segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os Comícios São a Chama Viva das Campanhas



Os Comícios são a chama viva das campanhas!
São o alimento para saciar a fome às mentes das massas democratas!
São o condimento perfeito entre o candidato e os seus apoiantes. Num cara a cara de extravasar emoções.
São os Comícios que dissipam muitas dúvidas. Porque o povo que enche uma praça!
Ou uma quinta!
Um largo num bairro social!
Ou um estádio repleto!
Não esquecendo a Avenida famosa!
Quer sentir no candidato a sua força. Quer ouvir a sua mensagem, para os contagiar, para os emocionar!
Os Comícios são preparados dias antes. São anunciados dias antes. Com cartazes pelos locais, mais frequentados, onde todos possam absorver a mensagem da data do Comício e do local do mesmo.
A grande maioria de nós já participou em Comícios. Revestiu-se daquela adrenalina própria destes eventos.
Em autocarros fretados pela organização começa a nascer o Comício. Entabulava-se uma conversa com o do lado. Minutos depois já chegava aos bancos mais à frente e não tardava muito, para todo o autocarro respirar certezas quanto ao que o candidato iria falar. Projecções quanto ao resultado final e fanatismo na comparação com os outros partidos e seus apoiantes.
Em caravanas automóveis, onde meia dúzia de apoiantes ferrenhos, enchem um carro a abarrotar de propaganda e com as bandeiras a desfraldar presas às mãos bem firmes dos ocupantes das janelas, orgulhosos por serem os escolhidos a levantar bem alto a bandeira do partido e a levar com os incentivos dos apoiantes com que se cruzam no caminho.
E chegados ao local é uma autêntica romaria nacional!
Não param de se juntar. Os autocarros vindos dos mais variados locais deste país, descarregam apoiantes já bem-dispostos e partidários do bom cantar e da boa piada.
Recebem a bandeira, grande ou pequena, consoante a inspiração para usar a força, com que vão agitar cada acusação do candidato ao adversário que lhe pode fazer frente.
As bandeiras dão cor ao comício. Dão festa ao comício. E quantas mais são desfraldadas, mais o mar de gente é incontável.
É com todo este cenário que o candidato se transcende! Se emociona! E promete no meio daquela emoção dádivas que todos já sabemos impossíveis de realizar.
Mas o povo adora promessas e aplaude efusivamente durante vários segundos. Até que o candidato levanta as mãos para a multidão parar e lá continua a propagandear os pontos cruciais para o seu futuro (ou continuado), governo.
Campanhas eleitorais sem Comícios são como casamento sem noiva.
Que o diga o grande Obama, que juntou multidões e multidões! Onde a aposta inevitável nos Comícios, foi o fantástico meio de se anunciar aos Americanos. Que ali estava o homem da esperança, pronto a conquistar a brilhante vitoria. Que juntará o mundo na salvação económica.

domingo, 24 de maio de 2009

O Engenheiro Belmiro Descobre Soluções para Travar os Encerramentos.




