segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Domingo de Páscoa


O Domingo de Páscoa iniciou-se num clima de religiosidade e de angustia já um pouco refeita, dado que na Páscoa de à dois anos, um familiar muito novo partiu para outra vida, já que Deus resolveu achar que a hora dele tinha batido à sua porta e elevou o seu corpo para o céu bem distante de todos nós, deixando um vazio imenso principalmente no seio da mulher e nos dois filhotes.
Mas a hora não era de partidas sem retorno, mas sim de comemorar a subida de Cristo para bem perto de Deus. Onde autentico vigilante dia e noite, controla o mundo e todo o mal que no seu seio se comete.
E como vimos fazendo, reunimo-nos em casa do que tem mais espaço e juntamos um enorme aglomerado de familiares que embelezam um ambiente e enchem-no de alegria e boa disposição.
O compasso percorre a rua! Houve-se o tilintar da campainha, anunciando a sua presença cada vez mais perto, cada vez mais estridente. Aquele som, que o garoto bem se esforça para que seja o mais audível possível, para que as pessoas se perfilem dentro de casa que a chegada do compasso anunciando a ressurreição de Cristo, está próxima, muito próxima.
E ele lá entra! Onde o Seminarista ainda jovem para estas andanças e muito novo para denotar uma fé que ainda não dá frutos. Lá entoa umas palavras simbolizando todo este acto, terminando em oração que os presentes acolhem com um Ámen. Percorrendo com a cruz os lábios dos presentes para o beijo tradicional no joelho de Cristo, como forma de consolo para tanto sofrimento na hora da morte, oferecida de mão beijada aos inimigos da Judeia, lavando as mãos o Pilatos, para que a nossa salvação fosse o preço de tão angustiante morte.
Terminando toda esta cerimonia que se desenrola á dois mil anos e cada vez mais presente nos nossos dias. Talvez lembrando a necessidade de nascer um novo Cristo que venha abalar a sociedade mundial e castigar os corruptos que tudo fazem para acentuar as desigualdades sociais, criando um fosso de dimensões já fora do alcance da vista humana e que faz nascer os bandos de asas infinitas, que nos roubam os nossos pertences a nossa intimidade e a nossa vida.
Dito isto passamos á fase do repasto. Que enche o estômago dos que muito devoram e bebem. E dos que tentando manter a linha corporal fanaticamente entre ginásios e deitas naturais deixam-se levar pelo ambiente e pela gostosa comida.
E pelas mesas cheias de familiares famintos, alinham-se travessas de lampreia assada para uns e arroz de lampreia para outros. Somos muitos e os gostos são diversificados.
O cabrito que não pode faltar vindo da beira interior, criado nos montes sem fim. Dá lugar à lampreia que não deixou marcas. E todos se atiram ás costelinhas do cabrito, aqueles que chegam com o garfo afiado, antes que os putos e eles são muitos resolvam apoderar-se do que todos gostam no cabrito.
No meio da doçaria, recordamos tempos passados. Infâncias felizes e duras, no meio de desgraças e alegrias.
Saímos um pouco de encontro ao bar não muito distante para a bica tão precisa e indispensável. Respiramos o ar da praia tão próxima e pegamos nos carros para irmos dar uns chutos ao ringue da freguesia, onde primos de idades muito próximas, esgrimem talentos que acabam em golos altamente festejados ora agora para mim, ora agora para ti.
Já no cair da noite, terminamos a festa com um leitão vindo da Bairrada, trazido pela família que lá vive a sua vidinha e com um espumante Loureiro lançado recentemente no mercado onde bebi uma boas taças. Terminamos em beleza um dia em cheio para todos.
Para os miúdos felizes por se encontrarem e partilharem brincadeiras e jogos.
Para os graúdos, tempo de matar saudades e recordar momentos recentes ou já muito distantes que momentaneamente nos invade uma nostalgia, rapidamente evaporada porque o momento é de festa e é para festas que estamos preparados. Tristezas já chegam as do dia a dia.
Claro que hoje sinto-me um pouco ressacado!
Mas feliz com os momentos passados. E conforme as horas vão passando vou-me sentindo mais próximo do meu estado físico normal e já me estou a preparar para outra já que me encontro na casa de um casal do peito e como tal a festa ainda não poderá ter terminado.

