domingo, 26 de abril de 2009

Tambem Fui Militar Mas não Herói (1)


Muito ouvi da comemoração da revolução onde os militares foram os heróis nacionais e lembrei-me que também fui militar, uns bons anos depois da Revolução. E vou recordar a minha odisseia militar e as vicissitudes daí inerentes.
Santa Margarida foi o meu destino, local de grandes apreensões. É uma base de tropas especiais, eu pertencia à quarta bataria, (o termo é mesmo este) onde lidava com os blindados.
Era uma base ligada à NATO (força de defesa europeia) e, como tal, estávamos sempre prontos para qualquer eventualidade. E para que essa eventualidade ao surgir não nos apanhasse desprevenidos, juntavam-se tropas de outras zonas do país para as manobras militares e, durante algum tempo a zona imensa de pinhal da Base, era o local de treino dos exercícios Militares.
As regras imperam, a disciplina é a base do dever cumprido. Tudo o que se respira num quartel é sinónimo de deveres!
O único direito que temos é cumprir os deveres instituídos. É seguir a disciplina à risca, para a curto prazo fazer prevalecer o nosso valor perante os superiores e ganhar a estima deles. E com isso as benesses são uma realidade. E a realidade é passar o tempo militar da melhor forma possível, sem arranjar problemas e esperar que o tempo corra, corra. Para terminar com dignidade ciente de que cumprimos a nossa missão para o bem da Nação.
O começo do dia nascia com os primeiros raios solares!
A barba desfeita, cama bem-feita com a roupa bem esticada. Uniforme limpo e apresentável com as célebres botas a brilhar, para a correr e sem atrasos alinhar na formatura.
Momentos depois éramos presenteados com os exercícios militares. Qualquer falha era o cabo dos trabalhos, os castigos em triplicado nos enchimentos eram constantes principalmente para as “Amélias”. Nome dado aos menos capazes, mas com o tempo ombreavam com os mais dotados.
As refeições, (o bicho papão de todos os militares! Mesmo antes de entrarmos no quartel já vamos de sobreaviso de que as refeições, são mal confeccionadas e de pouca qualidade). O comportamento no refeitório é rígido e sem reclamações, ou se comia o que estava no prato, o que diga-se em abono da verdade qualquer estômago suportava, ou o bar servia de complemento para aqueles que deixavam as refeições a meio.
E por fim era a hora de recolher, o silêncio era de ouro! A maioria dos dias de tão cansados e saturados adormecíamos num piscar de olhos, principalmente durante a recruta. O quebrar era a morte do artista! Ninguém dormia, assistíamos ao nascer do dia na parada seminus a fazer ordem unida.
A adaptação a todo este sistema era custosa nos primeiros dias, devido á complexidade que envolvia esta brusca mudança. Porque não é de um momento para o outro, que eu passava de um certo descontrair na minha vida civil, para regras rígidas e sem argumentação.
E de facto levei um certo tempo a me adaptar, devido principalmente à minha preocupação em defender os mais” fracos”.
A tropa é fértil em conquistar amigos e eles apareciam, muitos. Mas amigos de verdade, uma mão deve chegar para os contar.
Mas de uma mão só completei quatro dedos. Os suficientes para preservar os amigos com quem se partilha o que nos vai na alma. Havia alturas que as saudades das namoradas principalmente, apoderava-se de nós e juntamente com umas cervejolas chorávamos como umas crianças, que bem lá no fundo continuávamos a ser e despejávamos cá para fora sentimentos e preces que quebravam qualquer coração mesmo o mais gelado que possa existir.
O desenrasque nos transportes de comboio, era a situação mais terrível que se possa imaginar, quando o objectivo era chegar a casa o mais rápido possível, ou o ter que chegar a horas ao quartel.
Viajei poucas vezes de comboio, porque utilizava o carro de um colega da minha companhia.
Mas dessas esporádicas vezes, o viajar nos comboios era: dormir nos corredores, o dormir nas grades, o dormir a pé. O passar as horas todas, cerca de seis sem dormir e olhar para o vazio da noite meio a chorar pedindo a Deus para que tudo isto passasse depressa. No Inverno era um inferno, o frio cortava-me a lucidez e passava a viagem a tremer. No Verão, era o martírio do calor e o cheiro ao mofo impediam-me de respirar, dado os comboios irem a abarrotar.
