sábado, 21 de maio de 2011

As Cegonhas Desistiram




As cegonhas desistiram da velha fábrica, com a chaminé bem alta, como segurança do seu ninho.
Soube pelos curiosos que se encostavam à sombra do café da ponte, que tinham fixado o seu lar (ninho) numa freguesia no limite do conselho.
Aproveitaram os postes da Refer, junto a uma ponte com o ribeiro a correr calmamente e a vista do mar a reduzidos quilómetros, quem sabe, para dar a frescura necessária aos filhotes que não tardarão.
Foi-se uma imagem que parecia real. Como real é a vida de cada um de nós neste emaranhado de sensações.
Para uns a certeza de nada ser como dantes. E para os restantes, a rotina incessante.
Tentamos abstrairmo-nos das notícias que enchem este país.
São arrasadoras em demasia para quem ambiciona concretizar sonhos, Implementar projectos, ou candidatar-se a oportunidades.
As portas fecham-se como correntes de ar raivosas. Deixando-nos com a esperança trancada e num virar de costas, saímos resignados mas não derrotados.
O dia seguinte será o contínuo toque toque, em madeira de pinho, ou campainha de alumínio.
Para darmos de caras com rostos impassíveis de nada ter para oferecer. Ou demasiado optimistas, para nos pagar uma mão cheia de nada. E a outra pronta a receber horas e horas de ganhos, depois de suportarmos o purgatório de incutir algo, a quem já milhentas vezes foi proposto.
As cegonhas batalharam na procura de um recanto para aconchegar-se ao poiso da segurança, depois de se verem arredadas do lar, lá para os lados de Viana, que muitos anos ocuparam na multiplicação da família.
Poderá não existir poiso para todos. Mas é olhar bem alto, de cima para baixo e encontrar a cama para o merecido descanso.

sábado, 14 de maio de 2011

Prémio Camões



Os políticos são meros gestores do presente sem nenhuma ideia do futuro.
Todas as energias destes políticos são gastas na táctica, não têm nenhuma visão estratégica.
Quem o diz é o vencedor do prémio Camões, Manuel António Pina. Poeta que acompanho nas suas crónicas no JN, no cantinho da página, escrevendo o que sente deste país, ou melhor, dos políticos que viraram este país de pernas para o ar, “sem nenhuma ideia do futuro”.
Venceu este prestigiado prémio, que galardoou novamente um português depois de quatro anos antes o mesmo ter envaidecido lobo Antunes.
Foi apanhado de surpresa não evitando uns ligeiros segundos sem palavras para, soltar a primeira já premiado.
Imagino que não lhe passava pela cabeça tal distinção. Passar passava, mas porra, à tanta gente para ganhar isto!
Mas como é do seu apanágio o prémio só lhe vai dar mais alento para conquistar os restantes versos. Já que o primeiro é-nos dado, como diz Rilke.
Gosto de ler as suas crónicas. Directas, justas e apimentadas com algum humor.
Em poucas palavras enche um universo de verdades e seja quem for leva para contar deste senhor.
A 13 de Maio, na comunicação social aparece, Manuel António Pina como o vencedor do premio Camões, enaltecendo que sente o seu sangue na poesia.

sábado, 7 de maio de 2011

Toca Roubar Orgulho Interno Combatendo Alternativa



Estão os partidos em pré campanha para anunciar, e prometer, ou então tudo fazer. O quê?
Vão – se gladiar num confronto a duas vozes, PS e PSD, até ao último voto para garantir uma vitória, que se prevê de umas eleições históricas.
Mas nestas eleições, teremos um novo partido embora não figure nos boletins de votos. Estará certamente presente e ninguém tenha dúvidas, que será o vencedor já proclamado, mesmo que uma hecatombe paire pelo país fora.
Falo da TROICA, (Toca Roubar Orgulho Interno Combatendo Alternativa) partido chegado recentemente ao terreiro do paço e logo se infiltrou cerebralmente nos dois grandes partidos e como tal a vitoria em 5 de Junho, será meramente um passeio num dia de calor mais propicio a uma fugida à praia, o que aliás os membros da TROICA, já se vão acostumando, basta lembrar a recente tolerância de ponte oferecida aos funcionários públicos, com o argumento de fazer parte da tradição.
Perante isto, só se vai assistir junto às sedes de campanha, com os ilustres convidados de fato domingueiro a cheirar a repastos ao ar livre, bem juntinho a uma sombra, já que o calor vai ser intenso. Aos abraços bem apertados e sorrisos rasgados, para um lado. E ao desalento de fugir a sete pés das televisões, para não serem surpreendidos pelas frustrações, para o outro.
Mas mesmo assim, um e outro, poderão carregar às costas a TROICA, como se de um enorme fardo se tratasse. Para mal dos pecados de cada um!
TROICA, com três líderes de bolso cheio para emprestar aos amigos do alheio. Já que quem vai pagar serão os mesmos do costume. Mesmo que ponham trancas às portas.
No dia 5 Junho vou votar na TROICA. Ou melhor, vamos todos votar, sejam da direita ou da esquerda.
Sejam comunistas, ou modernistas.
Sejam cavaquistas, ou soaristas.
Sejam capitães de Abril, ou generais de águas mil.
Sejam banqueiros de malas prontas para os paraísos fiscais, ou directores de empresas privadas saídos de governos de banca rota anunciada.
Seja quem for, a TROICA será o vencedor!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Usama Bin Laden



