sábado, 30 de maio de 2009

O Colega Bombeiro Azarento



A empresa trabalha com matéria-prima altamente inflamável. E como tal, temos um espaço com tudo o que é necessário. Assim obriga as normas de segurança. E para que a prontidão na ajuda a qualquer foco de incêndio seja o mais rápido possível, colocou-se uns interruptores nas secções mais sensíveis e ao mais pequeno indicio de fogo é logo accionado e toda a empresa se apercebe que à fogo.
E como já em algumas ocasiões, a sirene tocou!
O Camolas, concentrado no seu trabalho deu um salto e correu por ali fora para dar a sua ajuda.
À muito que ele esperava este momento. Queria também participar de perto no combate do incêndio e agora a sirene tocava insistentemente, parecendo que o chamava.
E ele lá ia galgando a distância que o separava do fogo com o coração aos pulos, mas cheio de moral.
Algo o deteve! O chinelo, destes de praia comprados nos chinesinhos!
- Raios, tinhas logo que rebentar agora! Hesita dois segundos e decide: - Que se foda o chinelo, o importante é ajudar, não à tempo a perder!
E continua o seu caminho com um chinelo num pé e o outro descalço. Barriga de fora já que a camisola só o tapa até ao umbigo.
Então chega! Eufórico e ofegante!
Mas lembra-se que um bom bombeiro antes de chegar ao local, tem que levar o material. Não pensa em mais nada, dá meia volta e foda-se, bate com o dedo do pé descalço, numa grade que servem para sugar o pó que se acumula. Mas nada o detém, tamanha a ansiedade que se apodera dele e agarra num instintor. E lá vai, agora sim em direcção ao fogo.
- Pronto cheguei, finalmente! É agora ou nunca!
- Foda-se, falta-me a máscara! Porque viu que os outros corriam para as ir buscar, já que com a intervenção dos instintores, o fogo abrandou, mas uma enorme nuvem de fumo nada deixava ver.
Com um sorriso pensou: De máscaras percebo eu, ainda não esqueci as lições dadas sobre máscaras na tropa.
Mais meia volta, agora sem bater com a cabeça do dedo do pé nas grades. E vê-se finalmente em frente ao armário. Faz força e lá consegue correr o vidro. Saca a máscara e corre ainda mais animado repetindo: - Na tropa era o maior!
- Meu Deus, isto arde mesmo!
Alguém grita: - É preciso instintor, alguém com mascara que apague aqui!
Coloca a máscara e lá vai o nosso herói, meio calçado meio descalço. Puxa a patilha do instintor e zás atira tudo para a boca do fogo.
Uma nuvem de fumo cerca-o totalmente. - Tenho máscara nada me acontecerá!
- Mas cum caralho! Eu não consigo respirar!
A aflição é tão grande, que o homem começa aos saltos! Pronto sacou a máscara.
Vê o que se passa e fica de boca aberta. – O quê? Esqueci-me de tirar o tampão do filtro, que burro que sou, assim não ia lá.
Alguém repara e o nosso bombeiro leva um baile de meter pena. Tem os olhos vermelhos, o nariz a pingar. Nesta figura põe os colegas à gargalhada.
Entra-se no rescaldo, é preciso limpar tudo e lá está o nosso herói, ainda cheio de vontade para ajudar. Apesar de ter o pé descalço em brasa, porque com a aflição da máscara, fartou-se de calcar restos de matéria-prima ainda a arder. Mas não desiste, está pronto para o que der e vier.
Mandam-lhe ligar mais uma mangueira e limpar a zona onde se encontra.
Agulheta na mão, tudo sob controlo pensa uma vez mais, talvez para espantar os desaires já acontecidos.
Mexe a alavanca para ligar a água. Ela está um pouco perra (tem pouco uso), começa a tremer. Porque sabe que ainda nada lhe saiu bem.
Dá um valente safanão à alavanca que gira rapidamente e só visto!!!
A água sai com toda a força! A potência destas mangueiras é enorme. Ele leva um safanão colossal, molha toda a gente que está ao seu pé. Entra em pânico, anda às voltas para segurar a agulheta e vira-a para o tecto ao mesmo tempo que a desliga.
Como a mangueira estava virada para cima e lançava água com toda a força, ao desligar, a água caiu-lhe pelas orelhas abaixo, ensopando-o da cabeça aos pés.
Toda a gente lhe caiu em cima! Chamam-lhe todos os nomes e o Camolas, regressa ao seu lugar cabisbaixo, não sem antes recuperar o chinelo, dando-lhe dois furos com um pequeno gancho, ferramenta essencial para o seu trabalho e com um cordel emenda o que rebentou.
Está encharcado, mas no fundo está feliz, apesar de tudo.
Porque o que lhe aconteceu foi tudo fruto da sua inexperiência. Acontece aos melhores, vai pensando ele.
E para a próxima quando aquela sirene tocar, é preciso ter mais calma e então mostrarei àquele bando de pés rapados, que sou tão bom ou melhor do que eles.
E vou-me rir, como eles se riram agora de mim! É só esperar, é só esperar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Criador do Espaço da Inspiração faz Anos


