sábado, 8 de agosto de 2009

A Feira do Artesanato, dos Insufláveis e das Tasquinhas



Tenho curtido a Feira de Artesanato aqui na minha zona quase diariamente. Gosto de visitar os stands ricos em artesanato essencialmente local, onde somos os maiores do País. E ouvir alguns minutos as bandas que por lá passam, sentado a tomar um café com excelente vista para o palco, numa música de agrado aos visitantes muitos deles dançando o vira, porque é disto que o meu povo gosta. Que os deixam alegres e satisfeitos por mais um dia de feira, onde deram graças à diversão e como tal esquecem um pouco as amarguras do dia-a-dia.
Gosto de ir lá jantar nas tasquinhas, das várias colectividades do concelho.
Desde as desportivas, aos grupos folclóricos e grupos sociais. E ontem lá fui já eram vinte e duas horas, confesso que levava um largo apetite, depois de uma tarde de arrumações e passeio de bicicleta para alegria do puto e para desanuviar um pouco a tarde para mim.
Escolhi uma delas que naquela hora continuavam todas repletas de pessoas, jantando calmamente e ouvindo o cantar ao desafio como forma de entreter quem lá jantava e quem também se encostava a ouvir um mano a mano de piropos bem alegres que animavam largas centenas de pessoas.
Jantei picanha e caldo verde! Soube-me pela vida. Estava espectacular!
Fiquei admirado num tasquinho improvisado, o basquetebol local conseguir servir uma picanha realmente de elogiar e feita na hora para satisfação cá do guloso por picanha, pela dedicação de meia dúzia de pessoas dedicadas ao clube e pela pontual ajuda de empresários pouco conhecidos nestas andanças (o que fica sempre bem), que emprestam a sua ajuda no grelhar das carnes e do salmão com molho verde.
É acolhedor presenciar as jovens do basquetebol, que de certeza em suas casas pouco ou nada fazem, mas na barraquinha do clube, esmeram-se por servir as mesas fardadas com as camisolas do clube bem verde como a esperança, dando todo o esforço pela causa da ajuda à continuação do mesmo. Só recebendo as gorjetas e a oferta da camisola para os treinos juntando à única que tinham.
Depois de deixar a recompensa porque a garota bem mereceu, sempre atenciosa e graciosa, apesar já de aspecto um pouco cansado, o que não é de admirar. Levo o filhote de encontro aos insufláveis que enchem a arena do pavilhão, para gáudio de centenas de miúdos, que não se cansam de engrossar as filas à espera da sua vez para subirem lona acima, deixando-se cair de todas as maneiras autênticos corpos inertes, até ao fim do insuflável que adquire a forma de uma máquina flipper gigante.
Mais quinze minutos de espera para entrar no jogo de matrecos e cinco de cada lado lá tentam marcar um golo que é festejado ruidosamente pelos marcadores. Num frenesim histérico que não tem fim, já que novamente entram noutra correria para chegarem o mais rápido possível à fila sempre longa, esperando pela já nem sei quantas vezes, vez de entrar sofregamente lona acima…….
Por fim na visita pelas dezenas de stands a abarrotar de Artesanato praticamente sem compradores, mas imensos visitores. Compro as famosas pantufas de Monforte para agasalhar os pés nas longas noites de inverno, que não é muito rígido, mas friorento até dizer chega.
E termino a romaria na visita dos outros stands de enchidos e os vinhos da região que se associam à feira. Onde muitos visitantes provam os aperitivos juntamente com o copito de vinho delicadamente oferecido pelas meninas, numa de chamariz, para levarem uma caixita de três garrafas do que sobe à cabeça, mas a maioria foge ainda a mastigar a oferta, não dando tempo a dar a intenção de poder levar o que quer que seja.
Aceito a oferta de um naquito de pão com queijo da serra a cobrir e de um copito de vinho tinto verde, para que o pão escorregue até ao estômago. Até brinco brindando com a minha jovem à saúde…. Da nossa felicidade!
E deixando a menina satisfeita por adquirir as três garrafas, deixo o filhote levar a caixita do vinho por entre a multidão que enche o enorme espaço do parque da cidade rumo à saída, de encontro a casa que a noite já vai longa e o descanso chama para quem vai uma horas depois trabalhar, porque de boa vida anda este mundo cheio infelizmente.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

