quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Alegria de Uns Tristeza de Outros

O remate é o fim que um jogador aplica para concretizar o seu objectivo!
O remate tem que ser parado pelo guarda-redes na sua função natural do jogo.
Mas milagrosamente para o primeiro, o remate deu golo!
Alegria imensa transbordando pelo corpo fora e correria louca, de encontro aos primeiros abraços do colega mais perto no tronco despido da camisola cor de sangue, feita numa rodilha servindo de tocha olímpica.
O fruto tantas vezes comido com os olhos, desta vez entrou na boca enorme da baliza do primeiro.
Moreira coitado, de amarelo vestido, enfrentou a bola como um principiante amedrontado e foi o que se viu, um enorme frango daqueles depenados amarelados. Rogou pragas no caminho da recolha da bola bem encostada ás redes de uma baliza que assusta há imenso tempo os guardiões benfiquistas.
Rezou toda a segunda parte para que o seu clube vencesse o jogo e atenuasse o erro grosseiro que o estava a encaminhar para o fundo sem fim de um banco de suplentes, onde esteve a invernar longos meses.
Resultado: quem sofre um golo daquela maneira, terá que ser relegado para o banco.
Golo sofrido, por um guarda-redes que demonstrou insegurança, falta de classe ao enfrentar a bola, não merece continuar na baliza.
A oportunidade para um guarda-redes, surge praticamente de dois em dois anos e enfrentá-la sem os tomates no sítio é como entregar o ouro ao bandido. Por isso à que dar o lugar ao que recentemente abriu as portas de par em par.
Quim voltará mais fresco e pronto para segurar o barco encarnado, que perigosamente poderá cair nas mãos dos piratas somalis (escorregar degrau a degrau na tabela classificativa) e recuperar assim o seu lugar na selecção de todos nós.
A não ser que Moretto, relegado para actuações de segunda possa fazer um brilharete nas raras oportunidades concedidas e volte de novo a conquistar a baliza do glorioso que nestas últimas semanas se assemelha ao desaguar de perda de pontos tão ingloriamente desperdiçados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Benfica Descodifica as Mensagens Feitas pelos Lideres Politicos


