quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Sexta Etapa e Última



O dia da consagração!
O dia que encerrava um ciclo e abria outro que nos vai desabrochar o lado espiritual.
Dormimos ainda menos do que o costume e saímos logo em direcção aos doze quilómetros que faltavam para chegar ao cerne da questão. Nada mais, nada menos que o clímax da emoção.
Foram três horas de caminhada sem parar!
A pressa em chegar suplantou a necessidade em parar para recuperar forças.
Caminhamos uma hora onde a noite ainda dormia e por isso mal víamos o chão que pisávamos.
Iniciamos junto ao marco que assinalava os 12,495km e a cada mudança de direcção ele lá estava a dar-nos a informação.
Era um desalento saber que só se tinha caminhado duzentos metros, quando aparecia o marco a indicar-nos a direcção e os metros que faltavam para chegar ao céu de Compostela.
Claro que isso só acontecia porque estávamos ainda dentro da periferia e logo que entramos campos a dentro, só aparecia quilómetro a quilómetro.
Não ia lá muito bem, faltava-me o café para despertar e como desta vez o prior dispensou o briefing matinal, deixou-nos à nossa sorte, para que cada um imaginasse o momento à sua maneira.
Caminhei praticamente em silêncio num encontro comigo próprio, fazendo um balanço destes dias e preparando-me para entrar na Catedral, numa de descobrir se sentia tudo aquilo que os colegas que já participaram sentiram.
Depois de uma subida que nada custou em relação às que já transpusemos, o marco indicava 3,250km e num falta pouco, avistamos a Catedral no meio de um emaranhado de prédios, que fazem crescer a cada dia que passa Compostela cidade de culto e comercio.
Aí vamos nós para os últimos quilómetros. Damos uma grande volta para passar a linha férrea e de olhos postos na cidade nem nos apercebemos que o grupo caminha em fila indiana, o que originava uma fila tão longa que os últimos ainda não atingiram o sopé da subida.
Como tempo não falta para descansar na cidade antes de entrarmos na Catedral, continuamos e mantivemos o nosso ritmo.
Por fim as portas da cidade estão abertas para estes quase oitenta peregrinos.
Mas ninguém nos recebe, ainda são oito horas de domingo e ninguém está cá fora para nos ver passar.
Tudo fechado! Não se vislumbra viva alma!
Queremos um café. Queremos um café, gritamos para dentro e nada se encontra aberto.
Entramos na comprida avenida e por fim duas portas abertas de par em par, são a primeira alegria do dia.
Um solo logo de seguida para abrir os olhos já tão cansados de bem abertos para olhar o caminho que a noite teimava em esconder.
Uma torrada do tamanho da mão do professor que enfeita a rotunda onde eu perto moro. E mais um solo para de uma vez por todas, deixar a ressaca de sono bem longe de Santiago que está próximo, muito próximo. Foram o consolo para me sentar no jardim onde o prior nos esperava com um sorriso de orelha a orelha, como a dizer; estamos tão próximo peregrinos, estamos tão próximos.
Nesse mesmo jardim já se encontrava os jovens acabados de fazer também os caminhos até Finisterra, numa distância de oitenta quilómetros e como muitos eram filhos de colegas que fazem parte do nosso grupo, foi uma alegria pais e filhos juntarem-se na cidade onde todos iriam ter a sua glória.
Acertamos pormenores enquanto fazíamos horas para entrar na Catedral. Ensaiávamos os cânticos, ouvíamos as leituras da missa, porque como eram em espanhol assim tínhamos o privilégio de ter uma noção da mensagem de cada leitura.
E pronto! Chegou a hora para avançar e entrar na praça, seguindo pela última vez o nosso incansável líder.
Cantávamos sem cessar embalados pelo entusiasmo enorme do António, embora rouco mesmo assim a sua voz ouvia-se dando o clique para o seguirmos.
Foi lindo, bem lindo. Esta nossa entrada!
As pessoas que já se encontravam na praça abriam alas e muitas delas de câmara de filmar guardavam o testemunho à nossa passagem e noventa almas cantando sem parar, davam a primeira alegria a uma praça que não parava de se encher.
Entramos na catedral a rebentar pelas costuras.
Eram peregrinos dos quatro cantos do mundo e como já não havia um único lugar para sentar, o remédio foi mesmo aproveitar os cantos para descansar um pouco enquanto assistíamos à primeira missa do dia.
Terminada a missa, logo ocupamos os lugares das pessoas que já se iam e esperamos uma hora para assistir à grande Eucaristia, presidida pelo arcebispo de Sevilha.
Foi com grande emoção que assistimos a uma nossa colega, ter o privilégio de ir ler a primeira leitura em português no meio de uma multidão onde os serviços em espanhol, galego, italiano, inglês e latim. ... Ditavam leis.
A jovem bem o mereceu e no final não conteve a emoção e deixou-se cair nos braços do marido, aturdido com tamanha sensação.
