quarta-feira, 6 de maio de 2009

Manuel Alegre não Fecha a Porta


É isso mesmo, Manuel alegre deu um prazo até ao dia 15, para decidir de aceita ou não ser Deputado pelo PS.
Não está em causa propriamente Sócrates, apesar de os pontos de vista de cada um serem em algumas matérias divergentes. Está sim partilhar o PS, com alguns militantes importantes, com quem Alegre nutre insanáveis divergências.
Por isso o deputado Poeta reservou um tempo de reflexão para tomar uma decisão. No entanto espera, que antes de se decidir, a conversa que terá com José Sócrates, seja o indicativo para tomar a sua decisão.
Será penso eu uma conversa de amigos e de colegas do partido, onde de homem para homem se discutirá muitos assuntos e destacando o neste momento mais importante. O de se saber se Alegre será Deputado pelo PS. Ou seja mais uma batata quente nas mãos de Sócrates que terá de a arrefecer no prato Socialista para que ela não tombe para fora e se torne em mais um adversário, dos muitos que já lhe abalam o sono.
Relembrando um pouco, veremos que Alegre possuiu um coeficiente positivo vindo das eleições Presidenciais (um milhão de votos), que á partida lhe dará para obter quase o que pretende na conversa que terá com José Sócrates.
Que será, não o afastamento precoce dos inimigos políticos que tem dentro do PS, mas em ultimo caso o seu repouso em banho-maria, durante um longo período. Pondo-os numa travessia do deserto por um período longo, como uma espécie de castigo pelas afrontas proferidas.
Se José Sócrates aceitar estes termos, mais virgula aqui, mais cedência ali. Mas não saindo deste cerne da questão. Teremos Alegre de pedra e cal no Hemiciclo. Não no fundo arrastado para as tábuas, como até agora. Mas bem no centro da bancada Socialista.
Aí passaremos a ter um Alegre reservado, calmo e pronto para quem sabe enfrentar uma segunda eleição à presidência da republica, com possibilidades de sonhar com o alto trono da Nação que seria o culminar de uma luta primeiro contra o fascismo e politica até aos nossos dias.
Mas……. Se da conversa com Sócrates sair fumo preto! E levar Alegre a renunciar a muitos e muitos anos de deputado pelo PS!
Teremos um Manuel Alegre enraivecido, pronto para partir a louça e enfrentar o PS, com todas as armas que possui.
E……………. Mas não acredito!
Nem Manuel alegre deseja isso, nem Sócrates está aberto a correr esse risco. Porque Sócrates tem muito a perder com a fuga de Alegre das hostes do PS. Principalmente nesta hora do começo do tudo ou nada, para os Socialistas, já que vão enfrentar três eleições. Autenticas batalhas de uma guerra que poderá ser disputada palmo a palmo. E são problemas demais para todos os Socialistas empenhados em vencer estes desafios.
Como tal enfrentar Alegre numa de conflito não augura nada de bom nesta fase. E Alegre será uma vez mais recebido no seio do rebanho Socialista, depois de andar como uma ovelha tresmalhada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Maio Promete Momentos Quentes!