Ele vivia como as toupeiras, de buraco em buraco.
E assim andou anos a fio, retardando o mais que provável, com actos terroristas que lhe alimentavam o ego e davam-lhe a alegria do triunfo.
Construiu várias frentes como saídas de emergência em caso de ataque sempre presente, onde se escondia como um cão raivoso, dormindo sempre com um olho aberto, para dar descanso ao outro, esperando com isso que visse o inimigo.
Fugia das armas, para não lhe apagarem a vida, como o diabo da cruz. Enquanto utilizava terroristas para fulminarem a alegria de inocentes, que na hora certa, se encontravam no local errado.
Tudo fazia para viver o mais que podia.
Porque o ódio estava infiltrado nas suas veias, onde o sangue corria, rumo ao coração, mas a qualquer momento podia jorrar sem dó nem sentimento.
Finalmente o homem saiu das tocas e sucumbiu apesar destes anos de trocas e baldrocas.
O mar é o seu túmulo, num inferno sombrio e sem fundo

sábado, 30 de abril de 2011

Que Mundo é Este



Que nos rouba uma vida de alicerces fortes como o betão. Onde a alegria é sinónimo de união. E num abrir e fechar de olhos desmorona-se num autêntico turbilhão.

Que mundo é este!
Que rouba como um ladrão sem escrúpulos os sorrisos apaixonados, os sorrisos carinhosos. Fazendo emergir os olhares duros e distantes, com o dedo apontado em riste, como lança que trespassa o coração e nos empurra para o alcatrão.

Que mundo é este!
Que rouba os simples miminhos dos petizes, já encaminhados para outra realidade, em muitos casos comprados com guloseimas de encher o olho. Entrelaçados no lado materno não deixando duvidas na escolha que preferem.

Que mundo é este!
Que nos perfura até ao interior da alma, a solidão ainda dentro do nosso lar.
A angústia de olhar o futuro sem esperança de um novo rumo.

Que mundo é este!
Mergulhado na corrupção e compadrio. Que compra a honra a quem antes jurava dar a vida por ela. Inundando ainda mais a sociedade de pobreza, invadindo cada vez mais as nossas sarjetas.

Que mundo é este!
Que leva a uma morte lenta, a cada dia que passa, os apanhados nas malhas da desgraça.

Que mundo é este!
Liderado por um Deus, transformado em dezenas de fariseus. Que nos roubam o simples pão para saciar a fome e alimentar o amor, de lares abençoados por esse mesmo Deus.

Que mundo é este!
Traidor. Há maldito mundo!
Que cavas um buraco sem fundo, centímetro a centímetro. Ao mesmo tempo que lanças corpos inanimados ainda com vida, que sucumbem ao peso da escuridão sufocante.
Mas dessas catacumbas, irão emergir os heróis que com a força de vencer. Acordarão dum coma profundo e do zero edificarão um novo destino.

sábado, 23 de abril de 2011

Distancia-se de Mim o Cantinho






Deparo-me com a viela da vida.
Cada vez mais exígua,
forçando-me a tolher a alegria.

Semeio ventos e colho tempestades,
num frenesim desigual que está tão perto a cada dia que desperto.

Não quero ser um estranho,
por entre quem me diz muito, num ambiente fustigado pelo silêncio,
só esperando o gesto final de um desamparo infernal.

Sinto as mãos húmidas e tremulas,
no agarrar da corda que já minga de tal ordem,
deixando um fosso assinalável
que a queda vai deixar mazelas
pelos anos que me darão ainda vida.

Distancia-se de mim o cantinho,
que me agasalhava nas noites frias,
enrolado nos braços que agora se afastam, indiferentes e prepotentes.

Distancia-se de mim o cantinho,
que me dava frescura nas noites longas de verão.
Onde o amor se multiplicava por dez
e nesta hora se funde num corpo sem chama,
procurando o escuro para lá da porta dos fundos.

Distancia-se de mim o cantinho,
onde com mil abraços diários, aumentava os miminhos,
das pérolas que brilham, tamanha a beleza pura
que brota daquelas formosuras

Comemora-se Ano a Ano.........


A Páscoa enche as ruas de flores coloridas e junta as pessoas numa fé tão procurada, nestes momentos de aflita incerteza.
Comemora-se ano a ano. Século a século. E por aí fora, num fim de linha sem fim à vista. Cristo a sofrer atrozes golpes que lhe trespassavam o corpo, oferecendo a sua vida envolvida em amor, ao mesmo tempo que libertava o espírito, que povoa e protege dois mil anos depois, a face da terra.
Todos nós buscamos esse espírito e nesta quadra muito marcante, rezamos e inspiramos o espírito do senhor para nos aliviar as dores físicas e psicológicas que nos invadem diariamente.
Cristo carregou a cruz num caminhar doloroso e impedido ferozmente de um braço amigo, para aliviar o sofrimento.
Nós carregamos a nossa cruz pela vida fora, seja dura como pedra. Seja viscosa como merda.
Temos a cruz que merecemos. Muitos de nós é que escolhemos a madeira em que nos vamos pregar!
Vemos cruzes por todo lado, onde nos encontramos.
Somos impelidos ao sofrimento em situações, onde nada fazemos para o evitar e caminhamos com a cruz às costas, até acordarmos a força interior que derrubará todo esse peso exterior!
Gozemos a Páscoa, no meio dos doces de romaria e abrindo as portas à ressurreição do senhor.
Gozemos a Páscoa, e libertemos a cruz que Cristo carregou.
Aumentando ainda mais a nossa fé, num acreditar que o amor que Jesus tão salpicado de dor nos doou. Seja a força para nos ajudar a suportar a crise que infelizmente os homens, aí homens de pouca fé; transformaram numa cruz bem por baixo dos nossos pés.