terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Eu Quero um Ano Novo, Que Encha um Sorriso!


Eu quero um Ano Novo, que me traga a alegria de sentir no ar que respiro, mudanças capazes de encher um sorriso!•
Eu quero um Ano Novo, sem Demagogia!
Ainda por cima Demagogia saloia e repetitiva. Lançada eufóricamente em momentos do caça ao voto (estamos no ano da caça), pelos senhores do "quero posso e mando", agarrados ao sistema do poder. Que se altera só nos rostos dos governantes, mantendo a mesma política, dado assistirmos a um simples passar de testemunho.
Eu quero um Ano Novo, que me liberte deste sufoco angustiante!
Onde sou o bombo da festa juntamente com milhões, para acorrer aos sucessivos aumentos tipo escadaria sem fim, com que os nossos investimentos de longa duração (não existe Duracell capaz de ombrear), são mimoseados.
Eu quero um Ano Novo, que me brinde com o optimismo de soluções desanuviadas!
Para fazer frente à conjuntura mundial e manter-me convicto que manterei o meu nível de vida conseguido com elevado esforço, até este momento.
Eu quero um Ano Novo, que abra o futuro da geração (dos meus filhos)!
Que num tempo não muito distante irão a tomar o meu lugar. E lhes proporcione os mecanismos essenciais para lhes garantirem o futuro que nós ingloriamente tanto lutamos e que eles (nova geração), irão dar forma e globalizar.
Eu quero um Ano Novo, que me orgulhe do meu país e de quem o comanda!
Um país que não viva só do Futebol pouco transparente. Das promessas angustiantes para pagar os milagres de Fátima. E do Fado cantado ao virar da esquina.
Eu quero um Ano Novo, mais solidário!
Onde a riqueza não se esconda em paraísos fiscais e sirva para aliviar os idosos do saquito de plástico com que diáriamente transpõem a porta da farmácia para lhe aliviar as dores do corpo e da alma.
Eu quero um Ano Novo……. Não, não quero pedir mais!
Isto chega-me para me sentir feliz o ano inteiro. Sei que me irão acusar de não ser pobre a pedir. Mas desculpem qualquer coisinha. Pedir não é pecado. Pedir é um gesto nobre, principalmente quando pedimos para todos e principalmente para os que mais sofrem!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ser Amigo ou ter Amigos




Uma senhora de setenta e seis anos, amiga de longa data, ofereceu-me um livro muito simples, de guardar no bolso do casaco, bem junto ao coração.
Comprado nas barraquinhas de Natal, para angariar fundos, na ajuda dos mais carenciados, com uma dedicatória simples e ternurenta.
"Ao Nuno desejo um Feliz Natal,
na companhia de todos os que são caros!
Tero e Lú"

A nossa amizade não tem limites! Esta senhora vive a sua vida com um drama sem cura, que lhe está aos poucos a secar um filho devido ao vicio indestrutível.Mas luta com todas as forças e a ajuda dos amigos.
E para realçar o que nos une, ofereceu-me este livro.
Do qual destaco o prefácio!
"Amizade: argumento difícil, pouco popular nos tempos que vão correndo; termo incrementado, desperdiçado, explorado, destruído, mal utilizado.
E, no entanto, para mim, importante, importantíssimo, quando considerado na sua verdadeira dimensão, a original, a primeira de todas.
Na realidade, nunca chamei amigo a uma pessoa que não conhecesse e que não amasse profundamente.
Nem nunca chamarei.
Menos ainda confundi um conhecido, uma pessoa simpática,alguém que atraísse, por quem sentisse estima, um irmão, um companheiro, com um amigo.
Nem nunca vou confundir.
Só agora escrevo sobre a amizade, porque ela é, para mim, se a considerarmos na sua dimensão amadurecia e responsável, fonte de prazer e de bom senso.
Não é privação, vazio, hábito, rotina, normalidade, comodismo ou interesse.
É uma capacidade.
É a fonte onde se pode ir beber a vida a partir das raízes mais recônditas, profundas e misteriosas.
É uma fonte milagrosa.
É uma fonte de vida eterna.
Assim concebida, a amizade é uma contínua viagem interior, fascinante, ainda que por vezes dolorosa.
Para atingir a amizade na dimensão que eu entendo correcta, é necessário limpar o nosso coração de todos os mecanismos prejudiciais da personalidade, que ludibriam, tornam irresponsáveis e impossíveis as relações com a verdade, logo com nós mesmos, com os outros, com o Mundo e com Deus.
Ser verdadeiramente amigo significa acordar continuamente para uma vida nova".

