terça-feira, 4 de agosto de 2015

FACEBOOK





Adoro o Facebook quando os amigos vão de férias!
É o Algarve, é Londres, é voar até às Maldivas.
Eu por mim, anseio o mar tão perto de casa
E quando as férias terminam (eles), é só lamentações dia-a-dia.  

No Facebook é só beleza, confessava uma amiga
Belos rostos, longos sorrisos nas quentes noites de Verão
Revelam que estão numa relação, ou em vias de dar o nó
É tanto amor confessado, que deixa raiva a quem o procura por todo lado.

No Facebook, o futebol aparece para gáudio dos treinadores de bancada
Desfilam perícia, que lhes fazem falta para o dia-a-dia.
Juntam política como entendedores dos problemas do país.
E no final acreditam sempre no seu clube e votam sempre no mesmo partido!

No Facebook, procura-se o que mais mexe com a nossa sensibilidade
Busca-se os heróis sem membros, que realizam proezas de cortar a respiração
Solta-se uma lágrima emotiva, nas crianças famintas vasculhando no entulho
E agora digo eu: É tão bom, termos o pouco que nos faz viver!


 

sábado, 1 de agosto de 2015

Rei morto, Rei posto




Mataram o rei leão Cecil!
Para desespero de quem já fazia do belo animal porta-estandarte, de capa de telemóvel.
Maldito americano, dentista de profissão. Que lhe raspas-te o escalpe, para o pendurar numa sala infestada de troféus de caça.
Que prazer vê-lo sofrer, numa agonia desesperante. Deambulando pela savana trespassado pela seta assassina, esperando a hora de lhe esfolar o couro. Sem antes, posar para a horrível fotografia.
Dias e dias se escreveu sobre o já familiarizado animal.
Era companheiro habitual dos safaris anuais pela savana. Onde de tão perto, pequenos e grandes (os mais endinheirados), tinham a felicidade de ver bem juntinho, um leão de juba farta e semblante amigável.
Deixava-se fotografar com aparência de gato domesticado. E foi assim que se deixou apanhar pelo dentista malvado.
Adoro leões e não me canso de os ver. Uma, duas. Milhentas vezes.
Era o animal que seria se a vida me atirasse para a outra selva. Numa troca de personagens.
Rei morto, rei posto!
Cá no Portugal dos pequeninos outro leão vai rugir.
Jorge Mendes, vai juntar os trapinhos com uma leoa, que faz inveja a milhões de matronas.
Para isso alugou os jardins de Serralves, para meio norte assistir ao desfile de centenas de leões e leoas, perfumadas de jóias e peles de adoráveis escalpes.
Este não se vai deixar fotografar.
Vai parar o trânsito, fechando uma avenida que abria alas para tantos destinos.
Com ele vão desfilar num altar improvisado a libertar aromas de todas as fragrâncias. Inúmeras figuras públicas, num reino de bola que envolve tantos milhões, fazendo inveja a tantos camelos, que se dizem serem possuídos pelos árabes do petróleo.
Soltou um montão de euros, para que em meia dúzia de horas fosse o rei e senhor de um momento que ficará registado nos jornais da bola.
E logo no dia seguinte as revistas top de todo o mundo se esquecerão do leão assassinado, para ilustrar a subida ao altar do novo rei leão condecorado. Com as beldades a serem focadas em escalpes dourados, numa competição ainda a época vai no adro.
Este momento juntará políticos e empresários. Artistas de música e artes plásticas.
Presidentes de tantos clubes e até ministros com ou sem pasta.
E o povinho agarrado às grades, que separam para bem longe a multidão da boda. Gritando freneticamente pelos nomes dos craques, mascarados com as tatuagens da moda. Esperando pelo desfile das bombas dentro e fora do habitáculo.
É disto que o meu povo gosta.
Espectáculo!
Há sempre um leão a tomar o lugar do morto, nesta sociedade a soltar carne putrefacta.

Levaste-me os Sonhos mas ficam os Momentos




Levaste-me os sonhos
Num rasto de nostalgia.
O pior é a tua dolorosa ausência.
Semelhante a grilhetas, que me travam os passos

Demoro tempos infinitos
A contemplar o calendário da vida.
Os dias são números cadenciados
Os meses abrem-me a mala da saudade

Excedo-me em saídas esporádicas
Agarrado a dois dedos de conversa
Quando me pedem um preço por uma mão
Bebo o teu corpo como recordação

Há Cristo que não te arredas da história
Os anos voam e tu não me libertas
Continuo preso a dois paus sem identificação
Procurando a tabuleta, nas nuvens por cima da cabeça

sábado, 25 de julho de 2015

Milhões de Festa




Milhões de festa, embeleza a terra do galo
Faz por dias, regressar a alma jovem dos que ingratamente tiveram que partir e enchem a cidade de sorrisos encantadores. Olhares que alegram os idosos fartos da rotina diária de uma cidade por vezes fantasma.
Chegaram de todo lado.
Esticando-se ao comprido na relva aparada da piscina. Realçando as tatuagens da moda e aliviando o calor em saltos um tanto ou quanto malucos, na água fresca que tudo acalma.
São corpos manchados pela beleza ainda jovem de quem se farta em apanhar os festivais pelo país fora e descobriram Barcelos, outrora barricado na pasmaceira do nada e cá estão prontos para três dias de autentica farra.  
Ocupam o castelo e a marginal ainda curta do rio. Em grupos volumosos, ensaiando os últimos acordes, para logo mais à noitinha, levar a juventude ao rubro.
Meios vestidos com o que de melhor tem para mostrar, dão largas à alegria contagiando quem de boca aberta teve o privilégio de partilhar.
Barcelos está nas bocas do país.
Milhões de festa, está de pedra e cal na terra do galo que de lendas se fartou e trouxe para a ribalta o milhões que se perpetuará na história.