Eles são quatro, são seis, são dez e por aí fora!
Seleccionam locais de pouso, para passarem umas horas e fazem desse local um antro de destruição e de degradação.
Quando acossados pela vizinhança, que ainda lhes fazem frente, tocam a recolher o grupo e procuram escolher novo local de culto, de preferência bem perto de um café para ter à mão o tabaco e as cervejolas indispensáveis para passar umas horas, até que chegue a madrugada e os leve para casa deixando o sossego pairar no prédio e nas pessoas que lá vivem.
Recentemente escolheram o prédio antes do meu, para curtirem os pedaços das suas vidas, numa juventude artificial, onde uns mais do que os outros atendendo à personalidade e educação de cada um, mostram as habilidades adquiridas nos poucos anos que já levam em cima dos ombros.
O café é mesmo ao lado, bem pertinho de duas entradas e duas lojas comerciais e como é ponto de passagem para dar ligação a uma vasta zona urbana. Nada melhor para reencontro de vários jovens cheios de tiques e convencidos que tudo sabem.
Os dias foram passando e a sua presença começou a fazer parte do quotidiano.
Mas o incómodo, começou a pairar nas pessoas que habitam esse aglomerado de apartamentos em forma de L. E o confronto verbal foi inevitável com consequenciais mais ou menos graves.
Os jovens são inconstantes e apesar de não serem ameaçadores fisicamente eram desprovidos de princípios e deixavam o local onde se reuniam, degradante.
E pela manha era visível o cheiro a urina, onde os cantos da loja e a entrada de emergência para as garagens eram os locais para alívio de umas bexigas inchadas pelas cervejas.
As beatas espalhadas pelo chão acumulavam-se como papéis lançados em dias festivos., E os caleiros partidos até á altura de um qualquer golpe de karaté, para desanuviar uma raiva não contida por jovens que pensam que dominam o mundo que os rodeia, mas frágeis, quando esse mesmo mundo os absorve de uma maneira ou de outra.
E o confronto era inevitável! Num local dantes sossegado e agradável. De uma hora para a outra, repugnante e evitável.
Apareceu a policia e desculpa em desculpa, lá se afugentou o grupo.
Dias depois, qual ninho, o bando pousou e toca a assistir ao mesmo cenário!
Novamente a policia aparece para de uma vez por todas cortar o mal pela raiz.
Os jovens sentem-se perseguidos e toca a vingar-se dos acusadores.
Aparecem os carros riscados do possível bufo, na óptica dos mandriões.
O caso vira domínio público e durante alguns dias não se fala de outra coisa.
E por fim, dá-se fim ao desmoronar do grupo, que vai procurar outro pouso para matar o tempo e descarregar as frustrações diárias.
Passei várias vezes em frente deles, no caminho para tomar a bica. Conheço a maioria deles ou então o pai deles.
No fundo não são maus tipos. Poucos trabalham, poucos estudam. Os restantes nada fazem e como tal dormem de dia e divertem-se pela noite dentro.
É a juventude que presentemente deambula pelo país fora. Uns mais terríveis dependendo da zona problemática em que estão inseridos. Outros mais ou menos controláveis apesar do desconforto que criam nos locais onde se reúnem.
Temo por eles, visto que de positivo nada trarão para Sociedade que presentemente nos envolve.
Deste caso, tudo não passou de um episódio pontual que com mais ou menos dificuldade se resolveu. Mas por esse país fora os bandos de jovens já sem controlo das forças de segurança são ás dezenas e como tal, as consequências já se fazem repercutir no dia a dia das populações. O que é de uma gravidade assustadora.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Os Iluminados das Eleições 2009
O meio da política anda agitado! Pudera, aproximam-se três actos eleitorais, sem tempo de arrumar as tralhas de um, para ter tudo limpo para o que vem já a seguir. E o primeiro já roça as portas da entrada.
Perfilam-se as figuras escolhidas! Sujeitos a critérios elaborados, mediante as apostas de cada partido e serão eles a levar o partido às costas, para a vitória ou para o desaire. Ou seja, serão eles os autênticos iluminados.
Irão ser o alvo de todas as atenções. Irão arrastar rios de tinta de uma comunicação ávida por intrigas, ávida por gafes inoportunas e tenazmente critica quando é assumidamente opositora do candidato.
