quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Sondagem do Espaço da Inspiração



Começou por uma brincadeira e virou inquérito pessoal com ilações que merecem reflexão.
Cruzei-me com um colega e numa breve troca de impressões, a dada altura perguntei-lhe qual o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos.
Esperava tudo menos o que me respondeu!
Esperava até que me dissesse que o melhor era sair-lhe o Euromilhões, para dar vida aos seus sonhos e pintar de cor de rosa os ainda longos anos que lhe restam.
Mas não o homem disse-me simplesmente que o melhor para ele era o Benfica perder o campeonato Domingo, perante o seu público!
Fiquei estarrecido e olhei-o uns segundos meio parvo.
E ele voltou à carga: podes crer dava-me um gozo infinito. Ver aquele mar vermelho a afundar-se na escuridão infinita do oceano. Nesse momento era uma sucessão de orgasmos que teria!
Então resolvi dar uma volta pela zona onde moro e interpelar uma dúzia de conhecidos e como quem não quer a coisa perguntar: o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos.
Tudo o que não fosse benfiquista e eles são: portistas, sportinguistas, bracarenses e por aí fora. O seu maior desejo era o pesadelo para as águias, no seu próprio estádio com a festa já preparada em longas mesas alinhadas.
Numa manhã percorrendo uma Urbanização repleta de cafés e pastelarias como ervas daninhas. Descubro para meu espanto que, o melhor que poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos, a dezenas de pessoas numa espécie de sondagem para o Espaço da Inspiração! É o Benfica ficar com as calças na mão, deixando fugir o campeonato como peixe que se tenta agarrar só com uma mão.
Estamos perdidos!
O país a abarrotar de graves conflitos sociais e o povo que me rodeia a pensar no gozo de assistir ao morrer na praia do Benfica campeão.
Dizem eles que lhes dava uma adrenalina intensa que ajudava a esquecer o verão quente que aí vem, com as medidas impostas, que vai estorricar os miolos de muita gente.
Presumo que pelo país fora o sentimento é idêntico. E temos uma grande parte do povo português, a torcer como o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos. Era o Benfica terminar o jogo numa choradeira de desespero, perante ver fugir o Campeonato por entre as mãos e pés já adornados com o dístico português.
Como não acredito em milagres, milagres só na lua. O Benfica será campeão merecidamente e para bem do futebol português um campeão com um futebol à altura dos melhores da Europa.

Lisboa Não Altera a Taxa



Andamos de oscilações em oscilações, mandando no rumo deste país que acorda a espreitar a abertura da bolsa, roendo as unhas tamanho o nervosismo.
Almoçamos com as notícias da queda de dois degraus da mesma e a tentativa de nos colar à Grécia.
Jantamos com o resumo final do dia onde as novas são sempre velhas já que nunca recuperamos de um salto para nos situar no positivo. Mas sim, só recuperamos metade do que perdemos no dia anterior.
E deitamo-nos a fazer contas de cabeça, como iremos acordar (se conseguirmos dormir bem), para enfrentar mais um dia carregado de nuvens negras prontas a tocarem-se e descarregar as más novas que infelizmente já nos vamos habituando.
Todo este cenário enquanto procuramos fazer o dia-a-dia. Certinhos e direitinhos, porque pode vir mais uma vaga de tudo perder o pouco que anos a fio nos levou tanto a conquistar.
O Papa está a chegar e pode trazer a água benta tão necessária para benzer o país.
Precisamos de milhares de garrafões para chegar a todos os cantos. E como a água benta queima o diabo à solta. Assim iremos descobrir quem são os diabos que manipulam os sectores primordiais e escorraçá-los para o inferno que fica no deserto das aldeias beirãs com os casebres ao alto a lembrar o povo que já lá viveu.
Entretanto Lisboa será o centro das atenções da divulgação das novas taxas de juro que tudo indica, ficarão na mesma. Já que tudo se mantém tão mau que mexer na merda, pode dar um mau cheiro e chamar as vespas para obrigar os desafortunados a pagar o que já nem com os anéis podem amortizar. Porque já se foram tão rápido e cheios de memórias queridas, que só ficaram os dedos calejados de enxadas que pedem terra para alimentar o acreditar num futuro mais optimista.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Festa da Cidade Cria Euforia