O Engenheiro Belmiro de Azevedo, como quem não quer a coisa infiltra-se de uma forma directa no andamento desta crise, visando os trabalhadores, aconselhando numa espécie de Messias, “o mais vale ter um emprego e ganhar metade do que perder o emprego”. Numa espécie de slogan, de uma campanha solitária que o Engenheiro há uns meses se dignou carregar naqueles ombros fartos de canseiras e anos de vida.
Vai mais longe e remata “Se fechar a empresa o que é que vão fazer”!
Portanto, para ele, os trabalhadores que ainda mantêm o seu emprego, para que a empresa não encerre é reduzir o salário. E pronto a vida continua!
Assim ao reduzir o salário, forçosamente, como deve pensar o Engenheiro para os seus botões. Os trabalhadores poderão pagar metade das suas inevitáveis contas no inicio do mês. Já que ao não perder o trabalho, estarão a contribuir para que outros não o percam e como tal não fechem as suas empresas, ou muitos dos seus trabalhadores, não irão para a rua da amargura.
Mas como tudo na vida, tem o fim do, ou tudo ou fica sem tudo! E sei que o Sr. engenheiro tem consciência de dramático facto, irá junto:
Da EDP, tanta potência energética como milhões de euros de luz (lucro). Que dá energia às empresas até ao primeiro dia de falta de pagamento. Para elas ainda lutarem contra o muro de betão.
Da SEGURANÇA SOCIAL, que ainda tem um fundo de maneio para mensalmente brindar com reformas chorudas milhares de crânios que aguentaram o país em ombros.
Da GALP, para fazer andar as viaturas em busca das encomendas. Com lucros de milhões, tantos como estrelas no céu em noite clara.
Dos BANCOS, chorando os milhões que voaram para paraísos espaciais. Mas sempre com lucros bem reais.
Pedir, aproveitando essa sua corrente de sensibilização que logrou encetar pondo os pés ao caminho. Que também elas no seguimento dos trabalhadores, cobrem metade nas facturas que as empresas terão que mês a mês lhes pagar.
Assim todos caminhávamos durante esta crise que o Engenheiro prevê para o nosso país bem mais longa que a maioria dos outros:
No ganhar metade! No reduzir as facturas para metade! Na amortização para metade! E dentro da metade que os patrões ficavam dos trabalhadores. Dos grandes fornecedores.
Obtinham um fundo de maneio para aguentarem o barco durante as fortes ondas das marés vivas. E ficavam proibidas de lançar os trabalhadores para o desemprego evitando o esganar dos nossos quase invisíveis recursos e estagnar a percentagem de desempregados que vai galopando como cavalos nas corridas de sua majestade.
Acredito que o Sr. Engenheiro irá fazer esse forcing!
É uma pessoa de créditos firmados neste país plantado em frente ao FMI, que desesperadamente bate à enorme porta tão dura como o aço. Para alguém a abrir de par em par e entregar os doze sacos cheios de euros. Um para cada mês e mais não dá porque outros vêm já seguir de mãos estendidas como pedintes na praça Tiananmem.

Há uns tempos, regressava de Lisboa para o Porto e as horas de embarcar já tinham superado o horário estabelecido, mas como tinha tempo, pouco me incomodava. O mesmo já não se passava com os outros e gerou-se um enorme sururu, já que a grande maioria tinha compromissos assumidos no Porto e o nervosismo apoderava-se da zona de embarque.
Nisto reparei em alguém que logo conheci! O Sr. Engenheiro Belmiro, longe de todos, refugiado num canto e sistematicamente agarrado ao telemóvel.
Perante o nervosismo da grande parte das pessoas fiquei na expectativa como um homem importante iria reagir ao atraso e de certeza ao cancelamento dos seus relevantes compromissos.
Não tirei os olhos dele, autentico fiscal das finanças.
Nisto pasta numa mão, gabardina na outra e pé ante pé abandonou a sala.
Esperamos hora e meia, e lá partimos num avião de cinquenta lugares, onde quarenta e nove estavam ocupados por homens desesperados e revoltados. Com tamanho atraso. E um lugar vazio onde devia de vir o Sr. Engenheiro, mas dele só a sombra porque o Belmiro de carne e osso a essa hora já estava no Porto aconchegado na poltrona a fazer contas à vida, juntando os poucos euros que tinha ganho no dia anterior, porque como é apanágio em pessoas como ele, grão a grão enche a galinha o papo e como ele tem dezenas de grandes galinheiros (empresas), muitos papos tem-nos cheios.

