quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nunca Estamos bem


Será que merecemos aquilo que pretendemos!
Somos umas chagas a pedir o que nos falta.
Somos umas chagas a pedir o que não nos faz falta, só para que outros não embalem no colo, a verdadeira necessidade. E assim sendo, ficam órfãos de um consolo que afugentava a fome.
Nunca estamos bem com aquilo que possuímos.
E recorremos sempre à boleia de um apoio. À boleia de um subsídio social. À boleia de um desconto especial!
Não é o que conseguimos, que nos alimenta a ansiedade. Mas dá-nos um gozo, enganar os crânios atestados de mestria.
Esbugalhamos os olhos para adquirir o mundo!
Única salvação para suprir constantes emergências.
Calcorreamos a fase que nos seca a fonte do pecúlio já agonizante.
E não se desenha chuva no horizonte que regue a semente, para brotar e ressuscitar a esperança de um sorriso mascado de vida.
Rezamos, rezamos cientes na fé que move montanhas!
Prometemos graças em aflições que nos sufocam em avalanche.
Desesperados corremos, a sete pés sem direcção assumida. Batendo em corpos moribundos numa desgraça sem fim.
Por fim! Porquê tanto sofrimento. Alcançamos o céu, dando lugar a uma nova vida!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Duas Realidades tão Desiguais e tão Perto, que Até se Tocam



No mesmo País, mais concretamente no Reino Unido assiste-se ao encontro de duas realidades bem diferentes!
Vivemos numa sociedade onde os balões de oxigénio aterram cheios de euros em Manchester devido à loucura de um clube pagar perto de cem milhões e levar a jóia da coroa dos Red Villes. Não deixando margem de manobra para pensar sequer em conservar essa jóia.
E bem perto, na famosa British Airways, foi lançada uma petição por correio electrónico numa tentativa da empresa superar a má gestão financeira, a solicitar numa espécie de aterragem de um Boeing de emergência. Um pedido a 30 mil trabalhadores para que renunciem voluntariamente ao salário, entre o período de uma semana e um mês, mas não ao trabalho.
E para que não restasse a mais pequena duvida e numa forma de dar o exemplo, o presidente da companhia aérea, decidiu não receber o seu ordenado de 72.700 euros correspondente a um mês salarial.
Aqui temos o exemplo concreto dos trabalhadores dar o “corpo ao manifesto”, é mesmo e, não receberem o salário, para assim a empresa conseguir uma lufada de ar fresco na continuação da sua actividade evitando despedimentos, que incidiam sempre nos trabalhadores que engrossam o sector visível da manutenção e como em quase todos os exemplos os quadros seriam praticamente mantidos obviamente com ligeiras excepções.
Resta saber se os trabalhadores estão receptivos a este desafio, levando-os ainda mais no encolhimento do seu orçamento, que como todos sabemos perante a crise instalada é um pau de dois bicos.
É uma medida drástica e acredito que seja a ultima hipótese de muitas que a empresa recorreu, de salvar para já, todos os postos de trabalho.
Portanto dois casos de, por um lado, choverem euros num autentico dilúvio que alagam todo o estádio do Manchester, deixando um enorme sorriso de orelha a orelha nos responsáveis deste grandioso clube, que obreiros em descobrir pérolas ainda em fase de lapidação. Transformam-nos depois em meritórios negócios, quando os resultados desportivos são no mínimo alcançados. Sabendo que no outro lado da barricada existe um clube comprador que conseguiu através de entidades bancárias, situação não muito usual nos dias que correm, as garantias para pagar a jóia pronta a mudar de ares e com a mala cheia de milhões e ilusões.
No caso seguinte, uma empresa, a mais consistente no ramo da aviação, cheia de voos negros para transportar saúde financeira a bons aeroportos. Sem entidades bancárias para amparar amaragens bem sucedidas. E como tal, recorre da maneira mais rápida e sem custos de enfrentar cara a cara milhares de trabalhadores, a rogar um apoio drástico mas sem alternativa, de todos. Para que todos possam amanha logo que novos ventos elevem as aeronaves ao cume do céu, esse mesmo céu seja a bênção de que tudo já passou e se pague o que tempos antes, se ficou por receber.

