Mostrar mensagens com a etiqueta Este País. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Este País. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de agosto de 2014

Eles enchem as Esplanadas




As ruas atulham-se de vozes estranhas.
 Altivam-se em francês, inglês, alemão e sabe-se lá o quê!
Todos descrevem as peripécias bem longe da Pátria. Numa correria constante logo que o dia nasce. E quando regressam, depois de longas horas de labuta constante, por entre estradas repletas de trânsito (aumentando ainda mais o stress), deixam-se cair no leito que serve de amparo para recuperar energias. Esperando ansiosamente que os dias passem, até que se vai mais um ano e lhes traga a alegria de voltar a Portugal, para num mês de férias, matar as saudades e reviver velhas amizades.
 Não se calam um minuto enquanto se encostam nas esplanadas dos cafés habituais, gabando-se vaidosamente como fugiram às nossas desgraças neste Portugal que não vê a luz ao fundo do túnel.
Fazem questão de estacionar as bombas bem perto dos olhares dos amigos e residentes habituais. Esquecendo-se que trancam os carros de chinelos adquiridos nos chineses e tanguinhas que só tapam as barrigas volumosas a preço de feira e já manchadas com o suor que os sovacos expelem copiosamente.
Deixam correr as horas por entre fumaradas de tabaco americano e bebidas afrodisíacas, mostrando uma qualidade de vida que termina logo que o regresso lhes chame, para voltarem a calcorrear as ruas da imigração.
Buscam o prazer dos churrascos e piqueniques nos montes que anunciam as romarias típicas no mês de Agosto.
Dançam e divertem-se com as bandas pimba que submergem como toupeiras, sabendo que os imigrantes adoram terminar as noites em refrões que falam das saudades e fazem abraçar os desejos em letras repetidamente e exaustivamente falando de amor.
Recorrem á praia para penetrar o bronze nos corpos massacrados pela dureza da vida, fazendo questão de soletrar a língua de acolhimento em detrimento da língua de nascimento. Só enquanto a pequenada e não só, obrigue a que a tranquilidade assuma momentos de fúria. E lá soltam palavrões bem audíveis na língua de Camões, estalando o verniz, quando antes eram só iás, voilás, vale, merci, e tank you. Por entre frases mais ou menos decoradas.
Infelizmente hoje são tantos escorraçados por um governo que tenta não fazer da imigração (embora pensando que não o percebemos),o esforço da diminuição do desemprego.
Os recentes saltam de país para país, já que não assentam o futuro no primeiro que lhes dá guarida.
A verdade é só uma!
 Mesmo imigrante, é tao difícil suportar a vida bem longe de quem se devia estar próximo, que tudo que façam enquanto permanecem uns dias por cá. É justificado na imensa alegria em estar bem próximos de quem lhes faz feliz.
Voltem para o ano, porque quem cá fica a amargar as medidas indignas de quem nos governa, compreende bem o que todos vós, buscam em terras longínquas. Para ter mais do que uma bucha para alimentar os filhos.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Este país é um Deserto



Como a fé move montanhas, recorremos a ela como a tábua de salvação, para todos os males que nos apoquentam.
Porque uma pessoa sem fé é como pregar no deserto.
Um deserto terrivelmente árido, onde o desfalecimento precoce é a certeza absoluta.
Este país é um deserto!
Um deserto de oportunidades.
Imensamente seco para de lá brotarem as oportunidades que dariam a vida florida, aos caminhos do futuro.
Um deserto de ideias.
Temos crânios, temos energia. Mas falta-nos a alegria, porque sentimos este país encorricado numa velhice abafada. Com cheiro a casa encerrada para fazer emergir todas as nossas potencialidades.
Um deserto de dívidas.
Endividado pelas imensas areias movediças que se perlongam por anos a fio. Tantos, quantos, esta geração terá que caminhar sem fim á vista.
Um deserto de oportunistas.
Sim imensos! Tantos, que fazem a única sombra que podemos encontrar no poiso estéril do nosso caminho.
Um deserto de nascimentos.
Sem crianças o futuro de um país é amortalhado no rastejar do passo dos idosos. Sem eira nem beira, já que se sujeitam ao desamparo do Estado e desfalecem numa angústia isolada, depois de tudo oferecerem às gerações que hoje os abandonam.
Um deserto de políticas que não surgem dos numerosos políticos.
Sem confiança dos portugueses. Porque são educados para prometerem o que sabem que nunca será posto em prática. Originando uma desconfiança sem precedentes, neste preciso momento.
É este o cenário que no domingo seremos chamados a avaliar!