sábado, 11 de abril de 2009

A Sexta-Feira Santa de uma Semana Longa




Acordei ao som dos sinos da igreja da paróquia anunciando a comemoração da morte de Cristo.
Nesta quadra pascal, fico um pouco sensível, talvez devido à minha educação cristã e ao envolvimento que a minha infância sofreu virado para a igreja. Nomeadamente na catequese e depois no Escutismo.
Comecei a semana refugiado em mim, apesar de estar envolvido com a família!
Percorreu-me a necessidade de me isolar um pouco e estar comigo mesmo. Ou seja estar com os meus pensamentos e refugiar-me no interior do meu ser.
Iniciou-se logo no Domingo. A tarde passeia sozinho, virado para tarefas de bricolage, refugiado no complexo de garagens que suporta o prédio, onde a minha fecha todo o correr de dezasseis garagens formando duas filas de oito com o espaço para os automóveis entrarem e saírem. E aí recolhido no meio de utensílios já fora de uso e recordações materiais dos miúdos ainda bebés, recordei momentos marcantes de uma vida feliz, que me libertaram uma nostalgia contagiante levando-me um pouco à emoção de reviver imagens tão vincadas na memória de um tempo virado exclusivamente para os filhos.
Foram horas de descompressão e saudade. Com a certeza de uma garagem arrumada, onde cada coisa ficou no seu lugar e no final sentia-me mais leve e subi ao encontro da família entretida nos seus afazeres, deixando-me entregue à minha disposição e refúgio.
Entrou a semana e a rotina manteve o seu cariz usual, alternando com ligeiras oscilações positivas dos filhos, já que estavam de férias e havia muito para contar conforme os episódios mais ou menos caricatos lhes surgiam e num ápice começavam um rol de conversas que enchiam o almoço, ou o jantar de momentos divertidos e felizes.
O trabalho decorreu dentro da normalidade do costume, com troca de amêndoas entre os colegas e pão-de-ló na quinta-feira, como saudar a chegada da Páscoa e as portas abertas para um fim-de-semana prolongado.
E a sexta-feira chegou e acordei ao som dos sinos. De manha dei uma fugida ao emprego, havia assuntos importantes a resolver e duas horas depois levava o mais velho para um fim-de-semana, na companhia dos primos para gozarem um pouco das novidades de cada. Voltando a casa de encontro ao restante agregado que sem mim nada faz, o pai é pau para toda a obra.
A tarde passei-a, a preparar o meu arsenal de garrafas para engarrafar o vinho espectacular do Alentejo. Que todos os anos (já lá vão oito), por esta altura torna-se um ritual. E foi uma alegria para o mais novo, que de mangas arregaçadas colocava as garrafas lavadas no escorredor e excitado, já que não parava de falar, (queria saber tudo e queria respostas para todas as duvidas), colocava-as delicadamente dentro das caixas, onde eram guardadas, para serem enchidas com a pinga que me regala. Que delicia a quem ofereço meia dúzia de garrafas, a quem convido para jantar, a quem já o conhece e aparece para um copo.
No inicio da noite depois de uma costelinha assada feita por mim e dois, ou foram três! Não interessa, copos do vinho já referido. Fui assistir a um espectáculo de uma banda integrado nos ciclos de som e observação cá da terra e pude deliciar-me com uma banda revestida de trompetes, violinos e teclados vintage. Onde me transportaram para cenários singulares e confesso que me diverti e até dei uns berros de empatia para contagiar o grupo, mas mais a assistência que me rodeava. Onde a mulher não parava de me chamar maluco e beliscando-me o braço tenazmente para eu me portar bem.
Foi excelente para afugentar todo o stress, que se acumula ao longo da semana, deixando um sentimento de leveza e boa disposição.
Terminei a sexta-feira santa que já leva dois mil anos (ou quase), assistindo à paixão, que a RTP passava sobre a ultima semana da vida de Cristo, com a excelente qualidade da BBC.
Adoro este tipo de séries, deixam-me mole e amoroso. E já altas horas da noite, recolhi ao quarto para o merecido sono, sem antes recolher e ser recolhido pelos braços e pelo corpo da minha jovem que me elevou para outro tipo de paixão que não a de Cristo.
Ressuscitando pela manha envolto no perfume de uma chama ardente, que me despertou para um inicio de sábado feliz e satisfeito comigo mesmo.
