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terça-feira, 17 de abril de 2012

Os Beijos e os seus Desejos


Ainda estão tão frescos os teus beijos, junto aos meus!
Que maravilhoso foi beijar-te! Não te queria largar, apetecia-me muito continuar. Apetecia-me dizer-te para não pararmos!
Eram beijos repletos de um mar infinito de sensações. Que por momentos ofuscaram os meus. Pequenos demais, perante os teus.
Beijos intensos. Afogando-me em ondas revoltosas, empurrando-me para terra de ninguém. Arremessando a areia para me cobrir, resguardando-me para ti!
Beijos ardentes, de uma chama intensa que me abanou as entranhas, de tal forma que me vi às aranhas, para acalmar o alastrar do teu fogo.
Beijos apaixonados! Deixando-me inanimado de um amor tão profundo, que nunca terá fundo!   
Beijos que eram proibidos, mas há tanto tempo devidos. Que nem houve tempo. De recuperar esse tempo!
Beijos carnudos, em toque de línguas famintas. A desejar os corpos despidos, para os cobrir de gritos fluidos.
Beijos quando interrompidos davam lugar, ao encaminhar das minhas mãos brotando aromas perfumados, que foram depositados pelas tuas mãos abençoadas.
Queríamos mais...por breves instantes sentistes a minha mão tocar o teu peito...sentistes uma chama invadir o teu e o meu corpo, deixei-te com um fogo ardente, desejoso de me sentires, de me tocares, de me continuares a beijar....
E de as encaminhar, sim as minhas mãos. Para acariciarem o teu corpo, que se sentia acorrentado por um vestido...sentiste-te uma menina, faminta mas pequenina, incapaz de ser audaz...de me tocar e impedir de parar...todo o teu corpo estava a vibrar...que vontade tiveste de estar num lugar seguro... Para me poderes amar!
Por instantes pediste-me que  nestes momentos seja o racional!
Como poderei! Quando sentes que te invado de paixão, e não consegues pensar...só te apetece deixar-te amar. Mesmo quando te invado de paixão não te cansas de o repetir. Porque te sentes a perder a razão...precisando da minha orientação...
Ainda sinto a tua respiração ofegante,  fechando os olhos e pedindo os meus beijos, o carinho da minha mão. Perante o meu olhar penetrante... 
Ao fim de tantos anos revelei o quanto gosto de ti, por favor não me magoes, quero ser velhinha e  continuar a ser a tua gordinha! Foi o apelo, a anunciar a nossa partida.
Por fim partimos, como o fazemos todos os dias. Deixando que o sabor desses beijos guiasse o nosso destino. Abrindo caminho para mais beijos rasgarem as vestes que escondem sexos de se fundirem, que nem a alma aguentará os orgasmos tão oprimidos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Abra ou a deixe Fechada


