sábado, 11 de outubro de 2014

Por onde Andavas




Encontrei um irmão que já não o via á muito.
Foram anos de um virar costas, devido às correrias fartas de atropelos, que ele fazia questão de ter o prazer por cá fazer.
E como consequência teve que correr mais uma vez. Mas desta, para bem longe do lugar que o viu nascer.
Os anos passaram e o lembrar do irmão mais novo não passava de uma miragem.
Como tínhamos maneiras diferentes de olhar o futuro, as conversas terminavam sempre com sabores azedos e o melhor era, cada um trilhar o caminho que achava o melhor.
Das esporádicas vezes que colocava um pé na terrinha, nunca nos víamos e eu só tinha noticias dele pelo progenitores, que pouco mais sabiam do que eu, tamanho o secretismo que ele impunha á sua vida. Só elevando o seu estilo british, como bandeira de tudo lhe correr de feição.
Há poucos dias cruzamo-nos e nada melhor que desatar as amarras e conciliar os caminhos cruzados que percorríamos, num só.
 Assim foi! E só ganhamos. O espirito de irmãos veio uma vez mais ao de cima.
Foram dias agradáveis, embora o seu estilo se mantenha.
Como as novidades boas e as menos boas, eram imensas para manter conversas pelo dia e pela noite. Os dias passarão num pescar de olhos e agora ele lá se foi para a sua vida, ainda envolta num pequeno mistério.
Estou certo que daqui em diante, regularmente nos vamos encontrar.
A família é o melhor dom que possuímos e como tal preservá-la é a obrigação de cada um de nós.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Com o coração nas Mãos



Três da manhã viagem terrível. 
Os cafés ingeridos, eram impossíveis de nos despertar.
 Quatro da manhã. O sono tomava conta de nós e a estrada não tinha fim.
Não podíamos parar. E o sono encaminhava-nos para o abismo.
Num grito, o condutor guinou o volante para a direita, quando o desastre era eminente.
Conduzir devagar não dava tempo para chegarmos. E queríamos chegar, para descansar.
Eu desejava parar e acabar com o medo da derrocada, que só podia terminar, enfaixados nos railes da auto-estrada.
Parávamos na solidão da noite.
 Tudo encerrado. Não se via viva alma. Só a chuva para mal dos nossos pecados.
Recomeçávamos o martírio de pôr o carro a rolar e o medo a pairar.
 Tínhamos que chegar e descansar, descansar, descansar.
Para nossa segurança, o som dos pneus na faixa branca, abria-nos os olhos, mas não a lembrança. Embora tudo fizéssemos para perder vários minutos da nossa vida.
 Por fim chegamos cansados e com o coração nas mãos.
 Uma hora de descanso, num sono em sobressaltos. Lá voltamos a entrar no carro, num silêncio tão ingrato que pedia contas à irresponsabilidade de três marmanjos.
E mochila às costas, principiamos o trabalho que não dá tréguas.
 Onze horas depois o regresso. Duas dentadas numa refeição sem tempo para terminar e momentos depois, a cama era a salvação para um corpo travado de violentas emoções.

domingo, 5 de outubro de 2014

Domingo a aconselhar o Quentinho




Domingo frio e chuvoso. Tristonho e sei lá mais o quê!
Tomo a bica debaixo do toldo que me abriga dos chuviscos esporádicos fumando o cigarrito da praxe.
Vozes ao meu lado invadem o espaço sem poder distinguir o seu significado. É uma sucessão de palavras em vasco, não tendo ponta por onde pegar para as descodificar.
Ze Gama, última localidade antes que a montanha toque o céu, no começo dos Pirenéus. Deixa que o seu povo saia à rua e liberte ainda a alegria por escassos dias.
Não tarda, a neve e o vento que quebra os ossos ao mais duro habitante cá da terra. Serão os donos de todos os recantos, obrigando a uma hibernação obrigatória para se defenderem da Natureza, que não tem pejo em transformar em pó, os mais desprotegidos que a povoam.
Por agora adultos e crianças, mais estas. Ainda correm e brincam nos beirais das tabernas, não se livrando de umas escorregadelas mais ou menos dolorosas no piso húmido, característico nesta altura.
 Nom passa nada! Pensam eles e com as manchas escuras bem expressivas na roupa, nada os faz parar enquanto os pais fazem horas para o almoço e a sesta, que não tarda.
Já sinto o pinguinho a roçar as narinas. Sinal que está na hora de regressar a casa. Este banco de pedra, mesmo com almofadas para não deixar o rabo duro, já infiltrou um desconforto pelo corpo.
 Xauzinho que se faz tarde. Vou-me daqui para o quentinho da sala.
 Aí Inverno que te aproximas. Nem sei como te fazer frente! E nem imagino o poder da tua força.
 Sou Português! E um Português conquista, desbrava. Não desiste!