Regressou o calor e também a agitação política!
Momentos que se iniciaram no primeiro de Maio com deploráveis cenas, agitando e de que maneira um desfile que se avizinhava pachorrento. Mas que virou autentico bombardeamento de pedidos de desculpas pelos atingidos Vital Moreira e o PS. E prontamente enviadas, pela CGTP organizadora do evento. Mas ignoradas pelo PCP, maioritariamente representado no desfile pelos seus simpatizantes e militantes, de onde Vital Moreira se desvinculou há vinte anos e vendo a caravana Socialista Europeia a participar indirectamente também do desfile, alguns deles deram largas estupidamente à fúria lançando-lhe os mais inverosímeis piropos e até uns encontrões bem visíveis e durante uns longos segundos foi, um quase toca a malhar no pobre homem, metido na boca do lobo com pele de cordeiro.
Vital Moreira creio, vai ser pau para toda a obra nestas Eleições Europeias.
Joga tudo!
A sua imagem até agora intocável, será escalpelizada até ao limite. A procissão ainda vai no adro e já enfrentou tamanho desafio com a barbaridade do que se passou no Primeiro de Maio.
Também o partido que ele lidera nestas eleições não ajuda, já que como governo tem atrás de si um rol de dramas sociais que irão fazer mossa durante a mesma campanha.
Mas o homem é inteligente, sabe perfeitamente de que massa é feita o povo português e nada mais terá que fazer, do que apalpar as suas fraquezas, fazendo delas a força que necessita para levar a bandeira do PS, até à vitória daqui a mais ou menos, cinco semanas.
Vital Moreira é como os grandes líderes que se vêem em apuros numa batalha. Mas logo na manha seguinte ressuscitam as forças e toca a partir para uma descida sob as aguas do rio, equipado a preceito e mostrando óptima disposição. Enfrentou os jornalistas de capacete qual escudeiro e de colete não à prova de bala, mas sim à prova de afundamento lá entrou agua a dentro para uma campanha de alguns riscos, mas sem energúmenos por perto.
Enquanto isso o seu PS, através de José Sócrates percorria mais uma feira e mais uma vez enfrentando as multidões.
Só que, como surgem os apoiantes eufóricos e sempre à espreita dos apertos de mão e os beijinhos da praxe. Também aparecem os apupos e os assobios para colorir a festa de uma prova de Democracia, como bem comentou o primeiro-ministro. Mas atenção também lá surgiu um desvairado que lançou o vinho de um copo para o meio da comitiva de Sócrates.
Logo apareceram os que dizem (pessoas com cargos públicos), que viram o coordenador sindical da CGTP de Braga a lançar o vinho.
A comunicação descobriu mais outro (a) com a mesma versão. Mas logo o visado contactado negou peremptoriamente afirmando que a essa hora regressava (satisfeitinho da vida o tom da festa a isso proporcionava) e foi mais longe, pedindo um pedido de desculpas (lá estamos na mesma onda das desculpas) a quem ousou prenunciar tamanha cabala. Senão o tribunal seria o encontro do tira - teimas.
E assim vai os primeiros passos da preparação da campanha do PS, às Europeias.
O lema nestes primeiros dias é, o pedido de desculpas por quem cometeu, ou dizem que cometeu os actos de baixo nível.
Prevê-se um Maio de calor emocional fora do normal. Onde se pede o reforçar da segurança não vá um tresloucado que tudo perdeu com esta crise que já galgou o limite dado pelos mais afoitos na retoma, mas que teimosamente volta à estaca da recessão. Lançar-se de alma e coração para o meio da multidão onde se encontram os líderes desta campanha e dos partidos. E fazer dela o bombo da adversidade, onde muitas das vezes os visados não passam de simples cidadãos, que lá estão por um simples acaso e prontos a apanhar uma bucha, que lhe alivie um pouco a barriguita de misérias.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Maio é o Mês mais Belo do Ano!


Começa logo no nascer do Mês.

PRIMEIRO DE MAIO DIA DO TRABALHADOR!
Símbolo marcante para todos os trabalhadores. Festejam o seu dia e logo nesta fase tão difícil, onde o fantasma do desemprego não escolhe caras nem corações. Do dia para noite empresas fortes como uma rocha, em tempos ainda quentes. Desmoronam-se num abrir e fechar de olhos, deixando um rombo enorme de aflições sem fim.

DIA DA MÃE!
Dia da minha mãe e da mãe dos meus filhos.
Da minha mãe guardo uma infância igual a muitas outras, num tempo não muito fácil, que refreava o carinho e o amor que seriam obrigatórios para me aquecer nas noites frias de Inverno rigoroso. Mas a prontidão da repreensão tantas vezes injusta, revoltava o meu pequeno coração, abrindo pequenas feridas, que viravam chagas quando sentiam que nasciam para a mãe poder descarregar as suas frustrações.
Da mãe dos meus filhos abro-lhe o coração como forma de agradecimento pelos rebentos oferecidos como uma dádiva. Que são o garante no acreditar que esta vida vale a pena dar tudo por ela.

