sábado, 11 de abril de 2015

Se de longe ele me Chegará




Fria manhã. Sete graus bem frescos, numa sexta-feira, esperando pelo atendimento, para fixar-me nesta cidade.
Voltei ao país dos ricos, que acolhem os desamparados, sem soluções de vida nos países de origem.
Deixei tudo para trás, aceitando uma proposta mais risonha para dar continuidade á minha história.
O que deixei, só eram migalhas de um passado de botas de brilho já demasiadamente polidas, mas constantemente a esborrachá-las contra a calçada, cada vez que se elevava.
O que levo? Momentos tão presentes que me transportam constantemente para bem perto dum jardim, que se abria em rebentos primaveris, logo que colocava a mão para pedir um carinho.
Volto para descansar e poder estar algum tempo com os meus botões. E a cada desabafo com eles subirei a escala. E como são cinco saberei que no dia seguinte chegou o fim-de-semana, para falar de amor no aconchego da almofada.
E o primeiro aí está!
Vamos a ver se de longe ele me chegará.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Enquanto conseguir ver o brilho dos teus Olhos



Deixei-te com as marcas do meu amor.
Numa noite que nos ficará registada para sempre.
Tão bela como extemporânea, que expusemos os nossos sentimentos de uma forma loucamente evidente.
O céu manchado de estrelas, seguia os nossos impulsos e divertia-se com os nossos incontrolados desejos.
O luar da lua nova, clareava as nossas incontidas emoções e transformava cada gesto, cada momento. Num coro de esgares mesclados de paixão.
Mais tarde, depois de o silêncio se instalar, já o dia avançava quente e fulgente. Atravessa o silêncio da tarde, o cantar feliz da passarada.
Murmuram desejos ouvidos ao luar, soltos por gente apaixonada.
Deviam ser as nossas testemunhas, pendurados nas árvores que rodeavam o local onde nos entregamos pela última vez.
Agora passadas longas horas, ainda me vejo contigo naquele abraço prolongado, que anunciava a forçada separação, que só os nossos bons momentos conseguem ajudar a superar a distância.
- Enquanto conseguir ver o brilho dos teus olhos, sei que estamos em sintonia!
Confessas tu com um esgar de tristeza, quando sabes que estar longe de ti é o mesmo, como soltar a lágrima teimosa que se esconde no canto do meu olho, que conta os dias para assistir á aurora.
Vão ser dias, vão ser longas semanas!
Que só nos juntamos, a relembrar quantas vezes os nossos corações se anexaram, para confessarem as nossas maravilhosas paixões.
Até esperar que o despertador da nossa chama, se solte da nostalgia dos momentos transatos, para se lançarem num voo rasante, que me derrubará no solo ainda a refrescar os instantes de imensos dias passados e, me viole tamanha a sofreguidão da demora.


domingo, 5 de abril de 2015

E tudo numa Semana


Morre o cineasta,
 morre o economista.
Morre o padre da terra,
 morre o profeta.

 Morreu imenso da nossa cultura,
 Desaparece quem teve em mãos a nossa fortuna.
Não viveu para descerrar o seu busto perpétuo.
Ressuscitou, para não morrermos no inferno

 O manuel dos filmes
O lopes das finanças
O Jesus rei dos Judeus e o seara.
 Faleceram está semana.

 O país ficou mais pobre
 Eles não resistem ao avançar da idade
 Jesus Cristo foi o que faleceu mais novo
 Ressuscitou ao terceiro dia, para perdoar o povo.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sente-se





Sente-se a praia. 
Sente-se a areia a fazer cocegas nos pés.
Sente-se o aroma a argaço, já seco pelo calor primaveril.
Sente-se a pele quente despida de roupa, o calor é intenso.
Sente-se as pessoas mais sorridentes.
Devido ao sol e dias longos, oferecendo um pouco de alegria ao mais deprimido.
Foi-se o Inverno, chegou a Primavera.
Promete o Verão com dias repletos de sol.
Sente-se a frescura da noite. Acompanhado pela beleza do momento
Sente-se um esgar de nostalgia, porque ambos sabemos: um para fora, outro cá dentro.
Sente-se chegar os últimos dias.
O sorriso é húmido, o olhar fechado na saudade.
Sente-se a amêndoa a desfazer-se em chocolate.
Uma, duas. Tantas até que a gulosice farte
Sente-se o pão-de-ló mergulhado, no famoso champagne clássico
Sente-se a Páscoa com a semana santa.
Sente-se a morte e a ressurreição de Jesus
Aleluia pela alegria da vida.
Foi o que nos ofereceu o filho de Maria.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Barcelos cartão-de-visita