No percurso de carro que fazíamos, onde saiamos por volta das cinco e trinta da manha e só parávamos três horas depois numa pastelaria em Fátima bem pertinho do Santuário, para tomarmos o pequeno-almoço e apreciar as miúdas, que iam para a Escola Secundária.
Diversas vezes, deslocava-me ao Santuário, nessa hora sem viva alma.
Colocava-me bem no meio de todo aquele espaço enorme, completamente só! Contemplava a Basílica e imaginava, toda aquela área atolada de milhares de fiéis, com todo aquele espectáculo de fé, nos dias de comemoração do aparecimento de Nossa Senhora. E eu nesse momento rodeado de uma solidão tão sagrada, bem no meio daquele assombroso local, pensava nos milhões de fiéis que já calcaram este recinto que, digam o que disseram; tem uma magia pura! Uma magia de Fé! Uma magia de amor a Nossa Senhora e ao próximo!
Já fui a Fátima diversas vezes, com muita gente. Mas sinceramente, só quando ia lá e estava completamente só, é que sentia toda a força, todo o poder da Fé. Que aquele lugar emana.
Os fins-de-semana passados em serviços de manutenção e segurança ao perímetro. Local que envolve toda a zona da unidade, corroíam a minha mente!
O tempo não passava! Parecia o caracol, quanto mais andava, mais a sensação que ficava era que estava sempre no mesmo sítio.
A noite era o inferno: No Inverno o frio rachava os ossos, punha os dedos como cabos de fisgas em minutos se os libertasse dos anoraques e quando chovia ficava encharcado dos pés à cabeça.
No Verão era a alucinação! Calor por todo lado, mosquitos zelosos pelo meu sangue, até pela roupa entravam, sacudia-los como os burros fazem, tamanho o desespero de picada em cima de picada.
A rotina dos dias era sempre idêntica e só se alteravam quando surgisse alguma cerimónia de comemoração.
Então, era uma azáfama, tudo tinha que estar em ordem porque o dia do Exército era presidido pelo Presidente da Republica. No dia da Base seria o Ministro da Defesa e no dia da Unidade, o Chefe do Estado-Maior do Exército.
A meio do serviço militar fui promovido a Cabo, um posto um pouco superior ao de soldado. O vencimento era mais alto e no meio dos soldados, um cabo já ocupa um degrau um pouco mais acima e sempre tem mais regalias. Mas nada de significativo, que na prática pouco relevo tem.
Mas o melhor estava para vir!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O 25 de Abril Desabrochou a Esperança

Era um garoto, quando se deu o 25 Abril e eu na minha inocência, pouco entendia do que se estava a passar. Sentia só, que as pessoas principalmente os homens andavam excitados, não paravam, deambulavam por todo o lado, juntando-se em grupos, sempre a manifestar-se ruidosamente e alegremente. Mais tarde vim a perceber que toda essa alegria era inteiramente justificada, pondo fim a longos anos de repressão da liberdade.
Mas na altura que se deu o 25 Abril, estava no largo brincando com os restantes colegas de botas reforçadas e de calças remendadas. E um ruído de alegria entrou no meu pequenino cérebro que ainda hoje lá se encontra armazenado e pela altura da comemoração da Revolução revejo como se fosse hoje, as vizinhas virem para a rua a gritar, que estavam os canhões a entrar por Lisboa a dentro, para matar os fascistas!
O 25 de Abril dos nossos dias passados 35 anos envia-nos um dramático aviso!
Um aviso de reflexão sem rodeios, sem medos!
A cada ano que passa, perdemos um quinhão de liberdade. Porque nos deixamos iludir pelo papão da ganância e corremos em busca do tudo querer e no final tudo perdemos. Diluindo assim a partilha de abrir a Sociedade às oportunidades que deviam ser abertas a todos, para que todos usufruíssem das mesmas ferramentas para abrirem o futuro. E assim homens e mulheres construíam o seu futuro, com a capacidade que desenvolveram ao longo da sua aprendizagem.