Manhã fresca. Depois de um Domingo de festa cá em casa, onde se juntou dois casais que se conhecem como os tremoços. E os filhos com idade de se verem livres dos pais, mais dois amigos porque a cidade vive as festas anuais, que enchem qualquer canto de povo ávido por se distrair, fugindo assim aos problemas que cada um enfrenta neste momento de tremores quotidianos.
Acorda-se meio ressacado depois de se comer e beber tudo e mais alguma coisa, por entre conversas banais e recordar episódios rocambolescos. Já que a tarde foi pequena para esgotar o convívio, primeiro no meio dos feirantes a acotovelarem-se uns aos outros e muitos curiosos que compram tudo com os olhos, mas com a carteira vazia. E um barulho ensurdecedor, saído dos divertimentos tão barulhentos e dos pregadores aciganados com pulmões do tamanho de elefantes.
Depois a noite ia longa quando finalmente porque era mesmo necessário, cada um voltou ao seu lar e era a hora de deitar a cabeça um pouco zonza de tanta barafunda.
Festas e mais festas. Mas isto não está para festas!
Pensei eu, mas lá estou com um pouco de tudo que depois de sentados só lá saímos com tudo devorado.
O português come que se farta e bebe como uma esponja!
Na hora de dar um giro para tomar um café e apanhar um pouco de ar. Os quatro meio divertidos rua acima, lá seguimos para o Faria, que trazia recordações aos convidados que há muitos anos não lá punham os pés.
Enquanto caminhávamos, assistíamos à debanda dos cafés até então, repletos de adeptos depois do final do jogo. Em que o semblante era comedido já que nem a vitoria dos portistas dava fôlego para festejos, já que a época foi má de mais para ser verdade. Nem pelas bandas dos encarnados que adiaram a festa para que a Luz incendeie de uma vez por todas.
De regresso a casa para o copo final, já bem eufóricos e felizes. Recordamos vivências antigas na passagem pela casa onde fomos viver logo que casamos e com dois gritos a raiar a embriagues. Fizemos sair o antigo e amigo vizinho com a vassoura na mão assustado pela possível intromissão, mas logo sanada ao vislumbrar as figuras bem conhecidas que faziam de lampiões à entrada dos portões.
Agora a ressaca tende a atenuar para que o feriado municipal seja vivido com as romarias que reflectem a cultura das várias freguesias (e são 89), onde ainda se cruzam tradições e modos de vida, que pensávamos há muito tempo suprimidas.

Foi o Adiar da Festa



O empate era o meu palpite, que agradava a quem queria fazer desde já a festa.
Esteve bem distinguido primeiro no relvado que dava justeza ao ombro a ombro de duas equipas com pensamentos diferentes.
Uma apostava na vitória para apagar recentes memórias.
E a outra apostava no menos mal que era o empate, para garantir desde logo a festança.
Durante alguns minutos no ecrã gigante que protege do vento de uma das aberturas do dragão. O empate era bem legível, levando muitos espectadores a vaticinarem como resultado final. Mais a mais com o Porto reduzido a dez, parecia um mal menor, para quem poderia tudo arriscar e nada alcançar.
Mas durou pouco e o Porto ainda o Benfica vivia sob o sabor do golo que dava o pensamento da festa. Voltou à dianteira no marcador e aí o sonho terminou!
O Benfica foi às cordas e levou mais um soco. Terminando o jogo a pensar que a ultima jornada será a garantia do soltar da rolha do champanhe que ainda se encontra amordaçado na arca dos gelados.
O Porto venceu mas pouco lucrou a não ser a vitória merecida sobre o futuro campeão. Já que só lhe garantiu a consolidação do terceiro lugar. Tão longe do lugar que anos seguidos foi seu e ainda mais longe dos milhões que ano a pós ano amealhou.