O Benfica no primeiro jogo do ano que iniciamos, começou logo a interpretar as mensagens dos nossos líderes políticos! Foi um sinal de completo abraço bem forte nas costas dos nossos líderes, acentuando a concordância e até no incentivo para levar avante as grandes linhas mestras do conteúdo dessas mesmas mensagens.
Ou seja:
Perdeu o primeiro lugar para o Porto! Uma forma mais que justificada em reconhecer quem é o melhor, já de si bem expressa ao longo dos últimos anos. Dado que só o Porto poderá fazer face ao difícil ano que iremos enfrentar, porque irá amealhar dinheiro e pontos na liga da Champions. Uma excelente forma de entrada de divisas, neste país seco de recursos para fazer face ás necessidades entre portas. Portanto à que abrir o caminho para quem tudo faz em prol deste país, embaixador do seu futebol e de receitas tanto em resultado das gloriosas vitorias, como na venda de jogadores comprados por meia rosca e vendidos ao preço do caviar.
Perdeu logo com o ultimo classificado! Levando em linha de conta o teor dessas mensagens que previam enormes dificuldades para os desempregados e pequenas/medias empresas. Onde se irá incidir todo o esforço deste governo e do país. A derrota é a primeira medida posta em prática e logo nos primeiros passos deste novo ano que vai necessitar de passos do tamanho da lua para se manter de pé à passagem do furacão Recessão que começa a despontar ainda bem longe dos corações dos portugueses mas tão perto dos bolsos dos que já nada apalpam. Assim sendo, a derrota deu moral aos últimos, já que na próxima jornada irão jogar com o Porto e já se sabe, no dragão mandam os que lá estão. E aguentou mais tempo os empregos dos jogadores e logo com empregados de risco (idade já um pouco avançada) e a sobrevivência da empresa (trofense).
A derrota do Benfica surge numa altura em que os bancos estão obrigatoriamente reticentes a contribuir para patrocinar ainda mais este clube!
Imagine-se quem já tudo perdeu! E continuar a patrocinar quem tudo perde! Perderá certamente no investimento levado a cabo a este clube (Benfica) que de investimento cor de rosa, só se reflecte na constante troca da cor dos equipamentos, que já confundem os adeptos mais distraídos, que só ao cabo de alguns minutos enchergam quem é quem, tamanha a diversidade na vestimenta de quem compõem a equipa de um clube enorme no seu historial E vocacionado para o povo!
Vai perder no recente arranque do novo canal!
Porque os adeptos também carentes de vitórias e de títulos que possam atenuar as dificuldades expressas no seu dia-a-dia, logo vão desistir de assinar e acolher esse canal dentro de portas, já que exibições medíocres de jogadores pagos a peso de ouro, poderão dar azo a uma raiva descontrolada que poderá levar a ser descarregada no pobre televisor comprado ainda no tempo das vacas gordas e passados os momentos quentes de tão destemida descarga de raiva, dar lugar a choradeiras de criança na culpa de tão infeliz acção.
Para terminar, nem tudo é mau no Benfica!
Ajudar clubes pequenos a sobreviver dando-lhes a vitória de mão beijada é um acto nobre para quem desesperadamente quer sobreviver neste cantinho plantado à beira mar, com turistas pé descalços, e imigrantes atraídos por ilusões da carochinha e obrigados a entregar o corpo ao manifesto e a estender a mão a horas impróprias, com instrumentos que aterrorizam os mais destemidos e fogem a sete pés enquanto o diabo esfrega um olho.
Mesmo que os seis milhões que vivem de uma forma variada a paixão por este clube do povo, desesperem semana a semana por uma vitoria que seja a gloria para enfrentar os rivais no bate papo que alimenta o descarregar das frustrações diárias. Ameacem com o rasgar do cartão que já deu nome a tantas operações que fazem inveja ás operações feitas pelas brigadas de trânsito nas quadras natalícias.
Ameacem deixar de assistir aos jogos, pagando chorudos bilhetes desviando o dinheiro tão necessário para pagar buracos que ameaçam não ter remendo para estancar a sua largura.
Ameacem partir a cara e os carros aos jogadores, preocupados em receber os abastados ordenados, que reflectem a categoria no nome desses mesmos jogadores, mas não no seu rendimento de meninas de coro quando pisam o relvado, que logo nos primeiros minutos dão indicações que vão ser as badalhocas do costume.
Mas como dizia no início, à que cumprir as mensagens dos nossos líderes políticos e como somos um país de 10 milhões. Os seis milhões de benfiquistas irão ser os pioneiros de levar essas mensagens pelo Portugal no seu todo e como já vimos ainda antes dos apelos de quem nos governa, mas sem capacidade para tal. Já percorremos mesmo dentro de Lisboa, Setúbal! Com uma ajudinha particular de um nosso jogador.
Nacional da Madeira também com uma ajudinha desta vez justificada dado ser um clube isolado pelo mar e composto por imigrantes de vários países, que nos chamam irmãos e é de todo registar que chamar irmão tem o seu quê de partilhar o que devia ser nosso (a vitoria) mas partilhando foi a divisão como Cristo também profetizou na sua breve passagem por este mundo, mas que se ficou pelos corações dos que nada possuem para dividirem.
E como o Benfica é Cristo, começou logo o ano a dividir, a dividir não! A entregar ouro ao bandido, ou seja ao ultimo, Trofense.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Eu Quero um Ano Novo, Que Encha um Sorriso!