A Páscoa abre a porta para entrar a ressurreição e por isso a janela ficou fechada nesta quadra.
Não te vi, não te senti!
Assim sendo, carreguei a cruz aos ombros na esperança de que Cristo ao ressuscitar, ressuscitasse a tua imagem.
Eu bem sei que estás ao pé de mim meu anjo e quando te quiser sentir é só fechar os olhos e deixar-me fluir!
Também sei, que o mesmo se passa contigo, beleza racional, que foge a sete léguas para não se deixar embrenhar pela paixão que uma presença obriga.
Tens a tua vida, onde a minha imagem te consome grande parte do dia. Dá-te o longo sorriso, que não o queres partilhar com ninguém, ciumenta de uma figa, por isso te ris para dentro, porque te sentes tão feliz, que ninguém merece partilhar esse sentimento.
Percorre-te o corpo de tremuras, abanando-te o coração, obrigando-o a sugar todo o sangue para si, não vá rebentar perante o fluxo de adrenalina.
Eriça-te os pêlos, dilatando-te os poros desse desejoso corpo. E num êxtase paradisíaco não abres os olhos, imaginando-te no meu colo, é tão bom dizes tu, é tão bom….
 Mas há mais!
Passeamos longe de tudo e de todos, pelos caminhos que se abrem à nossa passagem. A natureza contempla o amor e cede-lhe a passagem por mais que a floresta se mostre impenetrável.
Abres os braços, chamando-me quando eu dou um passo atrás, para colher a orquídea que apresso-me a oferecer-te.
Que loucura sentir o teu corpo tocar o meu!
A orquídea que originou este transformar de dois corpos num só, serve agora de almofada para que a tua cabeça repouse, enquanto a minha se encosta ao teu peito e houve o som do prazer, brotando como uma chama, incendiando tudo em redor, num vermelho tão vivo que em vez de se alastrar e denunciar a nossa presença. Contem-se em nosso redor, formando um círculo impenetrável que obriga o dia a não ter fim.
 Adormecemos pelo cansaço deste estonteante cenário. Que sensação deliciosa!
Acordas ouvindo-me cantar, uma canção tão linda. Que te embala neste porto de abrigo delicioso!
A melodia estende-se e salta de árvore em árvore. Que se vergam à sua passagem.
Por fim regressamos. A nossa roupa cheira à relva fresca e os nossos corpos estão pegajosos de amor real. O seu suco regou a nossa sede, tão visível nos nossos olhos, que só nos saciou porque o amor é inesgotável.
Abra ou a deixe fechada, a janela sente-se abençoada!

sexta-feira, 30 de março de 2012

O SOL continua a ser a Chama


Lavo os vidros das janelas e corro para aqui, esperando uma frase, que me mantenha aquele sorriso com que as pessoas, me observam empoleirado.
Escrevo com o dedo aproveitando o pó, desenhando um coração bem no centro do vidro que vou limpar, com as iniciais de cada lado TN (tudo nosso).
Que sorte a do vidro...!
Estás constantemente bem junto a mim! Respiro o teu ser, a tua beleza, a tua inspiração.
És a minha janela por onde te abraço longamente e te beijo repetidas vezes.
Esteja onde estiver, levarei os teus segredos, como amparo das minhas fraquezas.
Quero-te encontrar bem perto do meu olhar, para mordiscar o teu lado racional e abrir-lhe a paixão que te ferve bem fundo do teu coração.
O SOL continua a ser a chama da nossa profunda intimidade, que acompanhe este dia para nos colocar um enorme sorriso como prova de que os anjos são visíveis e apetecíveis.
Olá meu anjo, bom dia, boa tarde e boa noite!
Belisco sempre o meu lado racional, é um balão de ar fresco, que potencia a mil por cento o meu desempenho.
Quando para, um pouco, leio  a tua poesia. Sorrio por fora e sinto-me ser invadido por cada célula do meu corpo pelo calor da tua ternura, é maravilhoso!
 O passar dos anos refinou-me, ensinou-me a tocar cada tecla do piano, construindo um musical profundo!
É tão bom este teu carinho ao longo do dia, nem imagino quanto... E as janelas são tantas!
Terminei as limpezas!
Sinto-me cansado mas feliz por sentir que beijos são-me enviados galgando distâncias cada vez mais intensos.
Não consigo parar de escrever porque, já está incrustado como alimento para atenuar as paixões sempre intensas mas distantes de as espremer.
 Bato com a cabeça no último vidro e digo: Quero-te porra, chega-te a mim!







