sábado, 21 de junho de 2014

Caminho Abafado





Está calor no monte do túnel.
Estão 27 graus e chove com trovões á mistura.
O homem fura as entranhas, fazendo um extenso buraco que encurta as distâncias entre populações, levando o comboio como um enorme abraço a unir três regiões.
Túneis longos, com curvas que fazem indicar que não tem fim. Mas bem no fim lá está a luz do dia a abrir as suas portas de par em par.
Túneis em bruto, com fantásticos desenhos deixados pelas colossais máquinas que os esventraram constantemente. Tendo como mira o local certo. Evitando estou em querer, enormes atentados ao ambiente.
Túneis que serão lapidados como rubis, através do betão e da inteligência humana. Dando-lhe um aspeto airoso, iluminado pela luz que mudou o mundo.
Quem lá entra não se molha nem transpira pelas encostas da moleirinha.. É a frescura do verão (que agradável sensação).
Mas no inverno é humidade que até despedaça os ossos. E grossos pingos de chuva como pendulo a marcar o tempo, sem caleiros visíveis para desviar a molha.
Túneis escuros enquanto ganham forma. Só com cesto articulado se sobe ao cimo para descobrir as fendas da natureza.
Reveste-se com tela impenetrável. Termina-se com betão levado pelo carro de lado a lado.
Não á montanha que resista ao progresso para unir mais os povos.
Sejam pontes que atravessam os vales.
Sejam túneis que esburacam sem ser um mal menor.

Vivo rodeado de Montanhas




A montanha é ingreme, todo verdejante. Dá a sensação de um tapete verde, desafiando corajosos, a deixarem as marcas das botas vem vincadas no seu declive.  
No início do lado direito, passam os fios que transportam a eletricidade apoiados em enormes torres. Com o avanço da distância galgam o monte, consoante o sobe e desce do terreno.
Pelo meio atravessa uma estradita. Vejo um jipe todo terreno, rolar calmamente.
Não sei para onde se dirige, não vislumbro casebre algum.
Mais á minha esquerda, observo cavalos pastando empinados. Imagino como lhes deve custar subir a montanha. Mas a erva é tao apetitosa, supera o esforço despendido.
Espaçadamente surge uma tira de árvores, duas a par uma da outra. Sobem o monte e estendem-se ao comprido. Formando um el ao contrário.
Hei! Descobri a casa.
No meio dessas árvores bastando-me inclinar para a minha direita.
Lá está, com metade de uma árvore servindo de cobertura. Um guarda-sol gigante, cobrindo parte da casa, simples e acastanhada.
E no início, bem no começo está o túnel!
O túnel percorre a imensidão da montanha, que nem sei onde termina.
Inclinando um pouco a cabeça (já dei voltas e mais voltas á posição inicial do meu corpo), descubro a ponte que atravessa o vale e passa por cima das nossas cabeças, quando percorremos a estrada. E mais uns tempos, vai de encontro á boca do túnel.
Uma colina belíssima, cheia de verde e animais pastando como obra e graça da natureza.
Um túnel que a perfurou, fazendo nascer a estrada de braços abertos para num raio de comboio rápido, aproximar toda esta gente de três regiões num abrir e fechar de olhos.




O amor é como Deus




O amor não se grava,
Numa placa estampada.
De um cruzamento isolado,
Sem direção desejada

O amor arregala os olhos de espanto
Ao assistir ao folguedo de sucessivos encontros
Por entre quatro paredes sem vidraça
Confessa-se o amor vazio de desgraças

O amor eriça os poros do nosso corpo
Desidrata os líquidos do prazer
Refresca os lábios da união
Alarga os orifícios da paixão

O amor é como Deus
Encontra-se em toda a parte
Não necessita de rezas nem promessas
Só precisamos de encontrar a pessoa certa

Larga-me triturador de Emoções





Sou fruto da solidão, pousada no esconderijo da noite.
Quando o dia raia, tento-me soltar das amarras angustiantes que me sufocam a cada instante, soltando um grito debilitante.
 Larga-me triturador de emoções!
São montes e túneis que me abrigam do isolamento, deixando que eu solte o poder da minha razão.
É lá que encontro o sustento de cada esgar de esforço.
De cada passo vitorioso
De cada ensinamento valoroso.
É lá que os dias se vão, para sentir a tua mão.
Larga-me triturador de emoções!
Deixa que as liberte para fazer feliz, nobres corações.

Lá se foi o sono, levado pelo fantasma do Vento






Demos um tempo ao nosso envolvimento
Embora obrigados, mas de elevada urgência
Parti tão só sem tirar os olhos da noite
Lá se foi o sono, levado pelo fantasma do vento

Umas semanas esfumaram-se e tu bem longe
Trespassava aquela porta ainda era noite
Voltava-a a abrir cansado e descrente
Abraçou-me o fim-de-semana, alegrando-me por momentos

Revivi os nossos recentes encontros
Numa saraivada de contínuas emoções
Enviei-te mensagens esperando ansiosamente pelas respostas
Que virou martírio, a espera tardou pela demora

Vou-te reencontrar esperando o brilho no teu olhar
Irão voltar os dias repletos de magia
Daremos as mãos como um gesto normal das nossas vidas
Temos todo o tempo do mundo, para retomar os nossos sorrisos