sábado, 23 de maio de 2009

O Bastonário Arrepiou a Manuela


A mulher andava nos píncaros!
A mulher aguardava impaciente que a famosa sexta-feira do seu Jornal Nacional, chegasse para desancar nos mesmos do costume.
Tinha o céu como destino num poder acima de tudo e de todos!
Sentia as costas guardadas pela TVI! E ao dado o sinal da abertura do jornal. Ali estava ela com a entrada triunfal e sempre com a matéria decorada naquela boca almofadada visando os mesmos de sempre num acumular de minutos a riscar o mesmo disco num pantanal de notícias repetitivas.
Mas como o povo diz, o cântaro tantas vezes vai à fonte que algum dia……. E esse dia chegou!
Convidou o Bastonário da Ordem dos Advogados “persona nom grata” para meio mundo da Advocacia e da Justiça. Onde centenas de olhos poderosos vigiam todos os movimentos, todas as palavras proferidas. Aguardando o momento certo para lhe fazerem a cama com que mais cedo ou mais tarde se irá deitar.
Mas enquanto a cama ainda não está feita, apresenta-se perante as câmaras e perante a mulher do momento. A tal que só vê o Céu como limite!
A entrevista desenrola-se num, bola lá bola cá.
Assisto com a sensação de que algo paira no ar e que a qualquer momento a louça se irá partir.
Sinto o Bastonário a tentar controlar-se e evitar ser deselegante tentando a todo o custo suster de peito aberto as investidas indirectas de Manuela.
A corda está totalmente esticada! Manuela tenta interromper o raciocínio do bastonário, para conduzir a entrevista a seu belo prazer. O Bastonário usa todo o seu poder de orador e não se deixa tropeçar no cruzamento de palavras de ambos os lados. Tenazmente leva a sua por diante e liberta daquela boca sempre aberta todo o raciocínio que lhe chega do cérebro.
Mas Manuela não se deixa abater. Eu cá te espero, pensa ela!
Um minuto depois nova tentativa de Manuela para interromper o Bastonário, mas o homem está imparável! As palavras fluem-lhe velozmente, que nem a super policia Manuela o consegue deter.
Estou em pulgas! Já devoro a melancia com as sementes e tudo! Espero a qualquer instante que o verniz estale e o confronto inevitável surja.
Manuela num último forcing, antes de encerrar a entrevista, tenta puxar para si os cordelinhos do debate e lança o veneno que tanto lhe tem dado galões, mas que desta vez a levou ao abismo impensável.
Marinho perde as estribeiras! E eu engulo melancia, sementes, casca pela garganta abaixo!
O Bastonário despido de qualquer preconceito desanca na agora pobre Manuela e foi um farto-te durante os melhores minutos que assisti em directo na televisão nos últimos anos.
Apercebo-me em directo, uma senhora ao fundo quase em pânico com o que estava a assistir. Quando minutos antes dava uma visível gargalhada a uma tirada da Madame Manuela.
Manuela queria terminar a entrevista! O Bastonário não parava de lhe atazanar aquela mona cheia de petulância.
Confesso que estava excitado com tamanho espectáculo! Devorei o resto da melancia, como o bastonário devorava a altivez da Manuela.
Nem necessito de entrar em pormenores! A esta hora o país já decorou todas as frases do Bastonário. O vídeo já rola, como internet navegando em fibra óptica.
E tenho a certeza, que serão, já amanha, chacota entre os jovens. Que não deixam passar pitada destes inesquecíveis momentos.
Valeu à Manuela, com o final da entrevista a publicidade bem longa que a TVI, nos brinda. Para se recompor do imparável Bastonário, que até saliva lhe enviou para cima do rosto agora já mais moldado depois de uns tempos lembrando a porquinha Miss Pigue.
É isto a vida! Quem anda à chuva molha-se!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

As Gravações Proibidas!