quinta-feira, 29 de março de 2012

Que Belo Dia


O dia está belo como os sentimentos recentes!
Estou a fazer a minha cama e ao mesmo tempo dobro a roupa pousada no sofá, ainda com o aroma da viagem, que ontem proporcionei a alguém que entra pelo meu corpo dentro. Será do calor, será do momento?
Pela janela vejo uma jovem linda como o sol, deveras radioso.
 A cem metros chamou-me a atenção.
Aproxima-se passo a passo e deslumbro toda a beleza que Deus lhe deu.
Cinquenta metros nos separam.
Olho boquiaberto. Cabelo comprido, esvoaçando pelo empurrar da brisa e pelo andar esguio daquele ser que enche todo o espaço por onde caminha. Belo decote numa imagem estonteante.
Dez metros!
É tudo o que vi ao longe quando a descobri!
Ali estava quase à mão de semear. Então pus-me a delirar. Porque delírios sentidos dão alimento à alma e reavivam memórias recentes, de momentos eloquentes.
 Preciso de vir aqui todos os dias e abrir a janela de par em par. Para lhe desejar um belo dia, recheado de poesia carinhosa com sonetos amorosos, ainda frescos da véspera.
Como é extraordinário repartir sensações, desejos e confissões!
Deixa-me solto e livre.
É o amor a brotar, matando a sede, ao mesmo tempo que refresca o prazer. Com um sorriso lindo que me vai amparar durante todo o dia.
Prometo que fico por aqui, não posso alterar constantemente o meu dia. Porque os próximos poderão trazer um risquinho de agonia.
 Pronto vou sair!
Correr pela frescura da Natureza e deixar-te em paz. Preciso de te deixar continuar a percorrer o teu caminho. E assim é! Já vais longe porque o virar da esquina, levou a tua imagem da retina.
Mesmo assim sei que me acompanharás, cada brisa que sentir na face, é a tua ternura a aconchegar-me...desfrutarei!


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Avenida Carregada de História


A avenida que deslumbra o comboio, carregado de calor do sul e leva as pessoas rumo ao norte.
A avenida local de encontro de namorados ofegantes. Amantes excitados. E casais felizes.

Serve de passeio para todos!
A cada passo calcorreado há, uma história contada. Um episódio recordado. Uma ideia partilhada.

A cada passo calcorreado há, uma carícia partilhada. Um longo beijo trocado. Dois olhos brilhantes de paixão.

A cada passo trocado há, um entrelaçar de dedos. Um palpitar do coração. Um suspiro ofegante.

A cada passo trocado há, um encontro de duas pessoas vindas de longe para abrir o coração.

A cada passo trocado há, um encontro de poucas horas, fervilhado em desejo e que se quer encantador.

A cada passo trocado há, um diálogo nervoso, que se esconde por trás de sentimentos.

A cada passo trocado há, a real certeza que o passeio findou e a luz da paixão esmoreceu.

Os passos trocados cessaram, deixando lá as pegadas marcadas pelo peso dos corpos carregados de ardor, quando o final da tarde, dava lugar à noite anunciada.

domingo, 10 de janeiro de 2010

As Quatro Horas de um Longínquo Final de Semana




Tive quatro horas olhos nos olhos!
Como conquista do final das férias, que ainda trazia o sabor do mar e o bronze agarrado ao corpo.

Quatro horas de sensações e divisões!
Sensações antes sonhadas com momentos de encher o olho e o astral na plenitude de um grande dia.
Divisões, entre o não assumir o óbvio. E tentar justificar, o que não se podia concretizar.

Quatro horas entre o real e o irreal!
Entre o aconchego de um sol radioso, correndo atrás de alguém, para lhe oferecer um ramo das mais belas flores, colhidas naquele verdejante jardim.
Mas de nada valendo a correria, porque o vulto cada vez mais longe se extinguia e o ramo cairia por terra, murchando logo que tombou nesse dia.

Quatro horas entre o certo e o incerto!
A certeza de querer lá chegar por entre estradas velozes e automobilistas nervosos.
A incerteza de ter de voltar com uma mão cheia de nada e outra com um sonho perdido.

Quatro horas de tristeza no fim!
Um fim, que só podia dar assim.

Um fim que eu senti que te desiludi!
Trazias o cheiro a flores silvestres para amparar a tristeza de quem chegava. E regressas-te por caminhos secundários para teres tempo de descobrir o que estavas ali a fazer.

