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domingo, 6 de dezembro de 2015

As árvores Despidas




O vento do Outono despiu as árvores da berma da via rápida.
Deixou às claras, os ninhos das aves que escondiam as crias invisíveis aos predadores famintos.
Agora prestes a chegar o Inverno gelado, que acumula neve por todos os lados, assisto a troncos depenados com pontos negros de vários tamanhos.
Serão imensos dias frios e sombrios sem aves à vista, até que a Primavera sorria e force a volta das aves, para embelezar a berma da via rápida.
Cruzarão as viaturas em voos rasantes na procura de restos lançados das janelas pelos putos desleixados e logo batem as asas para abafar as bocas abertas, das crias famintas.
São ninhos tão negros como o Inverno que se aproxima. Conto os primeiros enquanto a fila intensa me deixa observar que árvore sim, árvore não. Possui um ninho perfeito como uma mansão.
Desfeita a fila com o roncar dos carros nervosos de tanta espera. Lá se vai a contagem e só me apercebo de pontos negros, que parecem desenhar um gráfico com altos e baixos no vidro da minha janela.
São belos e maravilhosamente arquitectados nos troncos mais altos das árvores escolhidas pelas aves atrevidas.
Em forma de vê, deixam um pouco de cortina, nas árvores nuas e feias como o tempo que se aproxima.
Por fim chego à cidade. E as árvores, dão lugar a troncos volumosos de betão, abafando o negro da noite com as luzes que iluminam os ninhos dos humanos, resguardados do intenso frio.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Apaixona-te




Apaixona-te por alguém que te ame, que te assuma, te compreenda mesmo na loucura.
 Apaixona-te por alguém que te ajude, que te guie, que seja o teu apoio, teu sonho bom. Que diga EU AMO-TE com atitudes e não apenas com palavras.
 Apaixona-te por alguém que converse depois de uma discussão, reconhecendo o erro e peça desculpas com o coração. Apaixona-te por alguém que sinta a tua falta e precise de ti a sorrir.
Apaixona-te por alguém mesmo ao pé da porta, porque existe sempre uma janela que não vês, mas sentes o que se passa para além dela.
Apaixona-te por alguém que se cruza contigo e que te balance o coração.
Corre atrás dela, quem sabe não será, o que há tanto tempo sonhas agarrado ao almofadão!
APAIXONA-TE!


   

domingo, 1 de novembro de 2015

Nunca estou Longe






 A beleza de uma imagem, vale mais que mil palavras!
Um pequeno grande clube, de poucas receitas mas de enormes proezas. Oferece a jovens momentos de rara beleza. Em lances que espelham a maravilha de um desporto, que eleva a emoção de um lance que pode terminar numa enorme explosão de alegria.
Vinca para recordar, momentos únicos que se repetem ao longo de uma carreira, caminhando no crescimento de jovens sedentos de espectáculo dentro do próprio que tem um fim: vencer.
Mas mais que vencer, é a alegria em diariamente partilhar um grupo que se conhece desde os tempos das vozes de menino e com o decorrer dos anos, percorrendo pavilhões, onde deixam as mazelas de encontros rijamente disputados. Tornam-se em gigantes adolescentes de barba rija e voz de comando.
Por isso partilhar destas imagens (a quem agradeço vivamente), de alguém que nos é muito querido, tão longe mas que me chega bem perto. É a alegria de saber que o desporto puro e maravilhoso, também é o caminho, para me chegar bem perto o meu menino.


sábado, 24 de outubro de 2015

Sei Não




Abri a janela para admirar a noite fresca, enquanto o Inverno não chega.
E ela lá estava, autêntica trapezista, num extenso fio de teia que não descobri onde se iniciava, já que ultrapassava a janela do vizinho de cima.
Andava à caça, porque já enrolava um insecto que se iludiu com o clarão da janela e foi de encontro à armadilha da caçadora esperta.
A noite só deixou ver pistas desta gorducha aranha e o seu pecúlio nocturno.
Puxei-a para dentro ainda agarrada à teia e acreditem era gorducha de manter respeito. A sombra na tijoleira reflecte o tamanho do abdómen desta aranha caçadora.
Logo a devolvi ao local da caçada evitando ao máximo grandes danos, no visível fio que lhe serve de arma.
Por momentos pensei o que poderá uma aranha de manter respeito fazer, enquanto percorre o meu quarto durante as longas horas da noite.
Será que percorre o meu rosto adormecido tranquilamente, depois de longas horas a trabalhar.
Será que caminha pelo que resta do meu corpo destapado, como se andasse à caça de algum insecto pousado no cobertor que me agasalha.
Será que urde uma teia em volta do meu nariz e impede normalmente a entrada do ar, porque por vezes tenho a sensação de acordar com uma comichão de me sobressaltar?
Será que tenta entrar pela boca aberta, só sendo impedida pelo ressonar quando adormeço de barriga para o ar?
Sei não! Como dizem os nossos irmãos.


sábado, 10 de outubro de 2015

A noite acompanha-me na Ida e na Volta




Mudam-se os hábitos enquanto o tempo caminha para a penumbra do Inverno.
Levanto-me com a noite a enrolar-se ainda nas mantas que aliviam o cansaço.
Percorro as estradas saturadas de automóveis que como o meu, levam ao destino quem diariamente busca o sustento.
São oitenta quilómetros de luzes encarnadas que se multiplicam em milhares tão juntas, que dá a ideia de um monumental choque em cadeia.
Imenso tempo para chegar.
Imenso tempo para mergulhar em lembranças recentes, que acolhem o nascer do dia e oferece-me o trabalho para realizar com a merecida alegria!
A manhã corre ao sabor das marradas nos dedos e no poderio do corpo.
A dor é breve e as nódoas só são perceptíveis no banho, que relaxa o esforço. Mas a alegria no querer ultrapassa mesmo o dever.
A tarde avança a cada hora, diminuindo o tempo que falta para voltar a casa numa encruzilhada de autoestradas, com mais oitenta quilómetros de distância.
Falta só concretizar a obrigação de colocar nove portas para que os investigadores se fechem em laboratórios e descubram a fórmula certa para nos tornar mais imunes às bactérias do mundo.
Enquanto as coloco sem erros, imagino todo aquele equipamento caríssimo que levará os jovens estudantes de medicina, a pôr em prática o que levou anos a consolidar em agradável teoria.
Regresso por fim a casa, já a noite toma conta de mim e devolve as luzes encarnadas que se multiplicam em milhares estampadas em faróis de curioso designer. Mais nítidas a cada travagem em cima do automóvel mais próximo, enfeitam o caminho de traços que a minha imaginação os liga em linhas vastas para os proteger de qualquer desgraça.
Imenso tempo para chegar!
Imenso tempo que me deixo por minutos embalar num sono profundo e rápido interrompido por um abanão felizmente sem traumas.
Imenso tempo para preparar o dia seguinte, logo que se desliguem as luzes encarnadas e se acendam as que ainda atraem os insectos, que vão resistindo ao anunciar do Inverno.