A cada ano que passa fechamos os olhos às conquistas de Abril. Na maioria dos casos por míseros bónus, que nos alegram no momento levando-nos à felicidade prematura, mas são a arma venenosa com que entregamos a nossa honestidade aos chacais esfomeados prontos a devorar a nossa integridade.
A cada ano que passa somos vigiados ininterruptamente. Calcam-nos os calcanhares dia após dia, mês após mês. E nós, envolvidos num invisível colete-de-forças deixamo-nos cabisbaixos levar para longe do nosso ser e passamos a viver meios nómadas dentro do nosso próprio espaço, tutelados pelo sistema que ingenuamente deixamos paulatinamente absorver-nos.
A cada ano que passa deixamos de cantar Abril, de festejar Abril, de amar Abril! Porque fomos influenciados por meia dúzia de seguranças de elite com divisas de catedráticos que através da doutrina trazida dos colégios invisíveis para o comum dos mortais, nos lavaram o cérebro e purificaram-no de ideologias próprias, com promessas ilusórias que nos afundaram num beco sem saída.
Por tudo isto comemorar Abril será uma afronta, a todos aqueles que deram tudo para que Abril de 1974, fosse um acontecimento que justificasse os horrores do isolamento, os horrores da perseguição e os horrores de verem morrer pais, mães, filhos.
Eu não vou comemorar Abril! Vou reflectir profundamente e humildemente pedir perdão devido á vergonha de também contribuir, mesmo, que por mais pequeno gesto que fosse, de entregar um legado deixado pelos heróis de uma revolução de mão beijada aos devassos que a coberto da noite e disfarçados de bons samaritanos durante o dia. Nos sugaram com promessas falaciosas e nunca consumadas.
Os heróis de Abril não querem comemorações!
Não querem cravos na lapela por um dia!
Querem Abril todos os dias!!!!
Abril na sua essência! Com Democracia, com Liberdade com Respeito e fundamentalmente com humildade! Porque Abril de 1974. Nasceu de homens e mulheres humildes e íntegros.
O 25 de Abril de 1974 desabrochou a Esperança. O 25 de Abril de 2009, ainda vai a tempo de iluminar a confiança. É só nós pretendermos!

José Sócrates Igual a si Próprio

José Sócrates veio a terreiro fazer um balanço, bem à sua maneira dos males que o País e ele atravessam e apontar as soluções para combater as aflições do País e dos portugueses.
Escolheu para tal optar por uma entrevista no canal estatal e logo aí começaram as desconfianças.
Sócrates esgrimiu até à exaustão, a tese da perseguição a ele próprio. E destacou a TVI, mais propriamente a jornalista Manuela Moura Guedes (através do jornal que ela apresenta às sextas feiras), como o baluarte de uma campanha de autêntica perseguição à sua pessoa, que também segundo ele ultrapassa já todos os limites.
Olhei aquele rosto durante uma hora e vi nele certezas que Sócrates guarda para si, mas que o olhar teimou em o denunciar.
Sócrates sabe que vai ganhar as eleições! A única duvida é se vencerá pela maioria ou não.
Para isso ainda tem alguns meses pela frente e em ano de eleições existe sempre dinheiro para uns brindes que aguçam os mais desfavorecidos, que pagam com o voto aquilo que mais tarde terão que devolver de uma maneira ou de outra.
Sabe que não tem rivais dentro da oposição. Os seus rivais são a comunicação (alguma) e os resguardados pela sombra, que esgravatam como cães raivosos na intimidade dele e tentam trazer cá para fora casos, que também eles estão enterrados dos pés à cabeça, mas esquecem-se que hoje é ele, mas amanhã serão os resguardados. Porque todos eles estão mergulhados no convés do barco das embrulhadas.
Sócrates terá o meu voto como o teve anos antes e como o PS, sempre teve!
Mas isso não invalida que lhe note graves lacunas na sua governação.
Criticar com educação, ajuda na evolução de abrir horizontes para pelo menos não se cometer os mesmos erros. A crítica construtiva eleva a auto estima de um povo quanto mais não seja a mim próprio, que me garante a certeza que não estou parado a ver como vão parar as modas.
Sócrates, continuando a olhar para aquele rosto, mostra-me o político homem e não o homem político!