Por outro lado assistiremos a debates quase sempre mano a mano entre os mais capazes de discutir uma eleição.
Onde vai imperar o civismo e frases como:
-O doutor desculpe, mas…. Ó doutora não me interrompa, que eu também não a interrompi na altura que falava!
Ou, - Doutor está enganado, nós não andamos aqui há dois dias.
Ou, - Ó doutora já não se lembra do tempo do seu partido que fez isto fez aquilo.
Ou, - Nós partido tal e mais o tal, prometemos e vamos cumprir!
Ou, - Daqui dirijo-me aos Sociais-Democratas lançando-lhes um apelo, votem no dia tal e com o vosso voto derrubaremos a politica desastrosa do partido deste governo.
- Já agora também me dirijo aos Socialistas (pegando na deixa) e como bem sei, estarão no dia tal a votar, porque precisamos de todos os votos, para que a maioria seja uma realidade.
E no bola cá bola lá, de debates com frases feitas e copiados, nas já carcomidas pelo tempo as sebentas partidárias, corre-se a fazer o balanço do que disse um e o que deixou de dizer o outro.
Para se encontrar um possível, porque num debate tem que existir um vencedor e no agradar a gregos e a troianos, reparte-se o mal pelas aldeias e no final o balanço pende quase sempre nestes termos:
O candidato Socialista esteve confiante, bem preparado e soube explanar todo o seu potencial de experiência acumulada nestes largos anos que já leva de altos cargos partidários, sentiu-se como peixe na água. Notando-se no final que o sorriso com que se despediu dos moderadores, denotava a certeza de vencer este debate.
Pelo contrário, o candidato social-democrata, apesar de em matéria económica, ser um crânio com provas dadas, de nada lhe valeu embora em certos períodos equilibra-se o debate, fruto do seu saber. Mas logo que o rumo do debate foi alterado, era notórias as suas fragilidades e não restou dúvidas, apesar de toda a sua entrega, que o rumo deste debate estava traçado.
Em conclusão: o candidato socialista saiu vencedor, mas sem margem que se possa antever desfechos, já que na próxima semana haverá outro debate. E quem sabe, como é noutro canal com outros moderadores poderá a balança pender para o lado mais frágil que hoje transpareceu. Finalizava assim um dos que escalpelizou o terminado debate.
Foram assim e serão por estes anos fora, os debates televisionados e ouvidos nas rádios, pelos candidatos partidários, sem condimentos picantes para adocicar as mentes de quem os ouve e mais grave sem conseguirem fazerem chegar a sua mensagem à grande maioria da população.
Que saudades dos debates após a revolução entre Soares/Cunhal. Autênticos derbies (ainda hoje recordados), onde o despique verbal era entusiasmante e deixava toda a gente pregada ao ecrã, ainda a preto e branco, sinal da originalidade de cada candidato. Era o amor à camisola de cada um.
O amor da camisola vermelha gravada no cume português. Onde o punho fechado socialista, derrubou a foice com dentes afiados fora da lei e como tal foi confiscada, arrumada para um canto bem no Alentejo sem fim. Onde agora jaz meia enferrujada num museu aberto aos saudosistas de um tempo onde era tudo prometido.
Estes sim os iluminados de autenticas batalhas partidárias que faziam correr e acreditar. Um país ávido por manifestações que os fizessem crer num futuro risonho, com oportunidades para todos e afinal uma grande parte deles ficaram por vê-la passar à frente dos olhos.
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ELEIÇOES 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Tambem Fui Militar Mas não Herói (2)
O meu período Militar, coincidiu com a altura de os portugueses irem para o estrangeiro em manobras integrados na força da NATO.
Itália foi o destino. Partimos num comboio só para militares com oito carruagens. Seis cheias de soldados. Cada compartimento continha quatro beliches, onde as ultimas carruagens iam apinhadas de material militar.
Atravessámos Espanha, entrámos pela França dentro e terminamos no norte de Itália. Foram dois dias e meio sempre a andar, só com ligeiras paragens.
Durante vinte e quatro dias permanecemos em Itália e juntamente com italianos e ingleses, participamos nos exercícios militares chamados ORION/87.
Foram vinte e quatro dias de convivência com soldados italianos (na foto um tenente italiano), na maioria do tempo que estive em Itália e os exercícios eram executados em conjunto. Ainda hoje falo um pouco italiano, do pouco que aprendi, enquanto permaneci junto deles.