Com tudo o que me rodeia. E com a certeza de que a família está unida no seio da alegria, felicidade e saúde.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

As Eleições Europeias Enchem as Rotundas



As eleições europeias entram-nos olhos dentro, pelos cartazes do tamanho de um autocarro que se encontram bem no meio da parte de fora das rotundas.
Quanto maior for o cartaz, maior é o impacto! Hoje a grande aposta dos partidos. Poucos mas enormes, assim enchem os olhos do povo, colocados bem no centro nevrálgico, onde desagua todo o trânsito e leva com esses monstros, que são os cartazes da propaganda eleitoral.
Lá temos o do PS ‘Nós europeus’, com o cabeça de lista Vital Moreira, em grande destaque.
Em principio o PS irá eleger mais de uma mão cheia de deputados, mas Vital Moreira é o porta estandarte e como tal só ele, mas só ele tem o direito de se assenhorar de todos os cartazes que à dias embelezam centenas de rotundas por esse país fora.
Um destes dias tive que parar dois ou três minutos na entrada da rotunda devido a um acidentezeco de trânsito e aproveitei para analisar melhor esse cartaz do PS.
Aí temos um Vital Moreira de rosto lavado com o cabelo branco mas requintado.
Com um olhar confiante. Confiante na vitória e confiante em açambarcar a opinião publica para que o PS, saia reforçado nestas eleições e assim sendo, tem à sua frente o trampolim que o projectará rumo a encarar com optimismo as próximas eleições, que não tardam. Neste ano cheio de comícios, ruídos políticos até dizer chega e o nervosismo pelos resultados até ao encerramento das urnas.
Mas voltando ao Vital Moreira, Retratado como um simples cidadão que teve a honra de ser convidado pelo partido que ainda possuiu a maioria dada pelo povo português. Que num tempo não muito distante, onde a sociedade portuguesa lutava e defendia ideais, que monopolizavam grande parte da população. Vital Moreira era um comunista reputado e defendia um sistema social e político, muito diferente do que hoje ele assume ao assumir a liderança de umas eleições, que representam mais para o PS internamente do que para o PS virado para a Europa.
Os tempos são outros. A Sociedade europeia exige, adaptação aos novos valores e como tal, pessoas tão reputadas como Vital Moreira evoluíram com o passar dos anos, deixando para trás a ligação a um partido, remetido a ideologias gastas e obsoletas, que a pouco e pouco vão deixando secar a agua que levam ao seu moinho.
O PS apostou forte nesta figura! Acredito aposta pessoal de Sócrates. E para já aposta ganha já que os opositores, tardiamente colaram os seus representantes a cartazes bem mais apagados do que o do PS, iluminando uma figura reputada da nossa Sociedade, Que enche de cor as rotundas, que nestes últimos anos Portugal apostou para embelezar cidades e vilas de norte a sul.
Ainda bem quentinha está a lista ontem aprovada pelo CDS. Que já fez mossa com a demissão de um alto responsável centrista, talvez convencido com o ovo da Páscoa para alguém, mas no final sem ovo nem Páscoa!
Que consta com figuras já muito conhecidas do partido e que correm deixando tudo ao menor gesto de Paulo Portas, que se apresenta ás eleições europeias no meio dessa lista. Dando primazia ao líder da bancada Nuno Melo, amigo do peito e oferecendo o terceiro lugar a Teresa Caeiro, a mulher que o apoia incondicionalmente.
Claro que Portas tinha que terminar a vingançazinha ainda atravessada de tempos não muito distantes e acabou com a permanência dos dois representantes (mais um do que o outro, mas acabaram por vir os dois no comboio sem regresso), no parlamento Europeu, que já tinham lugar cativo e ameaçavam eternizar-se por aquelas bandas que enchem a vista e os bolsos.
Espera-se a todo o momento pelo anuncio do candidato laranja e como disse Manuela Ferreira Leite, o anuncio será feito, talvez com pompa e circunstancia no timing, previamente estipulado por ela e só ela, já que é a máxima representante de um partido autentico vaso chinês, quebrado em mil cacos. Ainda à procura dos restantes bocados,para que o vaso seja reconstruido, que se infiltraram em buracos internos e de lá não querem regressar ao aconchego do partido.
