sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sou o último a bater a porta só com ilusões Acomodadas,




Ainda admiro as imensas estrelas que matizam o céu de um manto colorido, quando parto para o último dia de trabalho que no final me levará para casa numas mini férias bem merecidas como ansiosamente desejadas.
 A noite está linda e fresquinha, apesar de já serem sete horas e a via rápida estar saturada de viaturas.
O carro rola num silêncio habitual, hoje mais intenso, já que dois deles fizeram questão de encurtarem o descanso. Festejando as mini férias com alegria a transbordar em euforia, espantando os vizinhos sempre amáveis com os excessos nem sempre contidos.  
É agradável saber que no final de um longo dia de trabalho, espera-me quatro dias em pleno na terra que me viu nascer, junto de um sorriso ansioso e de um olhar maravilhoso.
Por isso o trabalho rola ao sabor do tempo e com isso só ganha em ficar realizado, deixando todos satisfeitos e mais rápido abandono os penhascos esventrados, mostrando uma obra-prima da engenharia europeia, deixando de boca aberta todos que por lá deixam um pouco das suas vidas.
Sou o último a bater a porta de saco meio vazio só com ilusões acomodadas, já a noite comanda a nossa longa viagem com o destino estampado no rosto.  
Agora a estrada guia-me como um anjo negro. O Silêncio não deixa palavras nos primeiros quilómetros percorridos.
Meia hora depois de deixar pousar o silêncio, contamos histórias passadas e quando damos por nós, a fronteira portuguesa liberta-nos um grito de espanto.
 Que rica viagem feita de um pé para a mão, apesar de seis horas de viagem.
Contei histórias retidas no lugar que comprimo as memórias, fazendo voar o tempo e deixando os companheiros (amigos), absorvidos com as aventuras de uma época ainda fresco na minha mente.
 Cimentamos ainda mais a nossa união como equipa e estou certo que no regresso seremos ainda mais fortes e assim sendo o trabalho será concretizado com mais alegria.

E Mais Nada








A noite oferece o silêncio das certezas
Sejam alegres ou banhadas em tristeza
Do amor todos sentimos falta
Do calor é saborear o retido no asfalto

Não me faças sentir-me Triste








Os nossos momentos enchem-se de beleza e perfeição. Ajudando a suavizar as noites que nos afastam.
E cada noite é um suplício!
São os fantasmas a rondar a tua cabecita, com rostos que não esqueces e palavras para ti dedicadas, mas que as transferes para pinóquias sem alma.
O domingo alarga-se num fantástico dia de sol.
É a bênção dos Deuses, para curar as feridas que se fecham com as pomadas milagrosas.
Recordo o teu sorriso, é tao fácil recordar.
Puro e apaixonado. Permanecendo estampado no vazio que o meu olhar enfrenta.
O teu olhar reclamando carinho, acompanha-me nas descidas e subidas da vida diária. Que se inicia pela madrugada.
Merecemos gostar um do outro!
Não pelo esforço em aguardarmos impacientes pelos reencontros.
Mas pela beleza que transmitimos ao nosso conforto.
Só exijo que bem mereço: não me faças sentir-me triste!
A tristeza mata aos poucos encurtando a longevidade e com isso perderei anos sem beijar o teu amor.
Entretanto repouso na leitura fazendo horas para degustar e elevar a cultura.

O Teu Rosto


Tenho uma almofada com o teu rosto gravado
De tanto soletrar o teu nome
Nos lençóis tenho bordado
As curvas magníficas do teu corpo

Não quero trocar os lençóis
Para não lavar o teu amor
Mas desejo a cama remexida
Mostrando as batalhas do nosso fervor

A viagem vai a meio
A estrada não tem fim
É o nosso leito, autêntica passadeira vermelha
Que regista os gestos,
em movimentos de delírio

Acordo e sinto os teus beijos
Apertas-me com mimos num abraço que conforta
Tenho-te no colo embebido em desejos que se soltam
É a imagem real, amaciando um amor que delícia.

domingo, 31 de agosto de 2014

Noite que poderia ser Negra




A noite foi agitada num final de mês que sempre deixa marcas a cada ano que passa.
Ela chega, ou não?
Ela fica ou se vai?
Ela entrega-se, ou resguarda-se na escuridão da brisa vinda do mar ali tão perto, já a sentir os banhistas a dar-lhe o espaço que sempre procura, para se enrolar na areia e enterrar os segredos.
Ela chegou e logo desejou pôr-se ao fresco.
A vontade de me enrolar na esplanada foi curta demais para aquecer a bebida amarelada.
Levantaste-te noite malandra, para regressares de onde vieste e eu deixei-me levar no teu andar irritante, fechada num olhar sério.
Deixei-me cair sem reação, quando já deixei de distinguir a tua sombra.
Eu já nem sei do que gostas, noite branca, que foi como fiquei, quando dei por mim no passeio perto do jardim.
Só sei que tenho que gritar com todas as forças que ainda me envolvem dos pés à cabeça, para te fazer voltar.
 E gritei!
 Uns gritos abafados mais para dentro de mim, do que propriamente para chegar até ti.
Mas tu sombra de dores e amores voltaste!
Gritei, agora sim. Para ti.
 Bem perto do teu rosto, autentica lanterna que guia os meus desejos incontroláveis.
Mas tu sombra, que tanto te acanhas numa bola negra e silenciosa, para saltares de posição em posição. Como te elevas pelo infinito e me amordaças os sufocados desejos.
Por fim, noite bendita. Deixaste-te cair nos meus braços que ficaram negros e invisíveis.
Só as veias salientes de uma força ardente, salientava-se na escuridão de quatro paredes salpicadas de conversas incoerentes.