As Listas não São o Garante da Vitória Apesar de Tanto Barulho



Os blogues enchem-se de considerações no rescaldo das listas do PSD.
Todos eles têm a sua opinião, umas vezes em textos longos, escalpelizando pormenores já rebatidos logo que as listas foram conhecidas.
Outras de meia dúzia de considerações, mas que não trazem nada de novo, indo dar ao mesmo e lendo alguns, já não valerá a pena correr em busca de algo novo noutros blogues já que o essencial da contestação é frisado neles todos.
Claro que consoante a tendência politica de cada um deles assiste-se a: análises mais crispadas vindo de sectores contra. Outras mais benevolentes dentro da mesma cor.
Mas uma coisa é certa! São ponto de discórdia.
Só que numa análise mais amadora penso que Manuela Ferreira Leite, sabe que não é com as listas que vai ganhar as eleições. E como sabe, então elaborou-as na perspectiva de escolher as pessoas que lhe são mais chegadas. Que estão com ela desde a primeira hora e outras mais que lhe garanta a possibilidade de formar governo.
Mas volto a frisar MFL, sabe que não são as listas que lhe darão a vitória! Porque se assim fosse evitava toda esta agitação dentro e fora do partido a que preside.
MFL, sabe que a vitória nas eleições só surgirá com a grande contestação que impera na Sociedade Portuguesa!
MFL, sabe que quem lhe pode dar a vitória, são os desempregados. E eles são muitos e a cada dia que passa mais serão.
Sabe que no seio de milhares de professores poderá estar a diferença de uma derrota anunciada, a uma vitória contra tudo e quase todos.
Sabe que no aglomerado de forças policiais descontentes com condições de trabalho, com integrações noutros sectores. Poderá estar a subida ao céu, depois de na terra levar piropos em todas as direcções sobre a sua pessoa e a sua capacidade política.
Sabe que de um empate técnico que já virou moda em todas as sondagens que já muitos torcem o nariz, a vitória pode estar a um pequeno passo para o PSD, Mas um passo de gigante para MFL.
Por tudo isto, digo, que as listas não serão o garante da vitória!
Oitenta por cento da população, quer lá saber dos nomes que vão para a Assembleia da República.
Quer lá saber se vai alguém que tem processos pendentes em tribunais. Quando neste ultimo ano só se assiste a autarcas, procuradores, ex ministros. Enrolados em casos de fazer andar um coxo. E todos eles alegam inocência por detrás das costas dos melhores advogados que proliferam neste País, como as mulheres que se dizem virgens quando chegam à primeira noite de núpcias.
Querem lá saber se os históricos do partido A, ou B, foram afastados do Parlamento, quando sabem que do Parlamento infelizmente, a confiança dos portugueses nos Deputados anda pelas ruas da amargura.
Os portugueses querem soluções para os safanões que diariamente levam duma crise traiçoeira que os atulham de dívidas e desgraças familiares.
Portanto não são as listas que darão a vitória a qualquer partido, nesta fase tão conturbada que se instalou pelo País.
A vitória está na capacidade em os partidos, os do costume, garantir as soluções para ultrapassar este mar tempestuoso e fazer regressar os barcos apinhados de soluções que levem as populações a correr ao porto, saudando o fim da penúria e o começo da retoma.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Obama Tirou um Coelho da Cartola na Insulada Coreia do Norte



