quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Felicidade .....................









São muitos anos a procurar A FELICIDADE!
O motor de arranque para a justificação de estar vivo.
A felicidade encontra-se no meio do nada.
Ora num rosto que o beijo sofregamente.
Ora num corpo que o devoro fora de mim!

A FELICIDADE estilhaça-se em gestos tão simples,
como um sorriso ao virar da esquina.
Caminho assobiando uma melodia de inicio do dia,
num aglomerado de sensações calorosas.
Que sei de antemão será revestido de uma azáfama contínua.

A FELICIDADE fere-me os olhos de tão abertos,
num infinito de reboliços quotidianos.
Sonho partilhá-la com quem merece.
Com quem me ajuda a conquistar a alegria de um dia feliz.
Que sinto ser uma dádiva divina.

A FELICIDADE pode durar um dia.
Um mês!
Imensos anos!
Uma vida inteira!
E esfumar-se tão prematuramente como uma bola de sabão.

A FELICIDADE é um dom tão precioso e tão glorioso.
Que a quase sufoco bem juntinho ao meu coração.
Para o aliviar dos venenos que lhe envio.
Hoje, amanhã e espero que não, para sempre.
Nos exageros inocentes que não me largam!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Minha Juventude e a Militância.


As eleições caminham a passos largos para de norte a sul do País, alterar a rotina e invadir as nossas estradas, as nossas praças, os nossos pavilhões. De caravanas coloridas e barulhentas. De pessoas enfeitadas transportando o dístico do partido arredondado, pelos estômagos dilatados num autêntico carnaval eleitoral.
Que junta figuras publicas dos partidos, a meros apoiantes e militantes fanáticos. Na única oportunidade de o simples cidadão sentir o aperto de mão e duas ou três palavras com um único propósito de cativar o voto.
Já se passaram uns bons anos, quando me filiei no Partido Socialista, pertencendo e participando na Juventude Socialista. Sendo um elemento dos quadros directivos da Juventude Socialista a nível concelhio.
Éramos quatro amigos Socialistas de entre muitos, e nós tudo fazíamos. Onde a minha intervenção era mais centrada na Juventude Socialista, devido à minha idade, o meu lugar era lá.
Preparávamos as reuniões. Apresentávamos as moções para serem votados, mas sem antes, através dos debates cada um expressava a sua opinião mostrando o seu sentido de caminho a seguir e a votação braço no ar culminava com as aprovações das moções que iriam ditar o rumo da Juventude Socialista durante o período estipulado pelos estatutos!
Deslocávamo-nos às muitas Freguesias do Concelho. Promovendo debates, sessões de esclarecimentos, na tentativa de conseguir (e conseguíamos) mais jovens, para connosco fortalecer ainda mais a juventude socialista.
Quando os estudos terminavam e pela noite dentro, ia para a sede Socialista, acertar agulhas e estratégias pelo nosso lema: uma juventude mais interventiva pelos seus direitos dentro da sociedade. Enfim uma azáfama louca onde preenchíamos os nossos fins-de-semana e sem tempo para mais nada.
Quando se aproximava as campanhas eleitorais, era o tudo por tudo para vencer!
Colava cartazes pela cidade nos pontos estratégicos. Apoiado em escadotes, balde da cola numa mão e na outra, o pincel.
Duas pinceladas nas costas do cartaz e lá ia ele de encontro a uma parede, a uma arvore a tudo que a cola agarrasse.
Corria as Freguesias do concelho já na calada da noite, para não haver confrontos de qualquer tipo. Principalmente naquelas Freguesias onde sabíamos que a oposição tinha assentado arraiais.
Assistia aos comícios das grandes figuras Socialistas, por todo o distrito. As bandeiras vermelhas com a mão (hoje a mão deu lugar à rosa) em forma de punho proliferavam pelo ar, agitadas pelos braços daqueles que acreditavam na mudança, que as eleições se encarregariam de por em prática.
Quando chegava o dia das eleições, era a ansiedade de saber o mais cedo possível, os resultados.
E com a certeza da vitória, a alegria era o expoente máximo. E como por impulso saltávamos para as estradas e em caravanas automóveis percorríamos todos os cantos das freguesias, principalmente as que pertenciam ao Partido Socialista e dávamos largas à nossa alegria, culminando com a concentração junto à sede. Onde centenas e centenas de pessoas festejavam a vitória da mudança.
Hoje a minha participação é meramente, assistir a reuniões, para as quais sou convocado e exercer o meu direito de voto para os órgãos locais, regionais e nacionais do partido.