O prior também assumiu um lugar no altar-mor, como merecimento por conduzir um grupo volumoso com palavras de abrir os corações e cajado para impor as condições. Grupo esse, que iniciou esta cruzada respirando curiosidade e terminou-a emocionado com a grandiosidade da fé.
Mas a missa continuava por entre cânticos ensaiados que davam uma mística à Catedral visto que a multidão acompanhava, envolvendo o enorme espaço em ecos líricos a desabrochar por todos os lados.
A comunhão foi um enorme encontro com Cristo, porque muitos fiéis fizeram parte dela. Eu inclusive comunguei na missa da chegada e nesta, tamanha a minha estreita união com este momento único até agora.
A Eucaristia caminhava para o seu final e mesmo o longo tempo que já tinha passado dentro desta inigualável Catedral, não trazia cansaço algum, pelo contrário, era um prazer partilhar estes belíssimos momentos.
O ponto alto, ou seja mais um, é quando o gigantesco defumador é aceso.
Um ritual que ombreia com a visita a Santiago e que deixa todos de olhos em bico.
São momentos fantásticos assistir ao vai e vem, numa pequena distância que vai aumentando enquanto vai; subindo, subindo e subindo. Alcançando quase as duas extremidades da Catedral, bem por cima das nossas cabeças. Controlado por vários homens que lhe dão o movimento preciso para que ele alcance o objectivo pretendido.
Por fim regressa ao ponto de partida reduzindo a velocidade, enquanto desce no mesmo vai e vem com que iniciou a subida.
É um regalo e centenas de máquinas registam o maravilhoso momento.
Depois desta oportunidade a Eucaristia termina logo de seguida, esperando só o cântico final.
E nós previamente avisados, logo que ele termina cantamos nós o que não é permitido.
Sob a direcção mais uma vez do António, homem dos sete ofícios no que ao canto diz respeito Foram minutos loucos cantar para nós e tendo uma multidão a assistir.
A segurança bem tentava que terminássemos com aquilo, mas só no fim de repetirmos é que demos um final a esta cerimónia que fica registada bem no fundo dos nossos corações.
Saímos para a praça e abraçamo-nos afectuosamente por esta Caminhada ter um fim tão apoteótico, que justificou de longe todo o esforço por que passamos.
Do inicio em Barcelos bem dentro do coração da Matriz, até aqui em Compostela tudo estava terminado. Restava o regresso ao local da confraternização onde com o carinho dos familiares deu-se inicio ao repasto e aos discursos da praxe.
A meio da tarde regressei para junto da família, numa viagem massacrada pelo intenso calor, mas aliviada pelo fresco da fé, ainda tão vivo no meu espírito.
Foram etapas que aumentavam, a cada ultrapassada, o meu grau de fé vincada no peregrino.
Penso voltar numa próxima oportunidade, conhecendo outras pessoas e embora percorrendo os mesmos caminhos, veja neles mais motivos para engrandecer a minha auto-estima e a minha fé.
Só me resta esperar pelo encontro final de Sábado, onde faremos o ponto de situação desta experiência memorável e daremos por concluído este:
“Caminhando a pé para encurtar a distância
Entre mim e….
O meu Eu….
O dos outros, o do outro….

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Quinta Etapa




Umas horas de sono retemperou as forças e as mentes. E depois da breve alocução do prior onde destacou a singularidade de esta ser a ultima etapa, esperando nós para o dia seguinte a consagração triunfal de uma jornada a todos os níveis fantástica. Pusemo-nos a caminho agora sim, todos juntos, com o lema bem actual – Quem é a igreja para mim?
Com o líder bem na frente, batendo o cajado nas pedras polidas pelos milhares de pés que as calcaram há centenas e centenas de anos. Lá partimos natureza a dentro e com a noite ainda presente.
O silêncio imperava e a caminhada era regulada pelos bateres dos cajados que muitos de nós carregava.
As aves acordavam com a nossa chegada. Éramos mais quinze e todos misturados seguíamos os passos do líder, olhando a inclinação do terreno logo bem ao nosso lado e seguindo o riacho que nos acompanhava durante alguns minutos.
Duas horas caminhamos, sem muitas conversas e inclinados para dentro do nosso, eu. O caminho já percorrido mudou a nossa forma de ser. Agora éramos mais peregrinos e mergulhávamos por largos momentos na fé que muitos procuravam como o sinal esperado, desde que puseram pés ao caminho.
A dada altura num recanto onde só se ouvia a água, o pastor parou o seu rebanho e juntando-o à sua volta convidou-o a aprender a rezar o terço.
Formou grupos de cinco e cada um de nós rezava um mistério pedindo uma intenção. Era nesses momentos que cada um sentia de uma forma emocionada o apelo enviado para alguém que lhe era muito querido, tentando deste modo que as suas preces fossem ouvidas, num clima de partilha espiritual.