Eu quero um Ano Novo, que me traga a alegria de sentir no ar que respiro, mudanças capazes de encher um sorriso!•
Eu quero um Ano Novo, sem Demagogia!
Ainda por cima Demagogia saloia e repetitiva. Lançada eufóricamente em momentos do caça ao voto (estamos no ano da caça), pelos senhores do "quero posso e mando", agarrados ao sistema do poder. Que se altera só nos rostos dos governantes, mantendo a mesma política, dado assistirmos a um simples passar de testemunho.
Eu quero um Ano Novo, que me liberte deste sufoco angustiante!
Onde sou o bombo da festa juntamente com milhões, para acorrer aos sucessivos aumentos tipo escadaria sem fim, com que os nossos investimentos de longa duração (não existe Duracell capaz de ombrear), são mimoseados.
Eu quero um Ano Novo, que me brinde com o optimismo de soluções desanuviadas!
Para fazer frente à conjuntura mundial e manter-me convicto que manterei o meu nível de vida conseguido com elevado esforço, até este momento.
Eu quero um Ano Novo, que abra o futuro da geração (dos meus filhos)!
Que num tempo não muito distante irão a tomar o meu lugar. E lhes proporcione os mecanismos essenciais para lhes garantirem o futuro que nós ingloriamente tanto lutamos e que eles (nova geração), irão dar forma e globalizar.
Eu quero um Ano Novo, que me orgulhe do meu país e de quem o comanda!
Um país que não viva só do Futebol pouco transparente. Das promessas angustiantes para pagar os milagres de Fátima. E do Fado cantado ao virar da esquina.
Eu quero um Ano Novo, mais solidário!
Onde a riqueza não se esconda em paraísos fiscais e sirva para aliviar os idosos do saquito de plástico com que diáriamente transpõem a porta da farmácia para lhe aliviar as dores do corpo e da alma.
Eu quero um Ano Novo……. Não, não quero pedir mais!
Isto chega-me para me sentir feliz o ano inteiro. Sei que me irão acusar de não ser pobre a pedir. Mas desculpem qualquer coisinha. Pedir não é pecado. Pedir é um gesto nobre, principalmente quando pedimos para todos e principalmente para os que mais sofrem!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ser Amigo ou ter Amigos




Uma senhora de setenta e seis anos, amiga de longa data, ofereceu-me um livro muito simples, de guardar no bolso do casaco, bem junto ao coração.
Comprado nas barraquinhas de Natal, para angariar fundos, na ajuda dos mais carenciados, com uma dedicatória simples e ternurenta.
"Ao Nuno desejo um Feliz Natal,
na companhia de todos os que são caros!
Tero e Lú"

A nossa amizade não tem limites! Esta senhora vive a sua vida com um drama sem cura, que lhe está aos poucos a secar um filho devido ao vicio indestrutível.Mas luta com todas as forças e a ajuda dos amigos.
E para realçar o que nos une, ofereceu-me este livro.
Do qual destaco o prefácio!
"Amizade: argumento difícil, pouco popular nos tempos que vão correndo; termo incrementado, desperdiçado, explorado, destruído, mal utilizado.
E, no entanto, para mim, importante, importantíssimo, quando considerado na sua verdadeira dimensão, a original, a primeira de todas.
Na realidade, nunca chamei amigo a uma pessoa que não conhecesse e que não amasse profundamente.
Nem nunca chamarei.
Menos ainda confundi um conhecido, uma pessoa simpática,alguém que atraísse, por quem sentisse estima, um irmão, um companheiro, com um amigo.
Nem nunca vou confundir.
Só agora escrevo sobre a amizade, porque ela é, para mim, se a considerarmos na sua dimensão amadurecia e responsável, fonte de prazer e de bom senso.
Não é privação, vazio, hábito, rotina, normalidade, comodismo ou interesse.
É uma capacidade.
É a fonte onde se pode ir beber a vida a partir das raízes mais recônditas, profundas e misteriosas.
É uma fonte milagrosa.
É uma fonte de vida eterna.
Assim concebida, a amizade é uma contínua viagem interior, fascinante, ainda que por vezes dolorosa.
Para atingir a amizade na dimensão que eu entendo correcta, é necessário limpar o nosso coração de todos os mecanismos prejudiciais da personalidade, que ludibriam, tornam irresponsáveis e impossíveis as relações com a verdade, logo com nós mesmos, com os outros, com o Mundo e com Deus.
Ser verdadeiramente amigo significa acordar continuamente para uma vida nova".

Valerio Albisetti

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Natal sempre Natal


O Natal mexe com o mundo!
Pára guerras, aproxima ferozes inimigos.
Amansa as multidões
E eleva os nossos corações!

