sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Domingo de intenso Calor




Calor imenso calor. Tanto sossego que até satura.
O corpo recupera do esforço. A mente está a postos para mais uma semana e lá se vão uns dias e mais próximo o regresso.
O calor afugenta as pessoas, deixando a vila deserta.
Só me sobram os momentos recentes, passados colados ao vento. E assim refresca-me algum tempo desviando o meu pensamento.
 Entretanto contemplo a imensidão do céu azul tão perto das montanhas, que as nuvens brancas acariciam o verde seu companheiro de já longínquos anos.
Esperando que o final da tarde regresse e me ofereça a agitação do arvoredo para que a noite se torne fresca. E adormeça como um garoto farto das correrias de um longo Domingo.
 Já arrumei, já cozinhei.
Já dormitei, já caminhei.
Já cuidei das mazelas, já retirei a pele morta em calos bem visíveis amarelados.
Já fiz festas ao gato que se irritou por o ter incomodado.
Já ouvi historias dos colegas feitos heróis em tempos passados, onde preenchiam o tempo em abraços espontâneos de mulheres á mão de semear. Hoje fecham-se no quarto dormitando para que as horas passem.
Virá a segunda-feira, para encaminhar a terça.
Esperando que na quarta, ainda restem forças (que remedio), para que na quinta, seja sinal que a sexta-feira depois do almoço, me transporte estrada fora rumo ao conforto do sorriso eterno e do olhar belo.
Vale o esforço, vale o esforço.
E aqui estou gozando o sol e esperando o final do dia para olhar o céu oferecendo-me a estrela que me presenteia alegria.

Eu e Eles



Vi-o ainda descia as escadas do prédio.
Ali estava imóvel, esperando pela oportunidade para partir rumo á caçada que lhe garantia o alimento para se recolher quando o dia surgisse.
Aproximei-me mais e mais. E como não arredava pé contemplei-o alguns segundos.
Deixei-o para a caminhada final, de um dia carregado de emoções profissionais.
Quando voltei já lá não estava, foi á sua vida e eu regressei ao lar para repousar de um dia fatigante.
Eu e eles, eles e eu! Caminhamos juntos numa encruzilhada de momentos, nesta batalha diária que nos leva à certeza de tudo fazermos para sobrevivermos.
São magnificos, vivendo na Natureza que tanto nos oferece e nós tanto a destruímos.



domingo, 20 de julho de 2014

A vida presa por um Fio





Tristes de nós que nada valemos!
Entramos num avião partindo rumo ao pão nosso de cada dia.
Rumo a umas férias há anos planeadas, que surgem como um sonho realizado.
Rumo a abraço que levamos tempos infinitos a imaginar….
E fazem-nos em pedaços que nem o céu tão perto nos amparou como escudo!
Desenterrem os culpados, que se escondem nas trincheiras de uma guerra que o homem tem prazer de soltar dos jogos virtuais.
Antes que aldeias e cidades desapareçam da face da terra.


