segunda-feira, 16 de março de 2009

O Domingo da Ressaca do Sono



O Domingo entrou-me pela janela dentro como uma estrela incandescente, iluminando o quarto de uma ponta a outra, obrigando-me a levantar às sete horas para cumprir um compromisso que juntou o útil (profissional) ao agradável (lazer).
Foi custoso sair da cama tão cedo!
Adoro, ao Domingo refastelar-me na cama larga, roçando suavemente os dedos dos pés nos da minha jovem que bem juntinho ao fim da cama dorme como um anjo. E uns leves toques como forma de sinal para ela despertar e se abrir ao amor que sempre sem cessar jorra dos meus poros e é preciso sossegar para que o Domingo se transforme num hino de paixão e de boa disposição.
Família preparada. Automóvel rolando o asfalto, lá cheguei juntamente com um casal amigo ao meu compromisso que me “obrigou” a perder o gozo de dormitar mais umas horitas que ultrapassam a barreira do horário diário que sou obrigado a cumprir e que o raio do despertador assola os meus ouvidos.
De facto, fui assistir aos campeonatos nacionais de ginástica, na vertente de show e precisão. Um desporto que não faz parte dos meus hábitos e como tal, foi mais uma ocasião para sorver todo aquele ambiente de cor e alegria.
De cores resplandecentes! O vivo dos tons, onde predomina, o azul bebe salpicado de lantejoulas prateadas.
O amarelo cor do sol, num dia cheio dele.
O rosa celeste também salpicado de lantejoulas.
E o branco, o branco da paz, que tanta falta faz numa grande parte do mundo. Realçavam aqueles corpos na maioria ainda juvenis cheios de formosura e encanto.
As pinturas nos rostos!
Ora de Zorro a lenda viva.
Ora de índia, dos contos infantis.
Ora de mini mascaras simbolizando um Carnaval que já se foi .
Retratando o tema que cada grupo iria apresentar, originava semblantes disseminados, mas com o decorrer da apresentação se abriam em sorrisos de orelha a orelha, na esperança de um show positivo e no cair no goto do júri.
Claro que nem todos eram contemplados com boas performances dadas pelo júri e as poucas palmas atribuídas no final de cada votação, criavam um vazio triste nas jovens que rapidamente abandonavam a pista sem agradecer o pouco que tinham para o fazer, já que a actuação foi banal e como tal a nota era o clímax dessa banalidade.
Eram as pinturas nos rostos das jovens que levaram as (nossas) mulheres lá.
É o seu ramo profissional, tendo o convite partido da principal responsável dessa área e com elas atentas aos últimos retoques, nas por fim, restantes miúdas impacientes que desesperavam a maquilhadora, já que não conseguiam se manter quietas, estavam em pulgas com tanta ansiedade da sua vez estar cada vez mais perto de encher aquela pista.
Mulheres escondidas nos balneários das ginastas, atentas a cada salpico de pintura que desenhava um traço de luz e cor naqueles rostos. Homens livres para porem a vista a pastar naquele lamaçal de cor e beleza.
A cada entrada de um grupo de ginastas em pista, era um alastrar de gritinhos histéricos de uma plateia a abarrotar de miúdas, em elevadíssimo número, (os rapazes contavam- se pelos dedos), acomodados em sítios estratégicos pertencentes às claques ruidosas e irrequietas.
Com o calor a ser inconveniente e com as horas a acumularem-se. O corpo começa a ficar pastoso e a transpiração vai secando na roupa, criando um desconforto já de desertar para outras margens.
Chega por fim a entrega dos prémios, que premeia os mais capazes, pertencentes a escolas já com currículo na especialidade, dando-me a entender que ganham sempre os mesmos, não havia rivais à altura, o que de certa forma tira um pouco de brilhantismo à modalidade (80% das escolas eram do Porto). E denota nos jovens uma ligeira resignação no sabor da vitória, já que ela surge constantemente, porque os adversários, são frágeis e os únicos que dão luta são os da própria equipa.
Bela propaganda da modalidade que foi uma surpresa para mim já que pouco ligo a este desporto. Fundamentalmente porque na zona onde vivo não existe sombra sequer desta modalidade, que diga-se de passagem encheu de beleza e luz, aquele pavilhão bem composto de um público maioritariamente ligado às atletas. Que aplaudiram, gritaram, os nomes dos clubes e até das próprias atletas, até à exaustão, onde só a água aliviava as gargantas sequiosas e já gastas, de dois dias de Campeonato Nacional.
