sábado, 6 de dezembro de 2014

O sorriso Retorna o olhar Expande-se




Passo o tempo a tentar ser feliz!
Pequenos momentos deixam-me alegre.
O sorriso retorna, o olhar expande-se.
Esteja onde estiver. Estou feliz.
Um olhar encanta-me. Uma música relaxa-me.
Uns amigos recordam tempos gloriosos e bebemos uns copos (não muitos), para fervilhar as recordações.
Dou o máximo no trabalho. Saiba muito ou pouco da arte, depois da travessia do deserto. Em que perdi o emprego que me realizava.
Stresso-me por não saber. Quando me instigam a fazer o que eles sabem que não sei.
Afasto-me dos vícios mesmo quando eles estão tao perto.
Vivo recheado de pessoas fora das suas faculdades.
Uns bebem até cair. Outros fumam infestando a habitação. Os restantes repetem histórias que já não existe pachorra para as ouvir.
Comprometi-me por amor que respirava pureza.
Partilhei imenso isso. Mas o preço foi elevadíssimo.
Fez de mim, gato-sapato e eu aguentei até á exaustão.
Refugiei-me longe de tudo. Mas necessitava estar perto de alguém.
Esse alguém, surgiu!
 Depois da tempestade veio a bonança, feliz fiquei até pondo em causa tamanha bondade dos anjos.
Sorriso puro olhar angélico. Agradeci a Deus por ter conquistado o céu.
Mas tudo nesta vida não são rosas. Sem milagres da multiplicação.
Longe de alguns, para estar perto dos restantes. Lutei até perder as forças.
 O corpo não obedecia, porque a alma entorpecia.
Olhos nos olhos eramos loucamente felizes.
Longe dos nossos sorrisos, eramos nuvens negras que pintalgavam o céu azul permanente, como minha companhia.
Eu jurava, eu prometia.
 Mas não queria mudar o meu EU! Depois de tantos anos a ser o bôdo da corte.
Mas quando o nosso olhar se cruzava, era um deus nos acude para o despregar.
Se confesso que adorei ver um jardim formoso.
Acusam-me de colher um ramo de flores para oferecer a outra pessoa imaginaria.
Se conto que dei uns passos de dança. Passei a noite atrás de nova esperança.
E eu só passo o tempo a tentar ser feliz!
Pequenos momentos me deixam alegre.

domingo, 16 de novembro de 2014

O quentinho da Sala




O sol tanto se esforça para me fazer sorrir.
 Mas o vento maldito, dita leis neste condomínio plantado no coração da montanha.
Sair é correr o risco de uma gripe. E logo depois de um banho, para fazer desaparecer as marcas visíveis no rosto, de uma noite repleta de voltas na cama.
As belas músicas acalmam a minha impaciência.
Numa seleção cuidada, fazem-me recordar tempos que me acompanham sistematicamente. E algumas recentes, libertam imagens constantes de um sorriso magnífico e um olhar divino. Divago pelos pensadores com prestígio.
 As frases cunhadas com sentido, despertam a minha consciência.
Com elas oriento o sentido da vida e resguardo-me dos pobres de espírito.
 Entretanto o vento amainou, mas a alegria de caminhar pelos trilhos da Natureza foi fugaz, porque a chuva não se fez esperar.

Do sol não resta vestígios. É o inverno a chamar a si a tristeza do dia.
Resta o quentinho da sala e esperar por nova semana.
Sem dar por isso, desbasto a cesta das nozes. Com um maduro a acompanhar e como não à futebol. Todos se recolhem para a soneca habitual.
 Ainda bem!