Nunca me desiludiste!
Nunca, sei isso! Porque fui atrás de um apoio, de um ombro, de um sorriso. E mais não tive porque não quis.

Quatro horas que se podem repetir!
Agora mais responsável pelo que quero. E quero o baloiço só para mim. Sem tempo para o largar para qualquer miúdo, que possa me incomodar!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Perigosa Tentação Que a Todos Rodeia


Porquê correr em busca da felicidade meramente instantânea e que depois pode deixar marcas destruidoras, quando bem perto de nós no aconchego do já partilhado, temos tudo o que corremos a procurar.
Porquê correr em busca do proibido meramente explosivo e de amarras muito brandas, quando se nos entregarmos de corpo e alma rodeado da paixão que nos juntou numa união consagrada para toda a vida. Obtemos a plenitude do amor que nos une para todo o sempre.
Dizem algumas, que quando se sentem perseguidas pela indisfarçável atracção que os homens manifestam por elas, são possuídas por uma adrenalina maravilhosa que as alimentam e lhes proporciona sentimentos diversos.
Dizem outras, que a idade vai avançando e atinge o clímax do amadurecimento deixando a pessoa consciente de que necessita de ser bajulada e de ser admirada. Alimentando o ego e ajuda a refazer uniões.
Outras mais, não dizem. Mas o esconder tem limite e libertam a excitação da aventura que vai de vento em popa e enquanto o ultimo a saber não descobre, vive o dia do encontro como se do último se tratasse. E não olha a meios para se encontrar em qualquer lado com o homem do momento.
E finalmente aquelas mais conservadoras e que têm berço, habituadas ao embalo dos princípios ancestrais. Que lhes incutem o pertencer a um único homem, numa pureza para levar até ao fim da vida. Mas a vida é madrasta, devido aos sucessivos trambolhões de uma sujeição de mulher casada e sentem que aquele olhar insistente de dias e dias, lhe quer dizer algo.
E como as forças vão soçobrando e recuar já é praticamente impossível, lá vai tremendo como varas verdes de encontro ao abraço que não sente á imensos dias.
De encontro ao carinho daquele longo beijo que loucura das loucuras, não consegue juntar um único só do marido com que vive anos a fio para comparar a ternura que esse mesmo beijo se reveste.
De encontro ao toque da pele nua num enlace tão profundo que junta dois corpos num só, mesmo sem antes terem tempo de se conhecer. Para descarregar toda a paixão acumulada nos longos dias de luta titânica para não se entregar ao inevitável, que mais cedo ou mais tarde, teria que forçosamente acontecer.
Mas no final de cada sensação que abana com as entranhas do nosso mais fundo ser, enfrentamos a realidade e a porta que antes se encontrava escancarada para nos lançarmos na aventura, umas por sentir sensações novas. Outras como inevitáveis tamanha a fragilidade sentida. Irá se fechar num estalido seco e doloroso para a maioria de quem as procurou como um escape e colocar tudo no seu devido lugar e guardar este segredo tão fundo que irá junto para a cova e servir de memória a quem nos levar a alma.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Estrela dos Nossos dias Guiou-me para o que Me Tentavam Oferecer