MÊS DE MARIA!
Maria mãe de todos nós. Pura e virgem na sua caminhada terrena, onde reza a história passou terrível sofrimento, vendo o seu filho ser torturado até á morte numa cruz como tantas outras naquela época. Mas esta amparou o homem grandioso entre os homens. Embora concebesse por obra e graça do Espírito Santo.

MÊS DO CORAÇÃO!
Coração o nosso motor no arranque todas as manhas de encontro a mais um dia. O órgão que nos mantém vivos na alegria e na tristeza.
Muitos dão tudo, prometem este mundo e o outro, por um novo que substitua o já enfraquecido, para viveram mais uns anos.
Suporta os nossos exageros, muitas das vezes levando-o ao clímax da paragem. Onde tudo se apaga, deixando a dor e a saudade estilhaçada nos corações de quem tanto os amavam.

MÊS DA APARIÇÃO!
Maria apareceu aos pastorinhos, segundo reza a igreja naquele normal 13 de Maio, que viria a coroar-se como o dia de todas as romagens, em direcção ao Santuário de Fátima.
Já lá estive bem no meio daquele enorme espaço, completamente só. No começo de muitas manhas já lá vão alguns anos! E acreditem, aquele imenso espaço respira fé e mais fé!

MÊS DO VENCEDOR DA CHAMPIONS!
Onde Benfica e Porto já sentiram o êxtase máximo da vitoria por duas vezes.
E milhões de portugueses saborearam estes feitos, que não passavam de meros sonhos, para esbugalharem os olhos de espanto, no apito final rumo ao erguer da taça.
Só ao alcance dos melhores. Apesar de sermos um país tão pequeno mas enorme em superar adversários autênticos Golias.

MÊS DA PRIMEIRA E ULTIMA SEMENTE!
Foi neste mês que o meu primeiro filho e o último, foram feitos.
O primeiro, era quase impossível evitar! A paixão era tanta, que estávamos cegos. Só nos víamos um ao outro no meio de uma ingenuidade tão pura e tão maravilhosa. Que passados noves meses o primeiro nasceu. Hoje é um homem de barba rija.
O último, pensávamos que sabíamos combinar o lógico com os imponderáveis e claro deu no que deu um rapagão vivaço como a mãe e romântico como o pai.

MÊS DO MEU ANIVERSÁRIO!
Faço anos como todos.
Já são muitos, alguns bem pesados, que deixaram marcas nestas costas largas para aguentarem furacões de apreensões. Mas muitos mais, quero festejar, junto de quem me deseja e de quem se lembra do meu dia.
Maio foi o mês onde abri os olhos para o mundo. Em casa libertado pelo ventre da minha mãe, por uma parteira que por acaso era enfermeira.
Cresci com muito pouco, para repartir pelos meus irmãos. Hoje tenho o meu mundo! É pequeno, entra bem no meu coração agora já bem grande e acompanha-me para todo o lado. Não o deixo por nada. Sem ele nada sou, porque deixo de existir e deixar de existir, só pode ser no fim da minha vida, bem lá para o meio do século XXI.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Os Jovens Andam aos Grupos!