Ou seja o politico na sua essência. O político igual a muitos outros que deambulam por essa Europa fora.
O político que olha para estatísticas muitas delas manipuladas em pormenores, para justificarem reformas que tapam buracos aqui e ali. Que na maioria dos casos se limitam ao pontual e não resolvem problemas de fundo.
O politico que tem sempre razão! Uma razão que é conseguida com o dar a volta ao cerne da questão e assim vai levando a água ao seu moinho.
Um politico que perante a pergunta de “se põe as mãos no fogo”, assume que sim perante os seus colaboradores directos, apesar de toda a controvérsia que se instalou ao seu redor.
O homem vem em segundo lugar! Porque o homem é mais humano. É mais sensível a dramas sociais. Mais aberto a ouvir as forças vivas da sociedade que voluntariamente dão um pouco de si para travar esta degradação Social em que caminhamos a passos largos.
Claro que quem ocupa um cargo político de enorme envergadura terá que ser primeiro e acima de tudo político e só depois homem.
Mas Sócrates mostrou inteligência. Mostrou preparação para o cargo que ocupa. E como durante estes trinta e tal anos de sucessivos governos Portugal não evoluiu para melhorar a vida de milhões de portugueses. Sócrates terá mais um voto de confiança para no mínimo segurar este país que se vê num labirinto sem encontrar a porta de saída. E como Sócrates já lá entrou, terá que ser ele a encontrar a porta. Ao menos já lá está dentro. Enquanto se alguém vier de uma vitoria (que duvido acontecerá), o tempo que vai demorar a lá entrar será o descalabro, porque tempo é o que escasseia para elevar os índices de confiança de um povo abatido, sem confiança e resignado.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Palácio do Começo do Meu Primeiro Milhão


No domingo pela manha rumei à capital, aproveitando uma ida de trabalho na segunda e usufruindo do Domingo para um mini descanso longe das rotinices e perto do reboliço.
A viagem foi rápida, o sol acompanhou-nos passo a passo e brilhando-nos com o seu agradável calor, saboreamos umas horas relaxantes rolando estrada fora rumo ao destino pré programado.
Lisboa recebeu-nos como quem recebe um minhoto vindo a Lisboa uma vez por outra, enchendo os seus espaços e juntando-se aos milhares que calcorreiam as calçadas, de uma zona nova, construída no tempo das vacas gordas, bem a tempo de lançar Lisboa para as bocas do Mundo e a abraçar milhares de pessoas que diariamente fazem desse local o centro de uma visita que no meu caso levou-me a jantar um bacalhau à lagareiro e no final a uma visita ao casino de Lisboa, onde assisti ao vivo ao concerto do Jorge Palma com um olho e com o outro á vitoria do Benfica, que desta vez encheu o copo e acertou quatro vezes e podiam ser sete numa baliza tantas vezes fechada a sete chaves num azar que já se tornou hábito, em épocas sucessivas de promessas que vão desaguar no atlântico, arrastadas pelo Tejo que passa bem perto da catedral sem papa.
O Jorge esteve igual a si próprio! Uma barriguinha que desponta por dentro da camisa que se solta calça a baixo, sinal de exageros já não contidos. Cantou naquele estilo peculiar e encantou uma boa casa, numa sala em forma de pista de circo onde os espectadores numa espécie de redoma eram a segurança de um Jorge feliz, com o dever cumprido e o cachet garantido.
No final rumei a Sintra onde me levava o trabalho logo pela manha. E pernoitei num hotel bem longe de casa e tão pertinho do mar. Onde aquele aroma logo á chegada numa noite já bem longa encheu-me a alma de sensações e o espírito de recordações de um tempo que já lá vai, mas que faz parte do meu álbum de glória.
Adormeci saciado de frescura corporal e uma paixão de felicidade, embalado pelo bater das ondas a uns metros mais abaixo.
E foi com esse roncar ininterrupto do mar, que acordei e rapidamente, porque a hora já se havia adiantado, não esperando pela minha pausa preguiçosa enrolado aos lençóis e apertado pelo aroma amoroso de um corpo nu, chamando-me para o absorver. Aproveitando o momento só nosso, bem longe de tudo e tão perto de uma intimidade tão simples e tão pura. Que as paredes do quarto viravam o rosto, sentindo que não eram dignas de presenciar tão maravilhoso acto.