Espera-se dos restantes partidos as listas possíveis para a concretização do objectivo principal: a eleição de um ou dois deputados, que seriam o baluarte de uma politica segundo eles contra a política do PS, tão ruinosa para o país. Mas internamente o garante de mais uns anos na mó de cima, para barafustar contra tudo e contra todos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Primeiro Contributo Para Enfrentar a Crise


Ainda na pujança da indústria, os acordos que eram realizados entre as delegações sindicais e as patronais, em matéria de aumentos salariais, eram discutidos sempre num clima de alguma tensão.
Os patrões com as lamurias do costume, lançavam para a mesa aumentos irrisórios. Sempre era um princípio de negociação e passavam logo a batata quente para as mãos dos sindicalistas, que de uma proposta impensável eram obrigados a rever a cada reunião com o patronato.
Ora agora desces tu! Ora agora subo eu, mas pouco!
Era neste sobe e desce que se arrastavam as negociações durante dias e dias para se chegar a um número que seria o aumento acordado entre as partes, para vigorar durante um ano.
Escusado será dizer que os patrões levavam sempre a melhor. Existia sempre um não deixar a corda rebentar e como em tudo na vida, os pequenos (sindicato/trabalhadores) acabavam por ceder praticamente às pressões do patronato e todos os anos os aumentos cifravam-se por percentagens insignificantes, que nunca acompanhavam os valores da inflação e os trabalhadores das bases (esses pobres desgraçados), carregavam às costas a dureza do trabalho mal pago, com a desgraça de se acomodar ás vicissitudes de uma vida que eles assim a fizeram, ou então foram encaminhados pelos progenitores, sem espaço nem capital para preparar o futuro.
Entretanto criou-se os subsídios. Uma excelente forma de proporcionar um aumento aos trabalhadores e com a boa noticia de não ser retidos nos descontos.
Assim os patrões no salário de cada um praticamente não mexiam o que era óptimo. Assim os descontos feitos para o Estado pouca alteração sofriam. E o aumento era inserido na sua maior fatia, nos subsídios.
E durante anos, todos os aumentos incidiam no vencimento base (reduzida percentagem) e no subsídio de alimentação. O que originava ganhos para ambas as partes e viveu-se um clima de aceitação entre o empregador e o empregado.
Mas como tudo o que é bom acaba depressa. Chegou agora a notícia de que o governo através do Ministro do Trabalho e da Segurança Social, quer terminar com os subsídios não tributados. Como forma de arrecadar receitas para uma segurança social, sem futuro nem caminho para garantir as reformas dos trabalhadores a médio prazo. E o Ministro acha que com esta medida reforçara um pouco a sobrevivência da Segurança Social.
A crise levou o fundo da segurança social.
O desemprego ameaça a ruptura do que ainda existe arrecadado aos contribuintes.
E como o nosso país continua a pagar reformas chorudas, aos que contribuíram para que a nossa nação seja um mar de rosas cheia de espinhos e em muitos casos: não uma! Não duas! Mas três! Reformas para uma só pessoa e elas são às centenas e centenas, onde ninguém pode alterar todo este carrossel de desigualdade social.
Só existe um caminho para o estado! Ir buscar receitas que irão penalizar ainda mais os pobres que hoje pouco tem e assim amanha nada terão.
Aí está uma das primeiras medidas, para fazer face a que esta crise já amarfanhou.
Muitas aí virão é só deixar passar este ano de eleições, onde muito se joga e onde milhões de portugueses irão votar na ilusão de dias melhores, mas desgraçadamente irão ser dias de um vazio sem fim.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Obama Agitou a Europa de Norte a Sul


Obama agitou a Europa de norte a sul, desde o recanto mais agreste, ao barulhento poiso citadino.
A agitação é tão excitante, que a milhões de europeus se lhe perguntarem quem é o seu presidente, eles não sabem! Mas sabem quem é o Obama! Rei da América. Profeta do mundo!
Obama onde poisa aquela passada larga que sustem um corpo esguio, elegante e mulato dos pés à cabeça, deixa para a historia, a marca do seu poder imenso, tanto como o homem que é, como o país que lidera.
A sua alegria como um raio intenso de sol, sempre com um sorriso rasgado de orelha a orelha, contagia tudo e todos!
