sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Grito de Saber o que Desejo se Tudo o que não Tenho me Apetece




A nossa vida é feita de lutas constantes!
Sentimo-nos numa selva onde cada um tem que possuir quatro-olhos para montar vigilância e não ser apanhado em contrapé.
Somos perseguidos pelo infortúnio de um drama mundial que invade as nossas consciências e rebenta-nos com os tímpanos e cega-nos a visão. Para assim nos encostarem a um canto remoendo as desgraças e suicidar as esperanças.
Mas muitos de nós ressurgimos das trevas que milhentas mãos poderosas nos lançaram sem piedade. E numa autêntica ressuscitação dolorosa e quase interminável desabrochamos de novo para a vida, prontos a conquistar o tempo perdido.
Olhamo-nos por nós abaixo, salpicados de tatuagens de sofrimento. E com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. A boca seca de vida e mantendo-a pelo ar que custosamente respiramos.
Grito! Grito!
Com todas as forças que me restam, para que o vento leve aos quatro cantos do mundo. Como hei-de saber o que desejo, se tudo o que não tenho me apetece!
Apetece-me correr sem parar, pelas estradas sem fim e ir apalpando terreno para encontrar um lugar onde possa pensar, pensar, pensar no que desejo!
Preciso do voo da felicidade que me ajude a correr bem ao lado das estrelas para encontrar um lugar bem juntinho ao azul celeste, se tal for impossível cá em baixo na imensidão da terra que é de todos e ao mesmo tempo de ninguém.
A correria desenfreada e angustiante prossegue a um ritmo desesperante.
E por entre uma escuridão tenebrosa descubro uma mão milagrosa, que me ampara e me guia para a luz que ao fundo do túnel surge como o sinal do lugar que eu procuro!
Encontrei o lugar!
De uma entrada minúscula, esforçadamente penetrada. Dá lugar a um espaço infinito cheio de desejos e desejos. Salpicados de cores infinitas que dão um colorido como se do Paraíso se tratasse.
E convida-me dando-me todo o tempo do mundo, pudera o tempo aqui não passa, navega num mar de luz, que aqui nasce e aqui permanece. A saber o que desejo.
Como hei-de saber o que desejo, se tudo o que não tenho me apetece!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Varanda Onde se Pode Contar as Estrelas




Conheci recentemente alguém que vive em frente ao Tejo, bem pertinho da sua brisa e de todo o seu encanto.
Com o Cristo Rei como vigilante da varanda, poiso de grandes convívios de tantos amigos, que te levam uma palavra de carinho. Uma palavra de conforto! Uma autentica corrente de emoções!
Essa varanda onde se pode contar as estrelas. É um desaguar de sensações, mais parecendo um oceano que recebe os variadíssimos braços de rios, que te abraçam para te confortar!
Em redor, toda a beleza daquela vista, com a ponte 25 de Abril no seu esplendor mais ao fundo, como porta de saída e de entrada para uma Lisboa centro das grandes decisões que agitam este País.
Como a varanda não é para todos e a distância ofusca toda a beleza que ela oferece, mandei estas simples palavras, na forma de um pombo-correio para pousar no varandim esperando que desates o cordel e lendo a mensagem te possas convencer que além do pombo, o dono também quer partilhar dos barbecues deliciosos, que o vento eleva no céu o aroma, que ao passar nas narinas do Cristo Rei, o faz arrotar tamanha a delicia que o envolveu.
Não esperes pela próxima maré! Aproxima-te logo da varanda para veres o pobre do pombo, que ele não tem o dia todo e pode-te deixar o varandim sujinho de caca.
E mais a mais tem que voltar para junto do dono!
O dia já ia longo e voltava a casa depois do meu treino que me limpa do stress e envolve-me numa frescura gratificante quando, encontro o meu pombo.
Trazia uma mensagem simples, mas que ma levou a lê-la já três vezes!
Sabes o que não queres!
A vida já te deu essa luz, essa maturidade.
Mas dizes que não sabes o que queres.
Eu penso que sabes!
Só que em várias ocasiões pedes muito e pouco recebes!
E noutras mais, pedes muito pouco e mesmo esse pouco não te é consentido.
Existe também aqueles que te querem dar tudo, mas esse tudo não te enche um cantinho do coração e como tal estão fora da tua verdade.
Acabará por entrar na tua vida aquilo que queres!
E como já te disse, estará logo ao virar da esquina!
E como adoro o meu pombo, vou voltar a enviar-to, para ele te debicar o braço meigamente para que baixes o rosto que ele leva um beijo meu para ti.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Semana do Vale Tudo