Todos os dias subíamos para os camiões militares e depois de sairmos da estrada municipal, entravamos pela floresta dentro, por uma estrada não muito larga mas em muito bom estado e durante seis quilómetros, onde só víamos arvoredo cerrado tanto de um lado como de outro e sempre descendo, acabávamos por parar numa área enorme, onde o terreno era em grande parte coberto de pequenos godos (viemos a saber que no Inverno este local fica completamente alagado mais parecendo um enorme lago). Onde realizávamos os exercícios militares com fogo real, e em conjunto partilhávamos as armas dos italianos e eles as nossas. Tudo era executado por nós, como se estivéssemos na nossa base, em Portugal.
À hora do almoço, comíamos uma refeição ligeira à base de conservas e pão e a meio da tarde regressávamos pelo mesmo caminho e chegados ao quartel, depois de um banho e um bom jantar às dezanove horas. Eu e os meus três amigos corríamos para a cidade de Spilimbergo (a dez minutos) e aí junto com umas amigas italianas, divertíamo-nos até à uma hora da manha, hora obrigatória de entrada no quartel.
No último dia de permanência, convidamos as altas patentes militares estacionadas no perímetro que envolvia o ORION/87, em maior numero os italianos. E, juntamente com o nosso embaixador em Itália, demos um beberete no quartel que nos puseram à disposição e por entre queijadinhas, rissóis, camarão, rojões, moelinhas, chouriço, alheiras etc. Acompanhado pelo vinho verde branco e whisky, deu-se largas à alegria e boa disposição. Mas o caldo verde o nosso famoso caldo verde com a couve muitíssimo fininha e a famosa rodela de chouriço, foi muitíssimo apreciado e a maioria dos presentes quiseram voltar a saborear, encantados com o paladar do nosso caldo.
Tudo isto foi observado e partilhado por mim, dado eu ser um dos que servia os presentes. Com a bandeja na mão esquerda, percorria toda aquela gente, não deixando ninguém sem pegar, numa entrada numa mão e na outra um bom copo de vinho, ou de whisky, conforme o desejo de cada um.
E dezasseis meses depois vi-me fora do exército. Com a certeza do dever cumprido e a convicção de uma experiência enriquecedora.
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A Minha Vida
Tambem Fui Militar Mas não Herói (1)
Muito ouvi da comemoração da revolução onde os militares foram os heróis nacionais e lembrei-me que também fui militar, uns bons anos depois da Revolução. E vou recordar a minha odisseia militar e as vicissitudes daí inerentes.
Santa Margarida foi o meu destino, local de grandes apreensões. É uma base de tropas especiais, eu pertencia à quarta bataria, (o termo é mesmo este) onde lidava com os blindados.
Era uma base ligada à NATO (força de defesa europeia) e, como tal, estávamos sempre prontos para qualquer eventualidade. E para que essa eventualidade ao surgir não nos apanhasse desprevenidos, juntavam-se tropas de outras zonas do país para as manobras militares e, durante algum tempo a zona imensa de pinhal da Base, era o local de treino dos exercícios Militares.
As regras imperam, a disciplina é a base do dever cumprido. Tudo o que se respira num quartel é sinónimo de deveres!
O único direito que temos é cumprir os deveres instituídos. É seguir a disciplina à risca, para a curto prazo fazer prevalecer o nosso valor perante os superiores e ganhar a estima deles. E com isso as benesses são uma realidade. E a realidade é passar o tempo militar da melhor forma possível, sem arranjar problemas e esperar que o tempo corra, corra. Para terminar com dignidade ciente de que cumprimos a nossa missão para o bem da Nação.
O começo do dia nascia com os primeiros raios solares!
A barba desfeita, cama bem-feita com a roupa bem esticada. Uniforme limpo e apresentável com as célebres botas a brilhar, para a correr e sem atrasos alinhar na formatura.
Momentos depois éramos presenteados com os exercícios militares. Qualquer falha era o cabo dos trabalhos, os castigos em triplicado nos enchimentos eram constantes principalmente para as “Amélias”. Nome dado aos menos capazes, mas com o tempo ombreavam com os mais dotados.
