quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Música é Vida




A música é um incentivo ao agarrar momentos de alegria e aumento de adrenalina.
Eleva-nos num emaranhado de sensações que nos posiciona num altar suspenso, no meio do nada e somos impulsionados numa espécie de mola saltando e abanando o nosso corpo. Lançando sensualidade conforme a musica nos entra corpo dentro.
Auxilia a boa disposição quando é imperativo começar bem um dia que se vai revestir de enorme stress, por caminhos cheios de rotinas e ansiedades repentinas.
E ela está onde a queremos!
No carro, ainda o dia cheira à frescura da manhã, lá está esta música que nos acolhe sonolentos e fechados em nós mesmos.
Minutos depois já a infiltramos como uma anestesia que se mistura pelo corpo todo e deambula desde os pés à cabeça, obrigando-nos a exercitar os membros e lá estamos a fazer do volante um meio de acompanhar o ritmo, enquanto estagnamos numa fila, das muitas que iremos encontrar.
Musica, musica!
Nasceste para nos embalar desde bebés que nos enviavas para o sono profundo aliviando quem cuidava de nós e fazendo crescer quem queria agarrar com as duas mãos esta vida.
Segues a juventude mano a mano como um cão de guarda e transformas-te num acessório imprescindível tapando-lhes os ouvidos aos sons diários. Escondida nos MP3, disfarçados de colares que vão desde a calça curta mostrando a barriguinha já bem no fim e parando nas orelhinhas sensuais dos jovens a despertar para o mundo.
Acompanhas todas as idades, em sítios que nem o diabo imaginava e lá estás bem alta, ou camuflada nos fones de quem a não quer partilhar. Alimentando sofregadamente os viciados e não só, do momento.
Mesmo agora que te dedico estas linhas, estou a ouvir-te misturada por Dj`s que deambulam pelas discotecas de norte a sul e não paro de estar quieto na cadeira em rodopios constantes a cada frase que me sai da cabeça.
Misturam-te como se de cocktails se tratasse e dão-te batida incessante para fazer abanar o capacete como se diz na gíria.
O verão aí está e tu musica que enches o mundo, terás os festivais, as ruas, as praças, as praias. Para dares asas à tua força e dares um sorriso a quem se sente sem força para o libertar.
A música é alegria. É vida e ajuda a superar momentos difíceis que todos nós temos nesta vida que está amordaçada pela crise que desespera mesmo aqueles que ouvem música, para se afastar dela.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O tempo Aquece com o País ainda tão Arrefecido



O sol brilha e aquece os neurónios. Já se transpira por todos os lados com a roupa a colar-se ao corpo.
O país pelo contrário arrefece cada vez mais, ameaçado pelo rating que nos atormenta diariamente. E a dívida, cresce a cada dia que passa.
Também não aquece nem arrefece na busca de soluções para estagnar o desemprego e a solução é: para já, não existir soluções.
Enfia-se milhares de desempregados em formações para algo aprender e fundamentalmente para ocupar o tempo na esperança de melhores dias. Mas esses dias tardam em chegar e logo que os subsídios terminem, vai ser um deus nos acuda.
Uma enorme maioria da população lamenta-se pela situação. E muitos já não sabem o que fazer à vida.
A juventude vagueia com as mochilas às costas, cheias de sonhos, mas com os pais apreensivos com o futuro e eles lá andam num vai e vem iludido já que enquanto andam debaixo das asas dos progenitores não se apercebem que o ninho está prestes abrir brechas por todos os lados.
Outros mais crescidos depois de anos a marrar queimando as pestanas. Sentem o vazio da estagnação já que o mercado de trabalho está saturado de procura e as poucas ofertas nem chegam a ser anunciadas, porque estão prometidas aos amigos que sobem à superfície como os ratos logo que sentem o cheiro da água.
Os restantes, os que cedo se cansaram dos estudos. Já que possuem cérebros de galinha e pouco dados a trabalhos de vergar a mola. Encostam-se às esquinas para os proteger dos vícios e sempre atentos a tudo o que mexe onde a vista alcança. Fartam-se de se justificar que não levam a nada, já que é só para curtir. Mas que a muitos, lhes abrem a cova prematuramente para o martírio comendo-lhes primeiro a carne e terminam só com os ossos bem ressequidos.
Enquanto o país mergulha cada vez mais a olhos vistos nestes dramas. Os governantes desviam as atenções com comissões de inquérito a tudo o que mexe.
E enchem-nos os ouvidos com testemunhos de varias personagens a raiar a vitimização e outros mais, a choramingarem as cabalas que são alvos. Com episódios pitorescos pelo meio como: uns que não falam, mas ressalvando o embaraço que causaram ao primeiro-ministro. E dando-se o caso onde reinou a cavaqueira de um conhecimento profundo da família de um deputado presente, talvez com o intuito de desanuviar o ambiente.
Para esquecer, temos o futebol a chegar ao fim com adrenalina quanto baste.
Os bilhetes esgotam caros como o ouro na invicta, sempre palco de comemorações dos campeões, mas este ano a dar lugar aos rivais bem em frente do seu nariz. Num dérbi a descobrir o tão famoso túnel.
E bem mais a norte, oferecidos, para a euforia contagiar os jogadores na procura do golo que dará acesso a largos milhões.
E terminado o campeonato iremos ter o mundial. Assim o povo acalma por dias a sede de estender a mão a quem ofereça uma moedinha.