Dando uma olhadela pela blogosfera, apercebo-me que estamos na semana do tudo ou nada!
E como tal, é o vale tudo que irá prevalecer segundo rezam as crónicas dos anti socialistas.
Mas não é verdade! O vale tudo não pode ser equiparado:
Ao descobrir a falta de soluções dos adversários. Porque sem soluções o povo Português apercebe-se que não existe alternativa. E vai apostar ainda mais na continuidade. Porque sem soluções que são tão visíveis, ao nível dos programas eleitorais. Ao nível das alternativas pessoais. Ao nível dos diversos atropelos e gafes constantes que vulgarizam uma oposição descredibilizada e impreparada.
É no descobrir dessas fraquezas do adversário que está o caminho aberto para a vitória.
O vale tudo não pode ser equiparado:
Ao apontar gravíssimas decisões como, o integrar pessoas arguidas em processos.
Ter no seu historial ex ministros do tempo do governo do Presidente actual, arguidos em fraudes dantescas, que lesaram um banco e os seus clientes virando-os do avesso em direcção ao abismo.
Serem liderados pela sua líder, ex ministra das finanças, que subiu o IVA, afectando os do costume nesta Sociedade virada para martirizar os menos abonados nos salários tão rasteiros que este País não se cansa de consagrar.
Ex ministra da educação num tempo em que os alunos fechavam os livros à aprendizagem, pelas politicas desta mesma senhora. Alarmavam o País em manifestações caricatas onde o traseiro de alguns era posto a nu perante a ministra, hoje líder da oposição. Num enxovalho de corar um País com oitocentos anos de história.
O vale tudo é a forma mais esfarrapada de caracterizar um fim! Um fim que tentava ganhar forma no emaranhado de escutas que foram impostas ao PS e hoje caíram bem no coração de Belém, com baixas já registadas e ainda a batalha só teve meia dúzia de tiros.
Um fim que pensavam ganhar alento, estar ligado a um desligar repentino do jornal das sextas, onde todos sentiam ser um ataque pessoal a uma pessoa, repetido mil vezes e com continuação até já meter dó e ainda ajudado por um comentador de voz de quem come tremoços com casca. Até o homem que é o PM, cair do pedestal como o outro caiu da cadeira enquanto dormitava no orgulhosamente só.
O outro caiu para nunca mais se levantar mas o nosso primeiro aguentou firmemente e viu o jornal cair sem deixar sequer a apresentadora aquecer nesse dia a cadeira.
Um fim que imaginavam ser mesmo o fim, com a saga dos professores num correrio infernal para não perderam o saco do farnel pronto para a seguir às quatro horitas de aulas,ir para outras paragens, no encher o pecúlio e coitados dos pais a pagar fortunas com os filhos no ATL.
E fazendo finca-pé das avaliações que diziam, todos queriam, mas não as que o Ministério pretendia. E acabavam por não conseguirem apresentar avaliação de espécie alguma para se entender, como raio os profs, queriam ser avaliados.
Esse fim será no dia 27!
Os perdedores irão ficar a chuchar no dedo, alguns!
Outros irão ter sempre assegurado um cabide para pendurar o vale tudo!
Os restantes aqueles que estão nas trincheiras a assistir à morte do artista irão pedir a cabeça da líder ainda os foguetes dos vencedores fumegam estendidos nos quintais a cheirar as rosas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Campanha Está ao Rubro!