Aí está o Irão



Quase a ferro e fogo, onde os apoiantes dos dois lados gladiam-se pelas Avenidas de Teerão e não só.
Tudo começou com umas eleições que declarou vencedor um candidato que desde logo se suspeitou obter um resultado que no mínimo para nós, simples observadores de sofá cheira a manipulação.
Mas para quem segue de perto, existe a certeza de serem resultados falseados e como tal umas eleições gravemente feridas no seu propósito ou seja, revelar por este meio a vontade de um povo. Que utiliza o único meio posto ao seu alcance para escolher conforme a sua consciência.
E como as manifestações ameaçam estender-se num banho de sangue pelas ruas de um país que alega combater o imperialismo mas afunda-se no radicalismo. O seu núcleo duro com o chefe supremo ayatollah Ali Khamenei, que vigia a nação como quem fecha a sete chaves o pecúlio de uma vida. Já vem a terreiro proclamar que se fará uma nova contagem, para assim dissipar todas as dúvidas que estão a levar o País para as bocas de todo o mundo e logo pelas piores razoes, numa altura que o Irão gozava de uma certa acalmia junto da comunidade internacional.
Todos os dedos estão apontados bem em riste, a este país dos ayatollahs que adopta a repressão como forma de unir um povo, utilizando a psicose vezes sem conta do mundo ser seu inimigo.
Mas como se tem visto o inimigo do Irão está agora dentro de portas, a reclamar que se anule umas eleições que se realizaram para inglês ver e não para repor a liberdade de um povo em exercer a vontade da sua consciência.
Entretanto o seu presidente Mahmoud Ahmadinejad chegou à Rússia na sua primeira visita ao estrangeiro desde a contestada eleição que o levou de novo à cadeira do poder.
Viagem que veio em boa hora para lançar um pouco de água na fervura, junto de um sector da comunidade internacional. Dado que a Rússia, se prontificou a ser o primeiro país a reconhecer que recebia Ahmadinejad como Presidente eleito das eleições iranianas. O que não é de admirar, já que o Irão é como um amigo do peito, para os russos que não tem qualquer pejo em acolher um Presidente saído de umas eleições falsas como judas.
Se pensarmos bem os Presidentes do Irão e da Rússia saíram vencedores de eleições com desfechos já traçados. O que me leva a acreditar, que serão meros foguetes nas mãos dos poderosos, onde impera os ayatollahs de um lado e o todo-poderoso Putin uma espécie de presidente sombra, que tudo houve e pensa. Escolhendo as cartas que Medvedev lançará, caindo no rumo já traçado.
Aguarda-se pela única alteração imposta, a recontagem parcial, que não dará em nada e proclamará Mahmoud Ahmadinejad como presidente do Irão, mesmo que se venha a assistir a um banho de sangue que terminará em meia dúzia de dias sem apelo nem agrado, já que ninguém acredita num volte face de um regime enraizado num fanatismo doentio pronto a fazer valer uma ideologia em volta dos ayatollahs liderados pelo Ali Khamenei.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os Bombos da Festa