Entrei no coração de Sintra! Serpenteei as suas ruas marcadas pela história e guardadas pela natureza na sua essência.
Penetrei no Palácio de Seteais. Vi-me um príncipe séculos atrás, dono desta parte do mundo e senhor supremo de pessoas e de tudo o que elas tocavam.
Acordei de um sonho, numa sala adaptada a palestras e colóquios e por entre convidados, oradores. Termino a primeira parte do evento a ouvir o senhor do já famoso “O seu primeiro milhão”. Jovem novo, com sangue na relga. Com soluções para que nós possamos atingir passo a passo o nosso primeiro milhão. Mas deixando no ar, que será bem mais fácil ele atingir o segundo milhão, do que nós o nosso primeiro.
Pausa para o almoço revestido de iguarias sem fim, num espaço a cheirar a retoques de história, onde tudo foi restaurado com incidência na época. Partimos para o resto da tarde a ouvir novas técnicas de investimentos em aparelhos e inovações de tratamentos e com o apego deixado pelo Dr. Pedro Carrilho, era usual alguém rematar que o princípio do ganhar o milhão, começava por adquirir a inovação.
Findo o evento e admirando uma vez mais aquele espaço revestido de história e de segredos bem guardados.
Onde paira no ar um aroma a poder sem limites de quem possuía tamanho quilate de propriedade. A quem era senhor de si e de tudo o que o rodeava. Regressei ao meu cantinho, já com saudades dos filhotes, que são tudo para nós. São o nosso palácio sem limites de propriedade e sem limites de amor.
Mas antes, paro no leitãozinho da Mealhada, onde dou graxa à empregada para arranjar só costelinha e ela logo se prontificou, para agradar ao cliente vindo de longe todo aperaltado na ânsia de uma boa gorjeta que em dias de eventos amolecem o semblante e deixam escorregar não uma, mas algumas moeditas para o prato da” dolorosa” (a conta). Para finalizar um domingo que abraçou a segunda-feira, muitas vezes repetido não irá de certeza deixar chegar ao tão ambicioso milhão. Mas uma vez por outra tão apetecido, porque me deixa feliz e amoroso, que para mim é de certeza vários milhões do desabrochar de sensações.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Finalmente o Paulo é o Apóstolo Escolhido


Pronto aí temos o grande cabeça de lista do PSD, ás Eleições Europeias!
Era aguardado com enorme expectativa! Em surdina lançavam-se nomes de figuras importantes do Partido Laranja. Houve até quem aventasse a hipótese Manuela Ferreira Leite, já que se deitou com a imagem do cartaz do V, desenhado pela mão da líder, que ecoa pelo país fora e acordasse no adivinhar que esse mesmo cartaz tinha uma leitura escondida nas entranhas da liderança e bradasse pelos órgãos da comunicação, que não se espantaria que MFL, fosse o rosto para liderar a lista do parlamento europeu.
É preciso perceber que um nome bem conhecido das andanças do PSD, para cabeça de lista engrossava o lote das mais optimistas previsões, no alcance de um bom resultado. Mas para isso acontecer era preciso que os nomes sonantes laranjas pudessem aceitar o grande desafio e lançar-se de alma e coração ao apego do bichinho do partido.
Mas todos deixaram-se ficar, ou forçosamente foram deixados na sombra e como o tempo ameaçava encurtar para se obter algo de positivo com as Eleições Europeias, toca a subir ao palanque, para anunciar o mal menor de entre: recuos e avanços., Amuos e indisponibilidades, ainda mal explicadas. Porque para já nada existe para explicar!
Portanto Paulo Rangel, foi o nome escolhido! O nome que como a líder frisou! O passar da página, dos velhos agarrados ao fantasma dos históricos dos primeiros passos do Partido. Para a lufada de juventude que o PSD tanto necessita e é com o Paulo que a renovação se iniciará.
E quando subiu ao pódio para se apresentar oficialmente como o escolhido, tratou logo de anunciar pela doutorada boca, que era com grande orgulho que aceitou este enorme desafio. E mais palavra menos palavra, vincou que não via a hora do combate politico para com o seu grande adversário (Vital Moreira).