Os partidos esforçam-se para ir a todo lado. Seja no Sul na segunda-feira aproveitando o final de um Verão que nestas paragens ainda concentra banhistas e turistas vindos de todas as partes do País.
E pela manha de terça-feira, lá estão eles a caminho do Norte para enfrentar o povo que ora se desliga das buzinas a anunciar a chegada dos candidatos. Ora se encostam aos candeeiros públicos para assistirem ao subir da Avenida Central do aglomerado de militantes e simpatizantes do partido que nessa hora escolheu a sua terrinha.
Oferece-se lembranças já tão batidas que poucos estendem a mão para as receber.
São os chapéus que dão colorido às cabeças dos curiosos, mas nem todos querem amassar o cabelo.
São as esferográficas, outrora tão úteis para a escola, mas hoje em tudo o que é loja comercial à sempre uma que escreve para oferecer como amabilidade por uma compra.
São as bandeirinhas nas mãos dos mais jovens que engrossam a caravana, alguns deles nem idade tem para votar. Mas todos juntos fazem um agitar de bandeiras que poucos parecem muitos, num quadrado esvoaçante com ou sem vento andante.
E assim caminha a caravana percorrendo o Pais de lés a lés, nos restantes dias. Sempre com a agravante de nunca se cumprir horários. Fazendo muitas das vezes mossa nos apoiantes destemidos que não arredam pé do cantinho do encontro, guardando lugar bem á frente, para quando o candidato chegar, ser o primeiro a o abraçar e quem sabe aparecer em primeiro plano na televisão num abraço desconcertante, ou num beijo palpitante.
As noites de fim-de-semana são aguardadas para os grandes comícios nas capitais de distrito.
Aí as televisões na abertura das notícias, ligam directamente com os jornalistas destacados e lá descortinamos as grandes salas de jantar onde se acotovelam os militantes nuns comes e bebes politiqueiro, onde por doze euros enche-se a pança enquanto se ouve a lenga-lenga dos discursos. Que começa como um concerto de música, com a banda convidada para dar ambiente à sala (O discurso do candidato a presidente da autarquia local, ou o presidente dependendo da cor partidária) e termina com a apoteose do candidato que diga o que disser, leva com barulhentas palmas intermináveis que alongam o discurso pela noite dentro, num frenesim de vitória, que irá favorecer meia dúzia e durante o mandato enfurecer uma centena que pagou para ouvir o candidato que venceu e os esqueceu.
No final todas as caravanas irão acentuar perante o rescaldo de mais uma campanha, que o objectivo foi plenamente conquistado e por entre optimismos, uns logo à primeira visto como demagógicos e exagerados. Mas outros dirão os entendidos, uma boa surpresa e se surpresas houvesse na política nacional! Já que o vencedor é saído dos dois grandes opositores, cada vez mais parecidos e aposto que daqui a mais uns anitos, almas gémeas nas pequenas e grandes decisões para o País.
E claro é só esperar a noite das eleições e logo que bate as oito badaladas, saberemos pelas projecções quem foi o vencedor!
O vencedor que governará este cantinho rodeado de água por um lado e de uma fronteira irmã, mas que já foi um inimigo histórico, pelo outro.
Mas também numa sede de espera dos resultados, se dará uma grande festa!
Será o vencedor dos partidos mais pequenos, que efusivamente festeja a eleição do primeiro deputado da história deste pequeno partido, que sempre se candidatou às eleições portuguesas e viu agora a grande oportunidade de se fazer ouvir, na grande sala para o efeito que é a Assembleia da Republica.

