domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Momento da Verdade



O Benfica já conseguiu um enorme objectivo e ainda o campeonato vai na curva do cruzeiro. Ter o Porto longe da vista e perto da desgraça futebolística, depois de soçobrar perante um Sporting cheio de moral vindo de um resultado épico para a Liga Europa.
E como os vizinhos são para as ocasiões, nada melhor que uma ajudinha, mesmo que esse vizinho, tenhas as contas do condomínio atrasadas e sem juizinho.
Um Sporting transfigurado da noite para o dia depois de meses nas ruas da amargura que vaticinavam um calvário gritante, onde todos os sportinguistas estavam a pedir a Deus que o campeonato terminasse o quanto antes, para acordar do pesadelo e sonhar o mais rápido possível.
E neste momento os leões são os reis do campeonato chamando para si os holofotes da ribalta.
Assim o Benfica depois de chapa 4, em dois jogos que aumentaram ainda mais a fé no ano de todas as glórias. Resguarda-se num misto de euforia e contenção, para que logo logo, chegue o final do chuto na bola e comece os festejos da vitória.
O Benfica vence!
Por um, por dois! Chega facilmente aos três e como não há duas sem três. Alcança regularmente os quatro. Dentro e fora do campeonato. Sejam portugueses, ou velhos conhecidos da Europa.
Todos caiem como tordos num troteio sem piedade a raiar as goleadas para euforia da nação benfiquista que enche estádios desde os montes cá de cima às praias quentes do fim do País.
A onda é vermelha, não comunista valha-nos isso. Mas benfiquista com comunistas!
Entre brasileiros, e argentinos. Uruguaios e espanhóis. Portugueses e outros mais. São os ovos necessários para o bolo final que levará as belas e os foguetes para o sopro final, de uma festa que bem cedo começou, com futebol de encher o olho e goleadas para encher estádios.
São 106 anos de história! Mais de um século de vida onde já viveu a alegria em cântaros cheios de magia.
A tristeza própria da vida! Porque nem sempre se ganha e perder faz doer, mas as feridas dão vida.
E a morte bem dura não de um, mas de muitos filhos que abraçou bem dentro do colo diário. Faz deste clube o maior do mundo!

Futebol Fátima e Fodas



O Face Oculta continua a encher o horário nobre das televisões, agora a meio da edição e já engrossa com novos personagens. Caminhando para um longo rebanho que pastou por entre campos de erva viçosa que engordou os mais comilões, sem saberem que esse mesmo alimento estava minado de escutas que registaram todos os momentos da trituração da erva viçosa.
A cada semana desde que a bomba Face Oculta estourou, éramos presenciados com uma nova personagem, como cabeça de cartaz para ser apontada como mais um a enganar o bom senso do povo português.
A cada semana surgiam nomes de pessoas altamente cotadas com os destinos do país sendo a maioria delas ligadas ao partido que governa, fazendo com que o Face Oculta fosse a grande oposição do governo, deixando na penumbra os partidos que a representam.
E quando os visados depois de terem ganho tempo para se prepararem, ou serem preparados. Eram interrogados pelos jornalistas, sequiosos por matar a sede do sensacionalismo. Ouvíamos de todos eles que estavam inocentes de tudo o que lhes era imputado.
Claro que depois de se saber que a tentativa de silenciar a comunicação era mais ou menos verdade. Essa mesma comunicação social tratou logo em organizar o seu exército e saindo das trincheiras onde se defendeu do arreganho do governo em a silenciar. Atacou a toda a força, com os seus bravos soldados, a lançarem os morteiros mortíferos, escolhendo a sexta-feira como a altura D, para que as milhões de mentes pensantes cá do País, tirassem as suas conclusões depois da missa do fim-de-semana.
Tivemos os seus lideres nas comissões parlamentares a defenderem a sua dama (comunicação social) e não estando pelos ajustes em contar meticulosamente as conversas que tiveram com os altos lideres para travar esta ou aquela noticia.
Tivemos por sua vez alguns visados também nas comissões, a “jurarem “ a pés juntos que nada era verdade e tudo não passava de perseguições ao seu bom nome, já que vive-se a tentativa de caçar fantasmas onde eles simplesmente não existem.
O grande problema é que o Face Oculta, acabará por cansar meio País. Que se consciencializou que depois de tanto fumo para se transformar em enormes labaredas que iriam queimar, reduzindo a pó o governo. Não passou de queima de mata em tempo de Inverno.
E o outro meio acabará por entender que chafurdando mais na merda das escutas só se vai sujar a si próprio porque: hoje são os trajados nas cores do governo os visados. Amanhã irão surgir numa espécie de Oculta Face, os seus amigos e os amigos dos amigos. Porque vivemos num ciclo vicioso, onde quem conhece os meandros das jogatanas politicas e não só. Sabe perfeitamente que quem cospe para o ar acabará por lhe cair em cima da cabeça.
Enquanto vivermos de Futebol, romarias a Fátima e Fodas para a maioria da população do País. Mais este se estende ao comprido, numa passadeira vermelha para deixar passar os oportunistas com ou sem escutas seguindo o seu caminho.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Perguntei ao Vento