sábado, 4 de outubro de 2014

A noite para Esquecer



A noite era obrigada a fazer com que eu esquecesse um rosto.
 Um rosto que me tem acompanhado incessantemente. Numa perseguição constante e tenaz, obrigando-me a malabarismos cruéis na tentativa de provar uma realidade tão nítida. Mas infestada de fantasmas que se cruzam logo que obrigatoriamente me afasto dele.
E nada melhor que mergulhar na balburdia da noite, por entre luzes coloridas e bebidas espirituosas. Música a fazer baloiçar o corpo e piropos a quem estava próximo.
 As horas avançavam como as moedas que já não tilintavam nos bolsos magros de notas.
Já bebia sem pagar, ofertas que embalavam piscar de olhos. E dois dedos de conversa.
A noite estava fresca, mas o cérebro bem quente que me fizeram esquecer o presente.
Como o futuro é ao bater da porta. Lá entrei como uma carroça.
 E o burro sou eu, para esquecer um sorriso que solta alegria. E um olhar que acelera a adrenalina.
Há isso queriam muitos, escondidos nas esquinas!
A propósito, acordei bem fresco como uma alface. E o rosto não me abandona.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Queda de um líder que nunca o chegou a Ser





Finalmente terminou a enxurrada de impropérios entre os dois candidatos a liderar os destinos do PS.
Seguro era o líder legítimo, acabava de obter uma vitoria que não convenceu as ovelhas idosas do PS e logo trataram de se reunir no curral da mudança para afastar Seguro da escassa vitoria.
O patriarca socialista não estando com meias medidas abriu o leque das opções e lançou para cima da mesa António Costa como o garante da liderança socialista e o baluarte de uma maioria.
Como o tempo ameaçava ser escasso para tamanha odisseia. há que pôr toda a carne no assador e lançar Costa pelas estradas do país e convencer os militantes e simpatizantes, do agora ou nunca, em  afastar este governo da lama em que enfiou o país.
Eles (Seguro e Costa), afiaram os dentes e morderam-se mutuamente até aos calcanhares já a evidenciar pele morta de tanto esgrimirem argumentos.
Seguro reuniu o seu rebanho já a evidenciar deserções a cada luta travada.
Costa ganhava apoios enquanto as projeções lhe cantavam vitoria.
Seguro não teve cão de guarda para o rebanho inexperiente que deambulava pela erva já amarelada.
Costa recebeu de bom grado castros laboreiros de experiencia comprovada que sabiam onde a erva fresca despontava.
E na recolha aos currais, era bem visível o porte atlético do rebanho do autarca. Contrastando com a magreza e descrença do, ainda líder socialista.
E como não podia deixar de ser o rebanho do António saiu vencedor sem apelo nem agravo.
Agora que o dia nasceu depois da avaliação e do abrir portas dos currais. Todos são unanimes que os rebanhos devem-se juntar e continuar a subida do monte socialista rumo á maioria como a última batalha a ser vencida
Seguro desistiu da linha da frente onde ainda se podia ouvir o chocalho da sua presença. Remetendo-se a acompanhar o rebanho na retaguarda e cada abocanhar de erva com reduzido apetite, recordava os tempos em que liderava com a certeza que ser primeiro-ministro estava tao perto como o virar da próxima esquina.