O seu charme que se liberta pelos poros, contamina as multidões, contamina quem o rodeia. Enfim, contamina o mundo que o aclama!
A sua inteligência, que se prevê seja a bênção para todos nós, transbordou daquela boca larga como a entrada do céu. Onde suas palavras, sem gaguejos, sem interrupções, sem desilusões. Fluíam harmoniosamente!
-É extraordinário que uma Europa inteira, fique de olhos em bico com tamanha personalidade!
- É extraordinário que um homem, vindo do outro lado do oceano, entre pela Europa a dentro e transfigure tudo em seu redor.
É extraordinário que um homem, transforme dezenas de chefes de estado, a simples figuras decorativas com dois ou três a porem-se de bicos em pé para tentarem chegar ao seu ombro, talvez encontrando aí um amparo como a tábua de salvação para a última chance de encontrar as soluções para tão cenário de provações!
- É extraordinário que um homem percorra meia dúzia de países aqui na nossa Europa, como se em casa estivesse! Não só pela cortesia esperada e esmerada dos europeus. Mas também pelo seu carisma muito próprio sem igual!
Compareceu às conferências de imprensa, com as soluções e os apelos para a custosa e demorada crise que nos afecta, ciente da gravidade e ciente que quem o estava a ouvir, sentia que ele estava a ser verdadeiro e humano. Não politico e demagogo.
Discursou para milhares de olhos europeus ao ar livre no meio do ar que nos alimenta e nos mantém vivos.
Com milhões e milhões por esse mundo fora, agarrados ao ecrã. Onde todos foram envolvidos pelo calafrio da emoção, a cada palavra. A cada gesto. A cada movimento por mais pequeno que fosse, deste homem que surgiu com um sonho. O sonho de presidente de uma grande nação. Tão grande, mas tão grande e por incrível que pareça ainda tão jovem!
Esse sonho foi crescendo, crescendo. E quando ganhou chama ardente dentro do seu cérebro, foi como o sinal para avançar. E ele lançou-se de pés e mãos de encontro aos adversários. A todos venceu! Os humanos e os fantasmas instalados na sociedade americana, que não deixavam as suas raízes.
Ele vai ter com as pessoas que o esperam horas e horas. E com a sua poderosa e enorme mão cumprimenta duas a duas, ou três a três. É tão poderosa e enorme a sua mão, que vai segurar carinhosamente o mundo redondinho como uma bola de cristal, na sua palma e dar-lhe as soluções para alimentar as bocas, as inteligências, os corpos dos milhões e milhões de habitantes que já lotaram todos os recantos desse globo ainda azul da cor do céu que nos abriga da escuridão.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Europa Parou para Receber Obama



Obama aterrou em solo europeu pela primeira vez desde que assumiu as rédeas de uma nação que comanda o mundo! Mas neste momento sofremos as agruras de uma crise iniciada nessa nação e que as imensas voltas, que já se deram, ainda não são suficientes para parar o carrossel da desgraça!
Era aguardado com enorme expectativa! Não só pela aglomeração de vinte chefes de estado, que juntos são portadores de oitenta por cento do PIB mundial e claro está formam o pomposo grupo do G20. Que deles muito se espera para carrilar a crise no caminho da retoma.
Como para conhecer ao vivo este homem saído do “nada” e depois de meses de intensa luta interna, primeiro como vencedor do partido Democrata. Depois alcançando o apogeu com a vitoria categórica na épica eleição para presidente. Onde juntou pretos e brancos, ricos e pobres. E conseguiu amansar assassínios e ladroes que por umas horas gritaram Obama, Obama, Obama!
Foi este homem que congregou todas as atenções!
Fossem elas nas reuniões individuais com presidentes de países, onde a interacção está um pouco toldada devido a vários incidentes políticos (como a Rússia).
Ou com a China, oponente a ter em conta num futuro não muito distante onde por entre sorrisos mais ou menos rasgados, tentando logo aí um reforço das relações diplomáticas bilaterais e com um até surpreendente convite para Barack Obama visitar a China no segundo semestre de 2009, o que Obama terá prontamente aceite. Situação pouco vista com presidentes antecedentes que ocuparam a Casa Branca.