Dêmos as voltas que dermos. Chegamos sempre à infeliz conclusão, que somos os bombos da festa!
Somos os bombos de uma festa, que se está a tornar numa festa rija em molestar a nossa paciência para enfrentar a continuação de uma crise que não à meio de abrandar e começar a dar sinais de que poderemos amenizar a dor de perder o pouco que nos custou a poupar e deixar um buraco sem fundo para enfrentar o futuro.
OS PORTUGUESES vivem atolados de dívidas, que lhes irão arrancar o cabelo a cada dia que passa sem conseguir atenuar os endividamentos, que por cartas ameaçadoras lhe chegam bem à frente dos olhos quando já meios a medo abrem o exíguo espaço do correio. E só lhes resta apelar a Deus, viverem até aos oitenta, para finalmente terminar o calvário, de quem já lhes comeu a carne. Mas cientes de que com a velhice lhe irão roer os ossos, porque as dívidas serão a doença crónica de uma morte anunciada.
OS PORTUGUESES correram, famílias inteiras com gerações já a envolver os netos ainda a dar os primeiros passos, a depositar economias de uma vida, no eldorado do BPN. Com promessas de juros garantidos e bem altos em relação à concorrência, para num espaço bem curto duplicar o bolo granjeado e assim fazer face aos tumultos económicos que pudessem surgir. Surgiram bem cedo com o arrastar da enxurrada da crise e hoje centenas batem à porta da sede do banco e milhares seguem-nos pela TV, num desespero sem fim para lhes darem o que é deles, mas regressam a casa revoltados e só o tribunal anos mais tarde lhes dará a justiça de reaver o que para muitos irá ser tarde demais.
OS PORTUGUESES dia após dia deslocavam-se para os empregos, numa tarefa obrigatória e realizadora, no ganha-pão diário para uma qualidade de vida, que satisfazia a auto estima e moralizava a felicidade.
E do um momento para o outro o sonho real, tornou-se no maior dos pesadelos. Com a perda do emprego e o drama Social estampado por tudo o que era esquina.
Meio milhão já engloba as estatísticas. Outros milhares vão a caminho de engrossar ainda mais este drama que destrói famílias. E rouba vidas, quando o desespero se torna num tresloucado acto de tudo apagar para sempre.
OS PORTUGUESES, sabem e já tiveram provas. Que a crise não foi causada pelos trabalhadores. Consequentemente, não deveriam ser eles a pagá-la, mediante a redução dos salários, daqueles que ainda agarram com unhas e dentes o seu emprego. E dos benefícios sociais, tão arduamente conquistados em batalhas doridas que se arrastavam meses a fio em greves tumultuosas.
Mas sem nada poder fazer, vão ser os bombos da festa, em largar umas dezenas de euros mensais para oferecer a uma Sociedade madrasta para uns. E benevolente para os reais causadores da catástrofe, que nada já têm de valor, para pagarem um décimo do mal que originaram. Porque camuflaram fortunas colossais nas saias das deusas dos ilhéus que se escondem nos bunkers sem controlo de satélite ao mínimo sinal de movimento.
E os bombos da festa que nós somos, continuarão a tocar energicamente e alegrar as festas tradicionais e as campanhas eleitorais que aí vêm, para manter este estado de coisas que se mantém há mais de trinta anos, para satisfação dos otários, que pensam que tudo sabem e que podem mudar o mundo.
Mas no fundo, bem lá no fundo! São as ingénuas marionetas do sistema.
Sistema esse, a colossal muralha invisível que nos tolhe os movimentos, marcando-nos o passo e as esperanças. Em sonhar com melhores dias e belas noites.

sábado, 13 de junho de 2009

Os Séculos Passam mas os Conquistadores Continuam a Desbravar as Ondas da Loucura.



Portugal andou nas bocas do mundo, coisa rara num país tão pequeno e sem argumentos para interferir no que quer que seja.
É um facto que esta semana Portugal através de duas das suas mais cintilantes personalidades, obrigou o mundo a prestar atenção nas suas capacidades.
E envaideceu-se com tamanha honra que até tivemos referências pelo Presidente da Republica Cavaco Silva, ao prestígio que tanto um como outro dá ao País.
Refiro-me tão só a, no primeiro caso e logo no começo da semana, com a vitória da direita um pouco por toda a EU. Garantiu a recondução como presidente da Comissão Europeia de José Manuel Durão Barroso, que no meio de tanta euforia, ele foi o único que acabou por ser levado em ombros, acabando assim por ser um dos triunfadores destas europeias.
Se duvidas houvesse, essa vitória da direita dissipou-as na recondução de Durão Barroso, obrigando os mais renitentes na sua continuação casos de Sarkozy e Ângela Merkel, a ceder e juntar-se à grande maioria, que até englobava alguns líderes de esquerda. E lá está o nosso Português Durão é mesmo, basta olhar para o rosto autentico pugilista. A liderar os destinos de uma Europa, para honra de um País, não muito habituado a que um líder político atinja tamanho patamar de prestígio. E calando de uma vez por todas algumas bocas que se abrem ainda a procissão vai no adro.