Estamos numa Sociedade sanguessuga!
Pronta para abocanhar os pedaços deixados pelos ingénuos que alimentam folhetins, que para além de servirem para actuar eficazmente nos prevaricadores. Atingem também quem por artes mágicas provou para todos, que as situações eram reais e muitas das vezes de contornos alarmantes.
Primeiro foi a história rocambolesca do famoso “dá-me o telemóvel”. Autentico drama juvenil, com uma jovem possessa na tentativa de reaver o seu telemóvel, confiscado pela professora. E os restantes colegas (uma boa parte), a “curtirem a cena” como hoje é apanágio na linguagem dos jovens. Com expressões bem audíveis, que misturavam o desespero da jovem a quem foi tirado o telemóvel. Com as gargalhadas bem sonoras dos outros intervenientes.
Tudo acabou como manda os regulamentos e dentro dos processos disciplinares prevaleceu a sanção para servir de exemplo tanto à aluna que se viu de um momento para o outro sem o telemóvel. Como para o jovem atrevido que ousou lembrar-se de filmar todo o enredo e mais grave pôs-lho a circular na tal Sociedade sanguessuga.
Presentemente nova gravação surge de um episódio no mínimo surpreendente!
Novamente o palco é uma sala de aulas. Onde uma professora vocacionada para a historia dos grandes feitos dos nossos antepassados. Resolve entrar na intimidade sexual de cada aluno, sem antes, fazer com que eles conheçam alguns detalhas da sua própria história sexual.
Claro que deu azo a que os jovens no aconchego do lar, comentassem com os pais que a disciplina de história virou debate pormenorizado de aventuras sexuais, que estava a levar a turma para um desconforto já impossível de suportar.
Houve dois pais que não se contiveram e pés ao caminho toca a pedir satisfações à professora indecente.
Atitude que fez a professora rebentar pelas costuras e andar numa ansiedade desesperante, não vendo a hora da chegada da aula com essas fedelhas.
A hora da aula chegou e foi o descalabro da professora em relação às garotas.
E mais uma vez lá estava a gravação do desnorte da professora e o choque de uma turma perante as leviandades que a professora dizia.
Mas uma frase fica no meio daquele vendaval de um ataque possesso à intimidade das miúdas: a professora como bem frisou tinha tomado um calmante! E se não tivesse tomado? Poderíamos ter ali cenas do arco-da-velha.
A aula terminou, mas o descalabro da professora iria começar através da gravação e irá envolvê-la num calvário de sensações gerais, que dificilmente esquecerá. Manchando a sua carreira de professora ao longo do resto dos seus dias.
A Sociedade sanguessuga abocanhou tamanho presente caído do céu !
A gravação passou em todos os canais em horário nobre. Entrando pelos olhos de milhões de jovens que cobrem este país.
As reacções não se fizeram esperar, num país que dá os primeiros passos para acreditar que até mesmo aqui os brandos costumes tendem a desaparecer. Para nos encarreirar para um País onde tudo pode acontecer, em todos os quadrantes da Sociedade.
O grave dentro da amplitude sexual do caso é que, toda a gente daquela escola sabia que a professora, dava-lhe para incluir na sua aula de história apartes de sexualidade. Mas ninguém tomou qualquer medida.
Agora que o caso galgou as fronteiras da pacata cidade e infiltrou-se nas linhas de agua da nossa Sociedade é que toca a correr para instaurar inquéritos aos personagens em destaque nesta novela escolar.
E vai daí, leva a professora com o mais que justo inquérito. Vai levar a escola porque já sabia das pripércias da docente e deixou andar como o caracol, que tanto devagar anda que até cansa. E vai sobrar para a pobre garota que gravou a capacidade de uma professora descarregar o que lhe ia na alma em matéria sexual, porque é contra a lei da escola e do País. Gravar a prova da verdade do ferir a sua intimidade.

A Felicidade .....................









São muitos anos a procurar A FELICIDADE!
O motor de arranque para a justificação de estar vivo.
A felicidade encontra-se no meio do nada.
Ora num rosto que o beijo sofregamente.
Ora num corpo que o devoro fora de mim!

A FELICIDADE estilhaça-se em gestos tão simples,
como um sorriso ao virar da esquina.
Caminho assobiando uma melodia de inicio do dia,
num aglomerado de sensações calorosas.
Que sei de antemão será revestido de uma azáfama contínua.

A FELICIDADE fere-me os olhos de tão abertos,
num infinito de reboliços quotidianos.
Sonho partilhá-la com quem merece.
Com quem me ajuda a conquistar a alegria de um dia feliz.
Que sinto ser uma dádiva divina.

A FELICIDADE pode durar um dia.
Um mês!
Imensos anos!
Uma vida inteira!
E esfumar-se tão prematuramente como uma bola de sabão.

A FELICIDADE é um dom tão precioso e tão glorioso.
Que a quase sufoco bem juntinho ao meu coração.
Para o aliviar dos venenos que lhe envio.
Hoje, amanhã e espero que não, para sempre.
Nos exageros inocentes que não me largam!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Minha Juventude e a Militância.