Para terminar um dia cansativo mas positivo. Nada mais que uma jantarada (ou melhor uma cabritada), vindo dos pastos agrestes das encostas do interior norte, em fogão a lenha que elevou uma minha disposição já de si sempre bem presente onde quer que esteja, até cantei, ou fiz que cantei. O vinho subia os degraus do cérebro num corrupio constante elevando a temperatura do corpo e do juízo. Num ambiente familiar de pessoas simples, verdadeiras e puras, onde a amizade é mesmo amizade, que já ganhou raízes neste punhado de anos onde nos encontramos sistematicamente.
Claro que me tornei a deitar tarde e desta vez o despertador via rádio acordou-me à mesma hora do começo da semana, onde a segunda-feira transporta as marcas do fim-de-semana de exageros, que dão lugar à ressaca mais de sono, que outra coisa. Que me levitam para uma atmosfera de cabeça pesada.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Quero Começar a Escrever Mas Não Consigo


Foi assim que uma das minhas cartas, nos meus loucos vinte anos começava!
Dirigida a uma miúda que conheci numas férias à beira mar, que mal a vi senti que a tinha que conhecer e partilhar com ela essa semana, porque ela era tão bela e tão pura.
Era mesmo bonita com um corpo louco, mesmo louco!
Via de fato de banho, logo que cheguei à praia para me juntar aos meus pais. Parei estático em frente a ela não acreditando que uma sereia tinha pousado no sector de barracas dos meus velhos e família que enchiam um corredor de mais de dez barracas, alugadas durante um mês, onde toda a família se juntava, matando saudades de um ano sem notícias, para a maioria deles.
Via à noite, na hora do café ponto de encontro para toda a juventude que se queria mostrar e local de nascimento de namoricos de Verão, que se vão, logo que o Outono dá sinais de estar próximo. De cabelo solto e com aqueles olhos negros que me devoravam numa timidez infantil (tinha 17 anos), que me puseram a contar carneiros durante a noite.
O sono não chegava e a excitação em a conhecer engolia as horas de uma noite a ouvir o mar e a magicar como iria meter paleio com esta jovem que me derretia pura e simplesmente, já que nem ela sabia a beleza que escorria daquele corpo de uma pureza sem fim!
Partilhamos momentos tão simples e tão íntimos, a nossa preocupação era só estarmos juntos. Bem longe do aglomerado de veraneantes que o mês de Agosto juntava numa praia tão concorrida e afastávamo-nos para as dunas vistas numa linha tão longe mas com tempo de elas nos pertencer.
E antes de lá chegarmos de mão dada, esperávamos o rebentar das ondas ainda afastadas, para quando a agua salgada do mar, chegasse finalmente à areia e retornasse a sua viagem de regresso ao mar. Nós marcássemos as nossas pegadas na areia húmida e o ultimo teria que andar sob as pegadas do primeiro e vinte metros mais à frente, o primeiro que era sempre eu, abrisse os braços e amparasse aquela sereia vindo do nada. E ali estava colada a mim, num beijo tão meigo e tão puro, que nem o som da onda a rebentar, com a agua bem fria molhando o nosso corpo tao quente de paixão, fazia esfriar.
Acabamos escondidos num cantinho resguardado por duas dunas, mais parecendo um bunker só com o céu como testemunha.
Aí pude testemunhar toda a sua beleza! Estava tão feliz e tão fora de tudo que ficamos até o sol começar a dar sinais de se pôr bem longe da linha do mar (que quando era miudito dizia que era ali que ficava o Brasil, porque o Brasil segundo o meu pai, ficava depois de mar acabar).
Regressávamos apressados de encontro ao corredor das barracas, um pouco afastados (olha o respeito), e sempre com a família preocupada com a demora e com cara de poucos amigos.
Foi uma semana de sonho que se tornou realidade!
Mas a semana terminou! Eu fui para a minha vida e ela regressou ao seu mundo tão distante do meu, que só por carta, nós emitíamos lascas de uma paixão que queria a toda a força florescer, mas a distância formava uma barreira tão alta que enquanto as cartas se trocavam numa correria para não amolecer a paixão. Ela ainda ganhou asas e voava de carta em carta, até que; numa última carta, que seria mesmo a última, mas tinha que a enviar.....................................
Quero começar a escrever mas não consigo!