sábado, 15 de novembro de 2014

O vento Terminou com a Romaria





Estou fechado em quatro paredes, porque sair nem pensar.
 O vento é de tal ordem que me obriga a andar uns metros sem sentir o chão que devo pisar. Ainda tentei caminhar.
 Equipado com a roupa mais quente que a mala pôde transportar. Só consegui chegar ao café, depois de ser bombardeado com folhas, pequenos ramos e sei lá mais o quê!
 Para voltar escolhi o abrigo dos prédios. Qual animal protegendo-se da força da Natureza.
 Pela manhã ainda consegui juntar-me aos inúmeros curiosos, que como eu, viam bem de perto a romaria de São Martinho.
Dezenas de bancas, davam belo colorido pelas principais ruas da vila. Artesanato local, doçaria regional e enchidos de porta a porta. Eram um regalo para os olhos e estômago, mas elevados para carteiras a necessitar do vencimento.
 Os melhores exemplares de pastagem que povoam as ingremes encostas da montanha, que se perde de vista. Esperavam pacientes que o júri votasse no melhor queijo que o seu leite produzia.
 Cabras, ovelhas, vacas e até um javali. Já fartos dos putos lhes acariciarem os cornos, não viam a hora de regressarem à erva fresca ali tão perto.
Brinquedos  para os miúdos.
Bolsas, carteiras, óculos de marcas suspeitas. Enchiam os passeios.
 Gorros, botas, luvas e mais adereços. Feitas à mão pelos descendentes dos Incas, faziam parar o povo para agasalho do inverno que já se alojou.
 Bela romaria que pouco durou!
O vento ameaçou e não tardou a levar tudo pelos ares e acompanhado da chuva. Obrigou a uma correria desenfreada.
 Em pouco tempo a vila, voltou, à pacatez que a caracteriza.
 Por isso foi-se a romaria e estou aqui fechado, ouvindo a fúria do vento. E a noite não tarda.
E que noite!

domingo, 9 de novembro de 2014

O Verão de são Martinho





Ainda estico o corpo quando ouço o relógio de parede, badalar nove vezes.
A chuva bate na janela, já gasta pelos longos anos sem lhe dar uns mimos de brilho.
Por isso o frio que já se sente, não tem resguardo para que não se infiltra pelo quarto acanhado.
Sabe tão bem, sentir a chuva enrolado na roupa que recorda a infância.
Uma hora depois estou na rua necessitando de um café e alegre porque o sol não tarda a surgir.
Ele ai está!
Mas é sol de pouca dura. Um verão de são martinho. Com castanhas e vinho ainda a fervilhar de novo, baloiçando com os intestinos.
As nuvens bem se esforçam para lhe tapar o trilho.
Não adianta porque o sol ainda tem força para derrubar quem se cruza no seu caminho.
Fecho os olhos e inspiro o seu calor.
Que delicia. Que fofo.
O dia vai a meio. O sol sabe que só lhe resta umas horitas para deitar os cornitos de fora.
E eu aproveito num recanto onde ele alimenta as minhas emoções e emproa as plantas dos vasos que decoram as vinte escadas. Cada uma delas com o seu mistério
Um pouco mais tarde ele (o sol), que tantas saudades vai deixar, neste Inverno. Ameaçando chuva, vento e humidade até estalar os ossos. Desaparece numa imensidão de nuvens negras, que segundo a meteorologia não tardam a descarregar água, inundando as ruas e soltando as amarguras de um povo amarrado às tristezas da vida.

sábado, 8 de novembro de 2014

O meu Jardim





No horto onde colho o teu corpo.
O meu jardim dos pés à cabeça.
Onde solto pétalas para te oferecer um adorno enorme, trepando em ziguezague nesse corpo curvilíneo, qual Cleópatra. Agradando ao Faraó dono e senhor dos jardins do olimpo.
São rosas, tulipas, antúrios, papoilas e belas flores silvestres.
Soltando um aroma de desejos irresistíveis que me levam a desflorar as entranhas da desbravada semente humana.
Lá, encaminho-me para a estufa rolante.
No canto mais abrigado procedo aos enxertos que libertam a semente, por ti amorosamente acolhida.
Imensas flores que povoam o meu jardim.
Transportam candeeiros florescentes. Iluminando as nossas silhuetas, meias despidas devido ao enlevo despendido.   
Seja ainda com o dia a pairar a altas horas. Seja com a noite a chegar com o encolher do dia no inverno.
No horto onde colho o teu corpo!