domingo, 2 de maio de 2010

O Campeonato Está a Chegar à Hora H


Um Porto - Benfica é a cereja em cima do bolo para que a festa atinja a plenitude.
Será um duelo onde as contas a ajustar é a prioridade de um dos lados.
Esse mesmo lado irá lançar os foguetes.
Quererá vê-los rebentar espalhando toda a beleza numa espécie de cogumelo às cores.
E tem a certeza que apanhará as canas, encerrando os festejos da melhor forma possível.
Foram meses de espera e é chegada a hora de mostrar que quem perde uma batalha não é sinónimo de perder a guerra.
O palco está engalanado. Não se descurou nenhum pormenor para que a festa seja um sucesso!
Os convidados foram escolhidos a dedo, embora o adversário tenha direito de se apresentar com as bandeiras e os cânticos que darão no seu entender o incentivo eficaz para atingir o objectivo pretendido.
Mas quem é anfitrião assume toda a grandiosidade da festa!
E não querendo perder o protagonismo normal que a jornada lhe proporciona. Tratou de abafar os incipientes rasgos de incentivos dos visitantes e promete um espectáculo de arromba. Com cor, alegria e se for preciso umas achas de ferocidade para encolher quem se quer por de corninhos de fora.
O espectáculo irá iniciar-se com a noite a encobrir o país e todos os espectadores, já com a barriguinha cheia de comes e bebes e ansiedade pelo meio. Irão se prostrar de olhos esbugalhados em frente do canal dos ricos, para decidir ou não o campeão nacional.
É disto que o nosso povo gosta futebol cheio de adrenalina!
Um clube fanaticamente em torno de um região, vai receber uma nação com adeptos mesmo em Cantão.
O anfitrião joga a honra e como disse o ajustar contas devidas em episódios passados.
O visitante goza de ser a melhor equipa do momento e como tal pode decidir o campeonato a qualquer momento.
Espera-se pulso forte em todas as vertentes.
Claques bem comandadas desde o ajuntamento, até ao recolher.
Arbitragem isenta e coerente.
Jogadores inteligentes e virados só para o que sabem fazer.
E para ninguém se ficar a rir, embora chegue para mais cedo a realidade ser evidente. Um empate une toda a gente, depois dos comentários ainda a quente.

sábado, 1 de maio de 2010

1º De Maio dia do trabalhador



Dia de quem labuta pelo sustento diário para acalmar as bocas insaciáveis que nos enchem o lar.
Dia que relembra a luta dos trabalhadores muitos anos antes, contra a escravatura e pela conquista de melhores condições laborais. Muitos deles pagaram com a vida, numas mortes que deram frutos para alimentar melhor, quem continuou a lutar por mais e mais remuneração do seu trabalho, que faziam ao longo dos seus dias.
Hoje o primeiro de Maio é ensombrado pelo desemprego que ameaça ruir uma estabilidade social presa por arames.
São já milhares que pululam de empresa em empresa para procurar trabalho e garantir com o carimbo da mesma que estão lá para conseguir o que hoje se está a tornar quase impossível.
Não existe trabalho para todos os que estão desempregados e nesta realidade caminhamos até rebentar a bomba que é como quem diz acabar o saco dos subsídios e lançar para a rua mais bocas sedentas de dinheiro para alimentar quem tem em casa e tudo fará para o conseguir mesmo que para isso force o esticão aos desprevenidos.
Hoje o primeiro de Maio arrasta a angústia de quem já não tem emprego, porque tempos houve que esses milhares vinham para a rua festejar o dia dele porque se sentiam trabalhadores e hoje carregam o semblante de desempregados.
Talvez por isso, muitos deles juntamente com os restantes que ainda se levantam dia a dia, para picar o cartão e não estão livres de um dia para o outro ficarem na mesma situação. Utilizem o primeiro de Maio, não para festejar. Mas sim para lutar contra o desemprego e interrogar os governantes alto e em bom som. Pelas soluções no combate ao desemprego e diminuir a aflição de quem já se vê incapaz de lutar contra as portas fechadas das empresas deste país.
Ainda por cima com o já anunciado corte nos subsídios, sempre uma das muitas soluções que os políticos descobrem para recuperar o país. É só estalar os dedos e pum. Já está!
Quem paga as favas são sempre os do costume. É como bater no ceguinho.
E todos nós nos deixamos levar com o rolo da massa bem em cima dos custados, porque somos os pobres desgraçados que alimentamos o canhão que precisa de carne para resolver as incapacidades dos nossos governantes, mais virados para o compadrio e muitos deles mergulhados em corrupção já tão nítida que alimenta as primeiras páginas de todos os jornais do país.
Não temos quem nos governe. Não temos em quem confiar. Não temos horizontes para o futuro.
O primeiro de Maio é comemoração de grandes conquistas do passado.
Esperemos confiadamente que traga ainda o rastilho da insatisfação popular e incendeie as tochas que iluminaram o caminho da esperança. Porque o primeiro de Maio tem que ser recordado sempre, porque é o dia do trabalhador!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Português Mourinho