Ainda a manha nascia quando meti o carro à estrada e fui procurar quem me acenava!
Segui a estrela como há dois mil anos. Só que a estrela de hoje nada tem a haver com a do salvador. A minha estrela era o telemóvel esperando que tocasse para me indicar o local exacto onde iria parar, esperando pela visão de alguém que me acenava.
Passou meia hora e nada se passava!
Olhava o telemóvel de soslaio para ver se tocava, mas ele lá continuava pousado e dormitando, já que sete horas da manhã é hora de ainda, esticar os braços numa preguiça de apetecer cama.
Passou uma hora e nada se passava!
Uma centena de quilómetros já deixados para trás numa velocidade a roçar a imprudência já que a ansiedade tomava conta do subconsciente.
Preciso de um café entro na estação de serviço e rapidamente sorvo o cafezal e pés ao caminho que se faz tarde.
Preciso de encontrar quem me acenou para a seguir. Rumo ao encontro entre dunas, ou matagal. Mas penso que será a céu aberto para melhor comparar a curiosidade de saber primeiro quem és.
Já vou nas duas horas de estrada, agora cheia de semáforos que arrasa os nervos e atrasa o ponto de encontro.
Nisto a estrela ilumina-se. Ou melhor, o telemóvel toca numa música que serve de alerta e já velha conhecida como um grito de aviso.
Sim, sim conheço esse local!
Estou perto meia hora talvez!
Até já!
A estrela dos nossos dias acabada de me dar as coordenadas e lá vou eu, de encontro a quem me acena.
Cheguei e contemplo onde me encontro!
Um parque cheio de mesas de pedra convida para sentar e desfrutar de toda a frescura de um princípio de Outono, mas ainda quente para procurar a sombra.
Acenas-me com aquilo que trazes e está à minha disposição.
Rejeito o que me ofereces! Talvez, ainda mal refeito do aparato da tua chegada.
Carro de encher o olho e postura de quem está ali para não perder tempo.
Apercebes-te que algo não está a bater certo. Convidas-me a um passeio pela Avenida rodeada de grandes árvores numa extensão de quinhentos metros.
Conversamos demoradamente sem nenhum abrir o jogo. Já que o segredo é a alma do negocio.
Chegados ao final da Avenida e já um pouco cansados por calcorrear paralelepípedo que estragou as biqueiras dos sapatos já que o desnível era em algumas zonas autenticas barreiras para dar o paço normal de uma caminhada.
Sentamo-nos no barzito com cadeiras de ferro e o tampo em madeira e lá continuamos numas tretas rodeadas de episódios das nossas vidas para abrir o à-vontade, já que o clima continuava num impasse de auto confiança.
Como a hora do almoço chegava e nós nem atávamos nem desatávamos, resolvemos ir degustar o prato da região ao volante da tua bomba ao som de música portuguesa que enchia a viatura de clima bem romântico.
O almoço entrou pela tarde dentro e insinuações a roçarem o desafio.
Há toques de pernas, há toques de mãos. Há olhares trocados de forma suspeita.
Será do vinho espumante que sobe à cabeça num abrir e fechar olhos. Ou da conversa que já está a ir longe demais para o fim que nos cá trouxe.
A hora avança e nem damos por ela!
Relembras o que é o principal, da nossa estadia nesse local e pronto voltamos ao tema do início e vá lá, vai haver entendimento.
Mais um copo do vinho dos piquinhos e sela-se o acordo de cavalheiros. Num brinde de copos aos lábios e um olhar penetrante que me obriga a bater o dente na taça fazendo melodia.
Regressamos ao local do encontro na bomba da felizarda. Carro de luxo e mulher que o bem merece.
Regresso no meu e ela lá vai à sua vida naquela bomba que enche a rotunda onde nos separamos. Valeu a viagem e a estrela que me levou a quem me acenava.
Mulher que sabia o que queria. Mas contentou-se com aquilo que colheu, porque era só o que eu tinha para oferecer.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Varanda Onde se Pode Contar as Estrelas