Tenho tanto para te dizer, mas tudo se cruza, formando um enorme engarrafamento no meu cérebro.
Preciso de um juiz para coordenar e escoar este trânsito composto de realidades, que me mudaram e que proporcionaram uma séria viragem na minha vida.
Essa viragem deu-se quando alguém, correu para mim! Oferecendo-me o seu amor e a sua companhia, hora a hora. Minuto a minuto!
Foi aí que eu me refugiei, foi aí que desabafei as minhas mágoas. Foi aí que eu busquei um pouco de tudo. Mesmo tudo!
………..Só lamento agora que aprendi muito e quero aprender mais e mais. Não poder descobrir um pouco mais a imensidão de sensações que o mundo nos delicia. Sinto no fundo do meu ser que tenho amor para o partilhar com uma duas ou mais mulheres.
Mas é com esta que vou ficar, porque está comigo a todo o momento.
Sem pressas!
Sem portas para bater e alguém não as poder abrir para a deixar no dia seguinte voltar, para os meus braços!
Sem compromissos, mas a necessidade de estar junto a ela, é tão forte como o ar que eu respiro!
Sem tabus que impeçam viver uma paixão de dois adultos sistematicamente, procurada nos esconderijos, marcados com o nosso suor e amor. Que só a nós pertencia!
Esquecer-te nunca! A pureza do teu ser naqueles dezassete anos tão puros e tão perfeitos, deram um laço na minha vida que nunca será desfeito. E que o tempo irá se encarregar de o resguardar junto a meia dúzia deles que já lá encontraram o seu cantinho.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Angola o Filão Para Alguns


Angola! Angola!
Esse enorme país que Salazar tudo fez para o não perder!
Descarregou aos molhos nas matas, os nossos soldados. Que eram nossos tios, os nossos pais, os nossos irmãos. Para defenderem um país que a todo custo queria ser independente, mas Salazar insistia na sua teimosia já caduca em não abrir mão de Angola, porque Angola era o filão do futuro, era a salvação da nossa economia de então, porque daquele país brotava riquezas sem fim.
Riquezas, que muitos raivosamente rondavam, mas Salazar achava que Portugal era o único por direito a assumir essas riquezas, já que Angola era nossa.
Fazia parte de Portugal e seria Portugal a tornar Angola a bandeira içada bem lá no alto do continente africano como a imagem do poderio português e como tal, tudo que nascia em Angola era português. Hoje amanha e para todo o sempre.
Mas Angola cansou-se de ser um país colonizado! Lutou para ser independente e depois de uma guerra que deixou marcas em ambos os lados, ainda hoje passados mais de trinta anos se recordam histórias de mortes que foram inúteis já que o objectivo (continuar com Angola na rota do domínio português), era à partida impossível, só possível na mente de um homem já ultrapassado pelo avanço do mundo.
Angola obteve a independência, um facto que o 25 de Abril acelerou e ainda bem. Para todos os que lá combatiam, assim puderam voltar para casa e outros evitaram de para lá aterrarem fugindo a uma morte sem sentido e inútil. A independência de Angola era um facto consumado levasse o tempo que levasse.
Consumada a independência, Angola entrou numa guerra fratricida, onde dois galos (UNITA/MPLA) de ódio estampado no rosto, lutavam selvaticamente por um poleiro cheio de riquezas por explorar e que a guerra tardava em desbravar.
Portugal dividia-se no apoio das partes, com tendência para a UNITA, o que levou a um distanciamento do lado do MPLA, que entretanto conseguiu por fim à guerra com a morte do lírico, traído e isolado líder da UNITA.
Tomado o poder pelo MPLA, com a sua figura José Eduardo dos Santos (nome bem português), a tomar as rédeas das riquezas agora sim, desbravadas do subsolo angolano que parecem não ter fim. Juntamente com uma dúzia de submissos que também tem direito ao seu quinhão, afirma-se no mundo como uma potência. A serem encaminhados todos os meios ao alcance, porque aí é que está o filão para investir e assim obter os lucros tão necessários para as economias esganiçadas de países a braços com esta crise que aterrou na terra sem pré aviso e por cá parece que quer acampar, apesar de todos os esforços até agora infrutíferos para a obrigar a desfazer o acampamento.
Portugal devido às quezílias de uma colonização a ferro e fogo e de um menor apoio à tendência comunista do MPLA, que acabou por tomar o poder e anos mais tarde vencer as eleições num processo livre e democrático. Sofre as agruras para entrar neste país e poder ter privilégios como um país onde se fala a mesma língua e fazendo parte da CPLP.