domingo, 17 de maio de 2009

A Desesperada Fuga para a Liberdade

A manha aproximava-se do fim e concentrado na minha actividade, conferindo uns artigos de uma mercadoria para venda umas horas depois, exercendo o meu rigor profissional para que nada falhasse. Quando sou interrompido por duas aves jovens que entram pelo enorme armazém pela porta principal, que mais parece para dois pardais jovens, o continuar das suas ainda observações de um mundo novo depois do abandono do ninho onde permaneceram até que as asas ganhassem a pujança de as enviar para o ar que é o seu espaço natural.
A entrada foi de rompante, como foi o assustador desvio das suas trajectórias, quando se aperceberam da minha presença.
Uma conseguiu virar e seguir o trajecto que a trouxe até ali.
Mas a outra, assustando-se voou para a primeira saída que encontrou.
E essa saída foi a janela lá no cimo do armazém que revestida de uma chapa transparente para enviar a luz solar e dar claridade ao espaço. Foi a fuga, pensava a ave do susto que apanhou quando um humano a surpreendeu na evasão do seu local de trabalho.
Continuei na minha função, mas logo deixei de me concentrar já que o desespero da ave em sistematicamente lançar-se de encontro à chapa branca, tentando a fuga para o céu aberto, era desesperante.
Ela recuava um pouco e com toda a força lançava-se como uma louca tentando o impossível.
E só ouvia o estrondo do seu corpo num som que me estava a descontrolar e como o cimo do armazém era de uns bons dez metros, nada podia fazer do que assistir à pobre ave, vezes sem conta esbarrar contra a chapa, pensando ser uma saída que lhe desse a liberdade daquele local que a estava a levar ao suicídio.
Nisto ouvi um pequeno estrondo!
Era a ave que já sem forças para bater as asas e continuar infinitamente a jogar-se contra aquilo que ela pensava ser a saída. Caiu de encontro ao chão, sem conseguir um último esforço para com as asas amparar a queda.
Ainda assisti ao ultimo esgar da ave tentar quebrar a chapa e fugir dali. Mas era impossível e depois de numa última vez esborrachar o corpo de encontro a luz do dia, mas fechado a sete chaves com a dura chapa transparente. Caiu como uma pedra caindo no chão duro, ficando com a barriga virada para cima e as patinhas encolhidas, inerte.
Corri logo para lá e olhando para a ave que não emitia qualquer movimento, pensei: coitadinha da avezinha, morreu a tentar uma aberta para fugir daquele imenso espaço escuro e sombrio.
Senti-me culpado pela ave ter aquele fim e num gesto de compaixão levei as mãos para a tirar daquele chão frio, mas qual não foi o meu espanto, quando senti que abriu os olhos.
Acomodei-a nas duas mãos tentando confortá-la, mas ela não conseguia fazer qualquer tentativa de tentar fugir. Estava mesmo exausta e talvez muito ferida.
Pousei-a ao sol encostada ao portão enorme por onde entrou.
Não reagiu! Como a pousei, como ficou. Nem um ligeiro gesto esboçou.
Como o sol era já um pouco forte, tive medo de ser prejudicial para o bichito. Que mantinha os olhos bem abertos, mas sem denotar qualquer movimento.
Pensei: coitadinha da avezinha desta não se vai safar e tudo por causa de uma corrida louca junto com o amiguinho, que distraidamente invadiram um espaço.
Onde um, teve a lucidez de descobrir a saída pela entrada que entrou. Mas esta pobre avezinha aqui inerte, esbarrou dezenas de vezes, de encontro á luz como a saída fugindo ao humano que a assustou. Mas só encontrou um muro parecido com a luz que lhe guia pelos ares sem fim.
Por fim, para que a ave tivesse um fim envolto num sossego e paz que todo o animal merece, coloquei-a debaixo do meu carro estacionado ali bem perto para que a sombra do inicio da tarde desse o merecido descanso à ave.
Pousei-a tão ternamente que senti um ligeiro movimento do passarito.
Voltei ao meu trabalho, para o terminar, mas já nada conseguia fazer! Toda a concentração estava virada para o passarito. Tentei mais um pouco e pouco ou nada de positivo conseguia.
Um dez minutos depois, já não aguentava a ansiedade de estar longe da ave e fui ver como estava.
Espanto meu. De ave nem vestígios!
Tanto lutou para dali sair que foi vencida pelo cansaço. E depois de uns bons minutos de descanso, lá bateu as asas e voou para bem longe dali e de certeza para nunca mais pousar bem perto daquele local.
Que para a ave foi um susto de morte. Mas para mim é o meu local de trabalho e com grandes responsabilidades, conseguindo apesar da instabilidade, encontrar o local de saída.
Situação que a ave não conseguia, o que quase a levou a perder a luz da vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Excitação do Bloco de Esquerda