Foi um momento único! Setenta e cinco pessoas absorvidas a rezar o terço. A cada mistério o prior fazia uma paragem e recapitulava cada passo do mistério seguinte e grupos de cinco com intervalos de poucos metros, criaram uma procissão peregrina e levaram as palavras para bem dentro delas e para bem dentro da atmosfera tão verde e cheia de vida que nos rodeava.
A primeira pausa refrescou a nossa sede e o café deu luz ao despertar.
Enchemos o pequeno café espanhol e esgotamos em poucos minutos o pão e os bolos que o café tinha para o dia todo.
Era uma roda-viva para o casal que se encontrava dentro do balcão.
Depois de carimbar a credencial que iria servir de prova como tínhamos realmente feito os Caminhos. Atiramo-nos estrada fora e perante o dia fresco que nos consolava, serpenteamos meia dúzia de casas onde de pessoas nem vê-las, ainda dormiam porque o dia mal tinha nascido e como companhia só tínhamos constantemente o ladrar dos perros. Muitos portões tinham a placa dizendo “Cuidado com el perro!”
Aproveitamos para relaxar um pouco e dar dois dedos de conversa com quem nos acompanhava naquele momento.
No grupo onde sobressaiam as mulheres em maior numero e como tal cientes que eram elas as obreiras da fé, sobressaiam meia dúzia de peregrinos.
Tínhamos as manas, onde uma puxava pela outra. Numa união de ajuda a justificar a finalidade desta caminhada. Eram amigas mas muitos pensavam que eram irmãs.
No primeiro quilómetro, lá iam elas junto aos primeiros, mas depois passados dois, ou três. O sofrimento acabava por obrigar a outra a não suportar o resto do caminho e recolhia-se no apoio sempre presente o que aliviava a outra mana para fazer a sua caminhada. Mas é de realçar o seu esforço que a levou no final a fazer toda a etapa.
O Luís o bombeiro de serviço pronto para apagar todos os fogos. Homem já batido nestas andanças acorria a quem custava as subidas e de braço metido, ajudava a chegar ao topo. Também era frequente vê-lo a massajar os músculos dos mais arrasados pelo esforço contínuo de tantos quilómetros percorridos. Um homem de uma importância enorme que de certeza todos fizeram questão de reconhecer.
O Vasquinho, o benjamim deste incrível grupo. Com treze anos apenas soube escrever a palavra CONSEGUI!
O puto tornou-se homem pela tenacidade, pela coragem, pela força em vencer os obstáculos que foram aparecendo. Deixou a família orgulhosa e foi alvo de merecidas atenções.
Mas havia um homem que para mim foi o peregrino do grupo!
Metido consigo próprio caminhava envolvido na fé que transpirava. Ora estava na frente comandando o grupo, ora deixava-se ficar para trás num abrir e fechar de olhos.
Tive o privilégio de conhecer um pouco da sua vida e senti que a fé é para quem a quer assumir como um dom ao alcance de qualquer um.
Emocionava-se sem dar nas vistas e no final trocamos um abraço sentido porque cada um de nós alcançou o seu objectivo.
O fim da etapa aproximava-se e quanto mais perto, mais próximo da fé!
Cruzamo-nos com os gaiteiros espanhóis e a nosso pedido por duas vezes, eles tocaram uns minutos numa alegria mútua que até deu para uns passos de dança.
Por fim chegamos a mais uma catedral, depois de atravessarmos o rio por pontes romanas e admirar toda a sua beleza ainda intacta, que lhe conferia um aspecto virgem.
Mas antes no bar que fica vizinho, tratamos de recuperar as forças através dos bocadilhos, do tamanho do nosso estômago e com o solo tão necessário, entramos na catedral de Padrón.
AÍ o prior estava como peixe na água e usando toda a sua sabedoria levou-nos a envolver com o aroma que este espaço transpira.
Um bom tempo aí permanecemos ouvindo a história deste pela boca do guardião do templo. E com a oração final e baterias carregadas tanto físicas como mentais, fizemo-nos ao caminho para os quilómetros finais.
Enquanto caminhava recordei esta mensagem: “Não passes pelo caminho, deixa antes que o caminho passe por ti…”
Esta frase que ocupa o inicio do livro que sempre me acompanhou é o prenúncio do que tentamos agarrar com esta caminhada. E a oração matinal do Peregrino de Santiago, era o acordar para a busca do que procurávamos.
Entramos numa povoação e não era preciso muito para entrar pelos portais a dentro.
Os caminhos eram em ziguezague que nós tanto estávamos fora das casas como nos enfiávamos pelas suas entradas. Já que elas se misturavam com o caminho que percorríamos e que era único.
Reparei que muitas das casas estavam abandonadas e já muito antigas. Mas o incrível era que do outro lado existiam casas novas e habitadas. Era um misto de antigo embora muito dele já abandonado, com o moderno. Dava-me a sensação que os descendentes construíam as suas casas, mas não se queriam ver livres das que abrigaram os seus antepassados.