Estou a terminar o meu dia! Este dia pertence-me. É o dia do Nuno!
Por norma não gosto muito de o partilhar. Adoro passar despercebido e não ter que ser interrompido sempre que alguém surge, ora no emprego, ora por onde passe e me cruze com um rosto muito chegado.
Fujo do protagonismo e fico sempre um pouco embaraçado, quando as pessoas correm para mim e com um sorriso nos lábios me felicitam e lançam uma piadita de circunstância.
É o que acontece no emprego. Por norma quando alguém faz anos, tem a obrigação de providenciar o lanche para todos. E todos são sempre mais de vinte e toca a providenciar um lanche que não deixe reparos e que não pinte a minha imagem de forreta.
Somos um grupo muito porreiro e uma ocasião destas é servida para reforçar ainda mais a nossa amizade e apego ao labor profissional de cada um.
Um por todos e todos por um! É o grito que silenciosamente lançamos diariamente. E nestes momentos onde nos juntamos meia dúzia de minutos, reforçamos os laços de amizade profissional que nos une à já, longos anos.
Portanto não falta os bolinhos de bacalhau, os rissóis de mexilhão e de carne. A bôla (um bolo com chouriço, ovo, presunto), estava espectacular e uns pastéis de carne. Tudo ainda quentinho vindo expressamente de uma senhora que tudo confecciona em casa e como tal com um sabor a caseiro.
O vinho, loucura! Tão fresquinho Branco Verde cá do Minho, que faz agua na boca a quem for ler este meu pequeno desabafo num dia de anos.
No final juntei-me à família. Abraços daqui. Beijos dali. Prendas atrás das costas e a ansiedade de ver se eu gostei. E gostei mesmo, para alegria dos filhotes.
A vida ainda corre bem e nestas alturas é abrir os cordões á bolsa e toca a gastar, porque o pai merece e assim sendo todos ficam felizes e onde existe felicidade existe amor para dar e vender.
Vamos ao restaurante escolhido pelos putos e cada um pede o que mais gosta. Uma hora depois todos querem regressar, os amigos estão na Net e a impaciência já transborda nos comentários em que travam a conversa dos pais. E como gostam de pedir a conta para terem o brinde do costume (um chocolatito), aguardam impacientes pelo fim do café e lá voltamos para casa, onde os anos do pai terminam e começa a busca dos amigos nesse mundo sem fim que é a Net.
Lembro-me que nos meus anos o meu pai oferecia-me uma prendita e um postal ilustrado com uma dedicatória ao dia.
Guardo uma dezena deles e hoje fui espreitar ao meu baú das recordações e saudosamente leio-os. E a minha imagem percorre a altura de cada um como se fosse hoje e relembro cada momento que a data do postal mostra. E num deles está a lembrança dos meus 14 anos. Onde o meu pai escreveu: “Para trás ficaram os folguedos e brincadeiras infantis. 14 Anos é a meta da transição.
A partir daqui surge o trabalho, a liberdade de ser alguém. A preparação para o que virá.
Começas a ser um homem Nuno. Que o futuro te seja propicio”!
Este postal retrata a grande transformação que a minha vida sofreu. Duas semanas antes tinha entrado numa empresa, onde o meu pai também lá trabalhava e como ele diz. “Para trás ficaram os folguedos e as brincadeiras infantis”. O mundo dos sonhos começava-se a desmoronar e dava lugar a uma realidade bem real. O trabalho logo aos 14 anos!