Dois dias depois o País acorda com a notícia de Cristiano Ronaldo mudar de ares e continuar a pincelar belos quadros de magia cintilante que só terminam quando a bola, essa esfera bem redondinha do tamanho de uma barriga de sete meses. Dê à luz o rebento tão ansiado, que é o golo bem no fundo da baliza, que só as redes douradas se aprestam para amparar como uns braços carinhosos e cheios de amor amparam o rebento. Que levarão ao rubro milhões e milhões de adeptos fanáticos e não só, num êxtase infinito que culminará com a vénia real de um rei coroado Imperador dos relvados.
E quem quer o Imperador bem perto do coração dos adeptos do seu País tem que abrir os cordoes à bolsa e as portas de par em par do cofre emocional. Para que o menino de ouro pela última vez deixe sua Majestade e aterre depois de sobrevoar o Canal da Mancha, na louca Espanha que não vive só de touros e castanholas. Mas de futebol Campeão Europeu e como tal berço dos meninos com pés de diamantes em bruto.
E se pedes noventa e quatro milhões! Aqui tens o A-330 cheio de euros pronto a aterrar em Manchester para de uma vez por todas, libertares o CR7, nascido numa ilha no coração do Atlântico. Bem às portas de Portugal, que o lançou para o futebol e ainda sem atingir a maioridade o vieram comprar por meia dúzia de melancias que depois de abertas cada semente valia dez euros.
Aguarda-se em apoteose a apresentação de Ronaldo aos madrilenos e a toda a Espanha.
Portugal acaba por ver um seu filho valer o seu peso em oiro.
Mais! Tudo o que ele tocar irá se transformar em oiro, até que o valor que a maior transferência de um jogador até hoje concretizada atinja os impensáveis quase cem milhões de euros.
Pelas bandas de Madrid, o Tio Patinhas deixou de ser um livro de banda desenhada para se tornar num Tio Florentino. Que comprou o Pato Ronaldo para lhe encher a caixa forte do tamanho da torre de Pisa.
Tem a bengala do poder de transformar negócios impossíveis, em transferências sensacionais. Agora espera-se que essa mesma bengala e os óculos sem hastes presos bem na ponta do nariz tragam, os resultados desportivos que todos esperam do Ronaldo e companhia, numa constelação de estrelas que ofuscam o espaço confundindo o Santiago Bernabeu, com Santiago galáctico.
Portugal tem dois filhos seus com os holofotes da ribalta a iluminar toda a sua arte.
Os séculos passam mas os conquistadores continuam a desbravar as ondas da loucura.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dois Feriados e Tantos dias de Descanso.