Obama jogou pelo seguro na certeza de poder colher frutos com a Coreia do Norte.
Tentou uma aproximação concertada com o líder coreano já debilitado, com sinais de uma morte anunciada faltando saber quando isso poderá acontecer.
E mais ano menos ano esse líder ditatorial seguindo a escola familiar que passa o testemunho de pais para filhos, irá sucumbir á doença arrastando-se na fraqueza física que não olha a nomes e não escolhe idades secando o corpo onde entra e levando para o tumulo da escuridão a carne que devorou e para sempre a pessoa onde penetrou.
Mas continuando com a jogada Obamiana, numa preparação reservada às quatro paredes da Casa Branca, para que nada falhasse e lograsse o objectivo fulcral da missão. Obama chamou o homem que conseguiu uma imagem positiva enquanto liderou os destinos Americanos e a direcção de quase todo o mundo. Pegando nesse legado de boa imagem que Bill Clinton deixou como imagem de marca enviou-o rumo à Coreia, rumo ao País “inimigo”.
E Clinton não se fez rogado, apresentando-se como embaixador da boa vontade. Leva a missão como se desse a vida pela pátria e num assomo de real heroísmo consegue os seus intentos e juntamente com o líder coreano Kim Jong II, mostram ao mundo que no meio de difíceis entraves políticos se pode alcançar os objectivos da missão e ajudando com essa atitude, amenizar relações um tanto ou quanto tensas e revestidas de até agora incontornáveis soluções.
Kim Jong II, que apareceu para que todo o mundo o visse, sentado já carcomido pela doença, ao lado de Clinton num gesto de realçar. Acedeu a libertar as jornalistas Americanas condenadas a um suplício norte coreano de trabalhos forçados, mais psicológicos do que físicos e deu ao mundo uma gratificante imagem de humanidade, que como se sabe não é apanágio das suas ideologias.
Tudo acabou conforme os objectivos da missão.
Bill Clinton desempenhou heroicamente o seu papel com a experiencia que adquiriu em oito anos de liderança Americana. Soube levar as mensagens delineadas por Obama, de encontro ao coração martelado de insensibilidade do líder Coreano, que acedeu aos desejos Americanos, que se sujeitaram a ir apressadamente e rodeados de secretismo ao seu Pais numa de vassalagem para garantirem a liberdade de duas cidadãs Americanas.
Tenho em mente que Kim Jong II, obteve contrapartidas para compensar a decisão que tomou. Ninguém perdoa actos que visam a segurança de um País e logo um como a Coreia do Norte, por dá cá aquela palha. Mas não deixa de ser um acto de se registar.
Mas todos sabemos que Bill Clinton, aproveitou a sua viagem para não a resumir só à libertação das duas jornalistas. Também nas recomendações de Obama através da sua mensagem ao líder coreano estava considerações sobre as actividades recentes da Coreia e também os entraves políticos que separam os dois Países.
Tudo isto foi levado em linha de conta e no final de uma visita relâmpago e inabitual, visto que já lá vão quinze anos que nenhum alto representante Americano se desloca a Pyongyang, foi alcançado o êxito que os Americanos mesmo olhando às contrapartidas esperavam. E o mundo ficou convencido de que pode estar mais seguro, afastado de mais conflitos sangrentos que a nada levam, só buscam o horror do ser humano.
Como a esperança é a ultima a morrer, estou convicto que a Coreia do Norte mais cedo ou mais tarde, irá alinhar num sistema de liderança mais aberto ao mundo e isso pode chegar mais cedo do que supomos, porque o seu líder não vai durar muito e as sucessões de pai para filhos nem sempre obedecem à mesma rigidez que o progenitor faz ditatorialmente impor.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Isaltino foi Condenado. Será o Inicio de Uma Viragem na Justiça