terça-feira, 20 de maio de 2014

De arrepio em Arrepio




Dias de muito calor que levaram toda a gente, a procurar as frescas ao pé da porta e para o sol do mar, a meia dúzia de quilómetros.
Já todo o mundo se despia em arreganhos carnais de fazer ver um cego.
Já toda a gente procurava o bronze para adocicar o morenaço, aos corpos sedentos de toques de quem merece o amor.
Mas foi calor de pouca dura.
A chuva regressou em aguaceiros de respeito.
E num abrir e fechar de olhos os corpos até então despidos de agasalhos. Escondem-se em adereços quentes, tapando a beleza já tão presente.
E os arrepios constantes de um frio irritante, fazem voltar a tristeza de dias ainda bem vivos, de um Inverno tremendamente chuvoso.
Mas a agricultura agora mais do que nunca a sobressair em hortas mesmo citadinas. Abre-se num sorriso enorme como um arco iris de tantas cores, agradecendo estes pingos certeiros que regam os batatais e tantas verduras, não esquecendo os arrozais. Deixando os agricultores felizes, pela poupança divina.
E obrigam a recolher às tocas da invernação, os incendiários do costume. De isqueiro em riste ateando fogo á floresta, mal o calor estendeu-se de costa a costa.
Os entendidos dizem que serão chuviscos intensos até ao fim de semana.
Vai obrigar-nos a recolhermo-nos nas trincheiras de quatro paredes. Já que os trovões são audíveis bem perto em descargas de pôr os cabelos em pé.
Agora já se foi a chuva e nada melhor que ir tomar uma bica e dar duas de treta, para ver como andam as modas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Só me deparo com Resignação




Encontro-me parado esperando para tatear, se o que me dizem é mesmo verdade.
Regressei para quinze dias de descanso e já se perlongam para além da ansiedade.
Entretanto como a vida é madrasta, já que deixou de ser a mãe que tanto me amparava, acolho-a no regaço. Fazendo fé no que me ensinou, sirva para procurar o que ainda as forças me ajudam a caminhar.
Encontro amigos desesperados, pensando que só a eles é que a má sorte bateu à porta e por isso o mundo vai desabar.
É terrível ouvi-los!
É terrível aguentar o desespero de quem se vê perdido e não tem com quem desabafar o que lhe vai na alma.
É terrível não poder me afastar de quem precisa de um apoio e não poder os ajudar, já que muitos gritos deles em forma de enormíssimo apelo. São por mim, duramente sentidos.  
Os filhos anseiam por conseguir o que lhes custou uns anos a queimar as pestanas.
E estão tão longe da realidade de um mundo fechado para as esperanças e aberto para as arrogâncias, de quem tem as costas forradas por favoritismos ao pé da porta.
E deixam passar os dias como se nada fosse, esperando que do céu caia uma estrela, que lhes guie para o caminho da chupeta adocicada.
E batalhamos atrás do quase impossível.
As notícias de quem desgraçadamente desapareceu, levado pela doença traiçoeira que constantemente espreita. Abana-nos para a realidade de que viver cada dia que passa é a bênção desejada.
Mas os dias correm como a água dos rios. É obrigatório apoiar-nos na corrente sem afundarmos.
Só podemos acreditar no nosso poderio. Só ele nos encaminha para a certeza de que, aguardar por aquilo que ansiamos é a força em acreditar.
Pés ao caminho!
Seja cá neste país humedecido pela angústia de não dar garantias no futuro.
Seja lá fora, onde me encontro e onde tantos se encontram.


sábado, 22 de março de 2014

O Manifesto dos 70




O manifesto a pedir a reestruturação da dívida portuguesa foi subscrito por 70 personalidades de vários quadrantes políticos.
O que pode dizer ao comum dos portugueses o manifesto?
Olhando a que lá proliferam a maioria dos governantes destes últimos anos.
Para eles e quase para todos nós, é um manifesto de desconfiança.
Se por um lado é a garantia de personagens que manifestam a certeza da melhor solução para o país.
Por outro reina a desconfiança, olhando aos cargos públicos que muito deles ocuparam e a influência que tinham nos destinos económicos e financeiros. Deixando cair o país, neste emaranhado de teias, onde muitos de nós praticamente iremos ser amordaçados nos próximos anos.
Ainda me recordo como um pesadelo bem evidente. A maioria dessas personalidades que assinam o manifesto, saberem que o país caminhava a passos largos para o abismo e deixarem correr o tempo até que a realidade mostrasse a evidência.
E quando mostrou, era um ver se te avias no responsabilizar de quem governou. E apontar o dedo a quem governa. Atolando milhares e milhares de portugueses de feridas incuráveis para toda a vida. Separando famílias e desfazendo o futuro da geração que tanto nos custou a erguer!
O país vive das personalidades que buscam o melhor para que o povo se sinta seguro para encarar o futuro.
Mas a realidade não tem futuro para a grande franja que se arrasta nos balcões dos serviços públicos.