E finalmente os nossos olhos abriram-se já que levantamos bem a cabeça porque o restaurante estava colado aos nossos pés.
Duas horas para o almoço e toca a entrar nos carros rumo ao local que nos iria receber pela ultima noite.
Um banho retemperador e pisamos a praça de Santiago para sentir um pouco o ambiente e prepararmo-nos para a entrada triunfal do dia seguinte já que ainda nos faltava caminhar doze quilómetros.
Assistimos a uma vigília dentro da catedral e uma das nossas, fez sentir a língua portuguesa no imenso falar espanhol…….
Regressamos a Monte Del Gozo com a noite já a roubar as horas de sono tão necessárias. Mas o êxtase de chegar o dia seguinte tudo superava, porque era sinal que os Caminhos de Santiago estavam a terminar e logo bem dentro da catedral do Santo Mártir.

A Quarta Etapa


Encontramo-nos todos no parque de estacionamento à entrada da ponte nova de Valença. Um parque com três camiões encostados, imagino com os condutores dormindo esperando que o dia nasça para seguirem cada qual, o seu destino. Sem iluminação e como a noite ainda ditava leis, dificilmente conseguíamos distinguir quem quer que seja.
Depois da verificação de que todos retomavam a caminhada final rumo a Santiago, ainda bem longe, mas perto do coração desta gente já rendida à fé e ao mártir. Seguimos atrás do guia numa dúzia de automóveis que abriam caminho pela noite ainda cerrada rumo ao inicio da caminhada.
O aeroporto com as suas imponentes obras de beneficiação, foi a traição para o engano no percurso. E num desce e torna a subir, de encontro à rotunda de todas as complicações, lá permanecemos num dar à volta consecutivo, para esperar que quem trocou a direcção, voltasse ao ponto onde se descarrilou do comboio automóvel.
Voltamo-nos a juntar com o dia a raiar e sem tempo a perder já, que era necessário recuperar do tempo em que andamos às voltas como o cão tentando apanhar a cauda. Rapidamente tomamos o café e no briefing a anteceder o inicio de mais uma caminhada, o prior vincou bem o papel por nós já desenrolado até aqui e mais uma vez, lembrou que toda esta envolvência não pode deixar de incorporar o retiro espiritual e lançou o lema deste dia – Quem é o outro?
E incutiu-nos a caminhar uns momentos em silêncio e reflectir no quem é o outro.
Quem é o que caminha ao nosso lado.
Quem é o que nos faz sentir algo no dia-a-dia.
Frases chavão que nos iriam acompanhar nas longas horas de caminhada, como já o mesmo fizera nas etapas anteriores, onde já algo nos tinha tocado com o - Quem sou eu? – Quem é Deus para mim?
Depois de um suspiro profundo, acontece sempre que o prior nos devolve o lema para nos acompanhar a cada inicio de caminhada. Toca a dar à perna retomando o final, onde ainda bem fresco a nossa memória recorda os momentos de uma etapa que deixou a sua marca.
Entramos novamente pelos campos, onde o milho é rei e senhor do verde semeado pelo homem.
Mas algo esperava por nós e num céu que se mostrava manchado de nuvens brancas e negras vindas do lado do mar, a chuva apareceu para nos acompanhar todo o dia.
Primeiro os pinguinhos a desenhar formas no caminho que a nossa mente sempre virada para o chão tentava dar um sentido.
Depois certinha e miudinha. Obrigando-nos a colocar os impermeáveis e lá caminhamos meio indiferentes a este contratempo. Até demos graças, a Santiago (lá está o Santo a entrar no peregrino), porque refrescou o tempo e não molhou mais que o impermeável deixando os ossos secos sem argumentos para reumatismos e artrites.
A chuva não deixa muita margem para conversas e toca a seguir os marcos que nos indicavam o caminho e também a partir de certa altura os quilómetros que faltavam para o grande dia.
As horas passavam mas a chuva continuava!
Meia preguiçosa já que era pouco sentida, mas mesmo assim molhava. O grupo na sua maioria envergava os impermeáveis, que cobrindo as mochilas davam um aspecto a muitos de nós de corcundas e era engraçado olhar para o lado e ver colegas a caminhar com aquele volume sob as costas.
Eu com o meu graciosamente emprestado por um amigalhaço que vem protegido a dobrar, já que sabe o que lhe espera, e também descobriu que eu só não deixo a cabeça em casa porque ela anda atarraxada ao corpo. Lá seguia no grupo dos primeiros para que o andamento fosse mais rápido, porque a hora da chegada tinha que ser cumprida senão corríamos o risco de ficar sem comer.
Entramos em Pontevedra e descobrimos o seu coração, como querendo dizer, descobrimos a sua Catedral.