Num esforço diplomático Portugal abre-se a Angola! E de um País colonizador, passa a País, refém dos africanos. Porque Portugal precisa nesta fase critica de Angola como de pão para a boca!
É em Angola que pode estar a, salvação não digo, mas o evitar ainda mais da nossa economia ir por um descarrilar sem fim á vista.
É em Angola que vão aterrar (já teve inicio) muitos portugueses. Fugindo a uma falta de emprego sem paralelo.
É em Angola que os novos licenciados procuram materializar na prática os anos de estudo que calcorrearam pelas escolas portuguesas.
É em Angola que se dará o novo fluxo de emigração, como se deu nos anos sessenta para França e muito antes para o Brasil.
E perante isto não estranhou todo o aparato que Portugal vive com a presença de José Eduardo dos Santos e sua comitiva.
Honras de estado a um presidente africano ao nível de um presidente Americano.
Recebido por Cavaco Silva, que se desfazia em elogios repetitivos, mostrando uma vassalagem sem sentido, quase obrigando o presidente angolano a pensar com os seus botões: antes éramos nós humilhantes e pedintes, hoje cabe a vós sentir o que já nós esquecemos!
Angola em peso, está cá na máxima força! São assinados acordos nos vários domínios, onde a balança penderá sempre para o lado angolano.
Demonstram todo o seu poderio como uma nação onde os horizontes de conquista só serão abertos a quem der mais! E o der mais é a factura a pagar para entrar naquele imenso território salpicado de riqueza.
Pagam-se chorudas compensações a uma dúzia de comilões, deixando sempre um quinhão para o chefe supremo.
Assim essa dúzia pode comprar e fundar bancos, fazer nascer grupos económicos que controlam diversos sectores essenciais de um país, como está acontecer em Portugal. E deixam o seu próprio país ao deus dará (Angola) onde é um salve-se quem puder, para milhões e milhões de angolanos que contemplam com os estômagos inchados de uma fome que leva à morte. Os castelos blindados nas colinas de Luanda, dos iluminados por um Deus, que não é para todos, só para os amigos do presidente e sua equipa escolhida a dedo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Os Momentos que Povoam a Memória



Éramos meia dúzia de amigos e colegas de ocasião, prontos a beber umas canhas e comer umas tapas, depois de um dia a desafiar as montanhas dos Pirinéus, resguardados e almofadados dos pés à cabeça para que as quedas não deixassem mossas, mas elas aconteciam sem gravidade, onde a neve penetrava pelas costas e arrefecia o traseiro ao mesmo tempo que se tornava liquida deixando uma sensação amarga de um rabo meio molhado colado ás calças. E esquiássemos aproveitando a extraordinária paisagem com um tempo magnífico, o sol contemplou-me do início ao fim, na semana de umas férias, aguardadas com aquela ansiedade de meninos, que ao longo da vida não deixamos de o ser.
E o restaurantezeco típico, com as chouriças caseiras e presuntos pendurados na chaminé a curarem para adquirirem aquele sabor de deixar agua na boca. Bem num canto, ao pé dos quadros que enalteciam as pessoas famosas lá da zona que tinham colocado o pé neste cantinho. Com o balcão envidraçado, cheio de iguarias tradicionais (as chamadas tapas) e as canhas (cerveja a copo) a rodarem balcão fora e ornamentarem as mesas cheias de pessoas ávidas para refrescarem as gargantas de um dia intenso deixando os lábios secos e o estômago com um ratinho incomodativo.
E a dado passo por entre gargalhadas e um desfilar das peripécias de umas descidas meias vertiginosas onde nem as quedas paravam tal speed, só terminado no final, onde se juntavam milhares de esquiadores de material às costas, prontos a regressarem nos autocarros rumo ao aconchego, como neste caso de um bar. A cantar aquelas canções tradicionais, que enchem as nossas memórias de tempos passados e desafiares a mesa ao lado, onde o ora agora cantas tu, ora agora canto eu, se prolonga pela noite e ninguém quer dar parte de fraco e vive-se uns momentos espectaculares, com o desfilar de canções sem fim.
Passado algum tempo tens o restaurante animado, com todos a cantarem e a baterem palmas num ambiente lirico, que enche as caras e os corações de quem lá está de uma alegria maluca e entusiasmante.