Valerio Albisetti

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Natal sempre Natal


O Natal mexe com o mundo!
Pára guerras, aproxima ferozes inimigos.
Amansa as multidões
E eleva os nossos corações!

O Natal faz tremer os mais indiferentes.
E cobre-os de nobres sentimentos!
ilumina-lhes o caminho da amizade.
Para que a bondade seja permanente.

O Natal tem que ser mesmo para todos!
E principalmente para os que mais sofrem.
Porque o sofrimento torna-se mais suportável
Devido ao calor piedoso, que o natal embala.

O Natal é sempre grandioso, tão belo e maravilhoso!
Que nos eleva ao limite da felicidade!
Comemos rabanadas, aletria, mexidos. Tudo tão delicioso.
Que só pedimos que volte mais esplendoroso.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Tive Um Sonho!


Tive um sonho!
Um sonho bem claro, cheio de certezas quanto à resposta que nós simples cidadãos, que tudo pagamos para alimentar a ânsia dos poderosos em açambarcar a riqueza que deveria ser distribuída por todos, mas só alguns, os rapinas besuntados de chantilly, a sugam para proveito próprio. Porque como dizia alguém “O critério de vida é vencer, o que significa derrotar e liquidar os outros. Quem vence tem razão porque vence.”
Nesse sonho, milhões que tudo pagam. Unem-se em volta de uma luz (estrela que voltou para lhes indicar o caminho) e deslumbrados pela sua intensidade, pelos raios afrodisíacos que lança de encontro à imensidão de pessoas extasiadas. Sentem que chegou finalmente a hora da solução que tenazmente procuram para aliviar a permanente subjugação e escalpelizaçao aos poderosos, que nasceram como qualquer um de nós, mas por uma conjugação de factores obscuros e não muito transparentes, transportam a bandeira do poder bem na frente do pelotão submisso e curvado pela humilhação continua.
E num chamamento tipo SMS, onde todos dão inicio pelos quatro cantos do mundo, de encontro ao destino programado.
Uns que pertencem a longínquas paragens, depositam uma fé inacreditável no rumo a seguir, que ganham asas para voarem pelo céu infinito rumo ao encontro!
Outros, igualmente audazes navegam em milhares de canoas invisíveis pelos oceanos sem fim, rumo ao encontro!
Finalmente os menos destemidos, caminham por montes e vales, serras íngremes e florestas encantadas, rumo ao encontro.
E milhões. Vezes milhões! Dão vida ao paraíso terrestre indicado pela estrela que passados dois mil anos voltou a indicar o caminho para o encontro da distribuição da riqueza (riqueza humana, riqueza material, riqueza espiritual), que é de todos e para todos.
Onde necessariamente uns terão um pouco mais, mas serão esses os mecenas que do pouco mais que justamente foram contemplados, pelo seu brilhantismo na capacidade de criar riqueza. Abriram o caminho para que a riqueza abrace os restantes esfomeados pela ansiedade em obterem o essencial da vida. A partilha do mesmo sol que, quando nasce é mesmo para todos nós.
E o encontro prolongou-se por dias a fio. Onde se repartiu o pouco que cada um possuía, para saciar a necessidade de todos!
E então, ao fim de varias noites onde a companhia das estrelas iluminava milhões de rostos. A luz no cérebro desses milhões de esfomeados concluiu “Se vivemos tão mal, porque carga de água o medo de morrer é tão grande?”
E todos juntos, milhões de almas saciadas pela luz do acolhimento que os confortou das amarguras de uma vida cheia de chagas impossíveis de estancar. Regressaram comandados pelo estandarte da união terrestre e invadiram os corações da riqueza do planeta.
Enfrentaram e derrubaram barreiras de gás lacrimogéneo e balas que abatiam meia dúzia, mas que dúzia e meia se levantava para abafar os atiradores.
Enfrentaram cães raivosos com ou sem trela, dando o corpo ao manifesto (como quem diz, o corpo ás feras), elas rasgavam a carne de meia dúzia que tombavam no asfalto salpicado do sangue mártir. Mas logo se levantavam dúzia e meia, saciados com o sangue dos colegas caídos, para torturar as feras e os seus latidos.
Os poderosos senhores, vendo o seu infindável pecúlio poder cair nas mãos dos agitadores esfomeados. Arremessaram a artilharia mais sofisticada que possuíam, através de humanos fardados de viseiras e escudos. Aparelhados a fatos que descarregavam volts a cada contacto com os iluminados, fazendo-os tombar como pardais indefesos. Comandados de dentro de um bunker impenetrável, visionados por câmaras colocadas estrategicamente, que tudo gravavam para mais tarde incriminar os líderes da insurreição. Onde a covardia era rei, numa força aparente que tudo derruba ao menor ruído de agitação. E refugiada nos galões dos espiões que num leva e trás de informações, faziam hora a hora o ponto da imprevisível e audaciosa agitação!
Até que……. Porra onde é que estou!
Acordei banhado em suor, pelos raios solares que invadiam o meu quarto, através dos furitos do resguardo da janela mal fechado!
Tomei o pequeno-almoço, liguei a televisão e estupefacto percebi, que o meu sonho estava prestes a ter lugar.
Mas! Abrindo bem os olhos ainda inchados de uma noite agitada, tamanha a perfusão de acontecimentos contidos no meu cérebro. Desoladamente entendi que o infindável pecúlio dos banqueiros e dos seus comparsas e os amigos dos comparsas, depositados em paraísos fiscais sobre as aguas calmas das ilhas paradisíacas. Que tinham sido esventrados pelo guiar da estrela iluminada de há dois mil anos e repartidos pelos milhões subjugados e escalpelizados, depois de uma luta titânica derrubando mentes penosas, sistemas ditatoriais e governos poderosos e imperiais.
Afinal não passou de um sonho impossível de ser realizado, onde a pura ilusão, não tem espaço a desenvolver um sonho!
A realidade está bem expressa no momento actual que o mundo travessa. Os milhões e milhões de euros, dos banqueiros e dos…………. E dos…………. Sempre voaram!
O vento empurrou durante a noite de lua cheia, milhões e milhões de notas, mais parecendo a migração dos flamingos. Pousando no longínquo e imenso oceano desaparecendo nas vagas de dez metros, da ganância de muitos e no lirismo (consentido pelos responsáveis financeiros), dos mestres na arte de criarem instituições financeiras indestrutíveis. Que afinal ruíram como castelos de areia.
Só que o mundo uniu-se para travar o descalabro! E os governos, que não tinham fundos para mandar tocar o sino de uma simples igreja. Logo surgiram as garantias de largos milhões para salvar a banca, da banca rota e a economia da previsível recessão!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Os Deputados e as Escapadelas do Hemiciclo