Escusado será dizer que era local obrigatório para a catequese do prior!
São estas paragens, normalmente em locais de culto que nos eleva de encontro à realidade da fé.
De encontro à realidade do porquê de todo este esforço.
De encontro à realidade da esperança em encontrarmos a luz que vai aquecer a enorme etapa que se iniciará logo que esta termine.
E no final tínhamos já muitas respostas para o objectivo que todos pretendíamos, porque a mensagem do prior estava a ser captada.
Só que não estava a ser posto em prática um dos objectivos traçados desde o inicio. Ou seja, a junção do grupo saído dias antes, para fazerem o percurso seguido e era suposto, juntarem-se connosco, para terminarmos a odisseia no domingo.
O grupo não dava ares de ser visto, nem agora que já não havia paciência para mais esperas para ver se os visionávamos. Nem desde o inicio, com paragens longas para ajudar ao reagrupamento.
Ficou uma vez mais o prior com a missão de os trazer até nós e sem tempo para mais esperas partimos guiados pelo colega António, amante das cantorias e fiel seguidor do prior na condução deste rebanho.
Encontramos a via-férrea, mano a mano com os caminhos por nós trilhados. E durante umas boas horas fomos visitados pelo comboio que velozmente ia e vinha num traçado há tantos anos programado.
Obras a todo gás indicava que o TGV seria uma realidade a curto prazo na vizinha Espanha e nós registávamos esse momento.
E a chuva continuava já bem chatinha para todos nós. Dava a sensação que parava e logo nós tirávamos o impermeável. Mas momentos depois lá estava a danadinha a encharcar o calçado já cheio de amolgadelas que apertavam os pés e desesperavam quem já os tinham em tão mal estado.
Cruzamo-nos com um grupo de garotos de chapéus vermelhos à grilo, talvez um colégio já que embora alguns fossem acompanhados pelos pais, a maioria iam guiados pelos educadores. Que indiferentes à chuva cantavam alegremente em honra de Santiago.
Por fim a etapa estava quase no fim!
Em três mil passadas estaríamos a saborear uma refeição de encher o estômago já a reivindicar atenção e comodamente instalados a dar descanso ao corpo que tanto necessitava.
Haja fé gritávamos nós e lá enfrentamos os caminhos com água, entrando pelos campos a dentro para a evitarmos.
Subíamos carreiros de cabras com redobrada vontade já que o fim era uma realidade.
Caminhávamos por baixo de ramadas com as uvas ainda verdes, esperando por mais um mês para amadurecerem e servirem para espremer o néctar tão suave durante a refeição.
Os da frente paravam debaixo de uma enorme árvore, num abrigo natural para que os mais atrasados pudessem sentir o grupo todo unido.
E num grito de união, já que o prior andava perdido a juntar as ovelhas do grupo que ficou de se juntar a nós após os dois primeiros quilómetros e, agora já no fim nem sinal deles. Caminhamos rumo ao restaurante com o nariz bem esticado, tentando farejar o cheiro a comida, mas ainda só farejávamos laminha e pedras escorregadias.
O repasto foi o que se podia arranjar nestas circunstancias e o local onde finalmente os dois grupos se juntaram e puderam ver as caras, uns dos outros.
E foi no briefing que fazia o balanço do dia, num colégio dirigido por freiras, que estalou o verniz e numa troca um pouco acesa de galhardetes, o grupo dos quinze, tentou justificar o injustificável, numa choradeira de chorrilhos escusados, que só terminou com a voz de comando do prior.
Prior que evitando propositadamente interferir directamente, colocou-nos à prova e foi o que se viu. Que o obrigou num tom a raiar a raiva a levantar serias questões das quais destaco as directamente vincadas em nós: “não aprendemos nada! Buscamos unicamente os bodes expiatórios……”.
Resumindo; levamos uma lição de moral, que nos fez regressar cabisbaixos ao local de descanso. Onde nos acomodamos em beliches e dormimos. Aproveitando as poucas horas, porque como sempre pela manhã coberta de escuridão, o prior reúne os peregrinos procurando as palavras certas para os acompanhar no seu destino.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Terceira Etapa




Já não é novidade o levantar ainda a noite não acordou, desta vez com a maioria do grupo esticados e enrolados nos sacos camas, num espaço com todas as comodidades normais para tanta gente, gentilmente cedido por espanhóis abertos ao simbolismo da nossa caminhada e com o esforço do nosso líder, valha a verdade incansável para que nada falte e, toca a desbravar caminho porque esta jornada não será pêra doce e como mais à frente se constatará, irá ser dura, bastante dura.
Cedo alguém toma posição e num passo acelerado decide ir por ali fora e enfrentar o asfalto, que seria o nosso companheiro para mal dos nossos pecados a maior parte desta etapa.
Também cedo se notou que o grupo iria se desmembrar, ainda o sol não esticara os seus raios e compreensivelmente formou-se mini grupos numa caminhada a desabrochar tensões.