domingo, 25 de abril de 2010

25 De Abril é do Século Passado mas está Ainda Fresco na Memoria de Muitos


É meia-noite ouço foguetes. Alguém está a comemorar o 25 de Abril!
Primeiro meia dúzia, agora uma mão cheia. Uns, bem perto e outros mais distantes.
O 25 de Abril dos nossos dias passados 36 anos envia-nos um dramático aviso!
Um aviso de reflexão sem rodeios, sem medos!
A cada ano que passa, perdemos um quinhão de liberdade. Porque nos deixamos iludir pelo papão da ganância e corremos em busca do tudo querer e no final tudo perdemos. Diluindo assim a partilha de abrir a Sociedade às oportunidades que deviam ser abertas a todos, para que todos usufruíssem das mesmas ferramentas para abrirem o futuro. E assim homens e mulheres construíam o seu futuro, com a capacidade que desenvolveram ao longo da sua aprendizagem.
A cada ano que passa fechamos os olhos às conquistas de Abril. Na maioria dos casos por míseros bónus, que nos alegram no momento levando-nos à felicidade precoce, mas são a arma venenosa com que entregamos a nossa honestidade aos chacais esfomeados prontos a devorar a nossa integridade.
A cada ano que passa somos vigiados ininterruptamente. Calcam-nos os calcanhares dia após dia, mês após mês. E nós, envolvidos num invisível colete-de-forças deixamo-nos cabisbaixos levar para longe do nosso ser e passamos a viver meios nómadas dentro do nosso próprio espaço, tutelados pelo sistema que ingenuamente deixamos paulatinamente absorver-nos.
A cada ano que passa deixamos de cantar Abril, de festejar Abril, de amar Abril!
Porque fomos influenciados por um sistema que paulatinamente foi ganhando vida através da doutrina trazida dos colégios invisíveis para o comum dos mortais. E nos lavaram o cérebro, purificando-o de ideologias próprias, com promessas ilusórias que nos afundaram num beco sem saída.
A cada ano que passa os heróis de Abril, não querem comemorações, para inglês ver!
Não querem cravos na lapela por um dia! Querem Abril todos os dias!
Abril na sua essência! Com Democracia, com Liberdade com Respeito e fundamentalmente com humildade! Porque Abril de 1974. Nasceu de homens e mulheres humildes e íntegros.
O 25 de Abril de 1974 desabrochou a Esperança. O 25 de Abril de 2010, ainda vai a tempo de iluminar a confiança. É só nós pretendermos!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Portugal a Desmembrar-se



Somos um país de conquistadores.
Lisboa foi o centro de todas as decisões numa época em que éramos uma potência, embora a história pura e simplesmente ignora.
Descobrimos o Brasil, trouxemos o bom e o melhor da Índia e assentamos lá arraiais durante longos anos.
Um português descobriu a América e agora outros mais ocupam cargos de relevância num mundo cada vez mais globalizado.
Fomos uma potência colonial e fizemos uma revolução sem derramamento de sangue, com cravos espetados nas armas que se mantiveram caladas.
Temos um português, presidente da Comunidade Europeia
Temos um presidente de um clube que é acusado de tudo e mais alguma coisa e na hora da verdade é ilibado de todas as acusações. Mas que colecciona medalhas e troféus.
Dois clubes portugueses ergueram com orçamentos de meia dúzia de tostões a tão cobiçada taça dos campeões.
Fomos os maiores no atletismo em corridas que levavam horas por homens e mulheres.
Existe o tratado de Lisboa, assinado na capital deste cantinho à beira-mar encostado à Espanha. E hoje todos os países europeus que fazem parte da CE, se regem por ele.
Ganhamos um Nobel e demos fumo branco a um Papa embora por pouco tempo, mas o suficiente para elevar Portugal.
Hoje andamos na boca de todo o mundo tentando-nos igualar à Grécia afundada nas catacumbas da falência.
Também somos falados por negócios onde o compadrio e a corrupção ameaça tornar-nos um país do terceiro mundo.
E os americanos que tudo sabem e nada lhes escapa. Levam Lisboa para bem longe do sitio onde nasceu!
Será que estamos a desmembrar-nos aos bocados e iremos parar aos quatro Continentes!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quem Paga Somos Nós