O Bloco de esquerda é um partido relativamente novo na Sociedade portuguesa. Embora os seus líderes sejam veteranos, no combate das sucessivas politicas de direita (que tanto apregoam) que governam este País, depois da instauração da Democracia.
Um partido virado para os temas que envolvem o dia a dia da politica portuguesa e sempre pronto para o debate de propostas alternativas à politica desastrosa deste governo na óptica deles.
E olhando ao momento que o País atravessa nesta grave crise social. O Bloco pensa que chegou a hora de se afirmar como um partido que ganhou o seu espaço dentro da nossa Sociedade.
Vai daí toca a reunir as tropas e de peito aberto enfrentar os grandes desafios que se avizinham.
Desafios, que poderão lançar o partido para a conquista de um lugar no pódio da política portuguesa.
O momento é de enorme excitação! Os três actos eleitorais estão aí à porta. E olhando para as diversas sondagens, que vão de um extremo ao outro, conferem-lhe um resultado que poderá ser histórico para o partido.
Não espanta dizer, que Louça e os seus acólitos, andem numa roda-viva para concretizar na prática o que os bons ventos enviam para aquelas paragens.
Até a própria Comunicação Social está ao rubro com a possibilidade de o BE, conseguir um resultado histórico para o partido e pé ante pé lá se posiciona, na busca de monopolizar a excitação que o BE embora esconda, mas já se nota naquelas paragens.
O BE, têm a seu favor os descontentes Socialistas, que poderão inclinar o seu voto para o pecúlio dos Bloquistas. E será nessa franja que Louça, irá jogar o tudo por tudo para finalmente conquistar o sonho de décadas de luta politica.
Serão os descontentes da política de Sócrates, que lhe deram a maioria quatro anos antes, que poderão afirmar o BE como uma força a ter em conta e quem sabe com possibilidades de ser ouvida caso o PS, não atinja a maioria (o que deverá ser muito difícil).
Portanto só resta ao BE, aproveitar o descontentamento dos apanhados pela madrasta crise tanto interna como externa, mas que envolve o PS, partido do governo. E lançar-se de corpo e alma, numa campanha eleitoral que se avizinha extenuante, porque irá ser para o BE tipo porta a porta.
Batendo com o punho nos portais dos descontentes.
Batendo com as palavras no coração martirizado dos atolados em esgotamentos económicos.
Conquistando com as alternativas vincadas nos seus programas eleitorais, nos cansados de governos do “agora governas tu, ora agora governo eu”, onde as promessas desaguam sempre no mesmo oceano.
Acredito que o BE, viva presentemente mergulhado em orgasmos de euforia. O momento assim proporciona.
A oportunidade é de ouro! E oportunidades de hastear o partido para o mastro da visibilidade não surgem a todas as eleições.
Haver vamos se daqui a alguns messes o país não seja enfrentado pelo crescimento do BE, pronto a ser um partido a ter em conta e sendo ouvido antes de se aprovar o que quer que seja.
O Bloco tem tudo nas mãos. Só falta constatar se tem, os pés bem acentos no chão!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Sociedade que Respiramos