Eis o apostolo Paulo, preparado para lutar contra ventos e marés, correndo em busca do tempo perdido, para recuperar algum prestigio já um pouco esfumado, devido ás indecisões da líder laranja, que tardou em anunciar o cabeça para completar a lista de umas Eleições que serão o principio de um fim para os velhos do Restelo lá para as bandas Sociais Democratas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A Crise é a Água Descendo a Pedra Escura


Os dias nascem tristes!
E não à festa por mais simbólica e tradicional que seja. Que traga a alegria de um sol radioso, que aqueça o corpo tão massacrado por chagas de emoções neuróticas e o espírito seco de orações que alegre a alma.
Os oposicionistas e outros que num tempo não muito distante acreditavam em promessas. Fartam-se de malhar nos causadores desta crise que afoga a descuidada prevenção de encontro ás ondas da matança, levando o corpo para os confins do abismo.
Tudo serve para acirrar os animais da desgraça e morderem ferozmente nas entranhas de quem governa.
E como a maioria acorda cabisbaixa, sem alegria que lhe levante o moral, resolve culpabilizar e com carradas de razão os grandes culpados, por esta anormalidade que infelizmente resolveu acoplar autentica nave espacial no cume do mundo. Aprisionando tudo e todos e se rapidamente não arranjarmos soluções para a desintegrar, corremos o risco de se esgotar o oxigénio da vida e cairmos por terra como tordos em dia de caça.
Vivemos sem notícias que nos façam investir no futuro!
Caminhamos cabisbaixos chutando as pedras do nosso caminho para acertar nas consciências dos que tinham a obrigação da responsabilidade oferecida pelo nosso voto, de tudo fazerem para encarreirar Portugal no encurtar das desigualdades Sociais para que todos pudessem lutar com as mesmas armas na procura de um futuro melhor.
Mas não é nada assim!
As desigualdades ganham asas na fuga aos que querem se aproximar e aterram num voo picado nos arraiais paradisíacos, levando a riqueza tão necessária para o País. E levantando a miséria, ao menor ruído de crise que o vento ameaça transportar, cobrindo várias parcelas deste País, que caminha para a banca rota economicamente como socialmente para mal dos nossos cada vez mais consumados pecados.
Resta-nos a consolação de dizer mal do mal que se instalou neste cantinho à beira mar.
E dizemos mal e porcamente, deste governo que infelizmente não tem oposição, já que me parece, toda a oposição comunga do mesmo mal: viajam todos no mesmo barco, partilhando assim de uma maneira ou de outra do enorme bolo, que mesmo que as fatias sejam para muitos de pequenas dimensões. Sempre chega para acudir ás carências do dia a dia e assim sendo é só conseguir um mísero cantinho no barco e deixa-lo navegar ao sabor do vento, que para já nenhuma tempestade o fará virar levando-o sempre a bom porto.
Como somos um país de brandos costumes e refugiamo-nos em nós próprios para ruminar as nossas consciências. Tudo aguentamos! Tudo suportamos!
E o que hoje sentimos e criticamos e amaldiçoamos e rogamos as mais ínfimas pragas, a todos os que tem responsabilidades neste País, amanha infelizmente estaremos de olhos numa mesa de voto a desenhar uma cruz nesses mesmos responsáveis que tantas vezes, mas tantas vezes os mandamos para o ……… que os………!
Basta hoje! Começar ainda hoje, exercer ainda o poder que democraticamente os nossos heróis corajosamente nos ofereceram de mão beijada e daqui a dois meses, ou três, ou quatro. Mostrarmos na prática que a nossa revolta é (foi) um aberto aviso para quem ignorou sistematicamente os sinais.
Podemos sempre votar, porque votar é um direito, um dever. Porque os votos não só contemplam partidos, mas também castigam partidos e as pessoas que dele fazem parte. Levando-os por uma vez, a pousar a cabeça na almofada pronta a estourar já que não pode acumular tanta derrota num espaço tao curto de tempo!