Ou mais ainda, nos banquetes e bailes que faziam parte do protocolo, onde Obama era naturalmente o centro das atenções, conquistando tudo e todos com a sua humildade, com o seu carisma. Tendo sempre um sorriso, um aperto de mão seja para presidentes ou meros chefes de lhe abrir a porta! Com a curiosidade de todos, mas todos lhe conseguirem dizer (os que o conseguiram): - Presidente todo o meu país ansiava pela sua eleição! O que decerto Obama retorquia. Muito obrigado, fazendo uma ligeira inclinação para saudar não só o presidente em questão como toda a comunidade a que ele preside.
Mas Obama não aterrou nesta Europa, recheada de vícios e de desigualdades que se vão acentuando entre países ricos e os infelizes pobres como nós portugueses. Para apertos de mão e palmadinhas nas costas e duas garfadas de boa comida e dois copos de vinho europeu. Veio sim para a tão aguardada Cimeira dos denominados G20 (que eu passo a baptizar pelos Galos com 20 poleiros)!
E depois de um dia intenso de reuniões, onde se pode dizer com uma certa segurança, Sarkosy se fez ouvir, com as suas ideias e sugestões para restringir os paraísos fiscais, pesadelo e cancro desta crise de lua cheia segundo ele.
Uma Ângela Merkel, fanaticamente Germânica! A recusar mais estímulos à economia, pelas grandes economias europeias, como fazendo finca-pé a lembrar que é essa a solução mais prudente e contrapondo de certo modo uma das alternativas de Obama e seus pares……………………….
E no final, em conferência de Imprensa dada após a cimeira. E por entre um sorriso, como a alegrar um pouco a ansiedade de um mundo esperando novas daquela boca que uns dizem sagrada, mas que já teve os seus momentos maus. O Presidente dos EUA mostrou-se optimista quanto ao futuro, mas lançou avisos de prudência!
Avisos de que não é de um dia para o outro, que se resolve esta crise de contornos inigualáveis, sem precedentes na historia.
Avisos de que esta cimeira, serviu para que todos remassem contra a maré na mesma direcção, para ultrapassar as ondas revoltosas que ameaçam cobrir de negro este mundo que todos queremos mais social, mais virado para a partilha da riqueza criada por todos e para todos!
E mais que tudo. Transmitiu a todos os povos, através da Europa onde decorreu a cimeira, que o mundo pode contar com ele. Porque Obama sabe que praticamente todo o mundo, apoiou a sua eleição. E milhões deles rezaram, fizeram promessas, doaram um pouco do pouco que eles tinham, para que este homem, que milhões depositam a ultima esperança para que ele engrene a maquina da salvação e a ponha a girar em busca de soluções o mais rápido possível, para aliviar a penúria que dia a dia lhes entra pela porta a dentro!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Tempo dos Empregos Para Todos


A situação é infelizmente grave!
O emprego é uma miragem para quem o perdeu!
É como procurar uma agulha num palheiro para quem o procura!
Correndo os jornais, batendo à porta das empresas, ou enviando currículos sem fim para empresas do norte a sul, esperando impacientemente que uma delas, ao menos umazinha. Que se lembre do currículo desse alguém que o enviou e lhe dê a noticia, apareça cá que temos algo para si!
É consolidar o emprego que possuímos!
Mantendo-o com todo o nosso empenho, para que esta fase passe e novos ventos, tragam a retoma da economia mundial e a esperança de uma vida melhor para milhões e milhões.
Ao escrever esta simples introdução, estou a recordar quando se iniciou a minha primeira aventura no mundo do trabalho.
Era ainda um miúdo, vinha do mundo da escola, dos livros debaixo do braço, do convívio com miúdos da minha idade, onde só pensava no futebol e nas garotas.
E de um momento para o outro vi-me num enorme salão sem fim à vista. Dividido em quatro secções cheias de máquinas, de grande comprimento e de pessoas agarradas a elas (maquinas) como quem agarra um filho, porque era nessas máquinas que estava o sustento desses homens e mulheres para matar a fome às bocas que tinham em casa e na maioria dos casos eram bocas e mais bocas.
Um barulho ensurdecedor, vindo daquelas enormes máquinas que me deixavam um zumbido irritante nos ouvidos que me acompanhavam para todo o lado.
E gente que nunca tinha visto, nem imaginava que existiam. O meu mundo até aí era completamente oposto e sinceramente não imaginava que existisse este mundo que eram, os trabalhadores dezenas e dezenas deles, com roupas pobres e salpicados de restos de matéria-prima.