Perguntei ao vento que passa através da varanda resguardada, notícias do sul do País.
Mas ele nem me ouviu já que parecia um monstro enraivecido quando dei salto atrás do empurrão traiçoeiro que me desferiu a caminho do seu destino.
Soprava raivosamente num silvo ronco que atravessa os edifícios entoando sons monstruosos que eleva a preocupação nos rostos dos transeuntes.
Já partiu vidros das entradas, soltou chapas dos beirais e arrasta plásticos soltos, como balões fugidos das mãos das chorosas criancinhas.
O vento é violento, obriga a um esforço tenaz para caminhar e faz cambalear os mais idosos nuns movimentos embriagados que verga quem já não é novo.
A electricidade falhou porque o vento a destronou. E sentimo-nos impotentes para o acalmar agora que ele atingiu o seu pico.
Sons bem audíveis, quando se esbarra com os prédios que o tentam acalmar, numa fúria que não à memória e que veio para atazanar as disposições pouco dadas a este fenómenos.
Vai te embora vento repelente que não te queremos por cá!
Dizem todos cá do sítio com rostos onde a admiração e preocupação misturam-se nos falatórios de um sábado de descanso.
O vento não reduz a sua força.
Castiga por onde passa e as árvores coitadas de ramos abertos num pedido de calma que não é atendido. São derrubadas sem dó nem piedade por este bulldozer gigante que tudo leva avante.
Agora duas horas depois sente-se a sua força esvair-se e num suspiro de satisfação sentimos que tudo é efémero. O que aparece bailando furiosamente sobre as nossas cabeças, tentando acertar em muitas delas com o que agarra á sua passagem. Agora não passa de um ligeiro sopro de Inverno que afugenta as ultimas folhas agarradas a troncos centenários enchendo as ruas de pontos castanhos parecendo sardas em rosto gigante.
O que passou já vai longe para se esconder atrás das montanhas e tudo não passou de um ligeiro susto para sentirmos que a Natureza ainda dita as suas leis.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Os Limites que Terão de ser Quebrados




Corremos todos em busca de algo para amenizar as carências diárias e esbarramos nas portas cerradas. Onde através dos vidros presenciamos a indiferença humana.
Lidamos diariamente com a escassez de ajudas para aqueles que já não tem força para correrem atrás dessa ajuda, que só é entregue a mãos manchadas de oportunismo e enchendo o pecúlio mais e mais para não deixar nada para quem chega e se chega, já é tarde.
É o que nos resta!
Lidar com a dor de quem nos é chegado, sem poder fazer nada a não ser amenizar essa dor com o carinho estampado no rosto a única forma de mostrarmos a amizade que mutuamente a vida nos encheu.
E enxergar que os que nos estão próximos refugiam-se numa distancia indiferente para que a aproximação não traga pedidos de ajuda, que aliviam o desespero de quem bate a essa porta e é recebido pelo olhar desconfiado, mostrando abertamente que a mesma porta que foi aberta será, o caminho da rua de encontro ao nada. E de onde se saiu poderia se obter o optimismo para encarar o futuro.
A vida está nestes limites!
Mas enquanto à vida existe a esperança de a encarar com ganas de a ombrear lado a lado, num desafio constante que no final traga a certeza de que conseguimos os objectivos pretendidos e nesse sentido venceremos todos os desafios e a vida segue o seu caminho.
Dois passos à frente e um atrás é o resultado de alcançarmos a meta desejada num final de caminho custoso mas vantajoso!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Catastrófico Demais Para ser Verdade


