quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O mar Revolto






Chove, chove e tanta água galga os rios.
Transporta o entulho que entristece a natureza.
Como era belo contemplar os baixios.
Tão límpidos, a fervilhar de enguias.

O mar revolto engole a vasta água.
Aumentando-lhe o tamanho das sucessivas ondas.
É esplendido vê-las crescer.
É intrigante pensar onde vão terminar.

Aproximo-me para as observar bem de perto.
São lombas impercetiveis, ainda tão longe.
Rapidamente atingem alturas dantescas.
Sem barreiras para as enclausurar.

Não existe igualável força,
como a beleza das marés vivas.
Embora protegido, arrisco para a água me salpicar.
Acabo a tremer sem saber se de frio, ou de medo. 




Uma, duas. São dezenas até cansar.
Que esbarram bem lá no fosso para não matar.
Ninguém imagina que podem galgar,
Qualquer muralha de betão para as acorrentar.

Não à registo fotográfico, que me satisfaça.
Cada rebentar de onda é fabuloso.
Demoro o tempo que me concedem.
Olha, olha, aí vem mais uma. Grito excitado.
 

Perdi a Voz




Fiquei sem voz para te chamar,
porque as pernas recusaram-se a andar.
Agora estou tão longe.
Que nem o tamanho do meu coração te pode alcançar

Sei que daqui a dias, irei voltar.
Será que as pernas me guiarão?
Pelo caminho bem conhecido.
Onde o amor era a principal razão.

Mas voltarei a estar longe.
Levando a voz e as pernas para trabalhar.
Como tenho um coração do tamanho do mundo
Tudo farei para ao teu, o juntar.

Neste vai e vem de emoções,
que não à maneira de terminar.
Deixa sempre um rasto de ansiedade
Que muitas vezes, o amor não pode evitar.

Já tenho idade para ter Juízo




O amor rasga-me o coração.
De unhas afiadas de tanta raiva .
Que fiz eu para o merecer.
Quando só peço, para o sangue livremente correr.

Procuro um sorriso bem conhecido.
Que se esconde nos canaviais do meu caminho.
Trespasso-os com a catana afiada,
para abrir uma nesga iluminada.

Já tenho idade para ter juízo.
Mas para sentir o amor, nunca necessitei de BI.
Desde miúdo, tremia só de me aproximar.
Das emoções que o amor emanava.

É fabuloso, o amor não escolher raças.
É negro, amarelo e de um branco imaculado.
Oceanos, desertos e o mais escuro da vida.
Não são túmulos para o amortalhar.

Esse Teu Rosto




Que vontade louca, de colar os meus lábios aos teus.
Cobria-os de imenso desejo,
que nem milhões de beijos.
Acalmavam a minha excitação.

Oferece-me a tua boca,
em troca de a amar para sempre.
Com ela virá depois o teu rosto,
que não resiste ao meu fogo.

Só rogarei pelo teu corpo.
Quando não resistires ao meu amor.
Tocarei nele com mãos de veludo.
Para que o prazer te eleve, 

às emoções mais profundas


Quando acordares deste sonho,
irás pedir que se torne bem real.
Nada é difícil nesta vida,
quando o amor se transforma em paixão.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Lá como Cá




A Espanha deu caça aos homens, depois de um povo ameaçar ruir as frágeis estruturas políticas de direita, que teimava proteger pessoas conhecidamente corruptas.
Prendeu cabecilhas, braços direitos e ajudantes de campo. Que ditavam leis num país de touradas e castanholas.
Nem escaparam presidentes que aguentavam independências e governantes que faziam crescer o betão e aproximar populações, mesmo tapando o sol vindo de trás dos elevados montes.
De manhã à noite, era uma caça sem precedentes. E as fianças de valor astronómico, mostravam a realidade dos enormes desvios que essas pessoas levaram a cabo.
Uns logo disponibilizaram o dinheiro para não entrarem no xadrez de fazer inveja aos aposentos da enorme maioria do povo espanhol.
Outros nem possibilidades tiveram para oferecerem pipas de massa, livrando-se da desgraçada entrada nas portadas da jaula decorada.
Foram logo para lá enviados tamanha a proporção dos seus crimes sem fim, num país enorme carregado de história.
E claro, outros não esperaram pela demora!
Portugal tão perto viu-se contaminado pela onda da caça e logo Sócrates foi esperado ainda no dorso da ave metálica.
Os espanhóis aproveitaram a benesse e sem espanto, abriam os jornais com a famosa espera, que a justiça portuguesa presenteou o antigo primeiro-ministro.
E transportado à cadeia de Évora, levou a que milhões de espanhóis ficassem a conhecer o berço do Alentejo.
Felizes ficaram quando a justiça portuguesa indeferiu o pedido de habeas corpus e manteve Sócrates agarrado ás barras de ferro, que ainda lhe deixava ver a luz ao fundo do túnel.
Lá como cá a justiça funciona dizem os mais entendidos na matéria.
Outros mais ou menos famosos estão em vias de dialogarem com Sócrates atrás das grades, preparando a fuga com os milhões que desviaram. Porque para países como o nosso e o vizinho, interessa mais a restituição do que está almofadado em países dourados. Do que manter estes homens afunilados em cadeias de elevado custo. Que não é bom agoiro para um povo cada vez mais sobrecarregado de impostos.
Mas a caça ainda vai no adro!