Conheci recentemente alguém que vive em frente ao Tejo, bem pertinho da sua brisa e de todo o seu encanto.
Com o Cristo Rei como vigilante da varanda, poiso de grandes convívios de tantos amigos, que te levam uma palavra de carinho. Uma palavra de conforto! Uma autentica corrente de emoções!
Essa varanda onde se pode contar as estrelas. É um desaguar de sensações, mais parecendo um oceano que recebe os variadíssimos braços de rios, que te abraçam para te confortar!
Em redor, toda a beleza daquela vista, com a ponte 25 de Abril no seu esplendor mais ao fundo, como porta de saída e de entrada para uma Lisboa centro das grandes decisões que agitam este País.
Como a varanda não é para todos e a distância ofusca toda a beleza que ela oferece, mandei estas simples palavras, na forma de um pombo-correio para pousar no varandim esperando que desates o cordel e lendo a mensagem te possas convencer que além do pombo, o dono também quer partilhar dos barbecues deliciosos, que o vento eleva no céu o aroma, que ao passar nas narinas do Cristo Rei, o faz arrotar tamanha a delicia que o envolveu.
Não esperes pela próxima maré! Aproxima-te logo da varanda para veres o pobre do pombo, que ele não tem o dia todo e pode-te deixar o varandim sujinho de caca.
E mais a mais tem que voltar para junto do dono!
O dia já ia longo e voltava a casa depois do meu treino que me limpa do stress e envolve-me numa frescura gratificante quando, encontro o meu pombo.
Trazia uma mensagem simples, mas que ma levou a lê-la já três vezes!
Sabes o que não queres!
A vida já te deu essa luz, essa maturidade.
Mas dizes que não sabes o que queres.
Eu penso que sabes!
Só que em várias ocasiões pedes muito e pouco recebes!
E noutras mais, pedes muito pouco e mesmo esse pouco não te é consentido.
Existe também aqueles que te querem dar tudo, mas esse tudo não te enche um cantinho do coração e como tal estão fora da tua verdade.
Acabará por entrar na tua vida aquilo que queres!
E como já te disse, estará logo ao virar da esquina!
E como adoro o meu pombo, vou voltar a enviar-to, para ele te debicar o braço meigamente para que baixes o rosto que ele leva um beijo meu para ti.