A Madeira essa Pérola do Atlântico de clima ameno com o sol a brilhar todo o ano, visitada por turistas ávidos pelo clima e pelo calor humano que se respira naquele pedaço de terra plantado no meio do oceano. Adormeceu depois de mais um dia de cativar os turistas que enchem os hotéis e trazem o dinheirito que alimenta toda aquela gente que vive do turismo como a fonte de toda a sobrevivência.
Mas adormeceu num sossego que antevia um despertar harmonioso para mais um dia de espalhar toda a beleza da ilha pelos turistas e não só, como uma recordação que obriga a lá voltar.
Só que…! O despertar foi o mesmo que se aperceber do fim do mundo!
A Natureza ameaçou varrer parte da ilha!
Descarregou toda a sua violência, numa chuva diluvial sem precedentes, sob aquele botão preto no meio de um lençol enormíssimo tão azul como o céu.
A chuva chegava primeiro ao alto da ilha numa violência sem perdão. Deslizando pelas encostas rudemente, cheia de uma ferocidade que castigava tudo o que lhe aparecesse pela frente e enchendo rapidamente as ribeiras, onde a água galgando as margens estendeu-se como tentáculos gigantescos e destruiu tudo o que fosse obstáculo.
As estradas viraram acessos às águas lamacentas vindas dos altos da ilha e numa velocidade vertiginosa, tudo era derrubado. E num cenário dantesco, carros eram arrastados como se tratasse de bolas rolantes. E dentro deles os condutores e ocupantes viraram vítimas nuns segundos arrepiantes, sem ninguém poder fazer nada e pior: sem ninguém se aperceber tamanha a rapidez com que as águas autênticas feras esfomeadas acabavam com a vida de dezenas de pessoas sem tempo para pedir ajuda e serem socorridas.
E só o oceano fazia parar essa enorme avalanche de água e restos de tudo que uma cidade turística tem para oferecer.
Oceano azul, que ficou manchado pela água lamacenta putrefacta que tornou a baia funchalense a cheirar a podre e a morte trágica. Que fez derramar lágrimas sem fim dos sobreviventes que atónitos viravam-se para o céu pedindo responsabilidades a Deus que aí habita.
A Madeira que todos um dia irão visitar ficou um caos, onde tentamos ajudar sem lá podermos chegar.
Revemos aqueles momentos vezes sem conta. Com a água barrenta de uma fúria tão medonha que afogava qualquer indicio de vida, estendida desde as alturas da ilha até ao abraço manchado no oceano azul, mostrando que a catástrofe derruba em minutos aquilo que demorou séculos a erguer. E ficamos minutos em silêncio sem uma palavra para amenizar toda aquela dor.
Agora que a dor assentou nos nossos corações, nós que estamos no seco do continente, teremos que fazer algo, para levantar aquela ilha tão bela e tão macia que se abre a todos nós como as flores que a enchem de encanto e lhe dão a beleza que se espalha pelo mundo inteiro.
A madeira vai recuperar desta feroz mordidela que a natureza lhe pregou mesmo junto ao seu coração. E logo, logo. Sorrirá para nós numa limpeza brilhante que apagará os vestígios de um dia mau demais para ser verdade.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Despertar Embrulhado em Desejos