Mourinho remoeu dias e dias, falando para a almofada enquanto não pregava olho e questionando os seus botões em farpelas valendo o seu peso em ouro que tinha chegado a hora do tudo ou nada!
Tinha chegado o momento crucial de se dúvidas houvesse quanto ao seu valor, era chegado o momento de por em prática o seu potencial que ameaçava romper todas as barreiras, mas que ainda subsistiam algumas arestas a ser limadas para que o seu poderio invadisse como um vulcão e inundasse o mundo de lés a lés.
Nada melhor que enfrentar a melhor equipa que tudo tinha ganho com a facilidade que todos presenciamos já que possuía os melhores jogadores que todos ambicionam.
O momento chegou e adrenalina despontou!
Os resultados assumem tamanha relevância quando se transformam num caso pessoal!
Mourinho mais do que tudo queria vencer!
Queria vencer a melhor equipa do mundo!
Queria vencer Guardiola, técnico ainda jovem mas ameaçando ombrear com ele!
E o vencer, representava caso houvesse dúvidas, que é o único a carrilar o Real Madrid para o lugar a que tem direito. Um sonho de muitos mas ao alcance de um ou dois na vertente da grandiosidade deste clube.
Por isso antes do Inter de Milão, estava Mourinho com a sua sede de provar que é o melhor!
A esta hora os jogadores do Inter confessam que nunca tinham sido sujeitos a um massacre do princípio ao fim. São jogadores talhados à imagem de Mourinho, autênticas formigas incansáveis na procura do êxito, comandados pelo general, fonte de inspiração e mentor das suas projecções.
O acesso à final para Mourinho é mais um marco como espelhou no final, quando autentico miúdo se pôs aos saltos em pleno relvado. Desafiando quem duvidava da sua capacidade em vergar os extraterrestres da bola e vai esperar a final, onde se irá se resguardar no balneário, para aí sim serem os jogadores a receber sob os holofotes da glória, o prémio mais que merecido.
Quem gosta de futebol sabe que o Inter só passou porque pôs o autocarro em frente da baliza, mais se assemelhando a um clube aterrorizado pelo papão que tem pela frente. São armas a que Mourinho e os seus discípulos não tinham alternativa em usar para baquear quem se auto proclamava em ser o maior. E o facto é que um muro em betão repele qualquer iniciativa em perfurar a passagem e no final, os últimos minutos de uma etapa subida, degrau a degrau, estão aí à porta bem perto da fama que pode estar mesmo ao virar da esquina.
Neste momento a agitação em segurar Mourinho na continuação de um campeonato que está para Mourinho como um deserto sem fim à vista em matéria de adrenalina, como é o caso do italiano. Não vai ter paralelo com o aceno de um convite a raiar a loucura como bem pode ser o espanhol, hoje em dia o mais cativante de todos.
Por isso Mourinho já venceu em todas as frentes e que o deixa a afastar os sonhos e a estudar a realidade que só a ele diz respeito. E o sim, ou não, é o resultado final que milhões de mentes esperam descobrir como uma pepita encontrada bem no coração da terra, que se farta de dar indícios, mas que se fecha a sete chaves para abrir o caminho.
Mas como os resultados são o cerne da questão, porque o espectáculo é no circo, Mourinho lá continua na senda dos êxitos, o que lhe dá um enorme gozo naquele corpo franzino, mas repleto de valor que não tem seguidores.