As refeições, (o bicho papão de todos os militares! Mesmo antes de entrarmos no quartel já vamos de sobreaviso de que as refeições, são mal confeccionadas e de pouca qualidade). O comportamento no refeitório é rígido e sem reclamações, ou se comia o que estava no prato, o que diga-se em abono da verdade qualquer estômago suportava, ou o bar servia de complemento para aqueles que deixavam as refeições a meio.
E por fim era a hora de recolher, o silêncio era de ouro! A maioria dos dias de tão cansados e saturados adormecíamos num piscar de olhos, principalmente durante a recruta. O quebrar era a morte do artista! Ninguém dormia, assistíamos ao nascer do dia na parada seminus a fazer ordem unida.
A adaptação a todo este sistema era custosa nos primeiros dias, devido á complexidade que envolvia esta brusca mudança. Porque não é de um momento para o outro, que eu passava de um certo descontrair na minha vida civil, para regras rígidas e sem argumentação.
E de facto levei um certo tempo a me adaptar, devido principalmente à minha preocupação em defender os mais” fracos”.
A tropa é fértil em conquistar amigos e eles apareciam, muitos. Mas amigos de verdade, uma mão deve chegar para os contar.
Mas de uma mão só completei quatro dedos. Os suficientes para preservar os amigos com quem se partilha o que nos vai na alma. Havia alturas que as saudades das namoradas principalmente, apoderava-se de nós e juntamente com umas cervejolas chorávamos como umas crianças, que bem lá no fundo continuávamos a ser e despejávamos cá para fora sentimentos e preces que quebravam qualquer coração mesmo o mais gelado que possa existir.
O desenrasque nos transportes de comboio, era a situação mais terrível que se possa imaginar, quando o objectivo era chegar a casa o mais rápido possível, ou o ter que chegar a horas ao quartel.
Viajei poucas vezes de comboio, porque utilizava o carro de um colega da minha companhia.
Mas dessas esporádicas vezes, o viajar nos comboios era: dormir nos corredores, o dormir nas grades, o dormir a pé. O passar as horas todas, cerca de seis sem dormir e olhar para o vazio da noite meio a chorar pedindo a Deus para que tudo isto passasse depressa. No Inverno era um inferno, o frio cortava-me a lucidez e passava a viagem a tremer. No Verão, era o martírio do calor e o cheiro ao mofo impediam-me de respirar, dado os comboios irem a abarrotar.
No percurso de carro que fazíamos, onde saiamos por volta das cinco e trinta da manha e só parávamos três horas depois numa pastelaria em Fátima bem pertinho do Santuário, para tomarmos o pequeno-almoço e apreciar as miúdas, que iam para a Escola Secundária.
Diversas vezes, deslocava-me ao Santuário, nessa hora sem viva alma.
Colocava-me bem no meio de todo aquele espaço enorme, completamente só! Contemplava a Basílica e imaginava, toda aquela área atolada de milhares de fiéis, com todo aquele espectáculo de fé, nos dias de comemoração do aparecimento de Nossa Senhora. E eu nesse momento rodeado de uma solidão tão sagrada, bem no meio daquele assombroso local, pensava nos milhões de fiéis que já calcaram este recinto que, digam o que disseram; tem uma magia pura! Uma magia de Fé! Uma magia de amor a Nossa Senhora e ao próximo!
Já fui a Fátima diversas vezes, com muita gente. Mas sinceramente, só quando ia lá e estava completamente só, é que sentia toda a força, todo o poder da Fé. Que aquele lugar emana.
Os fins-de-semana passados em serviços de manutenção e segurança ao perímetro. Local que envolve toda a zona da unidade, corroíam a minha mente!
O tempo não passava! Parecia o caracol, quanto mais andava, mais a sensação que ficava era que estava sempre no mesmo sítio.
A noite era o inferno: No Inverno o frio rachava os ossos, punha os dedos como cabos de fisgas em minutos se os libertasse dos anoraques e quando chovia ficava encharcado dos pés à cabeça.
No Verão era a alucinação! Calor por todo lado, mosquitos zelosos pelo meu sangue, até pela roupa entravam, sacudia-los como os burros fazem, tamanho o desespero de picada em cima de picada.
A rotina dos dias era sempre idêntica e só se alteravam quando surgisse alguma cerimónia de comemoração.