Logo aqui se fez notar a presença do líder deste rebanho que ameaçava juntar algumas ovelhas tresmalhadas e logo, logo encontramos a Natureza para nos purificar com o ar matinal e toca a seguir o homem de cajado benzido que com a sua batida marcava o ritmo.
O asfalto não nos largava e o café tardava em ser engolido de um só trago, já que as horas avançavam e não havia meio de encontrar um raio de uma cafetaria aberta.
Por fim depois de uma hora a percorrer uma avenida que nunca mais se via o seu fim; onde por vários minutos num trio, falamos da hipócrita sociedade barcelense, que nada olha para as iniciativas de uma paróquia ao serviço de quem lhe bata à porta, porque elas estão sempre abertas, para quem desejar ter um alívio de consciência, ou uma ajuda mesmo sem ser de penitência. Valeu-nos a sorte, porque foi percorrida ainda o sol se escondia nos montes que mais tarde seriam o martírio para muitos destes heróis destemidos.
Lá surgiram os cafés tão bem-vindos, onde o grupo se repartiu por mais de um, para não esgotar os croissants comidos de faca e garfo.
De estômago cheio e semblante satisfeito, toca a andar e bater o cajado por esse asfalto fora, porque ainda a etapa é uma criança.
O sol desponta agora ferozmente, como se nós lhe tivéssemos feito algum mal. O grupo já não se consegue unir. Alguns começam a dar sinais de se resignar, perante as mazelas que lhes abrem chagas tanto físicas como emocionais.
Outros, já com o físico a roçar-se contra o canto da estrada, junto aos muros das casas quase todos fechadas, continuam com a força espiritual que ali os trazem.
O último troço antes da missa, é a tortura ao vivo. São dois quilómetros de uma subida que nunca mais termina. Os da frente deixam-se apanhar por dois ou três que tentam levar os outros para que a Eucaristia, seja iniciada à hora marcada. E quem diz Eucaristia diz, o momento de encontro com Deus e o descanso tão merecido.
A água escasseia e algumas garrafas estão tão secas como a nossa garganta. Duas pancadas num portão e logo é entregue água tão fresca, que a senhora merece dois beijos de agradecimento. Mas a subida ainda não terminou e cada vez mais se sobe e nunca mais finaliza.
O sol não deixa ver. E os chapéus enterrados na cabeça tapam os olhares de ver tão perto o prior a chamar, pelos primeiros que aparecem no final desta subida maldita.
A missa aproxima-se, o momento é de respeito e de oração!
Um adro de uma capela, pequena para tanta gente que se arrasta para uma sombra, depois daquele tormento. Obriga a improvisar a Cerimónia ao ar livre e num altar que faria Cristo saudar a beleza simples daquele espaço. Deu-se, inicio a uma missa que vai ficar nos corações de todos os que assistiram.
A fé! O encontro com nós mesmos! A procura de um sinal! São momentos que os Caminhos de Santiago nos proporcionam.
Mas esta missa revestida de uma simplicidade tão maravilhosa, tão íntima que nos tocou bem fundo a cada oração dita em coro.
A cada cântico nascido no momento por quatro jovens que alegram as pausas das caminhadas.
O momento da comunhão com um toque que nunca tinha tido o privilégio de partilhar e mais se acentuou, na hora do amém como agradecimento de tão significativo acto.
Foi a frescura e o enorme alento para enfrentar novas e dificílimas subidas e perigosas descidas, feitas dois a dois para nos amparar nas possíveis, mas graças a Deus nulas quedas que felizmente até agora nada que mereça ser anotado.
A tarde iniciava-se e nós toca a percorrer as duas horas e meia que faltavam para finalizar esta etapa e regressar a casa.
O sol, esse, maldito (só cá para nós, porque naquele momento não era bem-vindo), mastigava a nossa secura e colava os poucos agasalhos aos corpos escuros do pó e vermelhões da canícula.
Refrescamo-nos no albergue para carimbar a nossa última passagem como o derradeiro consolo para esticar as pernas antes da chegada e, dar uma oportunidade aos que estão desesperados dos pés, com bolhas em várias partes. Para aí se aguentarem e esperarem pela ajuda que está sempre no sítio certo, á hora certa.
Mais alcatrão mais dificuldades para alguns. Enfim para todos!
O carro de apoio com um casal de uma dedicação de louvar ainda me espanto, com gente deste calibre. Transporta os necessitados de cuidados, esperando que alguns deles voltem a juntar-se ao grupo, o que acontece.
Os restantes enfrentam o sol no seu pico e todas as dificuldades que surgem. Sobem e descem os últimos quilómetros que aparecem e mesmo vendo o autocarro esperando por aqueles que não conseguem fazer os dois últimos quilómetros, valha-nos a verdade é terrível esta etapa. Existem pessoas que o físico já é empurrado pela crença do objectivo que os faz ir em frente e encontrar o fim desta jornada.