Ser deputado é um privilégio ao alcance de poucos, dado que a maioria assenta arraiais no hemiciclo, vindos de listas pré fabricadas com nomes mais ou menos aconselhados pelos manda chuvas do partido (tirando os históricos banhados em muitos anos de apego á causa e ao que dela usufruem, com intervenções regulares). Onde um grosso da maioria do povo, nem conhece e nem quer perder um pouco de tempo em saber quem são os deputados que poderão ser eleitos do partido em que vão votar.

Ser deputado é ser portador de regalias financeiras. São bem remunerados, com ajudas de custo para custear deslocações quanto mais longe mais gratificantes, mesmo tendo residência perto do local do parlamento. E em alguns casos (sempre bem justificados pela ajuda dos colegas ligados à questão) abrangendo a família.

Regalias sociais. É sempre prestigiante ser deputado. Na minha pequena cidade existem dois, são cicerones em tudo quanto é evento social cá na terra. São bandeiras arremessadas na sinalização de um favor ou de uma cunha bem metida nos anais da minha sociedade regional. Não chegam para todos, mas favorecem quem é amigo, ou amigo do amigo.

Só que uma grande maioria dos nossos deputados, passam os seus mandatos para que foram eleitos, numa grande e insuportável seca. Ocupando a sua cadeira com o jornal em frente. Deixando correr as horas que não passam, a ler e reler o jornal e acredito depositando toda a sua energia, no descobrir a maneira de desvendar os passatempos que em muitas secções deve ser a única satisfação, que os envolve.

Ou então como é apanágio, murmurar a frase vezes sem conta “muito bem”, contornando a boca na entoação para que o líder da sua bancada sinta que o rebanho está junto, atento e unido.

Aquando das interpelações dos seus colegas. Abanando a cabeça num gesto de negação e sorrindo de orelha a orelha, na altura que o seu partido é confrontado com provas de anos atrás, mas que eles mostram desse modo que a defesa é sempre com os mesmos argumentos.

E são forçosamente abrangidos pelas escapadelas dos fins-de-semana, de semana curta no desempenho das suas infindáveis secas dentro do parlamento.

Em situações de normalidade essas escapadelas nem se fazem notar! A televisão não passa pelo hemiciclo e assim sendo o telespectador não se confronta com as despidas bancadas dos partidos, mais parecendo as bancadas dos jogos de futebol no Restelo.