O Natal faz tremer os mais indiferentes.
E cobre-os de nobres sentimentos!
ilumina-lhes o caminho da amizade.
Para que a bondade seja permanente.

O Natal tem que ser mesmo para todos!
E principalmente para os que mais sofrem.
Porque o sofrimento torna-se mais suportável
Devido ao calor piedoso, que o natal embala.

O Natal é sempre grandioso, tão belo e maravilhoso!
Que nos eleva ao limite da felicidade!
Comemos rabanadas, aletria, mexidos. Tudo tão delicioso.
Que só pedimos que volte mais esplendoroso.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Tive Um Sonho!


Tive um sonho!
Um sonho bem claro, cheio de certezas quanto à resposta que nós simples cidadãos, que tudo pagamos para alimentar a ânsia dos poderosos em açambarcar a riqueza que deveria ser distribuída por todos, mas só alguns, os rapinas besuntados de chantilly, a sugam para proveito próprio. Porque como dizia alguém “O critério de vida é vencer, o que significa derrotar e liquidar os outros. Quem vence tem razão porque vence.”
Nesse sonho, milhões que tudo pagam. Unem-se em volta de uma luz (estrela que voltou para lhes indicar o caminho) e deslumbrados pela sua intensidade, pelos raios afrodisíacos que lança de encontro à imensidão de pessoas extasiadas. Sentem que chegou finalmente a hora da solução que tenazmente procuram para aliviar a permanente subjugação e escalpelizaçao aos poderosos, que nasceram como qualquer um de nós, mas por uma conjugação de factores obscuros e não muito transparentes, transportam a bandeira do poder bem na frente do pelotão submisso e curvado pela humilhação continua.
E num chamamento tipo SMS, onde todos dão inicio pelos quatro cantos do mundo, de encontro ao destino programado.
Uns que pertencem a longínquas paragens, depositam uma fé inacreditável no rumo a seguir, que ganham asas para voarem pelo céu infinito rumo ao encontro!
Outros, igualmente audazes navegam em milhares de canoas invisíveis pelos oceanos sem fim, rumo ao encontro!
Finalmente os menos destemidos, caminham por montes e vales, serras íngremes e florestas encantadas, rumo ao encontro.
E milhões. Vezes milhões! Dão vida ao paraíso terrestre indicado pela estrela que passados dois mil anos voltou a indicar o caminho para o encontro da distribuição da riqueza (riqueza humana, riqueza material, riqueza espiritual), que é de todos e para todos.
Onde necessariamente uns terão um pouco mais, mas serão esses os mecenas que do pouco mais que justamente foram contemplados, pelo seu brilhantismo na capacidade de criar riqueza. Abriram o caminho para que a riqueza abrace os restantes esfomeados pela ansiedade em obterem o essencial da vida. A partilha do mesmo sol que, quando nasce é mesmo para todos nós.
E o encontro prolongou-se por dias a fio. Onde se repartiu o pouco que cada um possuía, para saciar a necessidade de todos!
E então, ao fim de varias noites onde a companhia das estrelas iluminava milhões de rostos. A luz no cérebro desses milhões de esfomeados concluiu “Se vivemos tão mal, porque carga de água o medo de morrer é tão grande?”
E todos juntos, milhões de almas saciadas pela luz do acolhimento que os confortou das amarguras de uma vida cheia de chagas impossíveis de estancar. Regressaram comandados pelo estandarte da união terrestre e invadiram os corações da riqueza do planeta.
Enfrentaram e derrubaram barreiras de gás lacrimogéneo e balas que abatiam meia dúzia, mas que dúzia e meia se levantava para abafar os atiradores.
Enfrentaram cães raivosos com ou sem trela, dando o corpo ao manifesto (como quem diz, o corpo ás feras), elas rasgavam a carne de meia dúzia que tombavam no asfalto salpicado do sangue mártir. Mas logo se levantavam dúzia e meia, saciados com o sangue dos colegas caídos, para torturar as feras e os seus latidos.
Os poderosos senhores, vendo o seu infindável pecúlio poder cair nas mãos dos agitadores esfomeados. Arremessaram a artilharia mais sofisticada que possuíam, através de humanos fardados de viseiras e escudos. Aparelhados a fatos que descarregavam volts a cada contacto com os iluminados, fazendo-os tombar como pardais indefesos. Comandados de dentro de um bunker impenetrável, visionados por câmaras colocadas estrategicamente, que tudo gravavam para mais tarde incriminar os líderes da insurreição. Onde a covardia era rei, numa força aparente que tudo derruba ao menor ruído de agitação. E refugiada nos galões dos espiões que num leva e trás de informações, faziam hora a hora o ponto da imprevisível e audaciosa agitação!
Até que……. Porra onde é que estou!
Acordei banhado em suor, pelos raios solares que invadiam o meu quarto, através dos furitos do resguardo da janela mal fechado!
Tomei o pequeno-almoço, liguei a televisão e estupefacto percebi, que o meu sonho estava prestes a ter lugar.
Mas! Abrindo bem os olhos ainda inchados de uma noite agitada, tamanha a perfusão de acontecimentos contidos no meu cérebro. Desoladamente entendi que o infindável pecúlio dos banqueiros e dos seus comparsas e os amigos dos comparsas, depositados em paraísos fiscais sobre as aguas calmas das ilhas paradisíacas. Que tinham sido esventrados pelo guiar da estrela iluminada de há dois mil anos e repartidos pelos milhões subjugados e escalpelizados, depois de uma luta titânica derrubando mentes penosas, sistemas ditatoriais e governos poderosos e imperiais.
Afinal não passou de um sonho impossível de ser realizado, onde a pura ilusão, não tem espaço a desenvolver um sonho!
A realidade está bem expressa no momento actual que o mundo travessa. Os milhões e milhões de euros, dos banqueiros e dos…………. E dos…………. Sempre voaram!
O vento empurrou durante a noite de lua cheia, milhões e milhões de notas, mais parecendo a migração dos flamingos. Pousando no longínquo e imenso oceano desaparecendo nas vagas de dez metros, da ganância de muitos e no lirismo (consentido pelos responsáveis financeiros), dos mestres na arte de criarem instituições financeiras indestrutíveis. Que afinal ruíram como castelos de areia.
Só que o mundo uniu-se para travar o descalabro! E os governos, que não tinham fundos para mandar tocar o sino de uma simples igreja. Logo surgiram as garantias de largos milhões para salvar a banca, da banca rota e a economia da previsível recessão!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Os Deputados e as Escapadelas do Hemiciclo