Barcelos cidade pequeníssima onde em duas corridas, ou numa dúzia de passadas, se fica a par do legado dos nossos antepassados.
Farta-se de encanto, dado acolher a beleza da natureza e o esplendor da sua histórica riqueza.
O rio Cávado. Há tantos anos de margens abertas, para o elevar a entretimento e ao pulmão dos barcelenses, encosta-se na sua entrada oferecendo a ponte medieval, que resiste a cheias de não sobrar pedra sobre pedra, como passadeira para a sua travessia.
Dessa mesma ponte, olhos se abrem de espanto a quem entra como visitante.
Pela beleza do castelo, onde Duques e Duquesas fizeram jus a perdurar a nobreza. Sendo reis e senhores de terras, que os olhos não conseguiam alcançar.
A igreja Matriz. Paredes meias do castelo, de uma maravilhosa coleção de vitrais. Superando milhentos arco-íris que coloriam o céu. Onde se rezou e reza, de joelhos a sangrar, por guerras que fizeram historia e pelos mortos que se agarram nas memórias.
Os Paços do Concelho. Edifício magnifico, ainda recentemente recuperado. Cada vez mais sonhado pelos que um dia julgam sentar o rabo, liderando os destinos dos Barcelenses. Alberga em exposições de trabalhos de uma árdua vida, a esperança de artesãos e letrados, para fazer valer a sua inegável capacidade.
Torre de Menagem. É só caminhar um quarteirão, rua direita acima.
 Almofada peças únicas e valiosíssimas, de Barcelenses que nunca serão esquecidos. É o
 cartão-de-visita para turistas e não só! É só subir e perder Barcelos de vista.

O Largo da Porta Nova, a nossa praça que não se chama são Pedro. Mas tem o senhor da Cruz em tão elevado relevo.
 É o repouso do turista depois de umas horas a arreguilar os olhos, pela maravilhosa beleza que o legado deixado pelos antepassados, glorifica a nossa cidade.
Ainda se pode em duas caminhadas, dar um salto á igreja do Terço, passando pela avenida calçada em granito. Contemplar mais um templo que não se esfuma no tempo.
Pronto! Depois de abraçar o enorme galo para a fotografia da praxe. É hora para entrar no autobus e rumar para qualquer lado!
Alguns ficam na Bagoeira a saborear o galo assado, fazendo lembrar a lenda com o prospeto ao lado, que ao lerem-no ficam toldados com esta história de um galo já assado.
São lendas senhor, são lendas. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Outras Paragens




Vou-me embora, vou partir para outras paragens que esperam por mim!
 Ficam longe, bem longe do que estava bem perto do meu sentir.
É mais do mesmo, nestes últimos anos sempre com as malas entreabertas esperando pelo inevitável: passe o tempo que passar, são chamadas para arrancar.
Deixo um legado matizado de esperança, a cada dia lembrado.
 Deixo um pecúlio de promessas por cumprir, porque o tempo não me deu uma parte do seu tempo.
Deixo uma boca que constantemente me chama, depois de ver em tudo fantasmas, mas a minha voz já se cansa.
 Deixo uma família desagregada, onde uns lutam com pieguices de uma velhice anunciada, farta de lamentos desnecessários.
E os mais novos ainda bem que não conhecem a luta, já que felizmente não coabitam com o campo de batalha.
Restam dois que fazem das tripas coração, para recuperaram o tempo perdido, onde andaram a brincar aos bandidos.
 Até breve, é sempre breve.
Longe mas perto de alguns!

domingo, 29 de março de 2015

Nem deste por Mim





Regressava acelerado e quase te esmagava nos passos apressados.
Depois de fechar o portão com cuidado para não acordar a vizinhança.
Mas num reflexo reparei em ti, atravessando o passeio que divide os minis jardins.
Coloquei-me de cócoras admirando-te durante uns minutos, imaginando que devias estar a pensar se este gigante te ia ou não amassar na pedra já gasta.
Não te escondeste na carapaça.
Não recolheste os corninhos salientes.
Às tantas, nem deste por mim. Mesmo com o flash tão perto de ti.
 Não mais te quis incomodar, na tua caminhada noturna em busca da comida que te sacia.