A Abstenção das Eleições Europeias




Nestas eleições para o Parlamento Europeu, o maior adversário para todos os partidos é abstenção!
Esse terrível cancro de umas eleições, onde todos querem combater mas com resultados pouco auspiciosos. E não existe arma para suavizar e encurtar uma tendência que se vem acentuando desde que a eleição de deputados para o Parlamento Europeu foi obrigatoriamente criada.
Os partidos agora em plena campanha, numa autentica maratona, percorrendo o País de lés a lés. Centralizam as suas intervenções mais direccionadas para os problemas internos do que para o cerne da questão, que é como se sabe a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu. Embora se note que no inicio levam as suas intervenções para a Europa, mas com o decorrer do esgrimir argumentos, acabam por resvalar para os problemas internos do país deixando órfão a grande questão Europeia. Dando mais azo a que o povo se refugie num dar aos ombros e passar ao lado destas eleições.
A abstenção é um pau de dois bicos para todos os partidos concorrentes e para a consolidação de uma eleição. Onde a enorme abstenção quase leva a menorizar, a vitoria do partido vencedor e principalmente os resultados das eleições.
Nota-se nestes já meia dúzia de dias, a grande preocupação dos partidos em alertar para que o povo vá votar.
Porque votar é a única vitoria que todos os partidos terão!
É a esperança de conseguir mais votos e como os abstencionistas de ontem, se forem votar agora, serão os que votarão contra quem os desilude. Normalmente quem governa. E é aí que os restantes partidos, poderão receber esses votos.
Mas leva-me a depreender que este ano irá ser o ano da maior abstenção de que à registo.
O povo não acredita num Parlamento Europeu!
O povo pouco conhece da Europa. A informação que chega à grande maioria é escassa e muito subjectiva.
Os candidatos que compõem as listas são desconhecidos. São listas baseadas nos seus líderes e alguns deles com pouca projecção mediática junto do cidadãos e como tal não cativam e nem incentivam uma população demasiado pessimista e muito critica da política seguida nestes já longos anos, num entra e sai do mesmo. E dos políticos deste País.
E como tal não se vai dar ao esforço de ir votar e logo num dia que tudo indica virado para a praia e sem a direcção para ir votar.
Nem mesmo nesta fase, onde aqui e ali se nota um grande descontentamento nas políticas adoptadas pelo Partido Socialista. O povo se inclina para usar o seu privilégio, no uso de um trunfo tão torturantemente conquistado, que lhes daria a faca e queijo na mão, para alterar o rumo e a consciência de seguidores convencidos que tudo sabem e que tudo podem.
Resignam-se ao básico pretexto de nem lá ir.
O que ajuda a nada se alterar! A que tudo fique mais ou menos direccionado de acordo com os interesses dos dois grandes partidos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os Comícios São a Chama Viva das Campanhas



Os Comícios são a chama viva das campanhas!
São o alimento para saciar a fome às mentes das massas democratas!
São o condimento perfeito entre o candidato e os seus apoiantes. Num cara a cara de extravasar emoções.
São os Comícios que dissipam muitas dúvidas. Porque o povo que enche uma praça!
Ou uma quinta!
Um largo num bairro social!
Ou um estádio repleto!
Não esquecendo a Avenida famosa!
Quer sentir no candidato a sua força. Quer ouvir a sua mensagem, para os contagiar, para os emocionar!
Os Comícios são preparados dias antes. São anunciados dias antes. Com cartazes pelos locais, mais frequentados, onde todos possam absorver a mensagem da data do Comício e do local do mesmo.
A grande maioria de nós já participou em Comícios. Revestiu-se daquela adrenalina própria destes eventos.
Em autocarros fretados pela organização começa a nascer o Comício. Entabulava-se uma conversa com o do lado. Minutos depois já chegava aos bancos mais à frente e não tardava muito, para todo o autocarro respirar certezas quanto ao que o candidato iria falar. Projecções quanto ao resultado final e fanatismo na comparação com os outros partidos e seus apoiantes.
Em caravanas automóveis, onde meia dúzia de apoiantes ferrenhos, enchem um carro a abarrotar de propaganda e com as bandeiras a desfraldar presas às mãos bem firmes dos ocupantes das janelas, orgulhosos por serem os escolhidos a levantar bem alto a bandeira do partido e a levar com os incentivos dos apoiantes com que se cruzam no caminho.
E chegados ao local é uma autêntica romaria nacional!
Não param de se juntar. Os autocarros vindos dos mais variados locais deste país, descarregam apoiantes já bem-dispostos e partidários do bom cantar e da boa piada.
Recebem a bandeira, grande ou pequena, consoante a inspiração para usar a força, com que vão agitar cada acusação do candidato ao adversário que lhe pode fazer frente.
As bandeiras dão cor ao comício. Dão festa ao comício. E quantas mais são desfraldadas, mais o mar de gente é incontável.
É com todo este cenário que o candidato se transcende! Se emociona! E promete no meio daquela emoção dádivas que todos já sabemos impossíveis de realizar.
Mas o povo adora promessas e aplaude efusivamente durante vários segundos. Até que o candidato levanta as mãos para a multidão parar e lá continua a propagandear os pontos cruciais para o seu futuro (ou continuado), governo.
Campanhas eleitorais sem Comícios são como casamento sem noiva.
Que o diga o grande Obama, que juntou multidões e multidões! Onde a aposta inevitável nos Comícios, foi o fantástico meio de se anunciar aos Americanos. Que ali estava o homem da esperança, pronto a conquistar a brilhante vitoria. Que juntará o mundo na salvação económica.