Então, era uma azáfama, tudo tinha que estar em ordem porque o dia do Exército era presidido pelo Presidente da Republica. No dia da Base seria o Ministro da Defesa e no dia da Unidade, o Chefe do Estado-Maior do Exército.
A meio do serviço militar fui promovido a Cabo, um posto um pouco superior ao de soldado. O vencimento era mais alto e no meio dos soldados, um cabo já ocupa um degrau um pouco mais acima e sempre tem mais regalias. Mas nada de significativo, que na prática pouco relevo tem.
Mas o melhor estava para vir!
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A Minha Vida
quinta-feira, 23 de abril de 2009
O 25 de Abril Desabrochou a Esperança
Era um garoto, quando se deu o 25 Abril e eu na minha inocência, pouco entendia do que se estava a passar. Sentia só, que as pessoas principalmente os homens andavam excitados, não paravam, deambulavam por todo o lado, juntando-se em grupos, sempre a manifestar-se ruidosamente e alegremente. Mais tarde vim a perceber que toda essa alegria era inteiramente justificada, pondo fim a longos anos de repressão da liberdade.Mas na altura que se deu o 25 Abril, estava no largo brincando com os restantes colegas de botas reforçadas e de calças remendadas. E um ruído de alegria entrou no meu pequenino cérebro que ainda hoje lá se encontra armazenado e pela altura da comemoração da Revolução revejo como se fosse hoje, as vizinhas virem para a rua a gritar, que estavam os canhões a entrar por Lisboa a dentro, para matar os fascistas!
O 25 de Abril dos nossos dias passados 35 anos envia-nos um dramático aviso!
Um aviso de reflexão sem rodeios, sem medos!
A cada ano que passa, perdemos um quinhão de liberdade. Porque nos deixamos iludir pelo papão da ganância e corremos em busca do tudo querer e no final tudo perdemos. Diluindo assim a partilha de abrir a Sociedade às oportunidades que deviam ser abertas a todos, para que todos usufruíssem das mesmas ferramentas para abrirem o futuro. E assim homens e mulheres construíam o seu futuro, com a capacidade que desenvolveram ao longo da sua aprendizagem.
A cada ano que passa fechamos os olhos às conquistas de Abril. Na maioria dos casos por míseros bónus, que nos alegram no momento levando-nos à felicidade prematura, mas são a arma venenosa com que entregamos a nossa honestidade aos chacais esfomeados prontos a devorar a nossa integridade.
A cada ano que passa somos vigiados ininterruptamente. Calcam-nos os calcanhares dia após dia, mês após mês. E nós, envolvidos num invisível colete-de-forças deixamo-nos cabisbaixos levar para longe do nosso ser e passamos a viver meios nómadas dentro do nosso próprio espaço, tutelados pelo sistema que ingenuamente deixamos paulatinamente absorver-nos.
A cada ano que passa deixamos de cantar Abril, de festejar Abril, de amar Abril! Porque fomos influenciados por meia dúzia de seguranças de elite com divisas de catedráticos que através da doutrina trazida dos colégios invisíveis para o comum dos mortais, nos lavaram o cérebro e purificaram-no de ideologias próprias, com promessas ilusórias que nos afundaram num beco sem saída.
Por tudo isto comemorar Abril será uma afronta, a todos aqueles que deram tudo para que Abril de 1974, fosse um acontecimento que justificasse os horrores do isolamento, os horrores da perseguição e os horrores de verem morrer pais, mães, filhos.
Eu não vou comemorar Abril! Vou reflectir profundamente e humildemente pedir perdão devido á vergonha de também contribuir, mesmo, que por mais pequeno gesto que fosse, de entregar um legado deixado pelos heróis de uma revolução de mão beijada aos devassos que a coberto da noite e disfarçados de bons samaritanos durante o dia. Nos sugaram com promessas falaciosas e nunca consumadas.
Os heróis de Abril não querem comemorações!
Não querem cravos na lapela por um dia!
Querem Abril todos os dias!!!!
Abril na sua essência! Com Democracia, com Liberdade com Respeito e fundamentalmente com humildade! Porque Abril de 1974. Nasceu de homens e mulheres humildes e íntegros.
O 25 de Abril de 1974 desabrochou a Esperança. O 25 de Abril de 2009, ainda vai a tempo de iluminar a confiança. É só nós pretendermos!