Chegou-me esta notícia ainda quentinha, logo que a sentença foi proferida.
Finalmente algum juiz condenou uma figura pública, antigo Ministro do PSD e rotulado de autarca, acusado de corrupção nadando em muitos euros, escondidos bem no coração da Suíça. Resguardados pelas caixas fortes inexpugnáveis a qualquer investigação, dado o sigilo que as envolve.
Um juiz de tomates, dizemos todos e assim é!
Um juiz que teve a coragem de condenar uma figura pública, antigo Ministro e que ultrapassou a barreira que centenas e centenas de colegas dele ao longo de longos anos não tiveram a coragem de assumir o preto no branco, ou seja: que se alguém com galões de pessoa importante cá do burgo é provado de corrupção, tem que ser punido como tal e só pode sofrer a pena correspondente aos actos que praticou, lesando quem apresentou queixa para condenar neste caso, Isaltino o autarca do pastel escondido na Suíça.
A maioria dos portugueses já se preparava para mais uma condenação baseada no já costume a que estamos habituados, na já célebre frase a que os mais consagrados já esperam: condenado a pena suspensa e todos vão para casa felizes e convencidos que foi feita justiça, numa justiça que nunca existiu para os mais endinheirados, porque as leis foram feitas para não condenar a corrupção. Porque quem as elaborou, deviam estar a pensar em eles próprios, porque são todos farinha do mesmo saco e toca a complicar o que à primeira vista parece de fácil compreensão, mas nos olhos dos astutos advogados de primeira água, pagos a peso de oiro, é sempre levantado o véu da incerteza, seja numa simples virgula que altera o sentido de uma frase, instalando a dúvida da incerteza dos factos.
Seja num ponto final, colocado estrategicamente para confundir a acusação dando á defesa essa arma que leva a que o arguido seja limpo das acusações e parta feliz para a sua vidinha, esperando meia dúzia de meses para a poeira poisar e lá estará a comandar mais uma vez uma câmara que lhe deu o sustentinho extra, para repousar serenamente na Suíça, para ser gasto nos longos anos da velhice, longe da rotina que lhe deu o enchimento do saco azul, mas perto dos paraísos turísticos que lhe reabilitam o corpo e refrescam o espírito, aliviando-lhe o peso dos anos.
Mas este juiz condenou o Isaltino!
Mas o Isaltino perante esta condenação que ele do fundo do seu coração, jura que é inocente. Vai numa correria desenfreada recorrer para todas as instâncias gritando a sua inocência.
E como sabe. Este Isaltino é deveras inteligente, que o tempo se vai arrastar nas apreciações dos recursos, já prepara a candidatura à câmara que tudo lhe deu, aqui neste Portugal plantado à beira-mar. E o que está bem guardado num País que nasceu bem no sopé dos Alpes cobertos de neve imaculada. Irá gritar até a voz lhe faltar aos pobres eleitores que é inocente e é alvo de uma campanha política só para o prejudicar.
Irá insinuar que o juiz é Socialista e como ele foi e é Social-democrata dos quatro costados, é fácil concluir que isto tudo tem dois terríveis objectivos: sujar o seu nome bem limpo num País onde ninguém é condenado por corrupção (pessoas limpas, dignas e ao serviço da Pátria como o seu caso) e sujar o PSD, tentando impedir o que já é certo a vitória nas eleições que aí vêem.
E se o Isaltino vencer em mais uma eleição da câmara que governa há mais de três mãos cheias de anos, teremos o homem do charuto cubano, recentemente condenado. Autarca, inacreditável para noventa por cento dos portugueses.
Presidente da câmara de Oeiras em pleno gozo da sua nomeação, assinando despachos no meio de umas charutadas, esperando pacientemente pelo resultado dos recursos para onde foi choramingar a sua inocência na esperança da redução da pena, que seria o milagre do Isaltino a não entrar nos calabouços dos condenados.

domingo, 2 de agosto de 2009

O Benfica que Ambicionamos Daqui para a Frente



Os benfiquistas andam optimistas! O nosso clube percorre o País e a Europa ganhando canecos e agradando com saudáveis exibições.
Agora sim vemos os jogadores, sejam eles quem forem, a correr todo o campo. Ora procurando a bola, ora pressionando o adversário, para que não faça da nossa baliza um corredor de trinta metros, sem ninguém a fazer frente e terminando com a bola bem no fundo da baliza e bem no fundo da nossa tristeza.
O Jesus vai levando a cruz ao calvário. Nesta fase sem muito drama e horríveis privações.
Roda os jogadores como se descasca castanhas para escolher as mais perfeitas que irão decorar o onze benfiquista de traves robustas e técnica apuradíssima. Que encherão o relvado do colorido vermelho salpicado de golos decisivos e vitórias moralizadoras.
Os jogadores, dá-me a entender tem assimilado a sua mensagem. E todos eles correm em busca do êxito. Que será o reencontro de toda a nação benfiquista já conformada com a demorada travessia do deserto, que só aquece em pequenos lampejos de glória e com o voo da águia vitoria.
Acredito neste ano! Como o ano do ressurgimento do glorioso. Passeando a classe que já esta geração de jovens só assiste pelos You Tube . De uns anos nostálgicos para pessoas como eu habituadas a ver o Néné a meter golos de todas as maneiras e feitios, não maioria dos jogos eram um, dois e muitas das vezes três que enchiam o saco de goleadas, que viravam resultados banais para quem metia golos sem sujar os calções.
A direcção tudo apostou no abrir os cordões à bolsa e garantir aquisições que garantam o objectivo primordial: o título amplamente sonhado, mas continuamente perdido ainda a procissão vai no adro.
Eles são argentinos, uruguaios. Espanhóis e brasileiros. Vêem da nata do futebol. Trazem a beleza de tratar uma bola.
Todos os benfiquistas só pedem que nunca mais apareçam Balboas!
E que todas estas aquisições tragam a mais-valia da esperança do titulo. E fundamentalmente da certeza de conquistarmos uma grande equipa. Porque só assim surgirão as conquistas. Porque o nome continua a ser do tamanho da nação e a nação é o legado de todos os Portugueses, que quer queiram ou não, todos conhecem o Benfica. O seu poder de atracção é tão grande que todos falam do Benfica, seja com orgulho, seja com respeito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Fim do Mundo na Mente dos Jeovás