domingo, 24 de maio de 2009

O Engenheiro Belmiro Descobre Soluções para Travar os Encerramentos.




O Engenheiro Belmiro de Azevedo, como quem não quer a coisa infiltra-se de uma forma directa no andamento desta crise, visando os trabalhadores, aconselhando numa espécie de Messias, “o mais vale ter um emprego e ganhar metade do que perder o emprego”. Numa espécie de slogan, de uma campanha solitária que o Engenheiro há uns meses se dignou carregar naqueles ombros fartos de canseiras e anos de vida.
Vai mais longe e remata “Se fechar a empresa o que é que vão fazer”!
Portanto, para ele, os trabalhadores que ainda mantêm o seu emprego, para que a empresa não encerre é reduzir o salário. E pronto a vida continua!
Assim ao reduzir o salário, forçosamente, como deve pensar o Engenheiro para os seus botões. Os trabalhadores poderão pagar metade das suas inevitáveis contas no inicio do mês. Já que ao não perder o trabalho, estarão a contribuir para que outros não o percam e como tal não fechem as suas empresas, ou muitos dos seus trabalhadores, não irão para a rua da amargura.
Mas como tudo na vida, tem o fim do, ou tudo ou fica sem tudo! E sei que o Sr. engenheiro tem consciência de dramático facto, irá junto:
Da EDP, tanta potência energética como milhões de euros de luz (lucro). Que dá energia às empresas até ao primeiro dia de falta de pagamento. Para elas ainda lutarem contra o muro de betão.
Da SEGURANÇA SOCIAL, que ainda tem um fundo de maneio para mensalmente brindar com reformas chorudas milhares de crânios que aguentaram o país em ombros.
Da GALP, para fazer andar as viaturas em busca das encomendas. Com lucros de milhões, tantos como estrelas no céu em noite clara.
Dos BANCOS, chorando os milhões que voaram para paraísos espaciais. Mas sempre com lucros bem reais.
Pedir, aproveitando essa sua corrente de sensibilização que logrou encetar pondo os pés ao caminho. Que também elas no seguimento dos trabalhadores, cobrem metade nas facturas que as empresas terão que mês a mês lhes pagar.
Assim todos caminhávamos durante esta crise que o Engenheiro prevê para o nosso país bem mais longa que a maioria dos outros:
No ganhar metade! No reduzir as facturas para metade! Na amortização para metade! E dentro da metade que os patrões ficavam dos trabalhadores. Dos grandes fornecedores.
Obtinham um fundo de maneio para aguentarem o barco durante as fortes ondas das marés vivas. E ficavam proibidas de lançar os trabalhadores para o desemprego evitando o esganar dos nossos quase invisíveis recursos e estagnar a percentagem de desempregados que vai galopando como cavalos nas corridas de sua majestade.
Acredito que o Sr. Engenheiro irá fazer esse forcing!
É uma pessoa de créditos firmados neste país plantado em frente ao FMI, que desesperadamente bate à enorme porta tão dura como o aço. Para alguém a abrir de par em par e entregar os doze sacos cheios de euros. Um para cada mês e mais não dá porque outros vêm já seguir de mãos estendidas como pedintes na praça Tiananmem.

