segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Festa Terminou




Os foguetes foram apanhados, depois de uma festa de arromba. E os cachecóis estão bem arrumados nos cabides à entrada. É hora de preparar a nova época com tempo de preencher os sectores mais débeis e acreditar em Jesus. Um Messias ressuscitado depois de pregar na cidade dos arcebispos. Onde a Paciência excedeu os limites.
Mas por agora é virar o pensamento para a semana que está a iniciar e é hora de voltar a olhar em frente para as lombas que estão atravessadas no nosso caminho e poderem ser ultrapassadas com mais ou menos dificuldade sabendo da necessária redução da velocidade.
Velocidade essa, que foi fixada na tolerância zero depois do anúncio do ministro das finanças mais uma vez longe do nosso país, anunciar o que tinha prometido não o fazer. Levando, nós que o escutávamos via Bruxelas, pensar ter sido pressionado pelos mandões dos 27, a preparar o povo português a mais uma medida de caixão à cova.
A cada semana que passa novas medidas de austeridade avançam e como povo bem comportado, lá engolimos em seco e de lábios trilhados, continuamos a matar a sede nas fontes contaminadas de impurezas sociais que nos levam a só ter ossos numa anorexia sem fim à vista.
Desta vez, diz um reputado líder parlamentar que o governo aproveitou a euforia vitoriosa benfiquista e a vinda do Papa que está a bater à porta, como o trampolim do anúncio da medida de aumentar os impostos.
É uma estratégia! Enquanto o povo esfrega o olho de emoção. O governo lança medidas de sufocação. Aproveitando a maré vermelha e amarela que invade o país.
A seguir vem o Mundial e num brilharete da Selecção. O governo lança outra medida que nesse momento escapa à compreensão do povo, mais preocupado com o estender das bandeiras nas varandas e os abraços estéricos dos golos que avançam a Selecção rumo às meias-finais.
E é nisto que vamos vivendo!
BOLA, BENTO e mais BOLA!

domingo, 9 de maio de 2010

O Benfica Transpôs as Portas Reservadas aos Dragões




Acabei de o ver num local pouco habitual, para fugir aos comentários de treinadores de bancada. E viver o momento sossegado, porque não gosto de gritarias e angústias em redor.
Vivi de dentro para dentro. Sozinho na mesa a cheirar a tostas mistas e cervejas minis.
Jogo com adrenalina e desta vez Cardoso tocou na bola três vezes e marcou dois golos, passeando até ao centro do terreno a balouçar a camisola tendo o árbitro à espera para lhe amarelar como mandam as leis e observar Cardoso a vestir de novo a camisola com os peitorais da moda. Que chegou para encher o caneco com que venceu o tiro ao alvo.
A festa rolou calma em pleno relvado da luz. O Rio Ave fez o seu papel, defendendo bem como é seu hábito e nas duas únicas vezes que chutou à baliza fez um golo.
E como logo, logo, repusemos o normal das coisas, isto é, o resultado a pender para quem merecia. O tesão das ovelhas negras logo se foi num afundar tipo balão quando perde o ar. E era de meter dó, aquelas caras matraquilhadas de desilusão.
Desta vez o Braga esqueceu-se que primeiro tinha que cumprir a sua obrigação e só depois sonhar com a cereja no bolo. E como o Braga não teve a ajuda dos deuses de preto e guarda-redes que entregam o ouro ao bandido. Chegou-se ao fim do jogo e do campeonato com um vencedor justo e com a normalidade a prevalecer num campeonato que a meu ver tinha um justo vencedor e um galgo perseguidor que ameaçava roer os calcanhares.
A partir de agora a festa está aberta até que falte a voz. E até quem caia para o lado num mar de vermelho que engole o país inteiro.
Festa vermelha. Fogo-de-artifício a iluminar a noite que é toda ela benfiquista!