És agraciado com mais umas rodadas de graça e sentes-te nas nuvens, porque te divertiste. Fizeste com que muitos passassem bons momentos e arranjastes novos amigos, sinal de que o mundo não é tão insensível como isso. Para isso basta te rodeares de pessoas alegres e que podem proporcionar bons momentos.
Não se olham a classes (e existia pessoas com profissões elevadas), todos cantam. Todos se divertem.
Canta-se o fado, canções do saudoso 25 Abril e tudo o que nos vem à memória.
O momento é entusiasmante e nesta fase a voz já está rouca e gasta. Ainda bem, já que o reportório esgotou-se. E o repetir torna-se sinónimo de desgaste.
É hora de regressar ao hotel e preparar-me para dormir um pouco, porque umas horas depois à que levantar cedo, o autocarro não espera e mais uma pista se abre no meio de montanhas enormes tão brancas, prontas a receber estes esquiadores de meia tigela, para se divertirem a gozarem um pouco das maravilhas que a natureza nos proporciona. Que com a intervenção cuidada da mão do homem originam cenários para a prática de desportos fantásticos, que superam e justificam o investimento que leva meses a amealhar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Domingo Virado para a Religião!


Voltou o domingo!
Deito-me já tarde e claro, tarde me levanto! Desta vez sem alaridos de paixão, mas feliz, sabendo que alguém me dá o antídoto que me fás sorrir de peito aberto para o mundo.
Domingo cheio de sol para alegria de um povo arredado dela por motivos sobejamente conhecidos
Sol que penetrava no corpo e fazia reluzir um ligeiro sorriso que ampliava a satisfação na certeza de umas horas com sol, até a noite cair.
Começo com o indispensável café, único vício que me corrói o corpo e me obriga a recorrer a três por dia.
Depois de um almoço de arroz de pato caseiro, que me obrigou a desfiar a carne com os garotos, onde se aproveitou para por a conversa em dia e elogiar o puto mais novo acabado de vir de um jogo de futebol, onde marcou cinco golos e como é lógico não parava de se auto elogiar tamanha a excitação que demonstrava.
Aproveitei a tarde para assistir à Procissão de Passos, cerimonia religiosa que evoca todos os passos de Cristo até à morte.
Já não o fazia à uns bons anos e como acabei de regressar de umas férias que refrescaram as minhas ideias. Pudera, o gelo galgou as roupas e penetrou corpo acima e corpo abaixo, encolheu as partes que nos conferem o poder de macho, deixando-me dias sem vontade para reagir a estímulos vindos de olhares maliciosos. Mas aliviou o cérebro já saturado de uma rotina sem fim.
Então resolvi ficar por cá e passar o Domingo junto às minhas origens, bem perto do coração de uma cidade que confesso já pouco me diz.
Enquanto aguardava que a Procissão chegasse ao local onde resolvi permanecer, com as ruas apinhadas de gente, pus-me a percorrer toda aquela gente acotovelada umas nas outras, na esperança de obterem os lugares da frente para melhor verem todo o desfile e pesarosamente observei como esta crise está a por todos nós (uns mais que outros).
As pessoas estão mais pobres, cada vez mais! Carregam um semblante triste, sem alegria no olhar e por momentos vi-me miúdo. Onde as pessoas eram na maioria pobres, as melhores roupas eram idênticas ás dos dias de hoje. Só a alegria de antigamente era mais pura da de hoje, onde a alegria se fecha num horizonte cada vez mais nebuloso.
Era cativante a vida uns anos antes! Onde todos tinham poder de compra e uma Procissão como a de hoje, reflectia a alegria de milhares em mostrar a redoma em que estava incutida a sua vida.
O dinheiro rodava num círculo que envolvia quem comprava e quem vendia. Que por sua vez levava os que vendiam a comprar aos que tinham antes comprado. E assim se mantinha uma Sociedade feliz, prospera e que todos infelizmente julgavam se manteria por gerações de filhos e até de netos.
Até os famosos bolos de Romaria, vendidos ao virar de cada rua e facilmente identificados pelo cartucho de papel branco e que era o mata-fome dos miúdos já cansados da espera pela Procissão, sentados nos passeios. Deixaram de ser avistados, aparece um aqui, outro mais adiante e assim se percorre centenas de pessoas. Já que o dinheiro se vai e já é pouco para tanta despesa.