Eles são quatro, são seis, são dez e por aí fora!
Seleccionam locais de pouso, para passarem umas horas e fazem desse local um antro de destruição e de degradação.
Quando acossados pela vizinhança, que ainda lhes fazem frente, tocam a recolher o grupo e procuram escolher novo local de culto, de preferência bem perto de um café para ter à mão o tabaco e as cervejolas indispensáveis para passar umas horas, até que chegue a madrugada e os leve para casa deixando o sossego pairar no prédio e nas pessoas que lá vivem.
Recentemente escolheram o prédio antes do meu, para curtirem os pedaços das suas vidas, numa juventude artificial, onde uns mais do que os outros atendendo à personalidade e educação de cada um, mostram as habilidades adquiridas nos poucos anos que já levam em cima dos ombros.
O café é mesmo ao lado, bem pertinho de duas entradas e duas lojas comerciais e como é ponto de passagem para dar ligação a uma vasta zona urbana. Nada melhor para reencontro de vários jovens cheios de tiques e convencidos que tudo sabem.
Os dias foram passando e a sua presença começou a fazer parte do quotidiano.
Mas o incómodo, começou a pairar nas pessoas que habitam esse aglomerado de apartamentos em forma de L. E o confronto verbal foi inevitável com consequenciais mais ou menos graves.
Os jovens são inconstantes e apesar de não serem ameaçadores fisicamente eram desprovidos de princípios e deixavam o local onde se reuniam, degradante.
E pela manha era visível o cheiro a urina, onde os cantos da loja e a entrada de emergência para as garagens eram os locais para alívio de umas bexigas inchadas pelas cervejas.
As beatas espalhadas pelo chão acumulavam-se como papéis lançados em dias festivos., E os caleiros partidos até á altura de um qualquer golpe de karaté, para desanuviar uma raiva não contida por jovens que pensam que dominam o mundo que os rodeia, mas frágeis, quando esse mesmo mundo os absorve de uma maneira ou de outra.
E o confronto era inevitável! Num local dantes sossegado e agradável. De uma hora para a outra, repugnante e evitável.
Apareceu a policia e desculpa em desculpa, lá se afugentou o grupo.
Dias depois, qual ninho, o bando pousou e toca a assistir ao mesmo cenário!
Novamente a policia aparece para de uma vez por todas cortar o mal pela raiz.
Os jovens sentem-se perseguidos e toca a vingar-se dos acusadores.
Aparecem os carros riscados do possível bufo, na óptica dos mandriões.
O caso vira domínio público e durante alguns dias não se fala de outra coisa.
E por fim, dá-se fim ao desmoronar do grupo, que vai procurar outro pouso para matar o tempo e descarregar as frustrações diárias.
Passei várias vezes em frente deles, no caminho para tomar a bica. Conheço a maioria deles ou então o pai deles.
No fundo não são maus tipos. Poucos trabalham, poucos estudam. Os restantes nada fazem e como tal dormem de dia e divertem-se pela noite dentro.
É a juventude que presentemente deambula pelo país fora. Uns mais terríveis dependendo da zona problemática em que estão inseridos. Outros mais ou menos controláveis apesar do desconforto que criam nos locais onde se reúnem.
Temo por eles, visto que de positivo nada trarão para Sociedade que presentemente nos envolve.
Deste caso, tudo não passou de um episódio pontual que com mais ou menos dificuldade se resolveu. Mas por esse país fora os bandos de jovens já sem controlo das forças de segurança são ás dezenas e como tal, as consequências já se fazem repercutir no dia a dia das populações. O que é de uma gravidade assustadora.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Os Iluminados das Eleições 2009

