a tua correria diária, no gozo que te dá logo que o dia nasça e eu lá estou a fazer parte na tua agenda diária.
Sinto-me feliz por ser deveras importante para ti!
Sinto-me a mosquinha teimosa que te segue constantemente sem ser impertinente e só ser visível para ti.
Além de pensar, adoro sonhar contigo. Sonhos maravilhosos de momentos carinhosos que terminam num banho imenso de paixão.
Sonho acordado. Sonho no primeiro sono e termino no despertar para o dia!
 Ou melhor, faço a pausa divina para recomeçar no início do meu dia de trabalho.
E tu sobes comigo o elevador que me leva aos tectos da ampliação da universidade, onde são revestidos com placas e isolamento para os miúdos que cá chegarem, colherem o futuro ambicionado naquelas cabecinhas fartas de sonhos.
Desejo que a maioria deles sonhem com um amor como o meu, mesmo esperando longos anos para sentirem o prazer de ele brotar estrondosamente a cada encontro tão esperado.
Desejo ao tomar o café da pausa do almoço, na cantina onde eles e elas estudam para os exames. Que os telemóveis que não largam, lhes enviem os desejos que eu ao olhar-lhes sinto tão alegremente.
Desejo que quando eles abandonam as aulas, fitando-os pelas janelas das futuras instalações, onde aprumo para eles as melhores condições. Durmam felizes com o amor das vidas deles. Como eu quando me deito exausto, mas sempre com tempo de uma mensagem para quem apaixonadamente espera por ela.
Desejo que me ames, mesmo sujinho de tanto pó, que envolve aqueles quartos onde dou o máximo, para me sentir útil e ao mesmo tempo feliz com a bela mulher que tanto me ama,
Aqui está o meu dia-a-dia!
Quero que me ames como mereces, não como queres!
Só assim serei feliz!

sábado, 30 de maio de 2015

O Tempo e a Gente




Fazer anos é fácil, já que eles correm ao sabor do tempo.
Desde miúdos que tentamos apressar o tempo para sermos gente, o mais rápido possível.
De miúdos passamos a graúdos e esperamos que o tempo nos eleve na idade e nos faça ser homens.
Deixamos crescer a barba e realçamos os peitorais como homens que já somos, com o tempo a encarregar-se de nos fazer dois tostões de gente.
Somos queridos de imensa gente.
Os anos fazem-nos conhecer essa gente. E até temos o privilegio de seleccionar as companhias e ser íntimos muito para além da amizade.
Depois os anos passam. Mas os amigos conservam-se e a gente sempre aparece, quanto mais não seja no dia de mais um aniversário.
É lindo quando se lembram. Uns porque já são parte da família construída com o andar do tempo.
Outros, que se cruzam com o decorrer do tempo, em qualquer esquina. Ou no bar do Faria.
E poucos, que se mantêm no cantinho das lembranças, porque fazem parte desse tempo, que paulatinamente caminha e engrossa já os anos de uma vida bonita.
Cinquenta anos feitos há dois dias.
Meu Deus parece que ainda nasci no outro dia.
Nesse dia onde ainda se falava em surdina e brincava com carrinhos de puxar à corda, carregados de terra que não deixava brotar erva.
Agora longe, mas bem perto desse tempo. Ficam as lembranças desse mar de gente!