sábado, 30 de maio de 2009

O Colega Bombeiro Azarento



A empresa trabalha com matéria-prima altamente inflamável. E como tal, temos um espaço com tudo o que é necessário. Assim obriga as normas de segurança. E para que a prontidão na ajuda a qualquer foco de incêndio seja o mais rápido possível, colocou-se uns interruptores nas secções mais sensíveis e ao mais pequeno indicio de fogo é logo accionado e toda a empresa se apercebe que à fogo.
E como já em algumas ocasiões, a sirene tocou!
O Camolas, concentrado no seu trabalho deu um salto e correu por ali fora para dar a sua ajuda.
À muito que ele esperava este momento. Queria também participar de perto no combate do incêndio e agora a sirene tocava insistentemente, parecendo que o chamava.
E ele lá ia galgando a distância que o separava do fogo com o coração aos pulos, mas cheio de moral.
Algo o deteve! O chinelo, destes de praia comprados nos chinesinhos!
- Raios, tinhas logo que rebentar agora! Hesita dois segundos e decide: - Que se foda o chinelo, o importante é ajudar, não à tempo a perder!
E continua o seu caminho com um chinelo num pé e o outro descalço. Barriga de fora já que a camisola só o tapa até ao umbigo.
Então chega! Eufórico e ofegante!
Mas lembra-se que um bom bombeiro antes de chegar ao local, tem que levar o material. Não pensa em mais nada, dá meia volta e foda-se, bate com o dedo do pé descalço, numa grade que servem para sugar o pó que se acumula. Mas nada o detém, tamanha a ansiedade que se apodera dele e agarra num instintor. E lá vai, agora sim em direcção ao fogo.
- Pronto cheguei, finalmente! É agora ou nunca!
- Foda-se, falta-me a máscara! Porque viu que os outros corriam para as ir buscar, já que com a intervenção dos instintores, o fogo abrandou, mas uma enorme nuvem de fumo nada deixava ver.
Com um sorriso pensou: De máscaras percebo eu, ainda não esqueci as lições dadas sobre máscaras na tropa.
Mais meia volta, agora sem bater com a cabeça do dedo do pé nas grades. E vê-se finalmente em frente ao armário. Faz força e lá consegue correr o vidro. Saca a máscara e corre ainda mais animado repetindo: - Na tropa era o maior!
- Meu Deus, isto arde mesmo!
Alguém grita: - É preciso instintor, alguém com mascara que apague aqui!
Coloca a máscara e lá vai o nosso herói, meio calçado meio descalço. Puxa a patilha do instintor e zás atira tudo para a boca do fogo.
Uma nuvem de fumo cerca-o totalmente. - Tenho máscara nada me acontecerá!
- Mas cum caralho! Eu não consigo respirar!
A aflição é tão grande, que o homem começa aos saltos! Pronto sacou a máscara.
Vê o que se passa e fica de boca aberta. – O quê? Esqueci-me de tirar o tampão do filtro, que burro que sou, assim não ia lá.
Alguém repara e o nosso bombeiro leva um baile de meter pena. Tem os olhos vermelhos, o nariz a pingar. Nesta figura põe os colegas à gargalhada.
Entra-se no rescaldo, é preciso limpar tudo e lá está o nosso herói, ainda cheio de vontade para ajudar. Apesar de ter o pé descalço em brasa, porque com a aflição da máscara, fartou-se de calcar restos de matéria-prima ainda a arder. Mas não desiste, está pronto para o que der e vier.
Mandam-lhe ligar mais uma mangueira e limpar a zona onde se encontra.
Agulheta na mão, tudo sob controlo pensa uma vez mais, talvez para espantar os desaires já acontecidos.
Mexe a alavanca para ligar a água. Ela está um pouco perra (tem pouco uso), começa a tremer. Porque sabe que ainda nada lhe saiu bem.
Dá um valente safanão à alavanca que gira rapidamente e só visto!!!
A água sai com toda a força! A potência destas mangueiras é enorme. Ele leva um safanão colossal, molha toda a gente que está ao seu pé. Entra em pânico, anda às voltas para segurar a agulheta e vira-a para o tecto ao mesmo tempo que a desliga.
Como a mangueira estava virada para cima e lançava água com toda a força, ao desligar, a água caiu-lhe pelas orelhas abaixo, ensopando-o da cabeça aos pés.
Toda a gente lhe caiu em cima! Chamam-lhe todos os nomes e o Camolas, regressa ao seu lugar cabisbaixo, não sem antes recuperar o chinelo, dando-lhe dois furos com um pequeno gancho, ferramenta essencial para o seu trabalho e com um cordel emenda o que rebentou.
Está encharcado, mas no fundo está feliz, apesar de tudo.
Porque o que lhe aconteceu foi tudo fruto da sua inexperiência. Acontece aos melhores, vai pensando ele.
E para a próxima quando aquela sirene tocar, é preciso ter mais calma e então mostrarei àquele bando de pés rapados, que sou tão bom ou melhor do que eles.
E vou-me rir, como eles se riram agora de mim! É só esperar, é só esperar.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Pinheiro de Natal da Mata