Ser deputado é um privilégio ao alcance de poucos, dado que a maioria assenta arraiais no hemiciclo, vindos de listas pré fabricadas com nomes mais ou menos aconselhados pelos manda chuvas do partido (tirando os históricos banhados em muitos anos de apego á causa e ao que dela usufruem, com intervenções regulares). Onde um grosso da maioria do povo, nem conhece e nem quer perder um pouco de tempo em saber quem são os deputados que poderão ser eleitos do partido em que vão votar.

Ser deputado é ser portador de regalias financeiras. São bem remunerados, com ajudas de custo para custear deslocações quanto mais longe mais gratificantes, mesmo tendo residência perto do local do parlamento. E em alguns casos (sempre bem justificados pela ajuda dos colegas ligados à questão) abrangendo a família.

Regalias sociais. É sempre prestigiante ser deputado. Na minha pequena cidade existem dois, são cicerones em tudo quanto é evento social cá na terra. São bandeiras arremessadas na sinalização de um favor ou de uma cunha bem metida nos anais da minha sociedade regional. Não chegam para todos, mas favorecem quem é amigo, ou amigo do amigo.

Só que uma grande maioria dos nossos deputados, passam os seus mandatos para que foram eleitos, numa grande e insuportável seca. Ocupando a sua cadeira com o jornal em frente. Deixando correr as horas que não passam, a ler e reler o jornal e acredito depositando toda a sua energia, no descobrir a maneira de desvendar os passatempos que em muitas secções deve ser a única satisfação, que os envolve.