Saio de encontro ao dia a dia e sou absorvido pelo começo da manha tristonha com chuva miudinha, dando um ar de que se quer fazer alguma coisa e não existe vontade para nada fazer.
Sinto tudo a andar a passo de caracol.
As pessoas estão tristes com o mundo e tristes com elas próprias!
Caminham como se fossem robots, muitas delas sem precisarem bem a direcção que têm que tomar.
Vivemos numa Sociedade altamente consumista. E como tal, essa mesma Sociedade depende ferozmente de todos nós para alimentarmos a sua ânsia em vender a imensidão de produtos que giram em volta dela e egoisticamente nos impele para comprarmos aquilo que necessitamos e em muitos casos aquilo que nos afunda. Já que perdemos o sustento do nosso equilíbrio financeiro.
As empresas laboram a meio gás. Sem optimismos em relação à retoma a curto prazo.
No seu seio, os trabalhadores sentem o drama do desemprego e deixam-se levar pelas mais sombrias conclusões, deixando-se abater e escorregarem pelo martírio da psicose, “do que irá ser de mim daqui a uns anos”.
Faltam-lhes as forças para remar contra a maré e a capacidade em lutar contra este flagelo. Dando ensejo a que seja extremamente difícil, inverter este ciclo que teimosamente penetra na Sociedade Civil.
E sem a força! Sem o grito de revolta que urgentemente todos em uníssono precisamos de lançar cá para fora. Não conseguiremos rebentar os tímpanos desta malapata infernal que nos vai corroendo o couro já meio empalidecido pela perda da vontade em lutar.
Meio mundo luta pelo que já teve. E agora vê fugir, não adiantando agarrar-se à corda da esperança, porque ela irá rebentar, levando o que ainda resta, que armazenaram no baú de um final feliz de vida, deixando os vincos de desânimo bem expressos nos milhões de rostos outrora, cheios de luz.
Outro meio mundo, que sempre teve uma mão cheia de migalhas e outra de abrir mão à caridade. Caminha num espaço cinzento sem fim. Deixando aqui e ali os restos de um corpo massacrado pelo infortúnio e pela desgraça de nascer no inferno terrestre que o homem, calculadamente usa para saciar a sede da ganância.
Mas existe aqueles que habitam nestes dois meios mundos e que acabam por construir um mundo à parte.
São os iluminados deste ainda azul planeta! São os imperadores da terra e do mar. Do ar e do espaço que já ocupamos através das estações espaciais.
São os que ditam as leis, com que a Sociedade se rege.
Em suma; são os donos do mundo!
Eles reduzem a esperança dos que já viveram com a qualidade de vida, que é e devia ser uma obrigação de todos e para todos.
Eles são os que sacodem as migalhas do luxuoso festim diário, para as mãos dos confinados ás catacumbas do desespero.
E eles serão os causadores da mais provável revolta social. O único caminho que poderá ser desbravado para com a vida de milhões, saciar as hoje enormes carências dos também milhões que ficaram na esperança de inverter o rumo da decadência social.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Domingo Terminou como Começou!