Acontece que desta vez foi difícil de esconder a debandada dos deputados e ainda por cima quando estava em causa a votação da avaliação dos professores, que tanta celeuma originou e ainda origina, correndo todo este processo em carris oscilantes autentica linha do tua, onde os professores (sindicatos) tudo arriscam mesmo podendo serem lançados no abismo e o Ministério continuar, com razão ou sem ela, desafiar as íngremes encostas da aflição.

Mas os nossos deputados, dos quais a maioria do partido da oposição, que aproveitou essa guerra professores/ministério da educação, para tirar dividendos no ataque ao governo. Foram os que mais faltaram, inclusive grandes figuras do partido, que em ocasiões não muito distantes assumiam responsabilidades nos destinos do nosso país.

Deram-lhe a eles próprios, tolerância de ponto. O sol do Algarve convidava a esticar um pouco o cabedal, para um pouquinho de sol, batendo nos estômagos bem regados, ou no cérebro para aliviar o stress, da crise séria que alguns desesperados com o seu dinheiro que depositado nos bunkers das ilhas paradisíacas, voaram para local inacessível (tipo papagaio de papel quando o garotito deixa fugir o cordel) devido aos bancos falidos.

Ou mais popular e centro de toda a informação! A neve que caía, como chuva miudinha, nos locais mais altos do nosso pequeno cantinho. Levou alguns a proporcionar aos filhotes o encontro com a nossa neve que há alguns anos não nos brindava com tanta intensidade.

Só que essas faltas foram escalpelizadas pela comunicação cá do burgo, até á exaustão. Alimentou jornais, televisão, debates, bloggs e as celebres conversas de café do povinho que toca a desancar nos deputados e com razão, que conseguem manchar ainda mais o prestígio já de si nas ruas da amargura.

Procurou-se justificações cara a cara com os faltosos. Todos eles fugiam a sete pés dos holofotes da ribalta, depois de serem chamados a capítulo pelo partido, fechados a sete chaves no gabinete da concórdia.

Nos dias que se seguiram lá surgiram as poucas justificações e quase todos elas delirantes levando o mais simples cidadão a desconfiar do injustificável.

Procurou-se como sempre proteger os mais famosos. E como esses já são velhas raposas da politica entravam por uma porta e zás a fuga por outra, fintando tudo e todos, (mais parecendo o Cristiano nos celebres ziguezagues que lhe valeram o paraíso futebolístico do ano). Sobrou para os mais desprevenidos que lucravam mais estando quietinhos no seu canto a invernarem no aconchego da lareira e não mandarem cá para o adro dos esfomeados jornalistas desculpas esfarrapadas, como a dizer “não olhem para o que eu faço, mas sim para o que eu digo”. Pondo em causa e brincando até, com o cada vez mais caótico dia-a-dia dos portugueses, sem amarras de sustentação para proporcionar uma qualidade de vida, que esta malfadada crise sanguessuga, teima em chupar até aos ossos.

O sistema implantado tipo doutrina partidária de levar cegamente os deputados a seguirem este catecismo politico, leva à imagem do deputado como uma mera figura decorativa do parlamento (salvo as excepções), que forçosamente desgasta o próprio deputado e o alheamento cada vez mais vincado por parte da população Portuguesa.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Natal é Magia


O Natal obriga-nos a ser generosos
Mas custa descobrir, que seja só nesta quadra!
Oferecemos presentes e muita amizade,
Disfarçamo-nos de Pai Natal e os Filhos ficam deliciados!

O Natal aproxima ódios intransponíveis,
Amolece-nos a raiva e abre-nos o coração
Junta famílias há muito tempo divididas,
Por isso pedimos que o Natal fosse todos os dias.

O Natal reacendo-nos a já adormecida paixão,
Infiltra-nos o desejo e desafia-nos para a aventura
Deixa-nos reaver os sonhos há muito tempo perdidos
O Natal é magia! Por isso muda-nos da noite para o dia.

O Natal também nos mostra as grandes desgraças,
Lembra-nos os pobres, os doentes e os condenados.
Dar um pouco de nós, pouco nos custa e é de graça
Uma simples oração, é o alivio da dor que os amordaça.