O meio da política anda agitado!
Pudera, aproximam-se três actos eleitorais, sem tempo de arrumar as tralhas de um, para ter tudo limpo para o que vem já a seguir. E o primeiro já roça as portas da entrada.
Perfilam-se as figuras escolhidas! Sujeitos a critérios elaborados, mediante as apostas de cada partido e serão eles a levar o partido às costas, para a vitória ou para o desaire. Ou seja, serão eles os autênticos iluminados.
Irão ser o alvo de todas as atenções. Irão arrastar rios de tinta de uma comunicação ávida por intrigas, ávida por gafes inoportunas e tenazmente critica quando é assumidamente opositora do candidato.
Por outro lado assistiremos a debates quase sempre mano a mano entre os mais capazes de discutir uma eleição.
Onde vai imperar o civismo e frases como:
-O doutor desculpe, mas…. Ó doutora não me interrompa, que eu também não a interrompi na altura que falava!
Ou, - Doutor está enganado, nós não andamos aqui há dois dias.
Ou, - Ó doutora já não se lembra do tempo do seu partido que fez isto fez aquilo.
Ou, - Nós partido tal e mais o tal, prometemos e vamos cumprir!
Ou, - Daqui dirijo-me aos Sociais-Democratas lançando-lhes um apelo, votem no dia tal e com o vosso voto derrubaremos a politica desastrosa do partido deste governo.
- Já agora também me dirijo aos Socialistas (pegando na deixa) e como bem sei, estarão no dia tal a votar, porque precisamos de todos os votos, para que a maioria seja uma realidade.
E no bola cá bola lá, de debates com frases feitas e copiados, nas já carcomidas pelo tempo as sebentas partidárias, corre-se a fazer o balanço do que disse um e o que deixou de dizer o outro.
Para se encontrar um possível, porque num debate tem que existir um vencedor e no agradar a gregos e a troianos, reparte-se o mal pelas aldeias e no final o balanço pende quase sempre nestes termos:
O candidato Socialista esteve confiante, bem preparado e soube explanar todo o seu potencial de experiência acumulada nestes largos anos que já leva de altos cargos partidários, sentiu-se como peixe na água. Notando-se no final que o sorriso com que se despediu dos moderadores, denotava a certeza de vencer este debate.
Pelo contrário, o candidato social-democrata, apesar de em matéria económica, ser um crânio com provas dadas, de nada lhe valeu embora em certos períodos equilibra-se o debate, fruto do seu saber. Mas logo que o rumo do debate foi alterado, era notórias as suas fragilidades e não restou dúvidas, apesar de toda a sua entrega, que o rumo deste debate estava traçado.
Em conclusão: o candidato socialista saiu vencedor, mas sem margem que se possa antever desfechos, já que na próxima semana haverá outro debate. E quem sabe, como é noutro canal com outros moderadores poderá a balança pender para o lado mais frágil que hoje transpareceu. Finalizava assim um dos que escalpelizou o terminado debate.
Foram assim e serão por estes anos fora, os debates televisionados e ouvidos nas rádios, pelos candidatos partidários, sem condimentos picantes para adocicar as mentes de quem os ouve e mais grave sem conseguirem fazerem chegar a sua mensagem à grande maioria da população.
Que saudades dos debates após a revolução entre Soares/Cunhal. Autênticos derbies (ainda hoje recordados), onde o despique verbal era entusiasmante e deixava toda a gente pregada ao ecrã, ainda a preto e branco, sinal da originalidade de cada candidato. Era o amor à camisola de cada um.