Inês de Medeiros foi uma aposta de Sócrates. E ela lá está como deputada, tendo o seu espaço e como todos nos apercebemos participando do seu grupo parlamentar, não só no seio da actividade socialista como também fazendo parte dos deputados escolhidos para as comissões de inquérito.
Só que a senhora vive fora do país e logo se levantou o imbróglio de quem iria custear as despesas das suas viagens.
Ela no seu pleno direito alegava que tinha que ser a Assembleia, na qual foi eleita nas últimas eleições e se tal não acontecesse poderia ponderar a sua renúncia. E durante uns tempos essa questão andou nas bocas de todos os deputados e não só, cabendo a decisão final ao presidente do organismo, que depois de ponderar e consultar a lei, optou por satisfazer as aspirações da deputada.
Pronto! Paga-se as viagens à senhora e ponto final neste caso que já se arrastava para um caminho de agitações políticas.
Estou quase a pegar na célebre frase de que quem paga milhares, também paga mais um ou dois e não é por aí que a barraca pode abanar.
Se quem a convidou já sabia que a senhora vive longe e como nos dias de hoje ninguém corre por gosto, é legitimo ser ressarcida pelos prejuízos que são causados, mesmo sabendo que vai ocupar um lugar que não é para qualquer um.
Só que quem vai ser o desgraçado a contribuir para custear mais esta despesa, será como sempre o pobre mexilhão, que já vê o país a dissipar-se com a nuvem poeirenta pelos caminhos infinitos do espaço e mais uma despesa será porventura mais rápida a entrada no infinito e mais além.
Com tantos crânios a levitar por esse país fora prontos a ocupar o mesmo lugar dessa senhora. Era legitimo pegar num deles e transforma-lo numa Inês de Medeiros tão ou melhor preparado e assim dar lugar a mais um desocupado e poupar uns bons milhares para os cofres estatais tão corroídos pela penúria.
Mas como somos um país de costas largas para o despesismo, lá andamos a pagar um saco cheio de euros a alguém quando poderíamos pegar nesse saco e distribuir por entidades que nem tem meios para se defender perante monstros que roubam a vida num abrir e fechar de olhos.
Como somos todos culpados porque fizemos nascer e dar tronco e membros à nova sociedade em que vivemos. Só temos que nos sujeitar a estas e outras barbaridades, de quem nos governa nestes já longos anos que paulatinamente foram materializando.
Temos o que merecemos e agora que mais uma comemoração do 25 de Abril está à porta. Ao menos nos faça reflectir para o caminho tão desviado que o país rumou, quando o sentido era bem outro. Depois de quarenta anos de consciências amordaçadas por um regime que tudo fazia para nos deixar presos à estagnação.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A Chuva Pregou-nos uma Bela Partida