Entre a família cada vez mais numerosa, onde os filhos das sobrinhas, avolumam um clã de boa gente e salpicam de alegria o espaço que ao longo destes anos sempre primamos em conservar.
Como o convite partiu de um familiar conimbricense, lá fomos rumo ao destino e entre um café a meio da auto-estrada, juntamo-nos para que todos chegássemos ao mesmo tempo.
O ambiente era festivo! Um familiar portista, resolveu levar a preceito o Domingo de festa que se esperava no dragão e toca a embelezar os filhos pequenotes com as cores azuis de um clube que não sai do seu timbre regionalista mas que engole todos os títulos que nos últimos anos embelezam um país virado para o futebol para matar as lamurias de uma vida difícil e sem optimismos a médio prazo.
Foi o tema das primeiras horas de um convívio salutar e aguardado alegremente. E todos mostrando a justeza de um título merecido. Não faltou os recados enviados de parte a parte (nesta família só à benfiquistas a grande maioria e portistas o resto do grupo), dos lances que a época foi fértil, na alteração de um resultado falso como judas. E como nunca se chega a um consenso. O melhor é atacar nos petiscos de entrada já que quanto mais se fala, mais a fome abre caminho para devorar os primeiros petiscos que caiem na mesa como tordos em dia de caça.
Passado o frenesim pelo futebol, falou-se de coisas mais sérias que envolvem o dia a dia de cada um e desabafa-se momentos bons ou maus de alguém para que exista a esperança de no meio de muitos familiares, alguém ajude numa solução, já que no seio da família existem pessoas com alguns conhecimentos e argumentos.
Falou-se do caso que enche as conversas de um país inteiro e que afecta muitos portugueses e como assisti alguns familiares. Refiro-me ao BPP, onde alguns depositaram boas quantias e agora vêem-se a braços com situações melindrosas que os deixam apreensivos e até revoltados com tamanha jogada de uns responsáveis do banco que segundo se frisava, mais de que uma vez, já sabiam do estado de liquidez do banco e continuavam a insistir com os clientes para cobrir o que lá tinham depositado. Ou então teriam que levantar o que lá estava depositado.
Resumindo: os meus parentes cobriram o que lá possuíam e agora assistem ao descoberto do seu dinheiro sem garantias de verem a sua cor a médio prazo.
O que ajudou a não tornar o ambiente um pouco cinzento como o tempo, foi o leitão vindo directamente do forno de um conhecido. E foi um regalo triturar aquelas costelinhas de uns leitões que estão em voga devido ao vírus, mas sem significado para nós que de vírus só podiam estar nos ossos prontamente guardados para delicia dos cães, que guardam tudo, mas que nada podem fazer para resgatar o money desviado para o infinito e mais além, que estilhaça a seriedade de alguns familiares, enraivecidos com tamanhos vigaristas, até agora os senhoras da finança cá do País e que ameaça desgraçar uma boa vida, de quem tanto batalhou e agora resigna-se ao milagre de novos ventos para a banca.
Só a chuva veio em hora má e arrasou com a alegria dos mais novos nas correrias e nos entretimentos do costume.
As horas foram passando, entre palpites de resultados para as eleições que estão aí a surgir. E entre familiares ferrenhos de Direita, onde Sócrates é vaiado pelas politicas seguidas e pelos escândalos estampados a cada esquina de comunicação.
E outros mais, de Esquerda que vincam a razão de não existir oposição e como tal a vitória é esperada, só faltando os números com que se irá fazer a festa. Arrumou-se as trouxas e toca a andar, rumo ao canto de cada um porque a noite já ameaça e à muita estrada para calcorrear.
A família é um dom! E logo uma como a nossa cheia de alegria e canalhada a cada canto.
Uns são de Direita, outros são de esquerda! Uns são do Porto, outros do Benfica! Uns são mais ricos de que outros. Mas todos são amigos de todos e quando toca a ajudar, ninguém falta para aliviar o que quer que seja.
O importante é ver reflectido no rosto de cada, o prazer de estarmos todos juntos e ao despedirmo-nos, deixarmos bem claro que o até breve será mesmo breve.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Adormeci a Pensar nos Meus Colegas de Infância.



