sábado, 8 de novembro de 2014

O meu Jardim





No horto onde colho o teu corpo.
O meu jardim dos pés à cabeça.
Onde solto pétalas para te oferecer um adorno enorme, trepando em ziguezague nesse corpo curvilíneo, qual Cleópatra. Agradando ao Faraó dono e senhor dos jardins do olimpo.
São rosas, tulipas, antúrios, papoilas e belas flores silvestres.
Soltando um aroma de desejos irresistíveis que me levam a desflorar as entranhas da desbravada semente humana.
Lá, encaminho-me para a estufa rolante.
No canto mais abrigado procedo aos enxertos que libertam a semente, por ti amorosamente acolhida.
Imensas flores que povoam o meu jardim.
Transportam candeeiros florescentes. Iluminando as nossas silhuetas, meias despidas devido ao enlevo despendido.   
Seja ainda com o dia a pairar a altas horas. Seja com a noite a chegar com o encolher do dia no inverno.
No horto onde colho o teu corpo!

domingo, 2 de novembro de 2014

A semana do Antes e Depois




Uma semana antes, regressava da montanha em direção à praia.
Envolvia-me a pureza do ar que os montes agregam, limpando-me das impurezas quotidianas.
 Ainda era bem cedo e um maravilhoso dia acolhia-me depois de uma noite idílica com a grata recompensa de uma hora valer duas!
Sentindo-me a abarrotar da ressaca dessa noite, escrevi a mais bela história de amor!
O livro era o leito branco imaculado. Onde as ondas vincadas das nossas posições, cruzando frases que a história não apaga. Resumiam o fervilhar dos corações, num enlace de enormes emoções.
 Horas depois o regresso à montanha, sem antes percorrer centenas de quilômetros de asfalto. Num silêncio profundo que as emoções do dia, proporcionavam fabulosa alegria.
 A procura do beijo de um bom dia, logo que a pestana libertou o olhar, sem nunca o pregar. Foi o momento mágico do meu corpo ainda te sentir, junto a mim, naquela noite que nos aceitou numa felicidade sem fim.
Neste instante uma semana passada, ainda te sinto mergulhada nas minhas entranhas.


sábado, 1 de novembro de 2014

E nós aqui tão Perto





Em Espanha é um caça às bruxas.
Bruxas e bruxos!
Prenderam o secretário-geral do PP! O partido do governo.
Com o líder máximo a pedir desculpas e o povo a exigir medidas.
 Elas aí estão!
Granados de seu nome, antigo jornalista. Sonhava com o poder e nada melhor que enveredar pela política.
Pé ante pé, subiu os degraus que lhe surgiam até ocupar o lado direito da tribuna, que gere os destinos deste país, mergulhado na visível corrupção. Com as duas mãos, roubou os espanhóis através do tráfico de influências. Branqueamento de capitais depositados nos famosos paraísos fiscais. E mais grave, o que o levou ao cárcere. Liderar uma rede criminosa.
Outros mais estão na lista negra!
Fiança de dezasseis milhões de euros. Dezasseis! Um autêntico euromilhôes. Só visto!
O que este homem desviou a seu belo prazer.
Um de apelido Rato, três milhões.
Enchia a pança, com os prazeres que o dinheiro público à mão de semear lhe surgia e despejava os órgãos nos aposentos eróticos. Calando a boca da família com adereços caríssimos, fazendo inveja aos próximos sem possibilidades de deitar a mão, ao que ele fazia num piscar de olhos.
E outros. E outras!
A lista não tem fim.
Espanha está nas bocas do mundo pelas piores razões. O país alarga-se em brechas como crateras de erupções!
E o povo sofre!
A grande maioria vive no limiar da pobreza. Pela noite é uma romaria na busca de alimento nos contentores.
 As autoridades fazem caça com multas de setecentos euros. Mas nada os faz retirar. A fome afasta qualquer receio.
Os niños, a grandeza de um país. Encostam-se em orfanatos sem futuro. Numa exclusão sem precedentes.
Em meia dúzia de anos galoparam nas estatísticas, fazendo de Espanha o segundo país onde os niños, nem teto têm para sonhar com um destino. Só a desgraçada Grécia, lhes passa à frente.
 E nós Portugueses camuflados em idêntica realidade. Quando abriremos a porta, para prender os culpados!
Para quando a força dos espanhóis que lutam para levar à justiça os corruptos que esmagam um povo numa passadeira sem fim de ossadas famintas. Nascerá esse dia? Todos temos fé que sim!



domingo, 19 de outubro de 2014

Domingo a Terminar




Ouço música, bebo uma cerveja e fumo uns cigarros.
O domingo aproxima-se do fim. A noite não tarda neste lugar feito do nada.
Esperei um toque, que me trouxesse um miminho tão necessário neste cantinho.
Ele não surgiu apesar da ansiedade que de minuto a minuto, o desejava.
Que fiz de tão ruim para merecer este destino?
Penitencio-me com os meus botões e eles dobram-se em dois. Como cúmplices desse mesmo destino.
É a vida dizem os vizinhos!
São as pragas lançadas pelas desamparadas. Dizem os mais destruídos e assumidos pela desgraça.
Alto lá, que ainda estou cá!
Com muito amor para oferecer e muito mais para recolher.
Otimismo dos convencidos! Dizem os pobres de espírito.
E no meio disto tudo, a noite desce sem se dar por ela. E com os candeeiros da vila a dar luz à alegria. Lá se foi mais uma semana e uma outra terminará para me levar de encontro a outras esplanadas.
Aí sim! Abrirem os braços de encontro ao presente. Porque do passado não reza a história. E do futuro nascerá com toda a certeza, a aurora.