Acabado o jantar lá vou numa passeata tomar o café ao centro da cidade, na esplanada onde todos se encontram e outros mais sabem que vão lá encontrar quem desejam. Porque isto em cidades pequenas é como as beatas à janela nos bairros a ver quem passa.
A esplanada estava composta, mas optei por ficar dentro do bar e fugir um pouco ao ruído das conversas rotineiras.
Conversamos uma horita, de vês em quando interrompidos por alguém conhecido, que parava e dava dois dedos de conversa de circunstancia.
Nisto é chegada a hora de regressar e para nosso espanto a chuva esperava-nos logo que a porta envidraçada se abre de lés a lés à nossa aproximação.
Sem guarda-chuva que nos protegesse principalmente à jovem que não podia molhar o cabelo já que de tão fininho que é, cola-se ao rosto e mais parece uma gata lambida. Arriscamos pensando que chuva de quase Verão não chega ao chão e toca a andar agarradinhos um ao outro.
Cinquenta metros a chuva aumenta e já se sente os caleiros a mostrar para que servem.
Como os prédios abrigam o que na rua já lava, pouco aflige e toca a reinar por entre carícias e risadinhas. Mas a chuva parecia fazer lembrar que, não perdes pela demora.
Pronto os prédios foram-se, agora chegamos à Avenida das escolas.
Aí a chuva esperava-nos. Parecia dizer: venham cá meus pombos que vos vou, virar pitos.
E assim foi! Trezentos metros de chuva a cair pelas orelhas abaixo. Levantava o pó do chão deixando aquele aroma no ar e caia certinha, uma chuva mijona irritante e que tinha chegado na pior altura.
Era caricato! Uma hora antes passávamos nesse mesmo lugar de mão dada. Eu de sandálias de Verão, armado em cidadão veraneante.
E agora, bem alargava o passo com os pés a fugir das sandálias, já bem húmidos deslizando para bem fora do cabedal. Com o dedo grande às turras nos paralelepípedos que não tinham nada que sair do buraco deles e que me obrigavam a dar uns gritos de dor e soltar uns impropérios nada usuais.
O cabelo mesmo molhado pingando pelas costas abaixo, nuns arrepios nada agradáveis, obrigavam-me a dar aos ombros para parar o escorrer dos pingos.
Mas ao entrar em casa, senti uma sensação única.
Já não me lembrava de apanhar assim um banho. Acho que só quando era garoto.
Apesar da chuva e das envolvências por ela causadas, vínhamos felizes num abraço carinhoso e de beijos meios molhados, rindo e curtindo completamente sós pela Avenida, numa chuva que abençoa quem se sente bem.

domingo, 18 de abril de 2010

O Domingo está no fim! Foi belo, foi lindo, foi simples, foi quente.



Foi belo. Cheio de sol com o mar em frente tão sereno, tão calmo. Que apetecia entrar água dentro e dar-lhe um abraço em forma de braçada e nadar até cansar, porque ao longe existe uma rocha que dava o descanso necessário, para o voltar.
Foi lindo. Cheio de sol numa esplanada repleta de pessoas que ora liam o JN. Ora liam o livro que seguem como companhia. Ora conversavam e olhavam pelos miúdos que já sentiam o calor a aquecer os bracitos. Eram corpos já praticamente descobertos, mostrando de uma vez por todas que paira no ar o saber a praia, sol e mar!
Foi simples. Percorrendo a marginal de mão dada numa transmissão de carinho que brota desde que juntamos os trapinhos. São metros e metros de uma ponta à outra da vila, num ambiente calmo e resguardado do mal.
Foi quente. Cheio de sol onde os banquinhos de madeira deram o descanso do caminhar já em plenas dunas, num passadiço serpenteado por entre quatro moinhos rodeados de uma cerca de corda bem grossa indicando propriedade privada. Em direcção ao restaurante, onde uma mão cheia deles, num ombro a ombro sem amizades pelo meio. Chamam os clientes num Domingo a abarrotar de comilões.
Pedi robalo garantidamente saído do mar ainda o Domingo não tinha aberto os olhos. Já é um costume este cantinho para almoçar ou jantar. E enquanto o peixe não chega, petiscamos uma chouriça assada partida em bocados e umas azeitonas pretinhas como a noite, com um branquinho bem fresco para empurrar este veneno que não mata, mas pode deixar marcas.
As pessoas acotovelam-se neste cantinho cheio de história com as paredes decoradas com os artefactos da pesca e garrafas mais velhas do que eu.
Uns enchem a sala, outros esperam cá fora pela sua vez. É, um toca a sair e outros a entrar. Muita fama dá para isto!
Ainda a tarde é uma criança saímos pelas traseiras da Cabana em direcção à praia só descendo o pequeno declive e zás estamos sentindo a areia fofa e caminhamos de encontro à frescura da água.
Damos dez passos e olhamos as nossas pegadas bem vincadas na areia molhada. Corro para trás e caminhando por sob as pegadas da minha jovem, encontro-a na ultima que me resta e deixo-me cair no seu corpo que me segura e num abraço terno beijamo-nos por fim.
Repetimos algumas vezes este ritual. Agora era a vez dela e percorremos uns bons metros neste clima feliz.
Chegamos por fim e sentados no paredão para retirar a areia dos pés, que seca é fácil. Voltamos para casa e como os filhos já se desenrascam, num almoço ao seu gosto, porque por cá não faltam botequins a cheirar a comida. Preparo-me para o meu Benfica enquanto o resto se regala nos computadores a falar com meio mundo que vive tão longe, mas que a Net junta tão pertinho do sonho deles.