A maioria deles, moravam em freguesias que viviam da agricultura, o que originava, apresentarem-se ao trabalho com um aspecto muito pobre e sem o mínimo de brio e muitos cheiravam mal devido a falta de higiene. Criaram-me uma impressão bastante deprimente.
Mas eu não queria me tornar assim. Longe disso!
A adaptação foi terrível! Chorei pelos cantos, nos primeiros dias.
Queria voltar atrás! Queria dizer ao meu pai que me tirasse dali, que me levasse de volta para a minha escola, para junto dos meus amigos e amigas.
Queria sair dali e prometer-lhe que iria ser o melhor estudante da turma e tornar-me doutor! Prometia-lhe tudo o que ele quisesse, mas que me tirasse dali, por amor de Deus!
Mas já nada havia a fazer, os meus lamentos caíram num poço sem fundo e como tal, não havia volta a dar que os emergisse à superfície.
Como o meu pai também lá trabalhava, era encarregado de uma das secções. A resignação acabou por ter o seu acompanhamento passo a passo, o que ajudou à assimilação da realidade.
E pela manha ainda o dia era escuro (cinco e meia da manha), no Inverno era terrível, lá ia eu para o meu trabalho, fazendo metade do caminho pela linha do comboio fora e o restante pela estrada que me levava ao trabalho.
Fazia-me companhia um colega (vizinho), muito mais velho, que percorria o caminho até à fabrica, completamente calado. Raramente trocávamos uma palavra, fazíamos todo o trajecto sem um murmúrio, ou qualquer gesto.
Acho que ele na maioria das vezes ia a dormir, o calo de percorrer aquele caminho milhares de vezes, já lhe dava a pratica de poder ir a dormitar. Por menos era a sensação que me dava.
Pela duas da tarde terminava o meu trabalho e como o meu percurso demorava perto de meia hora, chegava a casa cansado, almoçava o que a minha mãe me deixava e deitava-me a dormitar, para depois ir treinar, onde esquecia todo o meu dia de trabalho e sonhava com o que não era possível! Nem todos os nossos sonhos são possíveis de realizar, mas sonhar não é pecado, até faz bem ao ego!
Como nesta altura estava completamente envolvido no futebol, ajudava a superar todo o ambiente do trabalho e quando estava a trabalhar, procurava imaginar o futebol e tudo o que o envolvesse.
Via-me a jogar num grande clube, rodeado de gente que me aplaudia que queria um autógrafo meu e claro quando acordava destes meus delírios, enfrentava a realidade. A realidade do trabalho! A realidade de trabalhar no duro, sempre pronto para substituir quem faltasse.
Mas os sonhos não comandam a vida! À que parar e enfrentar o que me rodeia, assumindo, que o meu mundo agora era aquele e portanto à que dar o máximo para conseguir algo dentro desta empresa.
Comecei cedo a trabalhar e cedo amadureci para o mundo. Dum mundo em constante mudança e eu tinha que me preparar para agarrar essa mudança e com dinheiro, passei a ter uma vida deveras agradável.
Tinha dinheiro não para muitas loucuras, mas para me proporcionar momentos agradáveis. Podia jantar fora, assistir a um espectáculo, ir à discoteca todas os sábados, etc. …. E mais que tudo, era independente! Não tinha que dar satisfações a quem quer que seja.
Como era uma pessoa com bom carácter e sem problemas de qualquer tipo, a vida corria sem sobressaltos tanto para mim, como para os que me rodeavam.
Tinha um bom emprego e com um bom cargo. Enfim tudo corria bem!
Eram os dezoito anos da pujança, da convicção que o mundo é meu e como tal à que gozar os prazeres da vida.
Dezoito anos, maioridade conquistada, a independência assimilada! Tudo corria bem o mundo era tão magnifico!
A Sociedade entrava na melhor fase da minha vivência!
Portugal começou a fazer parte da Comunidade Económica Europeia e como tal era um entrar diário de incentivos aos milhões que enchiam os bolsos dos novos-ricos que na maioria dos casos os esvaziavam num antro de perdição em lugar de os investir nos alicerces das suas empresas.
Deu no que todos já imaginamos e hoje é um fechar de portas porque os frágeis alicerces ruíram como castelos de areia.