Há uns tempos, regressava de Lisboa para o Porto e as horas de embarcar já tinham superado o horário estabelecido, mas como tinha tempo, pouco me incomodava. O mesmo já não se passava com os outros e gerou-se um enorme sururu, já que a grande maioria tinha compromissos assumidos no Porto e o nervosismo apoderava-se da zona de embarque.
Nisto reparei em alguém que logo conheci! O Sr. Engenheiro Belmiro, longe de todos, refugiado num canto e sistematicamente agarrado ao telemóvel.
Perante o nervosismo da grande parte das pessoas fiquei na expectativa como um homem importante iria reagir ao atraso e de certeza ao cancelamento dos seus relevantes compromissos.
Não tirei os olhos dele, autentico fiscal das finanças.
Nisto pasta numa mão, gabardina na outra e pé ante pé abandonou a sala.
Esperamos hora e meia, e lá partimos num avião de cinquenta lugares, onde quarenta e nove estavam ocupados por homens desesperados e revoltados. Com tamanho atraso. E um lugar vazio onde devia de vir o Sr. Engenheiro, mas dele só a sombra porque o Belmiro de carne e osso a essa hora já estava no Porto aconchegado na poltrona a fazer contas à vida, juntando os poucos euros que tinha ganho no dia anterior, porque como é apanágio em pessoas como ele, grão a grão enche a galinha o papo e como ele tem dezenas de grandes galinheiros (empresas), muitos papos tem-nos cheios.

sábado, 23 de maio de 2009

O Bastonário Arrepiou a Manuela


A mulher andava nos píncaros!
A mulher aguardava impaciente que a famosa sexta-feira do seu Jornal Nacional, chegasse para desancar nos mesmos do costume.
Tinha o céu como destino num poder acima de tudo e de todos!
Sentia as costas guardadas pela TVI! E ao dado o sinal da abertura do jornal. Ali estava ela com a entrada triunfal e sempre com a matéria decorada naquela boca almofadada visando os mesmos de sempre num acumular de minutos a riscar o mesmo disco num pantanal de notícias repetitivas.
Mas como o povo diz, o cântaro tantas vezes vai à fonte que algum dia……. E esse dia chegou!
Convidou o Bastonário da Ordem dos Advogados “persona nom grata” para meio mundo da Advocacia e da Justiça. Onde centenas de olhos poderosos vigiam todos os movimentos, todas as palavras proferidas. Aguardando o momento certo para lhe fazerem a cama com que mais cedo ou mais tarde se irá deitar.
Mas enquanto a cama ainda não está feita, apresenta-se perante as câmaras e perante a mulher do momento. A tal que só vê o Céu como limite!
A entrevista desenrola-se num, bola lá bola cá.
Assisto com a sensação de que algo paira no ar e que a qualquer momento a louça se irá partir.
Sinto o Bastonário a tentar controlar-se e evitar ser deselegante tentando a todo o custo suster de peito aberto as investidas indirectas de Manuela.
A corda está totalmente esticada! Manuela tenta interromper o raciocínio do bastonário, para conduzir a entrevista a seu belo prazer. O Bastonário usa todo o seu poder de orador e não se deixa tropeçar no cruzamento de palavras de ambos os lados. Tenazmente leva a sua por diante e liberta daquela boca sempre aberta todo o raciocínio que lhe chega do cérebro.
Mas Manuela não se deixa abater. Eu cá te espero, pensa ela!
Um minuto depois nova tentativa de Manuela para interromper o Bastonário, mas o homem está imparável! As palavras fluem-lhe velozmente, que nem a super policia Manuela o consegue deter.
Estou em pulgas! Já devoro a melancia com as sementes e tudo! Espero a qualquer instante que o verniz estale e o confronto inevitável surja.
Manuela num último forcing, antes de encerrar a entrevista, tenta puxar para si os cordelinhos do debate e lança o veneno que tanto lhe tem dado galões, mas que desta vez a levou ao abismo impensável.
Marinho perde as estribeiras! E eu engulo melancia, sementes, casca pela garganta abaixo!
O Bastonário despido de qualquer preconceito desanca na agora pobre Manuela e foi um farto-te durante os melhores minutos que assisti em directo na televisão nos últimos anos.
Apercebo-me em directo, uma senhora ao fundo quase em pânico com o que estava a assistir. Quando minutos antes dava uma visível gargalhada a uma tirada da Madame Manuela.
Manuela queria terminar a entrevista! O Bastonário não parava de lhe atazanar aquela mona cheia de petulância.
Confesso que estava excitado com tamanho espectáculo! Devorei o resto da melancia, como o bastonário devorava a altivez da Manuela.
Nem necessito de entrar em pormenores! A esta hora o país já decorou todas as frases do Bastonário. O vídeo já rola, como internet navegando em fibra óptica.
E tenho a certeza, que serão, já amanha, chacota entre os jovens. Que não deixam passar pitada destes inesquecíveis momentos.
Valeu à Manuela, com o final da entrevista a publicidade bem longa que a TVI, nos brinda. Para se recompor do imparável Bastonário, que até saliva lhe enviou para cima do rosto agora já mais moldado depois de uns tempos lembrando a porquinha Miss Pigue.
É isto a vida! Quem anda à chuva molha-se!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

As Gravações Proibidas!