Esse mesmo autocarro é ignorado! Enfiamos o chapéu bem fundo para nem o ver e lá continuamos rumo ao final, que é ali já e nunca se deslumbra.
Descemos o monte, mesmo aqui não corre brisa, parece que Deus nos está a tentar pôr à prova todas as nossas capacidades. Ao mesmo tempo que deslumbramos a baía de Vigo, que nos acompanha na descida e contemplamos toda aquela imensidão de água.
Imagino-me a saltar por sob o mato e descendo, descendo, para terminar num mergulho prolongado de encontro aquela frescura….
E descendo e descendo, para a realidade, firmo os pés numa força para não dar uma queda de encontro ao fim que continua a ser já ali e, finalmente chego ao olhar do prior imponente na sua estatura de quase um metro e noventa, que nos indica o caminho para o autocarro através do cajado, ele também de rastos, mas com um sorriso que nos embala, lembrando-me uma sua célebre frase: “ A vida é uma arte”.
E momentos depois deixamos o local de encontro da próxima etapa, que nos leva ao merecido almoço/jantar, sendo mais um momento para acertar agulhas para as últimas caminhadas que no fim-de-semana nos levará, para aí sim. Chegarmos todos a Santiago.

A Segunda Etapa



Aqui estou todo dorido!
Pudera, caminhei horas e horas. Em muitas ocasiões marchei e outras mais, talvez voasse. Para fazer perto de setenta quilómetros, num calor de queimar os neurónios, mas estou feliz, acreditem estou a ser sincero: mesmo feliz!
Depois de duas etapas que nos levaram até bem perto da baía de Vigo, desejando toda aquela frescura da água como uma bênção, para todo o calor que carregávamos, mas ainda longe do objectivo primordial; a chegada a Santiago que ficou para o próximo fim-de-semana, onde lá chegaremos se Deus quiser, na apoteose final, de um percurso cheio de emoções.
Bem cedo nos encontramos, para retomar a caminhada. O dia ainda não nascera e a noite era nossa companheira, no aquecimento do físico para a segunda etapa que nos ia levar a Tui.
Juntou-se a nós um peregrino de câmara às costas, na perspectiva de um documentário sobre os caminhos de Santiago como projecto a curto prazo. Lá incorporou o nosso grupo para concluir tão relevante propósito.
Caminhamos ainda ensonados pelas poucas horas de sono e de um momento para o outro, bem os abrimos já que tínhamos chegado ao começo da Serra da Labruja. Segundo muitos, um dos troços com mais dificuldades, mas que para nós foram dos mais entusiasmantes e espectaculares até ao momento.
Ali, calcorreando aqueles caminhos abertos pelo meio da serra, onde em fila indiana nos desviávamos das naturais dificuldades do percurso, salpicado de socalcos bem desnivelados, obrigando-nos a caminhar em ziguezague, subíamos com prazer o dorso da serra que mais nos aproximava de peregrinos.
A Natureza impunha-se, com o verde como cenário de eleição e sem vestígios de contacto humano, a não ser o do grupo. Assim andamos uma hora carregados de prazer em ali estarmos e sentindo todos nós a adrenalina da fé que todos procuramos em reencontrar.
A pausa para recuperar o fôlego e aproveitar para umas breves palavras do prior, sempre alerta com o propósito de não nos esquecermos que o turista não se conjuga com a espiritualidade do significado dos Caminhos de Santiago, foi propositadamente guardada para junto à Cruz dos Franceses. Onde ficamos a saber o local, que a população da época, emboscou os retardatários do exército de Napoleão, na invasão de 1809. Numa acção que demonstrava o espírito de uma comunidade em escorraçar o inimigo que invadia o país que lhe pertencia.
Como nem só da caminhada e de constantemente o cameraman: é de enaltecer todo o esforço que o homem carregava, não só a nível de concluir o trabalho por ele delineado, como com o peso do material horas e horas carregado. Estrategicamente situado para nos filmar, já com o grupo alargado num cordão a deixar muitos de mão estendida, mas já sem possibilidades de o agarrar. É o momento do nosso líder aproveitar para a pausa de agregar o grupo e proporcionar o momento de nos conhecermos ainda melhor.
E numa apelação do prior para os últimos quilómetros que antecediam o almoço, resolveu nos juntar dois a dois e darmo-nos a conhecer numa intimidade de troca de impressões, nos variadíssimos aspectos da nossa vida.
Falamos dos nossos defeitos (poucos, porque todos dizemos que são menos que os dedos de uma só mão).
Das nossas virtudes ao longo dos anos que já carregamos nos ombros.
Da família e dos anseios para que os nossos filhos sigam os princípios que nos guiaram para lhes dar um lar.
Dos objectivos profissionais, onde a porta nunca se fecha para quem busca novos desafios.