sábado, 19 de julho de 2014

O Domingo da Piscina autêntica Romaria




Sábado choveu, estava frio. Dia desagradável, mas ótimo para descansar.
O futebol envolve a noite e horas mais tarde o dia nasce.
Domingo dia repleto de sol (é o clima por aqui), brilhando o verde em redor e como a montanha é a guardiã desta povoação, o verde é a esperança de belos dias para a região.
A esplanada enche-se de famílias. Os garotos brincam ao pé da Catedral paredes meias, nesta zona a abarrotar de história.
A cerveja e o vinho branco, são o mata-bicho usual, num Domingo onde todos se juntam, porque todos se conhecem.
Tenho o jornal em frente e não é difícil ler o essencial que corre por este país.
Na política pouco difere da nossa.
São os cortes nas despesas sociais e em povoações com menos de vinte mil habitantes, os Centros de Saúde serão deslocalizados para aglomerados mais povoados e quem sofre com isso são os idosos que enchem os bancos de jardim e as consultas do médico de família
No desporto, o mundial enche metade do jornal. E cá como lá, o futebol é rei de barrigas fartas de ar de bola.
Somos novos por estas bandas e a curiosidade aguça os comentários.
Uns pegam-me no isqueiro e acendem a cigarrilha e vai um “grácias” perturbante.
Regresso a casa passando pelos bares que de porta em porta só terminam no fim da rua. Onde o Domingo enche de alegria as esplanadas que se envolvem num misto de cor e muitas bebidas.
Uns rojões com arroz branco e uma salada que mete agriões, é o almoço que me leva a uma sesta regalada e de volta ao povoado em meia hora tudo está visto.
A algazarra da pequenada desta vez vem da piscina. É lá que se concentra o povo.
Os pequenotes estão nas nuvens. Saltam para a água como pinguins e as mães bronzeiam-se para que o sol dê colorido ao branco, que as envolve dos pés á cabeça.
É o Domingo que anuncia a semana que me vai levar a casa.
É o Domingo que dá o descanso para enfrentar a semana, depois de mais uma onde as marcas já se foram.
Está calor e apetece mesmo um mergulho na piscina.
Tenho calções e toalha para dois. Mas tem tanta gente que vou esperar pelo cair da tarde.
Um mergulho e esperar pela final do Mundial com um bacalhau assado e batatas a murro, mais o vinho Don Simon. Fazem a festa e caio num sono profundo, até que o despertador me traga de volta para uma semana que voe como as garças e me coloque em casa, para dois dias de acerto de contas, para quem anda com ideias na cabeça.


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Zé Gama o homem de vida dupla




Zé Gama, cinco tostões de gente, pensava que a vida dupla se eternizava.
Imigrante em Espanha, ramificou-se no país basco, com uma mala de ferramenta imprescindível e uma companhia semanal para lhe curar as mazelas da dureza diária.
Quinze dias depois voltava ao lar, para abraçar a família e encher os sacos de comida caseira, apanhando o transporte, numa viagem longa que lhe colocava no lugar as emoções amorosas, repartidas por duas mulheres, que lhe preenchiam a vida.
No recanto da sua personalidade, micou a mulher longe dos olhares mais que evidentes dos demais, naquele espaço infestado de pensamentos tão evidentes e ofertas á mão de semear.
Era a loucura do sábado, onde a música enchia o cérebro de desejos e a bebida incitava ao prazer que não tardava. Dando espaço para que o Domingo fosse o dia de dois seres confessarem sentimentos que o tempo se encarregava de perpetuar.
Foram longos meses neste vai e vem de repouso carnal.
Por um lado loucura sem limites, de uma mulher livre e apaixonada. Que só exigia a sua presença numas horas de uma entrega febril que deixava lágrimas na partida.
Por outro a família, onde era o garante de uma estabilidade sólida. Oferendo o futuro risonho aos filhos e abraçando a esposa em promessas de amor infinito.
Vida dupla que suavizava os dias duros do trabalho e ajudavam que o tempo voasse e o levasse para os braços das mulheres, mediante o que o calendário estabelecia.
Como tudo nesta vida, nada dura!
 As desconfianças já tão claras como água, deram ligar á descoberta da mulher legítima, refugiada na clausura da abnegação da união de uma família.
 E o ultimato de ou ela ou eu, foi o grito de desespero saído da boca de quem se calou tempos infinitos.
Zé Gama viu-se em noites terríveis de insónias.
Primeiro pediu para o mudarem de local de trabalho. Fazendo disso a prova como tudo tinha terminado e a mulher de ocasião, desaparecia como nuvens levadas pelo vento.
Mas na primeira ocasião, lá estava no leito da dita cuja, para provar uma vez mais, as loucuras do desejo.
Foi o último passo onde Zé Gama desafiou o destino!
Dias depois já a noite ia bem alta, fez as malas num silêncio que os colegas nem conseguiram interromper o sono, levando consigo os bens que enchiam as malas de tantos segredos.
E sem um último adeus a quem lhe fez companhia em dias de desabafos e recolha de conselhos. Entrou no carro que entretanto lhe chegou á porta com a família. Levando-o de volta a Portugal para o lugar que o matrimónio lhe ajudou a juntar mulher e dois filhos.
Pela manhã Zé Gama, sempre um dos primeiros a despertar com o seu ruido os mais enrolados nas mantas do aconchego, já não existia. A cama estava vazia.
 Só as ferramentas espalhadas pelo betão ainda fresco do dia recente, assinalava a sua presença.