Li em rodapé enquanto acompanhava as notícias à hora do almoço, que os Jeovás iriam estudar o fim do mundo, mais coisa menos coisa.
Mas que fim do mundo!
Era eu pequenote sempre a correr para o largo de encontro ao meu futebol, quando descobria uma brecha na minha mãe e era sempre quando ela se cruzava com alguma vizinha e aí eu sabia que elas iriam cabaneirar até ao começo do almoço. Então fugia como o diabo foge da cruz e lá aparecia para me juntar aos restantes colegas nas disputas diárias de partidas renhidinhas, com um gosto especial em vencer os da rua mais acima.
E já via as designadas testemunhas de Jeová a abeirar-se do meu bairro na esperança de cativar alguma ovelha, que pudesse andar tresmalhada e descobrisse o novo rebanho junto dos Jeovás, que numa de andar aos pares, lá iam levando a água ao moinho deles e verdade se diga conseguiam os seus intentos e lá aparecia alguém conhecido de pasta na mão, bem vestido e asseado, pronto para converter mais uma ovelha.
O que acontece é que já nessa altura, os Jeovás falavam no fim do mundo que estava próximo, em virtude de todo o mal que o homem fazia ao seu semelhante.
Eles, hoje passados já uns largos anos continuam a defender a sua tese de que o fim do mundo é uma realidade, só falta saber a hora exacta a que esse enorme cataclismo irá se iniciar.
Ainda recentemente num leve toque da campainha indo eu abrir de avental, qual cozinheiro a preparar o jantar da família, pensando ser os chatos do costume a acicatar-me com as promoções dos canais por cabo. Quando dou de caras com duas senhoras de revistinhas na mão e prontas a dar-me um sermão.
E lá levei com o fim do mundo próximo, que custará a vida a todos nós e também à delas, mas como me disseram é o sacrifício que estão prontas a dar em virtude do mal que o homem faz ao seu semelhante. Lá estavam as senhoras bem-educadas e de tom harmonioso naquela voz bem ensaiada numa causa que defendem com unhas e dentes.
Mas que fim do mundo minhas senhoras! Lancei eu para me ver livre delas, senão lá ia o jantar pró caneco.
E mais uma vez as ditosas senhoras contrapuseram com a Bíblia bem aberta e lendo certas passagens tentavam convencer-me, de que realmente o fim iria chegar como a Bíblia muito bem anunciava.
Então fazendo uso da minha astúcia e levando o caso para a gracejo disse-lhes: como pode acabar o mundo e todos nós desaparecermos se o homem está esperançado em o alargar povoando Marte, muito antes de o mundo acabar como vocês assim o profetizam e estendendo este mundo e os humanos de encontro às portas do universo.
Minha senhora daqui a cem anos irá ter descendentes a pensar ir viver para outro planeta e este mundo que vocês alimentam a vontade de acabar. Será o refugo dos desterrados, os assassinos dos infelizes, os chulos dos desprotegidos da Sociedade, que hoje já invadem a nossa privacidade e a vida que sensatamente escolhemos.
Acredite meu senhor e lá levei com a bíblia bem aberta perto do meu rosto, ouvindo mais uma passagem. Olhe, olhe! Veja aqui o que diz São Paulo…………… É fácil de descobrir que não á saída para o mal que se estende pelo mundo fora e que levará ao seu fim! Não somos nós que o dizemos. É a sagrada escritura através da Bíblia, o livro sagrado que está traduzido em todas as línguas.
Vocês acreditam no fim do mundo! Eu infelizmente sou obrigado a acreditar que o jantar da família já se foi! Era notório o cheiro vindo da cozinha que já esturrava o franguito caseiro pronto a dar um arroz de cabidela de trazer água na boca.
No meio de mil desculpas e com o embaraço estampado naqueles rostos que acreditam no fim de tudo. Deixaram-me finalmente.
Não soube quando seria o fim deste mundo, mas soube que o jantar teve o seu fim ainda mal tinha começado!
O frango foi-se! O tacho ficou negro! A cozinha cheirava a esturro!
E eu se não andasse das pernas e arranjasse rapidamente uma solução para o jantar, iria ouvir das boas e de certeza o meu mundo por algumas horas iria ficar um pouco sombrio!