Porque uma derrota em politica é o não consumar do objectivo premente!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Domingo de Páscoa


O Domingo de Páscoa iniciou-se num clima de religiosidade e de angustia já um pouco refeita, dado que na Páscoa de à dois anos, um familiar muito novo partiu para outra vida, já que Deus resolveu achar que a hora dele tinha batido à sua porta e elevou o seu corpo para o céu bem distante de todos nós, deixando um vazio imenso principalmente no seio da mulher e nos dois filhotes.
Mas a hora não era de partidas sem retorno, mas sim de comemorar a subida de Cristo para bem perto de Deus. Onde autentico vigilante dia e noite, controla o mundo e todo o mal que no seu seio se comete.
E como vimos fazendo, reunimo-nos em casa do que tem mais espaço e juntamos um enorme aglomerado de familiares que embelezam um ambiente e enchem-no de alegria e boa disposição.
O compasso percorre a rua! Houve-se o tilintar da campainha, anunciando a sua presença cada vez mais perto, cada vez mais estridente. Aquele som, que o garoto bem se esforça para que seja o mais audível possível, para que as pessoas se perfilem dentro de casa que a chegada do compasso anunciando a ressurreição de Cristo, está próxima, muito próxima.
E ele lá entra! Onde o Seminarista ainda jovem para estas andanças e muito novo para denotar uma fé que ainda não dá frutos. Lá entoa umas palavras simbolizando todo este acto, terminando em oração que os presentes acolhem com um Ámen. Percorrendo com a cruz os lábios dos presentes para o beijo tradicional no joelho de Cristo, como forma de consolo para tanto sofrimento na hora da morte, oferecida de mão beijada aos inimigos da Judeia, lavando as mãos o Pilatos, para que a nossa salvação fosse o preço de tão angustiante morte.
Terminando toda esta cerimonia que se desenrola á dois mil anos e cada vez mais presente nos nossos dias. Talvez lembrando a necessidade de nascer um novo Cristo que venha abalar a sociedade mundial e castigar os corruptos que tudo fazem para acentuar as desigualdades sociais, criando um fosso de dimensões já fora do alcance da vista humana e que faz nascer os bandos de asas infinitas, que nos roubam os nossos pertences a nossa intimidade e a nossa vida.
Dito isto passamos á fase do repasto. Que enche o estômago dos que muito devoram e bebem. E dos que tentando manter a linha corporal fanaticamente entre ginásios e deitas naturais deixam-se levar pelo ambiente e pela gostosa comida.
E pelas mesas cheias de familiares famintos, alinham-se travessas de lampreia assada para uns e arroz de lampreia para outros. Somos muitos e os gostos são diversificados.
O cabrito que não pode faltar vindo da beira interior, criado nos montes sem fim. Dá lugar à lampreia que não deixou marcas. E todos se atiram ás costelinhas do cabrito, aqueles que chegam com o garfo afiado, antes que os putos e eles são muitos resolvam apoderar-se do que todos gostam no cabrito.
No meio da doçaria, recordamos tempos passados. Infâncias felizes e duras, no meio de desgraças e alegrias.
Saímos um pouco de encontro ao bar não muito distante para a bica tão precisa e indispensável. Respiramos o ar da praia tão próxima e pegamos nos carros para irmos dar uns chutos ao ringue da freguesia, onde primos de idades muito próximas, esgrimem talentos que acabam em golos altamente festejados ora agora para mim, ora agora para ti.
Já no cair da noite, terminamos a festa com um leitão vindo da Bairrada, trazido pela família que lá vive a sua vidinha e com um espumante Loureiro lançado recentemente no mercado onde bebi uma boas taças. Terminamos em beleza um dia em cheio para todos.
Para os miúdos felizes por se encontrarem e partilharem brincadeiras e jogos.
Para os graúdos, tempo de matar saudades e recordar momentos recentes ou já muito distantes que momentaneamente nos invade uma nostalgia, rapidamente evaporada porque o momento é de festa e é para festas que estamos preparados. Tristezas já chegam as do dia a dia.
Claro que hoje sinto-me um pouco ressacado!
Mas feliz com os momentos passados. E conforme as horas vão passando vou-me sentindo mais próximo do meu estado físico normal e já me estou a preparar para outra já que me encontro na casa de um casal do peito e como tal a festa ainda não poderá ter terminado.