A Procissão passou! Os figurantes coitados, a maioria crianças cansados de uma longa travessia pela cidade com paragens a cada vinte metros ansiavam pelo seu final já não conseguindo seguir o alinhamento apesar da ajuda dos Escuteiros, auxiliadores voluntariosos.
Passou o imponente andor com o Senhor dos Passos! Majestoso na sua envergadura! Dez homens carregavam-no Avenida acima, batendo com o suporte (para segurar o andor aquando das paragens) no chão, num som ritmado que entoava por cima das cabeças de todo aquele povo paralisado pela emoção de um momento religioso que nos envolve. Outros tantos faziam a guarda e prontos para a necessária substituição dos colegas.
De seguida outro, o de Nossa Senhora de manto azul que cobria a parte de trás do andor onde figuras femininas importantes cá da terra de olhar sério mas perscrutando todo o povo na tentativa de ver quem cá estava e serem vistas, no lugar que não é para qualquer uma.
E antes de levarmos com a banda de música, que encerrava a Procissão, assistimos ao momento alto de toda esta marcha religiosa, a comitiva que ocupava o Páleo. Desde figuras religiosas como o Bispo, o Arcebispo e as altas caras conhecidas da cidade e do distrito. Presidente da Câmara, Deputados, Empresários etc. Um rebanho de autoridades, com o Bispo a pastor.
Findou a Procissão! Acabei o dia rodeado de pastéis de carne e empadinhas, tudo quentinho com o vinho branco maduro alentejano bem fresquinho que regou uma garganta seca de emoções, mas virado para a Fé. Que apesar de tudo, sigo com frequência, não só pela educação que me deram e que transmito aos meus filhotes, como no acreditar que a fé move montanhas e inspirando esta mesma fé, caminho feliz em direcção ao futuro que parece tão longínquo, mas é já ao virar da esquina.

domingo, 8 de março de 2009

Até Onde Pode ir o Nervosismo dos Deputados


Os nossos deputados são o garante nesta fase conturbada de travessia do deserto ainda sem um fim à vista, de episódios que abalam a réstia de esperança dos portugueses poderem acreditar nessa imensidão de pessoas que ocupam o hemiciclo.
Eles deviam ser a força em defender quem os elegeu e não o contrario!
Eles deviam ser os mensageiros do grito da revolta, vindo dos acossados pela crise que de uma maneira ou de outra envolve pobres e menos pobres!
Eles deviam ser os heróis de um povo martirizado pela escassez de emprego e pela perda do mesmo, que encaminha milhares de homens e mulheres para o abismo da depressão!
Eles deviam ser os embaixadores de boas novas, para que todos nós que os elegemos pudéssemos ao menos sentir o seu esforço. Na discussão de moções, na aprovação de soluções e apontar os culpados de uma crise infinita para muitos já sem esperança, devolvidos ao mendigar. E outros na corda bamba de uma queda vertiginosa a caminho do desespero.
Eles deviam ser os seguidores dos grandes homens que defenderam uma ideologia virada para o fim de uma ditadura que nos arrastou durante anos e anos para um silêncio de tortura psicológica, onde os mais inconformados eram virados do avesso e transformados em meros indivíduos indesejáveis e isolados.
Eles deviam! Mas não o fazem!
São uma seita de seres que se aproveitam da sua nomeação para se promoveram a todos os níveis!
São, não digo todos. Mas muitos, daquele circo sem artistas. Verdadeiras aberrações na assimilação da responsabilidade que o povo lhes entregou. Na única forma que tem de acreditar em algo para o bem do país e de todos nós. Através do seu voto, hoje a única certeza de poder que temos em escorraçar quem não soube governar um país. E dar oportunidade a outros que prometem não cometer os mesmos erros dos antecessores.
Mas continuamos a assistir a autênticos folhetins e zanga de comadres.
Primeiro foram as ausências aquando de uma votação para parar ou não com um sistema de avaliação dos professores que agitava o país e confundia a opinião pública, nada dada a grandes manifestações que se estavam a prolongar demasiado tempo. E que já aqui fiz eco, não adianta chover no molhado.
Há bem pouco tempo num debate acalorado entre o Primeiro-Ministro e o líder da bancada laranja, alguém dessa bancada chamou palhaço presume-se ao nosso PM, já que nesse momento era ele que fazia uso da palavra. E pela perspectiva do resumo dado pelas televisões, todos nos apercebemos de onde veio tamanho desaforo já que apanhou o microfone do líder laranja aberto.