O Pinheiro de Natal da Mata





ZÉ mosca preparava o seu Natal com todos os cuidados e vivia-o intensamente, procurando seguir as tradições que trazia da infância. Por isso era um regalo ver o cuidado, o carinho com que construía o presépio.
Quinze dias antes lá estava ele de machadinha na mão, à procura do pinheiro mais vistoso na mata do costume e do musgo com que o seu presépio ganhava aquela imagem real, que o enchia de orgulho e alegria.
O dia estava bastante frio e cinzento, apesar de a tarde ainda mal ter começado. Mas ele lá se embrenhou pela mata dentro na procura do pinheiro que lhe enchesse as medidas.
Conseguido o pinheiro bem vistoso por sinal, toca a prende-lo no suporte da bicicleta e arrancar com o saco de linhagem na procura do musgo bem húmido, indispensável , para colocar as ovelhitas, os pastores, os reis magos e toda a bonecada que ornamentavam um presépio que só Zé mosca era capaz de arquitectar.
Tudo pronto, lá montou na bicicleta satisfeito, dando as primeiras pedaladas. Com o pinheiro atravessado no suporte e o saco cheio de musgo entre os braços, a caminho de casa que ficava uns minutos bem distante e onde os catraios o esperavam impacientes.
O dono da mata Justino Tinoco, já há uns dias que andava de olho nos ladrões de pinheiros. E mesmo a chegar para mais um vigília na cata dos malfeitores, dá de caras com Zé mosca pronto para abalar dali com o pecúlio necessário para o seu presépio.
Enche-se de raiva, mas contem-se para não fazer o mínimo de ruído! Corre no seu alcance afastado uns bons metros, pela parte de cima do monte, mas lado a lado com Zé mosca, que ignorando o perigo de levar uma saraivadas lá ia assobiando pelo caminho apertado e cheio de pedras que ligava a bouça à estrada de caminho a casa.
Nisto! O Zé apercebe-se do Justino! Meu Deus estou tramado pensa ele! Começa a tremer como varas verdes e pedalar com mais força.
O Justino aos berros uns metros acima da cabeça de Zé mosca, ameaça-o.
-Meu gatuno duma figa, a roubar pinheiros! Meu safado, se te apanho desfaço-te aos bocadinhos, vais sentir o peso do pinheiro que roubastes.
O Zé totalmente em pânico, pedala com toda a força que tem naquelas pernas.
A bicicleta roda em ziguezagues para fugir às pedras. O Tinoco a correr atrás dele cortando caminho para o apanhar mais à frente no final do caminho pedregoso, antes de ele chegar à estrada.
O mosca transpira por todos os lados, mas não desiste e lá segura como pode a bicicleta. Nesta altura Zé mosca não andava, Zé mosca voava!
Nisto…. Pum, catrapum! O mosca dá um salto e tomba da bicicleta! Como a velocidade devido ao medo era muita na descida do caminho estreito. Fez com que o pinheiro, como ia atravessado, tocasse nos galhos de outros pinheiros e a bicicleta dá duas voltas atirando o Zé ao chão, levando com a bicicleta em cima e espalhando o musgo pela mata fora, que tanto arranhão lhe tinha custado nos dedos cheios de frieiras.
Mas a hora era de fuga ao animal Tinoco e não havia tempo para lamentações do perdido.
Montado novamente na bicicleta, já com a roda feita num oito. Com arranhões por todo o corpo, as calças rasgadas mostrando as ceroulas de perna comprida. Fugiu por ali fora sem pinheiro nem musgo de encontro à estrada, onde podia despistar o malfadado Tinoco.
O Justino Tinoco apercebe-se do acontecido em cima do morro que ladeia o caminho. Pára abruptamente e fica uns segundos pasmado a ver o estado em que ficou o mosca (e foram esses segundos que o salvaram, de levar uma saraivadas). Mas mau como as cobras, não desiste continuando a perseguir e a gritar:
-Bem feito seu perna de boi! Vais para casa bem quente e se me apareces mais aqui, nem as ceroulas levas metidas nesse cu dentro. Desistindo de o apanhar, porque este entretanto entrava na estrada e seguia velozmente a caminho de casa.
Zé mosca parou cabisbaixo e deprimido à entrada do portão da sua casa. Pensava no que lhe tinha acontecido. Tanta gente vai apanhar pinheiros e logo havia de ser eu apanhado por aquele gorila do Tinoco berrou ele já resignado.
Cheio de vergonha e dorido em todo do corpo jurou! Pinheiros da bouça nunca mais. A mulher que fosse comprar os artificiais lá na loja do tio Esteves, que já vinham com luzinhas e piscas. Assim com chocolates pendurados nos ramos, os catraios acabavam por esquecer o musgo e rezavam para que o Natal chegasse para devorarem os chocolates. Mas enquanto o Natal não chegasse, contentavam-se a olhar para os chocolates, comendo-os com os olhos.