O Jovem de Resposta Pronta mas Obras nem Vê-las



O jovem meteu os pés ao caminho e num impulso sem precedentes resolveu tratar de vida.
Habituado a que os pais lhe fizessem a papinha toda, aconchegava-se ao conforto do sofá curtindo o computador e esperando que os dias passassem para regressar à Faculdade com tudo a postos para mais um ano na boa vida e como é bom aluno, na menor dificuldade para estudar e assim se passava o ano na lei do menor esforço.
Desta vez tudo foi diferente! O ano terminou e o novo que agora se iniciou, iria recomeçar do zero e por à prova o jovem destemido nas palavras. Mas de obras, tá queto! Nem uma palha era mexida e conta-se pelos dedos de uma só mão passos dados por livre iniciativa, na procura de rasgos que pudessem elevar aquela consciência aos anais de envaidecimento.
Manhã bem cedo apanhou o comboio e lá foi Avenida acima parando no primeiro café que encontrou para engolir duas buchas e toca a esgravatar para encontrar o lar doce lar, que o iria embalar durante mais um ano de Ciências Farmacêuticas.
Depois de ter comprado o JN, ainda na estação da cidade natal. Aproveitou a hora da viagem para vistoriar os anúncios e ir já preparado para enfrentar as primeiras visitas que rodeavam a Faculdade. E as ligações via telemóvel das mais distantes, pouco do agrado a quem se sentia cansado com meia dúzia de caminhadas, Já que aquele corpo malandro se aconchegou a ter tudo bem perto da mão.
O resto da manhã foi passada sem novidades e já com um punhado de chamadas a engrossar mais a conta, fazendo-o tremelicar no dinheiro que o pai lhe dera, se daria para cobrir o dia.
Lá almoçou no restaurante do tempo de aulas, com o dono de sorriso feito. Uma forma de agradecer ao jovem cliente habitual permanecer no poiso usual.
Mas ainda nada existia os foguetes não podiam ser lançados porque a festa tinha que aguardar o desfecho certo.
A tarde estava a ameaçar chuva, mas ele suava de calafrios com receio de nada encontrar já que o novo ano estava a bater à porta.
Subiu a Avenida até se agarrar aos semáforos para carregar no pichavelho e assim abrir o verde para mais rápido virar para outra rua.
Já ia em vinte chamadas e nada encontrara! Estava tudo cheio de jovens estudantes.
Agora menos custoso já que, quem sobe terá que descer nem que seja na rua ao virar da esquina, tentou novo número numa pesquisa feita no Pingo Doce e…. Aleluia, aleluia!
O céu abriu-se de par em par! Deixando vislumbrar as portas do quarto que ele precisa!
A alegria era incontida! Era mesmo aquilo que imaginava. Todos dizem o mesmo quando desesperados já nada enxergam a cem metros.
Mirou o aposento! Aprovado. A cama confortável num lançar para cima, deixando cair aquele corpo franzino e esgotado de caminhar horas a fio.
Com janela para entrar o ar e dar cor ao amarelo pálido que todos os estudantes se revêem.
A dona, senhora de grande respeito, resolveu correr com os vícios dos anos anteriores que ameaçavam fazer do prédio habitação própria e ainda por cima com atrasos de pagamentos significativos. E reiniciou uma nova etapa de alojamento, com visionamento ao pormenor dos interessados e questionários de elevada valia. Assim pensava ela, nada lhe iria escapar e logo de entrada repreendeu-lhe devido ao atirar-se assim para a cama.
Estou muito cansado minha senhora. Justificou-se o jovem. E lá entraram nos pormenores de pagamentos e num até Sábado dona Quirina.
Apanhou o comboio esbaforido! Quase, quase a partir sem levar este jovem que nunca fez nada e hoje num assomo de coragem e valentia, provou a todos, mais a ele que tem boca para chegar a Roma a não se deixar encostar numa de chulice aos progenitores. Porque mais vale tarde do que nunca, conseguiu tratar de vida!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Esmiuça os Politicos de Bandeja


Os Gatos Fedorentos trouxeram para a ribalta o melhor que os políticos nos podem oferecer!
Por uma vez, estes líderes partidários, oferecem-nos de bandeja o que de melhor o povo adora.
Numa iniciativa original, os Gatões colocam diariamente durante esta campanha os líderes frente ao ecrã. Para nós lhes sentirmos o pulso na capacidade deles em responder a perguntas embaraçosas numa mistura de humor e realismo a que eles de uma maneira ou de outra terão que por à prova o seu real sentido humorístico.
E a cada Esmiúça os Sufrágios, o entusiasmo cresce, cresce. As audiências aumentam, a um ritmo entusiasmante. A SIC, de uma hora para a outra descobriu a sua galinha de ovos de oiro, a lufada de ar fresco para desanuviar um pouco a grave crise que atravessa.
Depois dos badalados debates mano a mano. Nada melhor que este entretenimento para quebrar o gelo politiqueiro e oferecer um pouco de boa disposição para quem andou a por os Portugueses divididos na luta por uma mudança, ou na firme posição da continuidade.
E como a SIC dias antes esteve a visitar o lar de cada líder partidário, mostrando como eles se resguardam dentro das suas modestas habitações. Sozinhos, ou com a família. Tudo estava preparado para conhecer mais uma faceta de cada um deles numa rara sequencia a que os Portugueses tiveram o privilégio.
Sentou-se o primeiro e logo Sócrates pessoa sob quem cai todas as desgraças deste País. Mas com margem de manobra para continuar a ser Primeiro-Ministro.
Sócrates numa de homem de estado, cheio de responsabilidades e preocupações diárias, não conseguindo fugir a uma importante eleição à porta, não correspondeu ao clima do programa e como tal, pouco cativou a enorme plateia o que deixou o programa aquém do esperado.
Sócrates não é homem de fácil humor. E quanto a mim seria um pouco desagradável ele entrar por caminhos de sorriso aberto a responder a perguntas feitas com espírito natalício. Mas que o podiam levar a cometer arrepios friorentos numa fase crucial, onde a sua pessoa será figura predominante até às eleições tão aguardadas.
Nem mesmo Ricardo o nosso humorista de momento conseguiu que Sócrates despisse a pele de primeiro-ministro e vestisse a de Sócrates pronto, a ir beber um copo à ribeira.
Isso, ele conseguiu com Manuela Ferreira Leite, que me surpreendeu pela positiva com tiradas engraçadas que até fizeram corar o apresentador, que em momentos levaram a que os papéis de ambos se trocassem. Passando MFL, a ser a Gatinha.
Como MFL, estava vistosa! Aquele ar sorridente deu-lhe anos de vida e cativou a multidão que a ouvia na troca de trocadilhos durante meia hora. MFL, deve ser uma avó extremosa, que lê belas histórias aos netos nas longas tardes de Inverno com a chuva a bater raivosamente nas vidraças da bela moradia.
Portas, esse politico desde pequenino. Estava como peixe na água e brincou com as redes, com o isco e acabou por obrigar Ricardo a dar banho à minhoca nas variadíssimas vezes que lançou e recolheu o anzol.
Venham mais destas parece dizer Portas! Está em grande forma o Portas e sinceramente espero que ele consiga mais uma mão cheia de votos.
Faltam os dois esquerdistas!
Louça irá abrir um sorriso de orelha a orelha. E o Jerónimo com cara de avó Português, irá se emocionar refugiando-se num sorriso terno e cativante.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

