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sábado, 5 de setembro de 2015

Ele chega antes da Hora




A temperatura baixou e o agasalho apareceu.
Ainda no domingo estavam trinta e alguns graus, num dia de procurar a sombra das árvores e logo depois, já desejava o agasalho porque treze graus era o que registava os termómetros desta região.
As previsões são péssimas. O Inverno caminha a passos largos deixando o Outono enterrado na penumbra dos montes.
Adivinho um Inverno de gelar os ossos, por isso à que pôr trancas às portas para obrigar o frio atrevido a encontrar outro caminho.
E o Setembro ainda agora entrou!
E eu há dois meses que aqui estou, ansioso por uma fugida tentando apanhar o sol que sei, enche o meu país de norte a sul.
Vivo de promessas em chegar à minha terra.
Foi na semana que passou, seria nesta que agora findou e provavelmente ficará a promessa, de finalmente acontecer na próxima que ainda nem se iniciou.
Às tantas, só com o Natal bem perto é que levo as prendas já descobertas.
Reparto a casa com quatro. Mas hoje estou só.
Em muitas ocasiões mais vale só que mal acompanhado, o que assenta que nem uma luva neste sábado de frio e chuva.
Adoro o sol e todo o seu esplendor. Aquece a alma e amolece o coração.
O sol alimenta o desejo e fortalece o sorriso de quem ainda tem espasmos em o expandir.
Mas faça sol ou chuva, o importante é continuar a seguir o caminho da alegria e ir ao encontro, de quem me espera com saudades que transbordam estes corpos ansiosos por se encontrarem e unirem-se num abraço que nunca irá terminar.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A enorme bola de Sabão




Com dois paus e um trapo comprido, mais uma bacia com o líquido que faz magia. Alegra-se a pequenada na praça apinhada.
Ele lá se instalou e durante algum tempo fez levantar imensas bolas de sabão e levantar a alegria dos miúdos, em longos saltos para rebentar as bolas que eram enormes.
Depois juntou alguns deles e tentou ensinar-lhes a simplicidade em fazer libertar dúzias de bolas, com as cores do arco íris.
Tanta paciência usou, que conseguiu que um deles libertasse a bola mais volumosa que dali surgiu.
Belo momento que captei. E imaginem a alegria do petiz vê-la subir vagarosamente sobre as cabeças dos transeuntes abismados, com o tamanho dessa bola de sabão.
Por largos minutos a praça encheu-se dos gritos alegres da miudagem. Que ao passar, saltava de dedo em riste para rebentar as frágeis bolinhas de sabão.  Algumas delas ainda se mantinham intactas durante breves momentos, nos ramos das árvores que rodeiam a praça.
Com pouco se alegra muitos miúdos.
Ainda bem que alguém surgindo do nada, instala-se na calçada e oferece de graça, milhares de sorrisos num final de tarde a cheirar a fim de semana.



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Apanho o Bus 628 e 615




Pelas seis e oito da manhã, apanho o autocarro 628 com destino ao centro da cidade.
Nunca andei de autocarro para ir trabalhar, mas a experiência tem sido agradável.
Dez minutos depois, olhando às paragens e semáforos que regulam o trânsito. Saio no coração de Wuppertal.
Uma corrida a pé, pelo meio peço um café, que vou tomando enquanto não chego ao autocarro que me vai levar ao local onde trabalho.
 Claro ainda é Verão e o tempo ajuda a caminhar levezinho. Sem muitas roupas que me irão proteger do frio, quando o Inverno surgir a rugir a sua ferocidade dolosa. Mas Deus queira que nessa altura o autocarro seja uma utopia.
Sento-me na paragem e vejo no placard, que dentro de três minutos chega o 615, que me levará subindo a periferia da cidade, à universidade onde exerço a minha actividade.
Uma jovem senta-se ao meu lado, de fones nos ouvidos espera que o bus a leve ao mesmo destino.
Hoje está cansada. Mal se senta, fecha os olhos tentando recuperar um pouco do sono que a abrigou interromper.
O dia desenrola-se na rotina do costume e pelas cinco e vinte, volto a retomar a dança do bus.
Só que nesta viagem de volta, já não corro para apanhar o autocarro que me levará a casa.
Deixo-me ficar pelo centro da cidade depois de deixar o 615, enquanto o tempo permite. E saboreio uma cerveja geladinha, mais um kebab, com bela vista para quem passa.
Meia hora de descanso, mirando o povo que se acotovela na praça.
Uma cidade a abarrotar de raças e entrelaçada em culturas.
Não faltando, viciados em drogas e álcool que se amontoam na entrada da estação e deambulando pelas ruas, repletas em hora de ponta.
Mães carregadas de filhos, berrando por uma guloseima bem exposta na vitrina, ao pé da entrada do centro comercial.
Isto só é possível, já que neste país os benefícios sociais são elevados e para famílias numerosas é um maná de euros, para olhar pela pequenada.
Dezoito e dezanove, volto a apanhar o 628, que me leva para casa esperando que a noite chegue e o sono me embale. E pelas seis e oito da manhã, apanho o autocarro 628 com destino ao centro da cidade.







domingo, 16 de agosto de 2015

Eras......




Um ano passou quando visitamos a feira de artesanato, para jantar numa mesa de grossa madeira colorida com uma toalha de plástico e guardanapos de papel aos quadrados.
Enquanto esperávamos que uma dessas poucas mesas ficasse livre, admirava-te.
És linda!
És o sol no teu sorriso rasgado que brota como as palavras que adoro ouvir.
Tens o olhar tão meigo que me leva para a adolescência, onde os sonhos alimentavam a realidade.
Estávamos juntos, bem juntos sob olhar de dezenas de pessoas que como nós jantavam nas tasquinhas da feira.
Dezenas de olhares postos em ti, que em nada nos incomodava, mas deixava-me, confesso, vaidoso e orgulhoso.
Ficamos cara a cara com o entrecosto grelhado e o arroz de feijão a separar-nos, mas nada impedia de constantemente juntarmos as mãos e amar-nos a cada gesto trocado, a cada palavra cruzada.
A menina equipada com as cores do clube a quem pertencia a tasquinha, não tirava os olhos de nós e embaraçada virou a cerveja, ficando em pranto. Mas nada incomodava o prazer que emanávamos e logo a petiz ficou mais calma, imaginando igual felicidade ainda a viver tenra idade.
Terminamos o simples mas apetitoso jantar e percorremos os stands que enchiam o parque da cidade.
Eras a pérola que cada stand desejava.
Eras o estandarte que igualava o brasão da cidade.
Eras a mulher que me acompanhava e hoje passado um ano, esperas por mim para percorrermos enquanto as férias me proporcionar, as calçadas e os jardins da mesma cidade.

O Anjo e a Vontade




Falei com um anjo que perdeu a vontade, de oferecer sonhos quando procuro a almofada.
 Eram sonhos idílicos, recheados de amor tão puro como a cor das suas asas.
Surgiam de madrugada depois do primeiro sono. Para os saborear com o coração descansado.
Caminhavam depois comigo durante as longas horas, que preenchiam o meu farto caminho.
Ofereciam-me sorrisos rasgados, porque era maravilhoso recordar sonhos bem acordado.
Por vezes perdia-me nesses sonhos e entrava no mundo da lua, só despertando quando algum murmúrio me chamava à realidade.
Agora quando a noite toma conta do meu silêncio, sinto um vazio imenso com a escuridão, que me desperta com o coração fatigado.   
Prometeu-me se voltar a sonhar, contar-me tudo e voltar a amar.
Aguardo ansioso a visita do anjo.