sábado, 8 de maio de 2010

A Semana de todas as Emoções



Vai ser uma semana a cheirar a Papa e ver o Papa!
O Papa vem e com ele vem a esperança. Será esta a mensagem expressa nos olhos e bocas dos padres, dos bispos e patriarcas cá do sítio.
Entretanto os pormenores são levados até ao limite e não olhando a despesas como é timbre dos portugueses, que tiram à boca sua e dos filhos, para oferecer à igreja que só os ilumina quando cheira a oferendas. Serão gastas milhões de caixas de esmolas e muitos milhares do erário público para que o Papa desfrute do bom e do melhor, enquanto permanecer neste país a cheirar à banca rota, mas não olhando a meios para que Sua Santidade descanse e alivie os intestinos em mobiliário revestido de ouro fino.
No meio destas mordomias todas, a cheirar a país terceiro mundista. Temos centenas e centenas de pessoas a doar todo o seu esforço num voluntariado de noites em claro para em oferendas ao Papa justificar a sua fé e lisonjear-se por serem escolhidas e agraciadas por tal escolha.
Ao invés, temos os aproveitadores que são escolhidos a dedo para encherem os bolsos, os deles e os dos que os escolheram, num carrossel que já não espanta, tamanha é a festa por eles protagonizada diariamente que o país já se acostuma como fazendo parte do dia-a-dia.
Por isso iremos ter um altar para Sua Santidade dar a missa, para milhares de olhos que há horas o esperam. E milhões e milhões que a televisão leva até ele. No Valor de matar um simples vírus em África para salvar tantos pretinhos que tombam como moscas, por falta de uma simples vacina.
A Sociedade é perita nestas desvairadas diferenças e gasta o que tem e não tem, ficando a dever ao vizinho que vai buscar aos contribuintes. E deixa esquecido no mato onde os insectos picam como granadas perdidas, milhões de molequinhos que nem chegam a conhecer o primeiro passo que para nós a vida tão longa nos oferece e a eles por falta de meio lhes fecha esse caminho.
Afinal o que vem cá o Papa fazer?
Milagres, não serão de certeza!
Porque o homem não é nenhum Cristo, nem para lá caminha e já não é muito, dada a idade avançada que carrega naqueles ombros.
O Papa desloca-se a Portugal num momento delicado para a igreja e nada melhor que Portugal e principalmente Fátima o principal palco de fé de toda a Europa e mundial. Para o Papa se encontrar com o alivio da sua cruz que carrega em virtude dos seus seguidores terem metido o pé numa enorme possa e violentando a honra e a pureza de crianças indefesas.
Nada melhor que o local onde a virgem apareceu para que o Papa, quem sabe iluminado pela mão espírita da virgem se engrandeça na humildade do seu antecessor e junte o enorme rebanho que tem à sua guarda, rebocando as ovelhas tresmalhadas e indique um só caminho para esse imenso mar de gente sem sentido de orientação.
Serão três dias de oração num país a abarrotar de cristãos e sedentos de soluções para a melhoria das suas vidas e acredito, muitos deles a pedir um milagre a Deus que lhes enviou o seguidor da igreja do seu filho Jesus Cristo o salvador.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Sondagem do Espaço da Inspiração



Começou por uma brincadeira e virou inquérito pessoal com ilações que merecem reflexão.
Cruzei-me com um colega e numa breve troca de impressões, a dada altura perguntei-lhe qual o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos.
Esperava tudo menos o que me respondeu!
Esperava até que me dissesse que o melhor era sair-lhe o Euromilhões, para dar vida aos seus sonhos e pintar de cor de rosa os ainda longos anos que lhe restam.
Mas não o homem disse-me simplesmente que o melhor para ele era o Benfica perder o campeonato Domingo, perante o seu público!
Fiquei estarrecido e olhei-o uns segundos meio parvo.
E ele voltou à carga: podes crer dava-me um gozo infinito. Ver aquele mar vermelho a afundar-se na escuridão infinita do oceano. Nesse momento era uma sucessão de orgasmos que teria!
Então resolvi dar uma volta pela zona onde moro e interpelar uma dúzia de conhecidos e como quem não quer a coisa perguntar: o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos.
Tudo o que não fosse benfiquista e eles são: portistas, sportinguistas, bracarenses e por aí fora. O seu maior desejo era o pesadelo para as águias, no seu próprio estádio com a festa já preparada em longas mesas alinhadas.
Numa manhã percorrendo uma Urbanização repleta de cafés e pastelarias como ervas daninhas. Descubro para meu espanto que, o melhor que poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos, a dezenas de pessoas numa espécie de sondagem para o Espaço da Inspiração! É o Benfica ficar com as calças na mão, deixando fugir o campeonato como peixe que se tenta agarrar só com uma mão.
Estamos perdidos!
O país a abarrotar de graves conflitos sociais e o povo que me rodeia a pensar no gozo de assistir ao morrer na praia do Benfica campeão.
Dizem eles que lhes dava uma adrenalina intensa que ajudava a esquecer o verão quente que aí vem, com as medidas impostas, que vai estorricar os miolos de muita gente.
Presumo que pelo país fora o sentimento é idêntico. E temos uma grande parte do povo português, a torcer como o melhor que lhe poderia acontecer nesta fase de tantos altos e baixos. Era o Benfica terminar o jogo numa choradeira de desespero, perante ver fugir o Campeonato por entre as mãos e pés já adornados com o dístico português.
Como não acredito em milagres, milagres só na lua. O Benfica será campeão merecidamente e para bem do futebol português um campeão com um futebol à altura dos melhores da Europa.