Ou então como é apanágio, murmurar a frase vezes sem conta “muito bem”, contornando a boca na entoação para que o líder da sua bancada sinta que o rebanho está junto, atento e unido.

Aquando das interpelações dos seus colegas. Abanando a cabeça num gesto de negação e sorrindo de orelha a orelha, na altura que o seu partido é confrontado com provas de anos atrás, mas que eles mostram desse modo que a defesa é sempre com os mesmos argumentos.

E são forçosamente abrangidos pelas escapadelas dos fins-de-semana, de semana curta no desempenho das suas infindáveis secas dentro do parlamento.

Em situações de normalidade essas escapadelas nem se fazem notar! A televisão não passa pelo hemiciclo e assim sendo o telespectador não se confronta com as despidas bancadas dos partidos, mais parecendo as bancadas dos jogos de futebol no Restelo.

Acontece que desta vez foi difícil de esconder a debandada dos deputados e ainda por cima quando estava em causa a votação da avaliação dos professores, que tanta celeuma originou e ainda origina, correndo todo este processo em carris oscilantes autentica linha do tua, onde os professores (sindicatos) tudo arriscam mesmo podendo serem lançados no abismo e o Ministério continuar, com razão ou sem ela, desafiar as íngremes encostas da aflição.

Mas os nossos deputados, dos quais a maioria do partido da oposição, que aproveitou essa guerra professores/ministério da educação, para tirar dividendos no ataque ao governo. Foram os que mais faltaram, inclusive grandes figuras do partido, que em ocasiões não muito distantes assumiam responsabilidades nos destinos do nosso país.

Deram-lhe a eles próprios, tolerância de ponto. O sol do Algarve convidava a esticar um pouco o cabedal, para um pouquinho de sol, batendo nos estômagos bem regados, ou no cérebro para aliviar o stress, da crise séria que alguns desesperados com o seu dinheiro que depositado nos bunkers das ilhas paradisíacas, voaram para local inacessível (tipo papagaio de papel quando o garotito deixa fugir o cordel) devido aos bancos falidos.

Ou mais popular e centro de toda a informação! A neve que caía, como chuva miudinha, nos locais mais altos do nosso pequeno cantinho. Levou alguns a proporcionar aos filhotes o encontro com a nossa neve que há alguns anos não nos brindava com tanta intensidade.

Só que essas faltas foram escalpelizadas pela comunicação cá do burgo, até á exaustão. Alimentou jornais, televisão, debates, bloggs e as celebres conversas de café do povinho que toca a desancar nos deputados e com razão, que conseguem manchar ainda mais o prestígio já de si nas ruas da amargura.

Procurou-se justificações cara a cara com os faltosos. Todos eles fugiam a sete pés dos holofotes da ribalta, depois de serem chamados a capítulo pelo partido, fechados a sete chaves no gabinete da concórdia.

Nos dias que se seguiram lá surgiram as poucas justificações e quase todos elas delirantes levando o mais simples cidadão a desconfiar do injustificável.

Procurou-se como sempre proteger os mais famosos. E como esses já são velhas raposas da politica entravam por uma porta e zás a fuga por outra, fintando tudo e todos, (mais parecendo o Cristiano nos celebres ziguezagues que lhe valeram o paraíso futebolístico do ano). Sobrou para os mais desprevenidos que lucravam mais estando quietinhos no seu canto a invernarem no aconchego da lareira e não mandarem cá para o adro dos esfomeados jornalistas desculpas esfarrapadas, como a dizer “não olhem para o que eu faço, mas sim para o que eu digo”. Pondo em causa e brincando até, com o cada vez mais caótico dia-a-dia dos portugueses, sem amarras de sustentação para proporcionar uma qualidade de vida, que esta malfadada crise sanguessuga, teima em chupar até aos ossos.

O sistema implantado tipo doutrina partidária de levar cegamente os deputados a seguirem este catecismo politico, leva à imagem do deputado como uma mera figura decorativa do parlamento (salvo as excepções), que forçosamente desgasta o próprio deputado e o alheamento cada vez mais vincado por parte da população Portuguesa.