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sábado, 28 de setembro de 2013

Campos e Campos



Estou rodeado pela Natureza.
Para onde vou trabalhar, as habitações onde fico alojado, são todas bem dentro dos campos verdes e rodeado de paz e silêncio.
Os animais são os meus vizinhos.
Vacas leiteiras, que só comem e engordam.
Cavalos de desporto, também não ficam longe. Onde se avista uma pista de mini saltos e a beleza desses animais montados por belas jovens, dá um sorriso quando lá passamos.
Um cachorro também é vizinho, penso fazer parte da casa já que ele entra e sai, como se nada fosse e claro, a maioria das vezes o cansaço é muito. Não dá para aturar cachorros.
Ainda à pouco, apanhei uma pêra de árvores de fruto carregadas. Saboreei a pêra e pareceu-me ouvir a tua voz.
Eram as duas doces, embora a tua com um travo de preocupação e saudade.
Depois de terminar a pêra, lancei o caroço para a relva tão fresca e viçosa.
A tua voz ficou bem dentro e trouxe-me ainda mais saudades. E o tempo não passa!
Agora terminei a maça, enquanto o sol ainda aquece, já que o Inverno aqui bem pertinho de Munique, arreganha os dentes pronto a castigar-nos com o frio de rachar que não tarda nada.
E deixei de ouvir a tua voz!
O vento que o sinto ainda como inspirador, afastou-a para lá dos montes e deixou-me um vazio melancólico.
A tua voz é a certeza de estarmos perto, pertíssimo. Quando nos separam, centenas de montes e vales.
Dezenas de cidades que todos conhecem por qualquer meio e todos aspiram a visitar.
Milhares de aldeias paradisíacas, recheadas de souvenirs característicos e gastronomia muito própria.
E milhões de pessoas de todas as raças, que escolheram um canto, nos quatro países que me levam até ti, para tentarem serem felizes.
Ouço agora os tractores preparados para a silagem. Limpando os campos que não tarda nada ficarão cobertos de um manto branco, que é de uma beleza infinita, mas de um frio cortante.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Tudo me Irritava



Deixei Portugal cabisbaixo.
 A dor de deixar quem mais me dá força para viver, derreteu-me a boa disposição que as férias me ofereceram.
A viagem foi dolorosa. As conversas triviais irritavam-me. Aliás tudo me irritava!
Para onde eu vou? Se podia estar onde devia ser o meu lugar.
Perguntava eu vezes sem fim, olhando pela janela que me distanciava ainda mais do colo do meu lar.
Queria desapertar o nó que me apertava a garganta e nada podia fazer e, mais grave: sentia-o a comprimir-me devagar, devagarinho para que o sofrimento fosse ainda mais doloroso do que já me invadia.
Terríveis sensações dolorosos momentos!
Talvez assim tão acentuados devido aos dias que passei.
Fantásticos!
 Cheios de alegria, por entre o descanso tão merecido e sem despertadores, que se tornaram inimigos.
De brincadeiras com os miúdos, vendo-os felizes e tão puros que me levaram a reviver momentos de infância que me emocionaram fugazmente.
De sorrisos intensos de quem procurou um abrigo, mesmo com helicópteros por perto. Ou entrelaçado na frescura da Natureza, gritando para que os dias não passassem, porque corriam. Levados pela corrente do rio em direcção ao mar que acolheu e refrescou este corpo.
De novidades que eram já certezas mas, não vá o diabo tecê-las. E assim ajuda ao pé de meia.
E para que não bastasse, hoje regressei ao trabalho de casaco de inverno, quando daqui saí a torrar com os trinta e tal graus. E acabou por chover.
Em Portugal, embrenhei-me no mesmo forno e meu Deus, que país que nós temos!
Onde se pega fogo à floresta como de lareiras se tratasse. 
Onde morrem bombeiros autênticos heróis que dão a vida por este país. Correndo ao primeiro toque, deixando a família e o seu sustento. Para desaparecerem no inferno que se distingue a quilómetros de distância e infelizmente alguns já de lá regressam, nos ombros dos colegas banhados em lágrimas.
Agora pergunto?- porquê que são os aviões a apagar as labaredas que desenham monstros homicidas, nascidos de mão criminosa. Que custam milhões e milhões aos portugueses já ressequidos de tanta austeridade.
Em vez dos militares, resguardados em quartéis
de pasmar, a patrulharem as florestas mais sensíveis. Já pagos por nós e assim sendo prestando um louvável serviço ao país e a todos nós.
  É este país que temos que me envergonha, onde me encontro e logo que tanto me custou a cá chegar, levo com os alemães a chamarem-nos de país de terceiro mundo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Adoro esta Miudagem



Agosto, o mês de todas as tentações!
O mês das férias.
Que ansiedade, parecemos crianças, a viver cada hora, cada final de dia. Até que se aproxime o momento.
Temos que terminar e logo que isso aconteça, é abalar para Portugal!
De avião, de carro, de mota. Nada me preocupa, o que é importante é desaparecer daqui por uns dias. Umas semanas!
Quero descansar, quero recuperar. Foram dias e meses intensos, onde me aproximei do paraíso e pelo meio dei de caras com o desespero momentâneo.
Quero visitar os caminhos outrora percorridos, agora com um sorriso de ponta a ponta, revivendo momentos inesquecíveis, trazendo lembranças bem vivas dos garotos tao atrevidos.
Adoro quando a minha filhota se preocupa comigo!
Está enorme, que mulher, que elegância. Que vaidade para um pai ter uma filha, agora com dezoito anos, com cara de menina e sabendo ocupar o seu lugar numa Sociedade infestada de tentações.
 Adoro quando o mais velho me pede uns euros para namorar!
Namorar, que paixão fantástica. Uma partilha de dois seres de milhentas sensações.
Já não o vejo desde o Natal e sei que já navega num mar ondulado, próprio da idade, onde vasculhar um futuro é como encontrar uma agulha num palheiro.
Vai terminar o curso e sabe que não vai ser mais um doutor a encher as filas deste país corroído pela corrupção e compadrio.
Acredito nele e ele sabe que me tem à perna.
 Adoro quando o pequenote me diz se o trabalho é duro?
Numa idade ainda a florir para as responsabilidades, o pequeno já levanta a crista e quer marcar território. Diz coisas que houve nos espaços que frequenta, amparado pelos amigos e abraçado pela progenitora.
É o que me abana o coração. É o que me faz estilhaçar uma lágrima rebelde.
É o bambino que todos adoram e ninguém fica indiferente à simpatia e alegria deste puto.
Claro é o mais novito e precisa de mais atenções.
Adoro esta miudagem, agora perto de os abraçar!

Mas o mês de Agosto, será o mês de reencontros. 
 De novos encontros. Enfim, de uns dias a abarrotar de surpresas e recuperar energias.

sábado, 20 de julho de 2013

Como Pode












Primeiro foi a neve que cobriu a imensidão desta região!
Chegou a primavera e o sol derreteu essa imensidão e fez florescer, quilómetros de um amarelo que por si só fazia sorrir qualquer pessoa.
O amarelo foi recolhido por máquinas que fazem inveja ao resto do mundo, perante a capacidade deste país.
E hoje com o calor no pico do verão. Como pode, um país a acordar dias e dias a fio com a neve a trancar todas as portas e hoje com um calor, que liberta a Natureza e embeleza a região.
É milho de um lado. Que já não deixa ver o que está para lá.
E batatal do outro. É batatas sem fim!
Acredito que vão ser dias a comer batatas de todas as formas.
Só a estrada divide o encontro de duas culturas, tão familiares no meu país e tão perto de mim mesmo longe dele.