A Praia da Pulseira da Sorte



Caminhava naquela extensão de areia, sem ninguém com quem cruzar. Só via areias brancas e fofas, conchas, pedras e dunas à minha frente. Metros e metros numa distancia sem fim, mas calcorreada ora húmida para deixar a marca da pegada. Ora seca e quente mas tão fina que massajava os pés e nuns chutos de bola invisível a jogava céu dentro para me cair pela cabeça a baixo num banho de areia, até o cansaço me despertar para o direita volver.
A paz que me envolvia só era quebrada pelo bater das ondas um pouco ao longe vindo cobrir os meus pés, como me chamando para sentir a frescura da sua água que bem longe da minha terra, a sua temperatura convidava-me a lá permanecer tempo infinito tamanha era a sede de mar. Porque ainda bebé já gatinhava nas pocinhas que o mar deixava ao recuar na baixa maré, num mês de praia que todos os anos a família fazia questão de o transformar nas férias merecidas depois de um ano de consumições e algumas desilusões.
De quando em vez encontrava um amontoado de mesas resguardadas do sol pelos choupos de palha. Não mais de uma dúzia, com um barzito característico decorado com pinturas de graffiti, onde se eleva o surfista conquistador que pede boleia às ondas para planar no seu dorso enquanto elas não rebentam e vão beijar a areia num enlace que ninguém sabe o que lhe diz.
Aí era o descanso do guerreiro e o matar a sede num coco tão fresco que entrava directo, garganta abaixo. Ouvia-se casais jovens estrangeiros, num ardor de núpcias, onde a paixão não era contida e dava azo a que turistas como eu, num Brasil imenso de calor que inchava as hormonas assassinas tipo piranhas prontas a devorar o corpo que não nos pertencia, mas que ali bem perto era já lambido meio tapado, meio aberto para olhos esfomeados de…… toca a correr para a água! Refresca a mente e acalma a ferramenta!
Depois de já não distinguirmos (éramos três cunhados) o local do nosso poiso já que a curva da imensa praia já escondia o ponto de partida, resolvi regressar.
E a cada cem metros de caminhada e dez minutos de mergulhada, lá encurtávamos a empreitada.
Deslumbramos bem ao longe um ser. Carregava as famosas camas de rede feitas á mão, por aquelas mãos calejadas e amolgadas, onde a pele se comprimia com o osso e tornava os dedos tão magros e tão secos.
Compramos uma sem regatear. A pobreza estampada naquele rosto não exigia regateio e lá foi o carregador de camas de rede na busca de alguém que por aquelas bandas andasse a gozar as suas férias.
Já cansados, mas cada vez mais maravilhados com aquele mar tão morno, que obrigava a permanecer com a água até ao pescoço, ouvimos um chamamento a cinquenta metros de nós, bem metidos mar dentro.
Era a indígena a gritar, carregada de lantejoulas e outras coisas mais!
Saímos da água ainda confusos, com tamanhos gritos. Os turistas eram escassos naquela praia (nesse momento éramos só nós) e a jovem tinha que aproveitar a ocasião e tudo o que viesse á rede era peixe. E nós caímos!
Parecia uma criança, dava-lhe quinze anos, mas ela tinha vinte e dois. Não era bela que adoçasse o apetite. Mas tinha bunda de levar um homem ao céu.
Mas não era para aí que estávamos virados, nem ela assim desejava.
No meio de tanta quinquilharia, escolhi uma pulseira. Pensei que era a melhor maneira de simbolizar este dia e a praia que de certeza não mais veria.
Regateie a pulseira mas em vão, paguei o que estipulou e fiquei encantado com aquele tom de indígena. Ela disse que me ia dar sorte e eu pensei que era sol de pouca dura.
Hoje ainda faz parte dos meus adereços diários. E a sorte felizmente vai comigo para todo o lado!