ZÉ mosca preparava o seu Natal com todos os cuidados e vivia-o intensamente, procurando seguir as tradições que trazia da infância. Por isso era um regalo ver o cuidado, o carinho com que construía o presépio.
Quinze dias antes lá estava ele de machadinha na mão, à procura do pinheiro mais vistoso na mata do costume e do musgo com que o seu presépio ganhava aquela imagem real, que o enchia de orgulho e alegria.
O dia estava bastante frio e cinzento, apesar de a tarde ainda mal ter começado. Mas ele lá se embrenhou pela mata dentro na procura do pinheiro que lhe enchesse as medidas.
Conseguido o pinheiro bem vistoso por sinal, toca a prende-lo no suporte da bicicleta e arrancar com o saco de linhagem na procura do musgo bem húmido, indispensável , para colocar as ovelhitas, os pastores, os reis magos e toda a bonecada que ornamentavam um presépio que só Zé mosca era capaz de arquitectar.
Tudo pronto, lá montou na bicicleta satisfeito, dando as primeiras pedaladas. Com o pinheiro atravessado no suporte e o saco cheio de musgo entre os braços, a caminho de casa que ficava uns minutos bem distante e onde os catraios o esperavam impacientes.
O dono da mata Justino Tinoco, já há uns dias que andava de olho nos ladrões de pinheiros. E mesmo a chegar para mais um vigília na cata dos malfeitores, dá de caras com Zé mosca pronto para abalar dali com o pecúlio necessário para o seu presépio.
Enche-se de raiva, mas contem-se para não fazer o mínimo de ruído! Corre no seu alcance afastado uns bons metros, pela parte de cima do monte, mas lado a lado com Zé mosca, que ignorando o perigo de levar uma saraivadas lá ia assobiando pelo caminho apertado e cheio de pedras que ligava a bouça à estrada de caminho a casa.
Nisto! O Zé apercebe-se do Justino! Meu Deus estou tramado pensa ele! Começa a tremer como varas verdes e pedalar com mais força.
O Justino aos berros uns metros acima da cabeça de Zé mosca, ameaça-o.
-Meu gatuno duma figa, a roubar pinheiros! Meu safado, se te apanho desfaço-te aos bocadinhos, vais sentir o peso do pinheiro que roubastes.
O Zé totalmente em pânico, pedala com toda a força que tem naquelas pernas.
A bicicleta roda em ziguezagues para fugir às pedras. O Tinoco a correr atrás dele cortando caminho para o apanhar mais à frente no final do caminho pedregoso, antes de ele chegar à estrada.
O mosca transpira por todos os lados, mas não desiste e lá segura como pode a bicicleta. Nesta altura Zé mosca não andava, Zé mosca voava!
Nisto…. Pum, catrapum! O mosca dá um salto e tomba da bicicleta! Como a velocidade devido ao medo era muita na descida do caminho estreito. Fez com que o pinheiro, como ia atravessado, tocasse nos galhos de outros pinheiros e a bicicleta dá duas voltas atirando o Zé ao chão, levando com a bicicleta em cima e espalhando o musgo pela mata fora, que tanto arranhão lhe tinha custado nos dedos cheios de frieiras.
Mas a hora era de fuga ao animal Tinoco e não havia tempo para lamentações do perdido.
Montado novamente na bicicleta, já com a roda feita num oito. Com arranhões por todo o corpo, as calças rasgadas mostrando as ceroulas de perna comprida. Fugiu por ali fora sem pinheiro nem musgo de encontro à estrada, onde podia despistar o malfadado Tinoco.
O Justino Tinoco apercebe-se do acontecido em cima do morro que ladeia o caminho. Pára abruptamente e fica uns segundos pasmado a ver o estado em que ficou o mosca (e foram esses segundos que o salvaram, de levar uma saraivadas). Mas mau como as cobras, não desiste continuando a perseguir e a gritar:
-Bem feito seu perna de boi! Vais para casa bem quente e se me apareces mais aqui, nem as ceroulas levas metidas nesse cu dentro. Desistindo de o apanhar, porque este entretanto entrava na estrada e seguia velozmente a caminho de casa.
Zé mosca parou cabisbaixo e deprimido à entrada do portão da sua casa. Pensava no que lhe tinha acontecido. Tanta gente vai apanhar pinheiros e logo havia de ser eu apanhado por aquele gorila do Tinoco berrou ele já resignado.
Cheio de vergonha e dorido em todo do corpo jurou! Pinheiros da bouça nunca mais. A mulher que fosse comprar os artificiais lá na loja do tio Esteves, que já vinham com luzinhas e piscas. Assim com chocolates pendurados nos ramos, os catraios acabavam por esquecer o musgo e rezavam para que o Natal chegasse para devorarem os chocolates. Mas enquanto o Natal não chegasse, contentavam-se a olhar para os chocolates, comendo-os com os olhos.