sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Não me faças sentir-me Triste








Os nossos momentos enchem-se de beleza e perfeição. Ajudando a suavizar as noites que nos afastam.
E cada noite é um suplício!
São os fantasmas a rondar a tua cabecita, com rostos que não esqueces e palavras para ti dedicadas, mas que as transferes para pinóquias sem alma.
O domingo alarga-se num fantástico dia de sol.
É a bênção dos Deuses, para curar as feridas que se fecham com as pomadas milagrosas.
Recordo o teu sorriso, é tao fácil recordar.
Puro e apaixonado. Permanecendo estampado no vazio que o meu olhar enfrenta.
O teu olhar reclamando carinho, acompanha-me nas descidas e subidas da vida diária. Que se inicia pela madrugada.
Merecemos gostar um do outro!
Não pelo esforço em aguardarmos impacientes pelos reencontros.
Mas pela beleza que transmitimos ao nosso conforto.
Só exijo que bem mereço: não me faças sentir-me triste!
A tristeza mata aos poucos encurtando a longevidade e com isso perderei anos sem beijar o teu amor.
Entretanto repouso na leitura fazendo horas para degustar e elevar a cultura.

O Teu Rosto


Tenho uma almofada com o teu rosto gravado
De tanto soletrar o teu nome
Nos lençóis tenho bordado
As curvas magníficas do teu corpo

Não quero trocar os lençóis
Para não lavar o teu amor
Mas desejo a cama remexida
Mostrando as batalhas do nosso fervor

A viagem vai a meio
A estrada não tem fim
É o nosso leito, autêntica passadeira vermelha
Que regista os gestos,
em movimentos de delírio

Acordo e sinto os teus beijos
Apertas-me com mimos num abraço que conforta
Tenho-te no colo embebido em desejos que se soltam
É a imagem real, amaciando um amor que delícia.

domingo, 31 de agosto de 2014

Noite que poderia ser Negra




A noite foi agitada num final de mês que sempre deixa marcas a cada ano que passa.
Ela chega, ou não?
Ela fica ou se vai?
Ela entrega-se, ou resguarda-se na escuridão da brisa vinda do mar ali tão perto, já a sentir os banhistas a dar-lhe o espaço que sempre procura, para se enrolar na areia e enterrar os segredos.
Ela chegou e logo desejou pôr-se ao fresco.
A vontade de me enrolar na esplanada foi curta demais para aquecer a bebida amarelada.
Levantaste-te noite malandra, para regressares de onde vieste e eu deixei-me levar no teu andar irritante, fechada num olhar sério.
Deixei-me cair sem reação, quando já deixei de distinguir a tua sombra.
Eu já nem sei do que gostas, noite branca, que foi como fiquei, quando dei por mim no passeio perto do jardim.
Só sei que tenho que gritar com todas as forças que ainda me envolvem dos pés à cabeça, para te fazer voltar.
 E gritei!
 Uns gritos abafados mais para dentro de mim, do que propriamente para chegar até ti.
Mas tu sombra de dores e amores voltaste!
Gritei, agora sim. Para ti.
 Bem perto do teu rosto, autentica lanterna que guia os meus desejos incontroláveis.
Mas tu sombra, que tanto te acanhas numa bola negra e silenciosa, para saltares de posição em posição. Como te elevas pelo infinito e me amordaças os sufocados desejos.
Por fim, noite bendita. Deixaste-te cair nos meus braços que ficaram negros e invisíveis.
Só as veias salientes de uma força ardente, salientava-se na escuridão de quatro paredes salpicadas de conversas incoerentes.

sábado, 30 de agosto de 2014

Uma tábua dois paus e quatro Rolamentos





Eles subiam o monte de quilómetro e meio nos atrelados, para se lançarem estrada a baixo em velocidade louca até à meta. Onde o computador controlava a velocidade e definia o vencedor.
Eu subia a rua com o carrinho de rolamentos debaixo do braço. Para descer o passeio em velocidade louca, que só terminava na meta depois do Kekas.
Eles equipados com toda a segurança. Fatos especiais que os amparavam nas quedas sempre possíveis nestas corridas desenfreadas.
Eu de calções e chinelos de dedo. Não olhava ao medo e cheio de arranhões, não impedia a alegria de descer (hoje) a avenida.
Eles de luvas especiais, capacetes antichoque. Davam show para a multidão que os aplaudiam a cada final de corrida.
Eu cabelos ao vento. Agarrando tenazmente a corda, para que o carro não saltasse do passeio. Ouvindo os gritos dos vizinhos que me ameaçavam de dar cabo do passeio das suas entradas.
Eles com carros adaptados, revestidos com toda a segurança.
Publicidade bem visível e bancos acolchoados.
Eu uma tábua e dois paus. Quatro rolamentos queimados.
 Voava cem metros até ao fim da rua onde o passeio terminava.
Eles com as namoradas nervosas, roendo as unhas ansiosas. Que os vitoriavam num beijo apaixonado.
Eu com a mãe á porta. De mão estendida a ver se os joelhos sagravam, para os curar com uns bofetões.
Eles desciam em três mangas. Terminando nuns piões, deixando a estrada desenhada com a borracha das rodas em círculos bem visíveis.
Eu descia até faltarem-me as forças. Ou até um rolamento desaparecer pelo bairro a baixo, por entre risadas manhosas dos que com raiva nem tinham habilidade para juntar dois paus e uma tábua.
Eles terminavam nervosos. Á procura do melhor lugar no pódio. e recolhiam eufóricos (alguns) os carros nos reboques que os levavam a casa depois da multidão se retirar satisfeita com o espetáculo.
Eu subia o passeio quase sempre com o carro estilhaçado. Mas feliz da vida com umas horas bem passadas.
Eles e eu, de olhos vibrantes fazendo da velocidade a adrenalina fantástica. Lembrando (as saudades) para mim. E um até à próxima para eles.