Aqueles que me acompanharam ao longo de uns anos e que deixaram a sua marca. Para eu me recordar deles, quando uma fumaça de nostalgia percorre o meu pensamento.
E como eu era um garoto e logo um jovem que não parava quieto. Precisava de uma ocupação, para sossegar toda a energia que se acumulava neste corpo magrito, mas duro como uma rocha.
Não apreciava grandes aglomerações de jovens. Optava por três ou quatro, fossem eles de uma colectividade, onde o Desporto marcava primazia e o Escutismo uma obrigação tolerada, com o seu quê de aventura. Ou a Escola, onde todos juntos percorríamos os vários anos e cada rosto já era tão conhecido que a largos metros de distância descobria quem lá vinha.
Não esquecendo os amigos da rua, onde casa a casa morava um ou dois traquinas que me encaminhavam para as diabruras próprias de uma idade tão pura, tão genuína, tão feliz. E que irão marcar a saudade até que, o pó me transforme em alimento para quem habite abaixo dos sete palmos de terra.
Os olhos já se fechavam numa noite quente, quente para a época e já com um bem cerrado, ainda fui a tempo da recordação dos colegas do futebol e dos colegas dos primeiros namoricos bem perto de casa. Para não deixar as miúdas fora do alcance dos olhos astutos dos pais que para a época sentiam que quatro-olhos eram a arma da vigilância do tesouro das filhas.
Despertei com um sobressalto!
Continuei a lembrar os colegas de varias fases de uma infância ainda a roçar a infantilidade, com resquícios de recordações da véspera. Mas as imagens saltavam abruptamente para os colegas já desaparecidos, que embora eu tente esquecer para não ferir as passagens alegres que juntos passávamos. Neste momento assaltaram o meu pensamento.
Tentei cobrir o rosto. Tentei afundar-me na cama para me resguardar de tais horríveis pensamentos, mas eles transportaram-me para a superfície da cama e obrigaram-me a olhar para o tecto e recordar a tragédia de um vizinho.
Rapaz com a vida pela frente como eu! Frequentava o sexto ano como eu. Mas com a diferença de viver com um pai severo e ditador, nada comparável ao meu, indolente e dócil.
Rapazote esperto e maluco pelo futebol. Mas num dia de muito calor a tentação de beber uma cervejita foi mais forte que o medo de o pai poder saber e toca a mamar uma, que lhe refrescou o corpo e mais tarde lhe destroçou a vida.
Até aqui tudo bem! Quando se sentia livre do pai e só acontecia no período escolar, ele dava largas à liberdade que esses momentos lhe proporcionavam e acredito que se sentia como um pássaro fora da gaiola e por umas horas era o soltar das amarras do progenitor.
A cervejita pousou naquele corpo puro. Sem tempo para se desgastar!
E o corpo entrou água dentro, no rio que nos amparava do calor e das valentias de cada um de nós.
A dado momento o meu vizinho deixa de ser visto!
Num esforço sob humano, imagino eu, por dados momentos, ainda alguns o distinguem a quatro ou cinco metros. Com dois braços no ar a pedir a ajuda que ninguém lhe podia dar. E por fim o desaparecimento total.
O vazio estampado em todos nós que ainda quentes de uma emoção épica, apodera-se das nossas mentes ainda jovens para perceber tamanha desgraça. E juntamo-nos no largo onde tantas vezes brincamos juntos, para quem assistiu, contar aos que por uma ou outra razão, ficaram livres de presenciar espectáculo tão macabro.
Levou três dias a aparecer o corpo e três dias o pai não abandonou o rio.
Como felizmente não assisti ao rio levar o meu vizinho deixando-o preso num açude já bem longe da nossa pequena territa. Vejo-me a espaços como hoje aconteceu, a imaginar o drama como se também lá estivesse. E toda a vez que isso sucede um arrepio intenso percorre o meu corpo e deixa-me com saudades do vizinho, com tanta garra para viver e repentinamente o rio levou-o, devido à marota cervejita que de tão fresca que estava, levou mais tempo a desaparecer da barriguita e parou-lhe o coração, num abrir e fechar de olhos.
O pesadelo continua para os pais, que isolando o filho de todos nos, fizeram com que perdêssemos o seu rasto. Nem os seus restos mortais sei onde repousam. e como se fecharam num mundo aparte, ninguém sabe o que quer que seja do vizinho. Desapareceu naquele fatídico dia. E morreu para todos nós numa evaporação sem deixar o mais ténue indicio.