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25 de Abril
José Sócrates Igual a si Próprio
José Sócrates veio a terreiro fazer um balanço, bem à sua maneira dos males que o País e ele atravessam e apontar as soluções para combater as aflições do País e dos portugueses.Escolheu para tal optar por uma entrevista no canal estatal e logo aí começaram as desconfianças.
Sócrates esgrimiu até à exaustão, a tese da perseguição a ele próprio. E destacou a TVI, mais propriamente a jornalista Manuela Moura Guedes (através do jornal que ela apresenta às sextas feiras), como o baluarte de uma campanha de autêntica perseguição à sua pessoa, que também segundo ele ultrapassa já todos os limites.
Olhei aquele rosto durante uma hora e vi nele certezas que Sócrates guarda para si, mas que o olhar teimou em o denunciar.
Sócrates sabe que vai ganhar as eleições! A única duvida é se vencerá pela maioria ou não.
Para isso ainda tem alguns meses pela frente e em ano de eleições existe sempre dinheiro para uns brindes que aguçam os mais desfavorecidos, que pagam com o voto aquilo que mais tarde terão que devolver de uma maneira ou de outra.
Sabe que não tem rivais dentro da oposição. Os seus rivais são a comunicação (alguma) e os resguardados pela sombra, que esgravatam como cães raivosos na intimidade dele e tentam trazer cá para fora casos, que também eles estão enterrados dos pés à cabeça, mas esquecem-se que hoje é ele, mas amanhã serão os resguardados. Porque todos eles estão mergulhados no convés do barco das embrulhadas.
Sócrates terá o meu voto como o teve anos antes e como o PS, sempre teve!
Mas isso não invalida que lhe note graves lacunas na sua governação.
Criticar com educação, ajuda na evolução de abrir horizontes para pelo menos não se cometer os mesmos erros. A crítica construtiva eleva a auto estima de um povo quanto mais não seja a mim próprio, que me garante a certeza que não estou parado a ver como vão parar as modas.
Sócrates, continuando a olhar para aquele rosto, mostra-me o político homem e não o homem político!
Ou seja o politico na sua essência. O político igual a muitos outros que deambulam por essa Europa fora.
O político que olha para estatísticas muitas delas manipuladas em pormenores, para justificarem reformas que tapam buracos aqui e ali. Que na maioria dos casos se limitam ao pontual e não resolvem problemas de fundo.
O politico que tem sempre razão! Uma razão que é conseguida com o dar a volta ao cerne da questão e assim vai levando a água ao seu moinho.
Um politico que perante a pergunta de “se põe as mãos no fogo”, assume que sim perante os seus colaboradores directos, apesar de toda a controvérsia que se instalou ao seu redor.
O homem vem em segundo lugar! Porque o homem é mais humano. É mais sensível a dramas sociais. Mais aberto a ouvir as forças vivas da sociedade que voluntariamente dão um pouco de si para travar esta degradação Social em que caminhamos a passos largos.
Claro que quem ocupa um cargo político de enorme envergadura terá que ser primeiro e acima de tudo político e só depois homem.
Mas Sócrates mostrou inteligência. Mostrou preparação para o cargo que ocupa. E como durante estes trinta e tal anos de sucessivos governos Portugal não evoluiu para melhorar a vida de milhões de portugueses. Sócrates terá mais um voto de confiança para no mínimo segurar este país que se vê num labirinto sem encontrar a porta de saída. E como Sócrates já lá entrou, terá que ser ele a encontrar a porta. Ao menos já lá está dentro. Enquanto se alguém vier de uma vitoria (que duvido acontecerá), o tempo que vai demorar a lá entrar será o descalabro, porque tempo é o que escasseia para elevar os índices de confiança de um povo abatido, sem confiança e resignado.
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Sócrates
terça-feira, 21 de abril de 2009
O Palácio do Começo do Meu Primeiro Milhão
No domingo pela manha rumei à capital, aproveitando uma ida de trabalho na segunda e usufruindo do Domingo para um mini descanso longe das rotinices e perto do reboliço.
A viagem foi rápida, o sol acompanhou-nos passo a passo e brilhando-nos com o seu agradável calor, saboreamos umas horas relaxantes rolando estrada fora rumo ao destino pré programado.