Acordei com uma disposição de criança, que regularmente me enlaça.
Alegre e feliz, com vontade de enfrentar o dia ciente de que iria ter um dia bonito.
O tempo está embrulhado, não chove mas paira no ar a certeza de que uns chuviscos irão aparecer enquanto o dia carrega as horas a que tem direito.
E acordei num flash, tão sereno e despertado, que dava a entender que a manha já ia longa, o que não era o caso.
Procurei o amor de quem me aquece e brinquei aos toques íntimos durante um tempo minúsculo já que despertei quem absorve o que lhe oferecem.
Senti a satisfação mútua quando nos aconchegamos por minutos repousando do esforço meio preguiçoso, porque roubei um tempo a alguém que o aproveita para dormitar mais uns minutos, que sabem pela vida.
A cama estava quente salpicada de aromas perfumados que convidavam a inspirar o seu sabor.
Saí para o ar fresco da manhã que acordava os dorminhocos e fazia correr os atrasados, para sabe-se lá o quê.
Caminhava sorridente cantarolando a espaços e sentia abertamente, que estava feliz e com uma disposição a raiar os garotos quando finalmente se sentem livres dos pais para correrem em busca dos amigos e das brincadeiras em conjunto.
Sentia que o dia era meu e que ia sorve-lo tenazmente já que não é todos os dias que se acorda com esta disposição livre e feliz.
Sentia o calor do amor bem dentro do meu corpo que me estava a massajar as sensações e elas continuavam ao rubro.
Sentia a certeza de que também era mais um dia, o começo de um fim-de-semana, que junta mais a família e oferece mais tempo para enriquecer sentimentos e o amor de quem está tão próximo.

Os Anos Não Dão Vitalidade e o Fim é uma Realidade




Passamos a vida a acreditar em palavras que viram delírios, já que são comandadas pelo desespero. Mas abrimos os olhos e lançamo-nos na busca do querer agarrar o futuro com unhas e dentes.
Talvez já tarde, mas como diz o velho ditado: mais vale tarde do que nunca!
Crescemos amarrados no acreditar que o mau bocado é de passagem. Que bons ventos estão á porta e que de novo ocupamos o lugar a que temos direito.
Os dias passam e os meses chegam, mas surge o inicio do fim!
Um fim que sabemos agora já anunciado, mas que criávamos a ilusão de que haveria sempre uma solução.
Acreditávamos até ao último minuto, que a solução haveria de chegar. Fosse com uma encomenda de encher os olhos e os bolsos a quem nos pagava. E assim a satisfação era mútua e a vida continuava.
Ou depois de um interregno de dois meses, chegava a solução milagrosa de um empréstimo bancário para prosseguirmos durante mais uns tempos, que ilusoriamente pensávamos que poderiam ser anos vindouros.
Vivemos assim uns anos! No acreditar, no que, dia após dia mergulhava num abismo sem fim.
Éramos fortes, numa região que os anos passavam mas a empresa se solidificava.
Passamos a barreira dos cinquenta anos e liderávamos o mercado e todos acreditavam no nosso nome sagrado para o conselho e meta final do sustento garantido para famílias onde a entrada nesse espaço fabril era o orgulho de uma realização à época.
Os anos voaram e voaram também o tempo das vacas gordas!
O pasto deixou de engordar quem lá trabalhava e mesmo com a despedida de dezenas de homens já cansados de anos e anos de labuta. Não se conseguia carrilar as finanças de um monstro que ameaçava perder a força que tanto se orgulhou em possuir.
A crise abriu as últimas chagas num Cristo feito de pavilhões vazios, pelo hipotecar de produção sem lucro em maquinaria que dava vida a matéria-prima nascida de uma planta.
Os anos passavam sem folguedo de comemoração tal a escassez de recursos para acender meia dúzia de foguetes.
Numa área outrora tão movimentada, ora de dia ora de noite de trabalhadores numa passagem de troca de testemunho de poucas horas. Vê-se hoje um amontoado de pavilhões enormes vazios e escuros, cheirando a recordações já distantes e a memórias que se perdem com o tempo.
A ultima gota de acreditar, caiu em saco roto e hoje os portões que delimitavam a passagem a quem em tempos assentava arraiais, horas e horas em busca de um sustento que era a segurança de uma família. Fecha-se aos poucos num movimento que não é muito perceptível mas que já não deixa entrar um corpo de estômago bem abonado.
O milagre não vai surgir e o portão acabará por bater pela última vez e a volta na fechadura será automática fazendo com que aí permaneça lacrado para sempre.
Será o virar de página em anos que passaram com o nosso crescimento. A reconversão é a realidade daqui para a frente num pedalar para recuperar algum tempo. Aquele tempo que quem nos é próximo não se cansava de alertar para acordarmos para a realidade que teimávamos em não descortinar e lidávamos com ela todos os dias.