O amor da camisola vermelha gravada no cume português. Onde o punho fechado socialista, derrubou a foice com dentes afiados fora da lei e como tal foi confiscada, arrumada para um canto bem no Alentejo sem fim. Onde agora jaz meia enferrujada num museu aberto aos saudosistas de um tempo onde era tudo prometido.
Estes sim os iluminados de autenticas batalhas partidárias que faziam correr e acreditar. Um país ávido por manifestações que os fizessem crer num futuro risonho, com oportunidades para todos e afinal uma grande parte deles ficaram por vê-la passar à frente dos olhos.

domingo, 26 de abril de 2009

Tambem Fui Militar Mas não Herói (2)


O meu período Militar, coincidiu com a altura de os portugueses irem para o estrangeiro em manobras integrados na força da NATO.
Itália foi o destino. Partimos num comboio só para militares com oito carruagens. Seis cheias de soldados. Cada compartimento continha quatro beliches, onde as ultimas carruagens iam apinhadas de material militar.
Atravessámos Espanha, entrámos pela França dentro e terminamos no norte de Itália. Foram dois dias e meio sempre a andar, só com ligeiras paragens.
Durante vinte e quatro dias permanecemos em Itália e juntamente com italianos e ingleses, participamos nos exercícios militares chamados ORION/87.
Foram vinte e quatro dias de convivência com soldados italianos (na foto um tenente italiano), na maioria do tempo que estive em Itália e os exercícios eram executados em conjunto. Ainda hoje falo um pouco italiano, do pouco que aprendi, enquanto permaneci junto deles.
Todos os dias subíamos para os camiões militares e depois de sairmos da estrada municipal, entravamos pela floresta dentro, por uma estrada não muito larga mas em muito bom estado e durante seis quilómetros, onde só víamos arvoredo cerrado tanto de um lado como de outro e sempre descendo, acabávamos por parar numa área enorme, onde o terreno era em grande parte coberto de pequenos godos (viemos a saber que no Inverno este local fica completamente alagado mais parecendo um enorme lago). Onde realizávamos os exercícios militares com fogo real, e em conjunto partilhávamos as armas dos italianos e eles as nossas. Tudo era executado por nós, como se estivéssemos na nossa base, em Portugal.
À hora do almoço, comíamos uma refeição ligeira à base de conservas e pão e a meio da tarde regressávamos pelo mesmo caminho e chegados ao quartel, depois de um banho e um bom jantar às dezanove horas. Eu e os meus três amigos corríamos para a cidade de Spilimbergo (a dez minutos) e aí junto com umas amigas italianas, divertíamo-nos até à uma hora da manha, hora obrigatória de entrada no quartel.
No último dia de permanência, convidamos as altas patentes militares estacionadas no perímetro que envolvia o ORION/87, em maior numero os italianos. E, juntamente com o nosso embaixador em Itália, demos um beberete no quartel que nos puseram à disposição e por entre queijadinhas, rissóis, camarão, rojões, moelinhas, chouriço, alheiras etc. Acompanhado pelo vinho verde branco e whisky, deu-se largas à alegria e boa disposição. Mas o caldo verde o nosso famoso caldo verde com a couve muitíssimo fininha e a famosa rodela de chouriço, foi muitíssimo apreciado e a maioria dos presentes quiseram voltar a saborear, encantados com o paladar do nosso caldo.
Tudo isto foi observado e partilhado por mim, dado eu ser um dos que servia os presentes. Com a bandeja na mão esquerda, percorria toda aquela gente, não deixando ninguém sem pegar, numa entrada numa mão e na outra um bom copo de vinho, ou de whisky, conforme o desejo de cada um.
E dezasseis meses depois vi-me fora do exército. Com a certeza do dever cumprido e a convicção de uma experiência enriquecedora.