Dois feriados, um atrás do outro. Um dia útil antes de um fim-de-semana. Cenário para proporcionar umas mini férias, já que uma ponte no dia de sexta-feira, satisfaz os empresários e enche a barriga de boa vida aos seus colaboradores.
Cinco dias de folia. Com chuva no inicio, a temperatura a subir pelo meio. E já nos últimos dias a praia a ser visitada para refrescar uma moleza, já a arranjar um espaço nos corpos pesados de tanto descanso.
Festejamos o dia de Portugal!
Com o País a leste destas comemorações, que pouco dizem aos milhões de portugueses.
Momento solene. Onde as figuras que comandam este País e que são os rostos repetidos vezes sem conta no ecrã televisivo. Aproveitam os discursos da praxe para alertar para o que no reino vai mal. Sempre um meio de se expressarem livremente para todo o País, tentando que essa mensagem via discurso oficial, chegue a quem de direito. Funcionando como um envio de responsabilidades, lavando as mãos como Pilatos e mostrando aos Portugueses que a obrigação de alertar para os perigos Sociais que atravessamos, foi cumprida. E cabe agora às Instituições visadas assumirem a responsabilidade de tudo fazer, perante o repto lançado pela via mais maléfica, que é, os alertas em dias de unir obrigatoriamente na praça pública todas as forças vivas do País.
Aproveita-se o dia de Portugal, para o País agraciar as suas figuras por serviços prestados e lá vai a Grau Cruz respectiva, para uma centena de figuras vestidas a preceito, dando o pescoço ao Presidente, para lá pendurar a medalha merecida. Que em alguns casos, poucos anos mais tarde, se vem a provar que esses méritos foram conseguidos à custa de golpes bem baixos, obrigando (devia ser) em cerimonia publica a entrega de volta da medalha como castigo humilhante de um mérito reconhecido, mas não merecido.
De seguida temos o dia de Corpo de Deus.
Um feriado de enorme significado para a religião católica. Que como sabemos cobre Portugal de Norte a Sul.
Cobre os nossos lares e faz-nos acreditar na fé, que quer se queira quer não, move montanhas.
A igreja veste-se a preceito e recebe a Primeira Comunhão dos jovens prontos a seguirem o caminho da fé e da união com Jesus Cristo.
E foi isto que eu pude testemunhar numa cerimónia simples e muito bonita na Primeira Comunhão do meu pequenote.
O garoto estava lindo, lindo!
Um pouco nervoso, não era para menos, mas portou-se lindamente. Mesmo quando foi ler uma mensagem a Nossa Senhora.
De joelhos bem no meio do altar, perante centenas de pessoas. O Duarte portou-se como um adulto e leu sem um simples tropeção, a mensagem de sete linhas que agradecia tudo de bom que a Virgem tem feito pela humanidade.
Muitos anos antes era eu que fazia a Primeira Comunhão. Na mesma freguesia embora a igreja fosse outra.
Revi-me no meu filho e durante uns momentos enquanto se procedia à comunhão de centenas de pessoas. Sentado para esticar a perna do joelho ainda a convalescer. Vi-me com dez anos, loirinho e timidozinho.
De velinha nas mãos tapadas com luvas brancas e o terço bem visível. Lá comunguei pela primeira vez. Numa festa sem os contornos da do meu filho. Mas tão igual, que o passar dos anos, mais parece juntar numa só.
O dia era dele!
E pela tarde fora junto das pessoas que ele fez questão de convidar, deu asas a toda a sua alegria e sentiu-se nas nuvens.
Teve imensas prendas. Teve imensos amigos. Mais primos porque são tantos que enchem um restaurante.
Restaurante do amigo do padrinho dele e como tal também amigo, que foi convidado para a jogatana que junta todos os primos num duelo aceso onde quem ganha por momentos sentem-se os maiores. E o Duarte ainda pequeno para ombrear com os primos já de barba rija. Lá andou a tentar roubar a bola e a forçar que ela entrasse na baliza. Que no final com a vitoria, era o puto mais feliz deste mundo. Que me enchia de orgulho e de emoção.
Agora sexta-feira, é tempo de descansar de um feriado cheio de peripécias felizes e preparar-me para este fim-de-semana prolongado, para continuar a descansar e sentir o meu joelho rijo pronto para resistir aos malefícios do tempo e às pancadas da vida.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mais Uma Vez Tive um Sonho!