Estamos numa Sociedade sanguessuga!
Pronta para abocanhar os pedaços deixados pelos ingénuos que alimentam folhetins, que para além de servirem para actuar eficazmente nos prevaricadores. Atingem também quem por artes mágicas provou para todos, que as situações eram reais e muitas das vezes de contornos alarmantes.
Primeiro foi a história rocambolesca do famoso “dá-me o telemóvel”. Autentico drama juvenil, com uma jovem possessa na tentativa de reaver o seu telemóvel, confiscado pela professora. E os restantes colegas (uma boa parte), a “curtirem a cena” como hoje é apanágio na linguagem dos jovens. Com expressões bem audíveis, que misturavam o desespero da jovem a quem foi tirado o telemóvel. Com as gargalhadas bem sonoras dos outros intervenientes.
Tudo acabou como manda os regulamentos e dentro dos processos disciplinares prevaleceu a sanção para servir de exemplo tanto à aluna que se viu de um momento para o outro sem o telemóvel. Como para o jovem atrevido que ousou lembrar-se de filmar todo o enredo e mais grave pôs-lho a circular na tal Sociedade sanguessuga.
Presentemente nova gravação surge de um episódio no mínimo surpreendente!
Novamente o palco é uma sala de aulas. Onde uma professora vocacionada para a historia dos grandes feitos dos nossos antepassados. Resolve entrar na intimidade sexual de cada aluno, sem antes, fazer com que eles conheçam alguns detalhas da sua própria história sexual.
Claro que deu azo a que os jovens no aconchego do lar, comentassem com os pais que a disciplina de história virou debate pormenorizado de aventuras sexuais, que estava a levar a turma para um desconforto já impossível de suportar.
Houve dois pais que não se contiveram e pés ao caminho toca a pedir satisfações à professora indecente.
Atitude que fez a professora rebentar pelas costuras e andar numa ansiedade desesperante, não vendo a hora da chegada da aula com essas fedelhas.
A hora da aula chegou e foi o descalabro da professora em relação às garotas.
E mais uma vez lá estava a gravação do desnorte da professora e o choque de uma turma perante as leviandades que a professora dizia.
Mas uma frase fica no meio daquele vendaval de um ataque possesso à intimidade das miúdas: a professora como bem frisou tinha tomado um calmante! E se não tivesse tomado? Poderíamos ter ali cenas do arco-da-velha.
A aula terminou, mas o descalabro da professora iria começar através da gravação e irá envolvê-la num calvário de sensações gerais, que dificilmente esquecerá. Manchando a sua carreira de professora ao longo do resto dos seus dias.
A Sociedade sanguessuga abocanhou tamanho presente caído do céu !
A gravação passou em todos os canais em horário nobre. Entrando pelos olhos de milhões de jovens que cobrem este país.
As reacções não se fizeram esperar, num país que dá os primeiros passos para acreditar que até mesmo aqui os brandos costumes tendem a desaparecer. Para nos encarreirar para um País onde tudo pode acontecer, em todos os quadrantes da Sociedade.
O grave dentro da amplitude sexual do caso é que, toda a gente daquela escola sabia que a professora, dava-lhe para incluir na sua aula de história apartes de sexualidade. Mas ninguém tomou qualquer medida.
Agora que o caso galgou as fronteiras da pacata cidade e infiltrou-se nas linhas de agua da nossa Sociedade é que toca a correr para instaurar inquéritos aos personagens em destaque nesta novela escolar.
E vai daí, leva a professora com o mais que justo inquérito. Vai levar a escola porque já sabia das pripércias da docente e deixou andar como o caracol, que tanto devagar anda que até cansa. E vai sobrar para a pobre garota que gravou a capacidade de uma professora descarregar o que lhe ia na alma em matéria sexual, porque é contra a lei da escola e do País. Gravar a prova da verdade do ferir a sua intimidade.