Lisboa recebeu-nos como quem recebe um minhoto vindo a Lisboa uma vez por outra, enchendo os seus espaços e juntando-se aos milhares que calcorreiam as calçadas, de uma zona nova, construída no tempo das vacas gordas, bem a tempo de lançar Lisboa para as bocas do Mundo e a abraçar milhares de pessoas que diariamente fazem desse local o centro de uma visita que no meu caso levou-me a jantar um bacalhau à lagareiro e no final a uma visita ao casino de Lisboa, onde assisti ao vivo ao concerto do Jorge Palma com um olho e com o outro á vitoria do Benfica, que desta vez encheu o copo e acertou quatro vezes e podiam ser sete numa baliza tantas vezes fechada a sete chaves num azar que já se tornou hábito, em épocas sucessivas de promessas que vão desaguar no atlântico, arrastadas pelo Tejo que passa bem perto da catedral sem papa.
O Jorge esteve igual a si próprio! Uma barriguinha que desponta por dentro da camisa que se solta calça a baixo, sinal de exageros já não contidos. Cantou naquele estilo peculiar e encantou uma boa casa, numa sala em forma de pista de circo onde os espectadores numa espécie de redoma eram a segurança de um Jorge feliz, com o dever cumprido e o cachet garantido.
No final rumei a Sintra onde me levava o trabalho logo pela manha. E pernoitei num hotel bem longe de casa e tão pertinho do mar. Onde aquele aroma logo á chegada numa noite já bem longa encheu-me a alma de sensações e o espírito de recordações de um tempo que já lá vai, mas que faz parte do meu álbum de glória.
Adormeci saciado de frescura corporal e uma paixão de felicidade, embalado pelo bater das ondas a uns metros mais abaixo.
E foi com esse roncar ininterrupto do mar, que acordei e rapidamente, porque a hora já se havia adiantado, não esperando pela minha pausa preguiçosa enrolado aos lençóis e apertado pelo aroma amoroso de um corpo nu, chamando-me para o absorver. Aproveitando o momento só nosso, bem longe de tudo e tão perto de uma intimidade tão simples e tão pura. Que as paredes do quarto viravam o rosto, sentindo que não eram dignas de presenciar tão maravilhoso acto.
Entrei no coração de Sintra! Serpenteei as suas ruas marcadas pela história e guardadas pela natureza na sua essência.
Penetrei no Palácio de Seteais. Vi-me um príncipe séculos atrás, dono desta parte do mundo e senhor supremo de pessoas e de tudo o que elas tocavam.
Acordei de um sonho, numa sala adaptada a palestras e colóquios e por entre convidados, oradores. Termino a primeira parte do evento a ouvir o senhor do já famoso “O seu primeiro milhão”. Jovem novo, com sangue na relga. Com soluções para que nós possamos atingir passo a passo o nosso primeiro milhão. Mas deixando no ar, que será bem mais fácil ele atingir o segundo milhão, do que nós o nosso primeiro.
Pausa para o almoço revestido de iguarias sem fim, num espaço a cheirar a retoques de história, onde tudo foi restaurado com incidência na época. Partimos para o resto da tarde a ouvir novas técnicas de investimentos em aparelhos e inovações de tratamentos e com o apego deixado pelo Dr. Pedro Carrilho, era usual alguém rematar que o princípio do ganhar o milhão, começava por adquirir a inovação.
Findo o evento e admirando uma vez mais aquele espaço revestido de história e de segredos bem guardados.
Onde paira no ar um aroma a poder sem limites de quem possuía tamanho quilate de propriedade. A quem era senhor de si e de tudo o que o rodeava. Regressei ao meu cantinho, já com saudades dos filhotes, que são tudo para nós. São o nosso palácio sem limites de propriedade e sem limites de amor.
Mas antes, paro no leitãozinho da Mealhada, onde dou graxa à empregada para arranjar só costelinha e ela logo se prontificou, para agradar ao cliente vindo de longe todo aperaltado na ânsia de uma boa gorjeta que em dias de eventos amolecem o semblante e deixam escorregar não uma, mas algumas moeditas para o prato da” dolorosa” (a conta). Para finalizar um domingo que abraçou a segunda-feira, muitas vezes repetido não irá de certeza deixar chegar ao tão ambicioso milhão. Mas uma vez por outra tão apetecido, porque me deixa feliz e amoroso, que para mim é de certeza vários milhões do desabrochar de sensações.
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Os Domingos da Minha Vida
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