As eleições caminham a passos largos para de norte a sul do País, alterar a rotina e invadir as nossas estradas, as nossas praças, os nossos pavilhões. De caravanas coloridas e barulhentas. De pessoas enfeitadas transportando o dístico do partido arredondado, pelos estômagos dilatados num autêntico carnaval eleitoral.
Que junta figuras publicas dos partidos, a meros apoiantes e militantes fanáticos. Na única oportunidade de o simples cidadão sentir o aperto de mão e duas ou três palavras com um único propósito de cativar o voto.
Já se passaram uns bons anos, quando me filiei no Partido Socialista, pertencendo e participando na Juventude Socialista. Sendo um elemento dos quadros directivos da Juventude Socialista a nível concelhio.
Éramos quatro amigos Socialistas de entre muitos, e nós tudo fazíamos. Onde a minha intervenção era mais centrada na Juventude Socialista, devido à minha idade, o meu lugar era lá.
Preparávamos as reuniões. Apresentávamos as moções para serem votados, mas sem antes, através dos debates cada um expressava a sua opinião mostrando o seu sentido de caminho a seguir e a votação braço no ar culminava com as aprovações das moções que iriam ditar o rumo da Juventude Socialista durante o período estipulado pelos estatutos!
Deslocávamo-nos às muitas Freguesias do Concelho. Promovendo debates, sessões de esclarecimentos, na tentativa de conseguir (e conseguíamos) mais jovens, para connosco fortalecer ainda mais a juventude socialista.
Quando os estudos terminavam e pela noite dentro, ia para a sede Socialista, acertar agulhas e estratégias pelo nosso lema: uma juventude mais interventiva pelos seus direitos dentro da sociedade. Enfim uma azáfama louca onde preenchíamos os nossos fins-de-semana e sem tempo para mais nada.
Quando se aproximava as campanhas eleitorais, era o tudo por tudo para vencer!
Colava cartazes pela cidade nos pontos estratégicos. Apoiado em escadotes, balde da cola numa mão e na outra, o pincel.
Duas pinceladas nas costas do cartaz e lá ia ele de encontro a uma parede, a uma arvore a tudo que a cola agarrasse.
Corria as Freguesias do concelho já na calada da noite, para não haver confrontos de qualquer tipo. Principalmente naquelas Freguesias onde sabíamos que a oposição tinha assentado arraiais.
Assistia aos comícios das grandes figuras Socialistas, por todo o distrito. As bandeiras vermelhas com a mão (hoje a mão deu lugar à rosa) em forma de punho proliferavam pelo ar, agitadas pelos braços daqueles que acreditavam na mudança, que as eleições se encarregariam de por em prática.
Quando chegava o dia das eleições, era a ansiedade de saber o mais cedo possível, os resultados.
E com a certeza da vitória, a alegria era o expoente máximo. E como por impulso saltávamos para as estradas e em caravanas automóveis percorríamos todos os cantos das freguesias, principalmente as que pertenciam ao Partido Socialista e dávamos largas à nossa alegria, culminando com a concentração junto à sede. Onde centenas e centenas de pessoas festejavam a vitória da mudança.
Hoje a minha participação é meramente, assistir a reuniões, para as quais sou convocado e exercer o meu direito de voto para os órgãos locais, regionais e nacionais do partido.