Tambem Fui Militar Mas não Herói (1)


Muito ouvi da comemoração da revolução onde os militares foram os heróis nacionais e lembrei-me que também fui militar, uns bons anos depois da Revolução. E vou recordar a minha odisseia militar e as vicissitudes daí inerentes.
Santa Margarida foi o meu destino, local de grandes apreensões. É uma base de tropas especiais, eu pertencia à quarta bataria, (o termo é mesmo este) onde lidava com os blindados.
Era uma base ligada à NATO (força de defesa europeia) e, como tal, estávamos sempre prontos para qualquer eventualidade. E para que essa eventualidade ao surgir não nos apanhasse desprevenidos, juntavam-se tropas de outras zonas do país para as manobras militares e, durante algum tempo a zona imensa de pinhal da Base, era o local de treino dos exercícios Militares.
As regras imperam, a disciplina é a base do dever cumprido. Tudo o que se respira num quartel é sinónimo de deveres!
O único direito que temos é cumprir os deveres instituídos. É seguir a disciplina à risca, para a curto prazo fazer prevalecer o nosso valor perante os superiores e ganhar a estima deles. E com isso as benesses são uma realidade. E a realidade é passar o tempo militar da melhor forma possível, sem arranjar problemas e esperar que o tempo corra, corra. Para terminar com dignidade ciente de que cumprimos a nossa missão para o bem da Nação.
O começo do dia nascia com os primeiros raios solares!
A barba desfeita, cama bem-feita com a roupa bem esticada. Uniforme limpo e apresentável com as célebres botas a brilhar, para a correr e sem atrasos alinhar na formatura.
Momentos depois éramos presenteados com os exercícios militares. Qualquer falha era o cabo dos trabalhos, os castigos em triplicado nos enchimentos eram constantes principalmente para as “Amélias”. Nome dado aos menos capazes, mas com o tempo ombreavam com os mais dotados.
As refeições, (o bicho papão de todos os militares! Mesmo antes de entrarmos no quartel já vamos de sobreaviso de que as refeições, são mal confeccionadas e de pouca qualidade). O comportamento no refeitório é rígido e sem reclamações, ou se comia o que estava no prato, o que diga-se em abono da verdade qualquer estômago suportava, ou o bar servia de complemento para aqueles que deixavam as refeições a meio.
E por fim era a hora de recolher, o silêncio era de ouro! A maioria dos dias de tão cansados e saturados adormecíamos num piscar de olhos, principalmente durante a recruta. O quebrar era a morte do artista! Ninguém dormia, assistíamos ao nascer do dia na parada seminus a fazer ordem unida.
A adaptação a todo este sistema era custosa nos primeiros dias, devido á complexidade que envolvia esta brusca mudança. Porque não é de um momento para o outro, que eu passava de um certo descontrair na minha vida civil, para regras rígidas e sem argumentação.
E de facto levei um certo tempo a me adaptar, devido principalmente à minha preocupação em defender os mais” fracos”.
A tropa é fértil em conquistar amigos e eles apareciam, muitos. Mas amigos de verdade, uma mão deve chegar para os contar.
Mas de uma mão só completei quatro dedos. Os suficientes para preservar os amigos com quem se partilha o que nos vai na alma. Havia alturas que as saudades das namoradas principalmente, apoderava-se de nós e juntamente com umas cervejolas chorávamos como umas crianças, que bem lá no fundo continuávamos a ser e despejávamos cá para fora sentimentos e preces que quebravam qualquer coração mesmo o mais gelado que possa existir.
O desenrasque nos transportes de comboio, era a situação mais terrível que se possa imaginar, quando o objectivo era chegar a casa o mais rápido possível, ou o ter que chegar a horas ao quartel.
Viajei poucas vezes de comboio, porque utilizava o carro de um colega da minha companhia.
Mas dessas esporádicas vezes, o viajar nos comboios era: dormir nos corredores, o dormir nas grades, o dormir a pé. O passar as horas todas, cerca de seis sem dormir e olhar para o vazio da noite meio a chorar pedindo a Deus para que tudo isto passasse depressa. No Inverno era um inferno, o frio cortava-me a lucidez e passava a viagem a tremer. No Verão, era o martírio do calor e o cheiro ao mofo impediam-me de respirar, dado os comboios irem a abarrotar.
No percurso de carro que fazíamos, onde saiamos por volta das cinco e trinta da manha e só parávamos três horas depois numa pastelaria em Fátima bem pertinho do Santuário, para tomarmos o pequeno-almoço e apreciar as miúdas, que iam para a Escola Secundária.
Diversas vezes, deslocava-me ao Santuário, nessa hora sem viva alma.
Colocava-me bem no meio de todo aquele espaço enorme, completamente só! Contemplava a Basílica e imaginava, toda aquela área atolada de milhares de fiéis, com todo aquele espectáculo de fé, nos dias de comemoração do aparecimento de Nossa Senhora. E eu nesse momento rodeado de uma solidão tão sagrada, bem no meio daquele assombroso local, pensava nos milhões de fiéis que já calcaram este recinto que, digam o que disseram; tem uma magia pura! Uma magia de Fé! Uma magia de amor a Nossa Senhora e ao próximo!
Já fui a Fátima diversas vezes, com muita gente. Mas sinceramente, só quando ia lá e estava completamente só, é que sentia toda a força, todo o poder da Fé. Que aquele lugar emana.
Os fins-de-semana passados em serviços de manutenção e segurança ao perímetro. Local que envolve toda a zona da unidade, corroíam a minha mente!
O tempo não passava! Parecia o caracol, quanto mais andava, mais a sensação que ficava era que estava sempre no mesmo sítio.
A noite era o inferno: No Inverno o frio rachava os ossos, punha os dedos como cabos de fisgas em minutos se os libertasse dos anoraques e quando chovia ficava encharcado dos pés à cabeça.
No Verão era a alucinação! Calor por todo lado, mosquitos zelosos pelo meu sangue, até pela roupa entravam, sacudia-los como os burros fazem, tamanho o desespero de picada em cima de picada.
A rotina dos dias era sempre idêntica e só se alteravam quando surgisse alguma cerimónia de comemoração.
Então, era uma azáfama, tudo tinha que estar em ordem porque o dia do Exército era presidido pelo Presidente da Republica. No dia da Base seria o Ministro da Defesa e no dia da Unidade, o Chefe do Estado-Maior do Exército.
A meio do serviço militar fui promovido a Cabo, um posto um pouco superior ao de soldado. O vencimento era mais alto e no meio dos soldados, um cabo já ocupa um degrau um pouco mais acima e sempre tem mais regalias. Mas nada de significativo, que na prática pouco relevo tem.
Mas o melhor estava para vir!