Sonhei com as estrelas. Milhentas delas que salpicam o céu.
Sei que esgotava a minha vida para as contar e mesmo assim desaparecia desta vida, sem ter um número exacto da quantidade daqueles pontos florescentes que os meus olhos descobrem sem dificuldade, numa noite limpa.
Mas o meu sonho não era o contar as estrelas, mas sim pedir um desejo. Já que cada estrela carrega um desejo dissolvido na sua luz.
Até aqui tudo maravilhoso! Estrelas, sonhos, desejos! Um êxtase de emoções sem fim.
Só que! Tinha um enorme desafio pela frente.
Um desafio que me abriria ou não as portas de encontrar a estrela com o desejo que eu pretendia.
A dificuldade estava na estrela escolhida. Porque a distancia entre mim e ela, podia ser de tal ordem infinita, que poderia levar o resto da vida a que tenho direito, para chegar até mim. E assim de nada serviria o desejo pedido, já que o seu efeito para mudar algo pretendido por mim com esse pedido, seria em vão. Já que eu tinha desaparecido do reino do comum dos mortais.
A ansiedade de descobrir o que me estava reservado, encheu o meu sonho de uma adrenalina angustiante e no meio de voltas e mais voltas na cama, dei um salto e abri os olhos.
Olhei em volta e o escuro do quarto mostrou-me a realidade. A chuva que caía em plena noite num aproximar do Verão, que mais se assemelhava ao final do Inverno que não nos quer largar. Reforçou a realidade e quase levou o sonho para o seu desmembramento.
Voltei rapidamente a fechar os olhos na esperança de o apanhar e encontrei-o no preciso momento que ele numa espécie de zigue-zague, serpenteava pelas incontáveis estrelas para desaparecer no infinito e mergulhar na escuridão para lá desse céu.
Esperei, já totalmente embrenhado neste sonho estonteante.
Esperei uma vez mais. Só me restava esperar!
Uns segundos do meu sonho, onde a uma velocidade alucinante, as estrelas eram revistadas na busca daquela que transportava o meu desejo. Mais parecia anos de angústia.
Queria a minha estrela! Queria a sua descoberta já!
Deu-me uma dor! Mais tarde vim a descobrir que foi no joelho devido a uma repentina volta na cama.
Chorei de desespero! Parecia uma criança, quando alguém lhe tira o brinquedo que mais gosta.
Chorei com receio de o sonho terminar e eu não encontrar a minha estrela. Era como encontrar uma agulha num palheiro.
Chorava e fazia gestos com o corpo para dar mais força à intensidade na procura da estrela.
Sentia o sonho a se revestir de uma escuridade, sinal de que o seu fim estava próximo. E eu próximo da loucura.
Por fim, o fim!
O fim da procura e a luz ao fundo do túnel, indicando a descoberta da estrela e a chegada para breve de novidades sobre se eu podia ter o privilégio de conhecer e usar em proveito próprio o desejo ambicionado.
Enfim vejo a estrela do meu desejo!
Tão cheia de luz, tão cheia de vida!
Tão grandiosa, tão pura. Que me senti indigno de ser o eleito para receber desta estrela divina o desejo que pedi.
E a verdade não podia ser mais límpida!
A estrela enviou-me as mensagens através dos seus raios de luz que me cegavam e só pude decifra-las, porque entraram no meu cérebro e ao percorrer todo o meu corpo, pude sentir o coração falar.
E ele disse-me de uma forma simples e tão clara!
A estrela só poderá chegar até ti, depois do fim da tua vida. Porque transporta o teu desejo que é o teu destino. A cada dia que passa ela vai estar mais próximo de ti e no final dos teus dias. Ela pousará no teu ombro esquerdo e meigamente sussurrará o último acto que o destino reservou para ti.
A única pista que abrirá para te compensar da desilusão de tanta ansiedade pela sua descoberta, num sonho tão sofrido e angustiante. É a certeza de tempos a tempos, poderes observar a distância que ela (estrela) já percorreu.
E quanto mais tempo permanecer na imensidão das suas irmãs sem conta. Mais momentos assistirei a todo o esplendor de luz sob forma de pontinhos que perfuram o espaço sem fim, vigiando cada humano no seu percurso de vida. Seja ele longo ou finito, já amanha.