domingo, 17 de maio de 2009

A Desesperada Fuga para a Liberdade

A manha aproximava-se do fim e concentrado na minha actividade, conferindo uns artigos de uma mercadoria para venda umas horas depois, exercendo o meu rigor profissional para que nada falhasse. Quando sou interrompido por duas aves jovens que entram pelo enorme armazém pela porta principal, que mais parece para dois pardais jovens, o continuar das suas ainda observações de um mundo novo depois do abandono do ninho onde permaneceram até que as asas ganhassem a pujança de as enviar para o ar que é o seu espaço natural.
A entrada foi de rompante, como foi o assustador desvio das suas trajectórias, quando se aperceberam da minha presença.
Uma conseguiu virar e seguir o trajecto que a trouxe até ali.
Mas a outra, assustando-se voou para a primeira saída que encontrou.
E essa saída foi a janela lá no cimo do armazém que revestida de uma chapa transparente para enviar a luz solar e dar claridade ao espaço. Foi a fuga, pensava a ave do susto que apanhou quando um humano a surpreendeu na evasão do seu local de trabalho.
Continuei na minha função, mas logo deixei de me concentrar já que o desespero da ave em sistematicamente lançar-se de encontro à chapa branca, tentando a fuga para o céu aberto, era desesperante.
Ela recuava um pouco e com toda a força lançava-se como uma louca tentando o impossível.
E só ouvia o estrondo do seu corpo num som que me estava a descontrolar e como o cimo do armazém era de uns bons dez metros, nada podia fazer do que assistir à pobre ave, vezes sem conta esbarrar contra a chapa, pensando ser uma saída que lhe desse a liberdade daquele local que a estava a levar ao suicídio.
Nisto ouvi um pequeno estrondo!
Era a ave que já sem forças para bater as asas e continuar infinitamente a jogar-se contra aquilo que ela pensava ser a saída. Caiu de encontro ao chão, sem conseguir um último esforço para com as asas amparar a queda.
Ainda assisti ao ultimo esgar da ave tentar quebrar a chapa e fugir dali. Mas era impossível e depois de numa última vez esborrachar o corpo de encontro a luz do dia, mas fechado a sete chaves com a dura chapa transparente. Caiu como uma pedra caindo no chão duro, ficando com a barriga virada para cima e as patinhas encolhidas, inerte.
Corri logo para lá e olhando para a ave que não emitia qualquer movimento, pensei: coitadinha da avezinha, morreu a tentar uma aberta para fugir daquele imenso espaço escuro e sombrio.
Senti-me culpado pela ave ter aquele fim e num gesto de compaixão levei as mãos para a tirar daquele chão frio, mas qual não foi o meu espanto, quando senti que abriu os olhos.
Acomodei-a nas duas mãos tentando confortá-la, mas ela não conseguia fazer qualquer tentativa de tentar fugir. Estava mesmo exausta e talvez muito ferida.
Pousei-a ao sol encostada ao portão enorme por onde entrou.
Não reagiu! Como a pousei, como ficou. Nem um ligeiro gesto esboçou.
Como o sol era já um pouco forte, tive medo de ser prejudicial para o bichito. Que mantinha os olhos bem abertos, mas sem denotar qualquer movimento.
Pensei: coitadinha da avezinha desta não se vai safar e tudo por causa de uma corrida louca junto com o amiguinho, que distraidamente invadiram um espaço.
Onde um, teve a lucidez de descobrir a saída pela entrada que entrou. Mas esta pobre avezinha aqui inerte, esbarrou dezenas de vezes, de encontro á luz como a saída fugindo ao humano que a assustou. Mas só encontrou um muro parecido com a luz que lhe guia pelos ares sem fim.
Por fim, para que a ave tivesse um fim envolto num sossego e paz que todo o animal merece, coloquei-a debaixo do meu carro estacionado ali bem perto para que a sombra do inicio da tarde desse o merecido descanso à ave.
Pousei-a tão ternamente que senti um ligeiro movimento do passarito.
Voltei ao meu trabalho, para o terminar, mas já nada conseguia fazer! Toda a concentração estava virada para o passarito. Tentei mais um pouco e pouco ou nada de positivo conseguia.
Um dez minutos depois, já não aguentava a ansiedade de estar longe da ave e fui ver como estava.
Espanto meu. De ave nem vestígios!
Tanto lutou para dali sair que foi vencida pelo cansaço. E depois de uns bons minutos de descanso, lá bateu as asas e voou para bem longe dali e de certeza para nunca mais pousar bem perto daquele local.
Que para a ave foi um susto de morte. Mas para mim é o meu local de trabalho e com grandes responsabilidades, conseguindo apesar da instabilidade, encontrar o local de saída.
Situação que a ave não conseguia, o que quase a levou a perder a luz da vida.