As lembranças ainda Frescas Enquanto o Bronze se Mantêm



Lembrei-me agora de uma ida à praia e ao chegar ainda com os olhos meio abertos meio fechados, depois de uma noite quente e metido com três barrigudos contadores de histórias de tempos idos. Onde se mistura as diabruras de um tempo a roçar a saudade tantos foram os episódios rocambolescos e a deixar um aperto no coração para aqueles que já se foram numa ida sem volta, que obrigava a beber a fresquinha como quem bebe água e enquanto eu fiquei-me pelas não sei quantas, eles dobraram as minhas. Que acompanhadas pelos pistachos que quanto mais se comem mais se quer, levou as horas a passar e a madrugada a chegar a passo apressado.
E de toalhita ao ombro, desci as escadas do paredão e encontrei o passadiço em madeira que me levou areia fora, a escolher o melhor local da praia para curtir um pouco de sol e satisfazer com uns chutos na bola o puto armado em jogador, numa idade em que ainda se pode sonhar em ser jogador de futebol e fazer disso uma profissão.
Mas a praia estava diferente!
A maré estava mesmo baixa e mostrava um areal expansivo que só acontece raras vezes e destapou as rochas, dezenas delas a descoberto.
Pareciam ilhotas minúsculas onde só as gaivotas podiam aproveitar para debicar algum peixe ou molusco, que tivesse ficado surpreendido com a baixíssima maré e se tornasse alimento para essas aves que tudo comem tanto no mar como em terra, onde já se açambarcam dos restos das comidas e já se familiarizaram com os lugares onde os podem encontrar, no meio do turbilhão citadino.
Mas o que mais me chamou a atenção foi o espectáculo da apanha do mexilhão. Onde dezenas de banhistas de faca na mão, lá esgravatavam os mexilhões do tamanho da palma da mão.
Eles eram tantos que davam para todos!
Faca numa mão, na outra, o balde que os pequerruchos usavam para construir os castelos imaginários na areia húmida, serviam de recolha dos mexilhões e desde manhã bem cedo lá estavam homens, mulheres e famílias inteiras na apanha do dito cujo, que iria encher um panelão de mexilhões que bem preparados era uma iguaria e pêras.
E naquelas marés bem baixas que levavam o mar para bem longe e ofereciam um espaço de areia tão lisa. Palco privilegiado de grupos que se gladiavam em encontros rijos de futebol, até que a maré subia e reclamava novamente o seu espaço. Obrigando os banhistas a recuar e a acotovelarem-se na imensidão das barracas, até que o mar terminasse a sua fúria e voltasse a brindar os banhistas com o espaço, para que homens, mulheres e crianças. Pudessem caminhar, banhar-se e mergulhar naquele mar que nunca acaba num vai e vem de marés ao sabor da lua que quando caí à noite, monta vigilância para que a terra não se afaste do espaço que lhe destinaram numa galáctica imensa, mas cada um no seu cantinho.