E neste clima intimista de um amigo que está ligado juntamente com a família, à fé e dela fala com prazer e alegria, que para mim é o que retrata mais o peregrino no seio do longo grupo. Chegamos ao almoço para alimentar o organismo e descansar o espírito.
Não há tempo a perder e toca a levantar o rabinho das cadeiras para enfrentar os últimos quilómetros sob um calor abrasador, porque parar era morrer para o objectivo pretendido. Assim atravessamos a fronteira, hoje sem olhar para os lados e ser parado pelos guardas. E entrar no país vizinho, onde nem a brisa do rio, olhado de cima para baixo numa altura de fazer andar a cabeça à roda, nos refrescou para o final de uma etapa que já deixava mossa.
O espaço que mediou a visita à catedral; imponente de enormes paredes esgatanhadas de história, sepultura de santos que perpetuam a religião e de bispos que deixaram um enorme legado para a região. Jardins floridos com árvores de fruto que foi pouso de descanso de alguns minutos. Foi aproveitado pelo prior numa das alas da Catedral, para mais um momento de reflexão, e de seguida convidar-nos a falar dos nossos anseios, expostos nos buracos nas nossas vidas, não mais do que três ou quatro frases, escritas num simples bocado de papel.
E o jantar, tão aguardado para reduzir o desgaste da caminhada, foi a descontracção que tanto necessitávamos.
Aqui sentimos que para além do grupo que nos envolve, já brota uma família caminhante e nesse espírito, jantamos numa surpresa que nunca é demais louvar, proporcionada por uma equipa dedicada. Com o prior, chefe de fila de uma dúzia de voluntários já conhecidos e tão admirados.
Foram eles que trouxeram a vela para nós acendermos e darmos luz à boa disposição e por entre música improvisada por cantadores de fim-de-semana, treinados em karaoques que abundam nas mais belas esquinas. E alegria de cruzarmos a boa disposição e a fé que vai brotando a cada momento a sós que encontramos. Deixamos este local bem perto do rio e ainda tão longe do nosso objectivo, rumo ao descanso de poucas horas já, que bem cedo o galo canta, para mais uma etapa toda ela a desbravar caminho cada vez mais, a deixar Portugal já longe e para trás das costas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aniversário No dia de São João


Vi-te nascer, vi-te crescer!
Vi-te gatinhar sem seres gatinha,
vi-te fugir do meu colo com peso de menina.

Vi-te fazer
a primária ainda de cadeirinha,
vi-te entrar no secundário já crescidinha.

Vi-te seres mulher, cresceres, cresceres e já olho para ti debaixo para cima.
Continuo a ver-te a todas as horas porque és minha filha!

Parabéns Barbara, deixei-te mesmo agorinha de te ver, porque fostes para a caminha!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Será Que Enchemos o Papo de Uma Só Vez



Enchemos o papo como as galinhas, porque o milho (golos) apareciam em determinada altura como uma oferenda dos coreanos perdidos e ansiosos pelo fim desse jogo, que os irá marcar dentro do seu país para toda a vida.
Golos que encostaram a selecção ao ego dos portugueses, já cabisbaixos devido ao mau augúrio que tinham sobre a prestação da equipa.
Foi uma goleada das antigas e embora o resultado leve a equipa a ser noticia pelo mundo fora, o que é certo é que ainda nada ganhamos e por incrível que pareça o caminho a desbravar é ainda de difícil transposição.
Claro que o objectivo mínimo já está praticamente alcançado.
Uma goleada deixou logo pelo caminho os africanos do nosso grupo que ainda sonhavam em discutir a passagem à fase seguinte. E assim sendo deixamos a pressão para trás das costas e toca a receber os grandes candidatos ao ceptro deste mundial e mostrar de uma vez por todas que seremos um adversário duro de roer até ao fim desta importante manifestação futebolística.
Mas nunca é de mais lembrar que esta goleada veio à tona como um cardume que o GPS, logo sinalizou após o reinício do jogo.
O cardume coreano deixou-se apanhar como peixes bebés, sem experiência de alto mar (grandes competições internacionais) e como morderam o isco iludidos com tamanha oferta, foram presa fácil para o cesto da pescaria.
E nós lá fomos em busca do que a linha trazia e a dada altura com o pensamento em Cristiano Ronaldo oferecemos-lhe a cana do Meireles que tinha terminado a sua faina e depois de um longo jejum sem pescar nada, era só morder mas nada que chegasse ao barco. O Cristiano sacou um belo exemplar depois de ensaiar uma vez mais novo isco com adornos desde as costas ao cimo da cabeça, que lhe valeu um goloooooo fácil há tanto tempo desejado.
Abriu-se o ketchup para as batatas portuguesas. Só espera-se que o frasco chegue até o cozinheiro proibir os malefícios gastronómicos ainda tolerados por mais uns quinze dias.