Lisboa Não Altera a Taxa



Andamos de oscilações em oscilações, mandando no rumo deste país que acorda a espreitar a abertura da bolsa, roendo as unhas tamanho o nervosismo.
Almoçamos com as notícias da queda de dois degraus da mesma e a tentativa de nos colar à Grécia.
Jantamos com o resumo final do dia onde as novas são sempre velhas já que nunca recuperamos de um salto para nos situar no positivo. Mas sim, só recuperamos metade do que perdemos no dia anterior.
E deitamo-nos a fazer contas de cabeça, como iremos acordar (se conseguirmos dormir bem), para enfrentar mais um dia carregado de nuvens negras prontas a tocarem-se e descarregar as más novas que infelizmente já nos vamos habituando.
Todo este cenário enquanto procuramos fazer o dia-a-dia. Certinhos e direitinhos, porque pode vir mais uma vaga de tudo perder o pouco que anos a fio nos levou tanto a conquistar.
O Papa está a chegar e pode trazer a água benta tão necessária para benzer o país.
Precisamos de milhares de garrafões para chegar a todos os cantos. E como a água benta queima o diabo à solta. Assim iremos descobrir quem são os diabos que manipulam os sectores primordiais e escorraçá-los para o inferno que fica no deserto das aldeias beirãs com os casebres ao alto a lembrar o povo que já lá viveu.
Entretanto Lisboa será o centro das atenções da divulgação das novas taxas de juro que tudo indica, ficarão na mesma. Já que tudo se mantém tão mau que mexer na merda, pode dar um mau cheiro e chamar as vespas para obrigar os desafortunados a pagar o que já nem com os anéis podem amortizar. Porque já se foram tão rápido e cheios de memórias queridas, que só ficaram os dedos calejados de enxadas que pedem terra para alimentar o acreditar num futuro mais optimista.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Festa da Cidade Cria Euforia


Manhã fresca. Depois de um Domingo de festa cá em casa, onde se juntou dois casais que se conhecem como os tremoços. E os filhos com idade de se verem livres dos pais, mais dois amigos porque a cidade vive as festas anuais, que enchem qualquer canto de povo ávido por se distrair, fugindo assim aos problemas que cada um enfrenta neste momento de tremores quotidianos.
Acorda-se meio ressacado depois de se comer e beber tudo e mais alguma coisa, por entre conversas banais e recordar episódios rocambolescos. Já que a tarde foi pequena para esgotar o convívio, primeiro no meio dos feirantes a acotovelarem-se uns aos outros e muitos curiosos que compram tudo com os olhos, mas com a carteira vazia. E um barulho ensurdecedor, saído dos divertimentos tão barulhentos e dos pregadores aciganados com pulmões do tamanho de elefantes.
Depois a noite ia longa quando finalmente porque era mesmo necessário, cada um voltou ao seu lar e era a hora de deitar a cabeça um pouco zonza de tanta barafunda.
Festas e mais festas. Mas isto não está para festas!
Pensei eu, mas lá estou com um pouco de tudo que depois de sentados só lá saímos com tudo devorado.
O português come que se farta e bebe como uma esponja!
Na hora de dar um giro para tomar um café e apanhar um pouco de ar. Os quatro meio divertidos rua acima, lá seguimos para o Faria, que trazia recordações aos convidados que há muitos anos não lá punham os pés.
Enquanto caminhávamos, assistíamos à debanda dos cafés até então, repletos de adeptos depois do final do jogo. Em que o semblante era comedido já que nem a vitoria dos portistas dava fôlego para festejos, já que a época foi má de mais para ser verdade. Nem pelas bandas dos encarnados que adiaram a festa para que a Luz incendeie de uma vez por todas.
De regresso a casa para o copo final, já bem eufóricos e felizes. Recordamos vivências antigas na passagem pela casa onde fomos viver logo que casamos e com dois gritos a raiar a embriagues. Fizemos sair o antigo e amigo vizinho com a vassoura na mão assustado pela possível intromissão, mas logo sanada ao vislumbrar as figuras bem conhecidas que faziam de lampiões à entrada dos portões.
Agora a ressaca tende a atenuar para que o feriado municipal seja vivido com as romarias que reflectem a cultura das várias freguesias (e são 89), onde ainda se cruzam tradições e modos de vida, que pensávamos há muito tempo suprimidas.

Foi o Adiar da Festa



O empate era o meu palpite, que agradava a quem queria fazer desde já a festa.
Esteve bem distinguido primeiro no relvado que dava justeza ao ombro a ombro de duas equipas com pensamentos diferentes.
Uma apostava na vitória para apagar recentes memórias.
E a outra apostava no menos mal que era o empate, para garantir desde logo a festança.
Durante alguns minutos no ecrã gigante que protege do vento de uma das aberturas do dragão. O empate era bem legível, levando muitos espectadores a vaticinarem como resultado final. Mais a mais com o Porto reduzido a dez, parecia um mal menor, para quem poderia tudo arriscar e nada alcançar.
Mas durou pouco e o Porto ainda o Benfica vivia sob o sabor do golo que dava o pensamento da festa. Voltou à dianteira no marcador e aí o sonho terminou!
O Benfica foi às cordas e levou mais um soco. Terminando o jogo a pensar que a ultima jornada será a garantia do soltar da rolha do champanhe que ainda se encontra amordaçado na arca dos gelados.
O Porto venceu mas pouco lucrou a não ser a vitória merecida sobre o futuro campeão. Já que só lhe garantiu a consolidação do terceiro lugar. Tão longe do lugar que anos seguidos foi seu e ainda mais longe dos milhões que ano a pós ano amealhou.