Agora assistimos a um bate papo entre deputados dos dois grandes partidos cá do burgo. Onde o socialista esgrimindo os seus argumentos, entrou no campo privado de um deputado da Social-democracia e foi uma troca de galhardetes, com o Socialista aproveitando o seu tempo de uso da palavra, a insistir no envolvimento desse deputado nas matérias em questão (painéis solares) e do outro lado da barricada era os insultos, os impropérios, os desafios para um cara a cara fora do hemiciclo.
Tudo gravado pelas televisões para gozo dos média.
Para fazer lembrar a Assembleia dos países asiáticos onde de vez em quando se resolve os assuntos ao murro. Só faltou ao deputado Social-Democrata levantar-se e enfiar um soco na cara do Socialista ainda de sorriso malicioso estampado naquele rosto.
A Assembleia da República está a virar um local de lavagem de roupa suja entre partidos e como se viu entre deputados. É preciso por cobro a situações desprestigiantes que se tem infelizmente assistido para que as escolas que frequentemente se deslocam a este local, sintam o enorme simbolismo democrático que brotam daquelas paredes e possam acreditar que este edifício é a marca da liberdade de um País, ainda novo em democracia depois de longos anos de ditadura.
Quanto aos deputados, a cada dia que passa, a confiança que depositamos neles tende a atingir o vazio da credibilidade. São escolhidos a dedo pela cúpula dos partidos entre amizades e colheradas de favorecimento. São eleitos por nós, mas para nós, não está virado o seu valor como políticos. Olham para o seu umbigo do alto do seu lugar e apoderam-se do seu estatuto de deputados para fortalecer os seus interesses pessoais e aumentar as suas regalias sociais tanto a curto prazo como depois de dois mandatos, onde lhes espera uma reforma como consolação de oito anos a levantar o braço e bocejar regularmente.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Oito Esquisitices Que Não Enchem as Duas Mãos



Adoro quando as pessoas enumeram algumas das suas "manias".
Aproveitando o espaço dos blogues, juntam meia dúzia de manias, como dizem os mais extrovertidos. E outros mais, preferem as particularidades. Que em muitos casos são autênticas virtudes.
Enumeram as que eu vou chamar de esquisitices! E lá lançam frases próprias de uma vida conjugada dentro desses factores, enchendo o bem-estar essencial para caminharem dentro desta Sociedade tão criticada, mas obrigatoriamente assumida.
Mas quase todas elas (ou todas), em relação ás pessoas, na parte mais almofadada de uma relação. Seja de amizade, seja de afectividade …. Alegam que não chegam a ocupar os dedos de uma mão.
O mundo é povoado de milhões e milhões, de potenciais ocupantes das duas mãos. E já não digo mais. Mas drasticamente ficam-se pelos dedos de um terço da mão, onde acredito piamente, o mindinho é o que ocupa o lugar de destaque infelizmente.
Se possuimos pessoas para amar.
Pessoas para sentir verdadeira amizade.
Pessoas para trocar dois dedos de conversa.
Podemos encher ao menos a mão diariamente! E de certeza seremos envolvidos pela frescura de um nascer do dia, que nos levará a encerra-lo com um olhar feliz que vai contagiar quem por perto nos aguarda!
Perante tudo isto chegou a minha vez de enumerar meia dúzia de esquisitices, ao som dos U2, das músicas dos anos oitenta que me enchiam de speed contagiante e me punham a cantar no banho feito doido hipnotizado. Com a alegria de eles regressarem nestes dias cheios de vontade de arrasar uma Sociedade ávida de alegria para encarar as tristezas que nos despontam dia a dia as rugas que infelizmente nada podemos fazer para as esconder.
Aqui vai!
-Esquisitices, que não passam de sonhos e os sonhos comandam e prolongam a vida!
-Durmo as horas que cada dia me oferece!
-Fujo do telemóvel como o diabo da cruz!
-Tenho um baú de recordações que as estou a transpor para o meu blogue que me enche as mãos de um aroma a nostalgia!
-A viagem da minha vida, é sempre com o mesmo itinerário. Os braços da minha jovem
-Faço amor como um tapete rolante, para que no final volte a encontra-lo e só pare quando caio para o lado ofegante de prazer!
-Cozinho de avental florido pratos usuais sempre provando a comida lambendo a colher de madeira já proibida, sem sentido!
-Sonho com o espaço infinito, para estar bem juntinho das estrelas!