terça-feira, 20 de maio de 2014

De arrepio em Arrepio




Dias de muito calor que levaram toda a gente, a procurar as frescas ao pé da porta e para o sol do mar, a meia dúzia de quilómetros.
Já todo o mundo se despia em arreganhos carnais de fazer ver um cego.
Já toda a gente procurava o bronze para adocicar o morenaço, aos corpos sedentos de toques de quem merece o amor.
Mas foi calor de pouca dura.
A chuva regressou em aguaceiros de respeito.
E num abrir e fechar de olhos os corpos até então despidos de agasalhos. Escondem-se em adereços quentes, tapando a beleza já tão presente.
E os arrepios constantes de um frio irritante, fazem voltar a tristeza de dias ainda bem vivos, de um Inverno tremendamente chuvoso.
Mas a agricultura agora mais do que nunca a sobressair em hortas mesmo citadinas. Abre-se num sorriso enorme como um arco iris de tantas cores, agradecendo estes pingos certeiros que regam os batatais e tantas verduras, não esquecendo os arrozais. Deixando os agricultores felizes, pela poupança divina.
E obrigam a recolher às tocas da invernação, os incendiários do costume. De isqueiro em riste ateando fogo á floresta, mal o calor estendeu-se de costa a costa.
Os entendidos dizem que serão chuviscos intensos até ao fim de semana.
Vai obrigar-nos a recolhermo-nos nas trincheiras de quatro paredes. Já que os trovões são audíveis bem perto em descargas de pôr os cabelos em pé.
Agora já se foi a chuva e nada melhor que ir tomar uma bica e dar duas de treta, para ver como andam as modas.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Tua Voz



Ouvir a tua voz sossega o dia farto de horas paradas e a ansiedade estampada.
Com essa voz, liberto a apreensão e alegro a disposição.
.Embala-me num vai e vem constante, esticado numa alcofa gigante.
 Uma voz suave como um canto.
Numa música adorável, tantas e tantas vezes cantada. Mas a dado passo alteras a letra e junta-lhes palavras cada vez mais frescas, cada vez mais apaixonadas.
Uma voz tão simples e pura que arrepia a minha doçura.
Como desejo estar perto dela.
Como estico os passos para correr para ela.
Como lhe envio o meu coração para a cada alongar da boca, seja o ritmo do seu batimento.
Uma voz que exige amor.
Sempre que abafamos as nossas vozes, enquanto o beijo une o desejo.
Enquanto suplicas a oferta do meu amor, quando sorrio feliz.
Uma voz a duas vozes.
Para perpetuar o nosso amor!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A seu tempo. A seu tempo



Partilho momentos simples, embalado pela certeza da realidade bem presente.
Vivi um piquenique no monte da padroeira, com a família que me resta.
A simplicidade das pessoas é tão evidente que me deixou entusiasmado pela alegria que depositam em meia dúzia de horas de convivo. Em redor de uma mesa de pedra e meia dúzia de travessas.
Escutava conversas triviais por entre braseiros assando as costelinhas, dando gustação aos frangos caseiros e fazendo água na boca, aos coelhos nas trempes.
E até saboreei um vinho guardado religiosamente de colheita de 2008, oferecido pelo autarca da junta, ao patriarca. Pouco dado a brilharetes deste género. E lá se foi a garrafa guardada na garrafeira já com pó encrustado.
E um digestivo caseiro vindo dos frades como lembrança de ofertas de um tio afamado, pela arte que lhe brota dos braços.
Como se depara, pessoas simples que oferecem o que lhe enche a garrafeira de orgulho e felizes pelo nosso prazer em provar essas relíquias em forma de pagas de bons serviços.
As mulheres numa correria para encher a mesa de carne para todos os gostos e com o rosto avermelhado pelo calor dos assadores. E um arroz solto no ponto, que a tia vaidosamente servia. Tia essa, que á muito não punha os olhos em cima. Apaparicavam-nos de sorrisos e serventia.
Para ocupar um pouco a tarde e não deixar adormecer uma moleza que já era evidente. Nada melhor que um jogo de sueca. E a malha a saltitar rolando pelo silvado, levando mais de meia hora para a encontrar.
Antes do lanche que já entrava pelo cair da tarde. Tempo ainda para rumar ao santuário e com o patriarca a dizer breves palavras em forma de oração, recolhemo-nos em breves momentos, pedindo á padroeira proteção e ajuda para aliviar as nossas angústias.
Por fim arrumar as trouxas. Deixar o local como o encontramos e regressar a casa, ainda a tempo de dar uma saltada para, por momentos quebrar os tímpanos a escutar a razão. Como era enviada de todas as direções. Fiquei deveras confuso, como iria tomar decisões.
A seu tempo. A seu tempo!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Espero daqui a meia dúzia de Luas




Sinto-me estranhamente oscilante!
Acabei de deixar para trás a incerteza de um tempo arrepiante.
Vou pousar no leito da infância,
 que vai misturar inalteráveis lembranças.

Terminou uma luta titânica,
Engasgado pelo medo da mudança
Era olhado pela desconfiança
Logo que me colocava a pé, buscando fundamentos

A fé move montanhas
E subir é um cabo de trabalhos
Não terá que ser tudo de uma só vez
Aos pouquinhos consegue-se ver o sol nascer

Espero daqui a meia dúzia de luas
Encontrar-me perto do céu
Onde descansava o espirito
E embalado pelo vento, sorria para o sol.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Só me deparo com Resignação




Encontro-me parado esperando para tatear, se o que me dizem é mesmo verdade.
Regressei para quinze dias de descanso e já se perlongam para além da ansiedade.
Entretanto como a vida é madrasta, já que deixou de ser a mãe que tanto me amparava, acolho-a no regaço. Fazendo fé no que me ensinou, sirva para procurar o que ainda as forças me ajudam a caminhar.
Encontro amigos desesperados, pensando que só a eles é que a má sorte bateu à porta e por isso o mundo vai desabar.
É terrível ouvi-los!
É terrível aguentar o desespero de quem se vê perdido e não tem com quem desabafar o que lhe vai na alma.
É terrível não poder me afastar de quem precisa de um apoio e não poder os ajudar, já que muitos gritos deles em forma de enormíssimo apelo. São por mim, duramente sentidos.  
Os filhos anseiam por conseguir o que lhes custou uns anos a queimar as pestanas.
E estão tão longe da realidade de um mundo fechado para as esperanças e aberto para as arrogâncias, de quem tem as costas forradas por favoritismos ao pé da porta.
E deixam passar os dias como se nada fosse, esperando que do céu caia uma estrela, que lhes guie para o caminho da chupeta adocicada.
E batalhamos atrás do quase impossível.
As notícias de quem desgraçadamente desapareceu, levado pela doença traiçoeira que constantemente espreita. Abana-nos para a realidade de que viver cada dia que passa é a bênção desejada.
Mas os dias correm como a água dos rios. É obrigatório apoiar-nos na corrente sem afundarmos.
Só podemos acreditar no nosso poderio. Só ele nos encaminha para a certeza de que, aguardar por aquilo que ansiamos é a força em acreditar.
Pés ao caminho!
Seja cá neste país humedecido pela angústia de não dar garantias no futuro.
Seja lá fora, onde me encontro e onde tantos se encontram.