domingo, 6 de dezembro de 2015

As árvores Despidas




O vento do Outono despiu as árvores da berma da via rápida.
Deixou às claras, os ninhos das aves que escondiam as crias invisíveis aos predadores famintos.
Agora prestes a chegar o Inverno gelado, que acumula neve por todos os lados, assisto a troncos depenados com pontos negros de vários tamanhos.
Serão imensos dias frios e sombrios sem aves à vista, até que a Primavera sorria e force a volta das aves, para embelezar a berma da via rápida.
Cruzarão as viaturas em voos rasantes na procura de restos lançados das janelas pelos putos desleixados e logo batem as asas para abafar as bocas abertas, das crias famintas.
São ninhos tão negros como o Inverno que se aproxima. Conto os primeiros enquanto a fila intensa me deixa observar que árvore sim, árvore não. Possui um ninho perfeito como uma mansão.
Desfeita a fila com o roncar dos carros nervosos de tanta espera. Lá se vai a contagem e só me apercebo de pontos negros, que parecem desenhar um gráfico com altos e baixos no vidro da minha janela.
São belos e maravilhosamente arquitectados nos troncos mais altos das árvores escolhidas pelas aves atrevidas.
Em forma de vê, deixam um pouco de cortina, nas árvores nuas e feias como o tempo que se aproxima.
Por fim chego à cidade. E as árvores, dão lugar a troncos volumosos de betão, abafando o negro da noite com as luzes que iluminam os ninhos dos humanos, resguardados do intenso frio.

domingo, 29 de novembro de 2015

Que se agarram ao meu Destino.




Desci as escadas de quatro andares e encontrei a noite a chorar.
Banhada em lágrimas suaves, que molhavam a alma a quem se atrevia, a romper esse caudal teimoso.
Nadei nas suas margens, descansando nos passadiços para não ser levado sem direcção numa noite fria, a desafiar o tino.
Aqueci-me com o calor de uma vela colocada na mesa de madeira sem força, já que bastava pousar os cotos, ela rangia de dor.
Lá se encontravam desconhecidos, esperando impacientes de copo meio cheio, que a noite deixasse de carpir lágrimas.
Ouvia frases sem discernir o objectivo, eram grunhidos de homens duros e mulheres flácidas cansados da vida. Dura para qualquer destino, longe das amarras íntimas da família.
Por momentos a noite deu tréguas num assoar o rosto negro como o carvão das entranhas da terra.
Era altura de regressar sem barco mesmo a remos.
Logo que cheguei ao meu porto de abrigo, encontrei os mesmos que se agarram ao meu destino.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Quem Sou Eu




Os meus dedos, já me assustam
Assemelham-se a sapos negros
Coitados, já fartos de marteladas em falso
Carregam unhas sem esmalte

Os meus braços estão traçados de tatuagens
São rascunhos ainda vermelhos da dor
Nenhum tatuador as pode copiar
Porque o artista que as sente sou eu!

O meu cérebro sente as turras sem conta
Crescem uns altos que magoam imenso
Nem me penteio direito para não sofrer
Nada mais me resta do que cortar o cabelo rente

Já nem ligo ao meu corpo
Ao tomar banho escondo-me do espelho
Venceria qualquer concurso de tatuagens originais
Só ligo ao meu espírito, limpo como o paraíso



Vivo



Vivo das emoções a cada dia
Vivo dos vícios que se acumulam
Vivo das saudades tão presentes
Anseio o regresso vivamente

Por vezes solto uma lágrima marota
Que se esborracha no rosto cravado na almofada
Esconderijo das noites sem pregar olho
Aconchego de sonhos que deixam manchas

Nunca o Natal, Páscoa e Férias
Foram desejados tão ardentemente
Aí encontro a maravilha das emoções
Brota de mim, excedente de sensações

Assim chego ao fim de cada dia
Pensando no próximo, ainda sem se fazer dia
Longas horas longe de tudo
Mas bem próximo do meu destino

sábado, 21 de novembro de 2015

Inteiro ou feito em Cacos




Foges da dor e da tristeza, refugiando-te no recanto da incerteza dias e dias sem fim. Mesmo sem distinguires quando nasce o dia, esperando que a noite te encaminhe para o leito frio e vazio.
 Até quando minha princesa?
Percorres os caminhos tão frequentados onde tentas conduzir de olhos cerrados, para afugentares momentos recentes loucamente apaixonados. Parando finalmente, sem conheceres o local ermo onde imobilizaste.
Para onde caminhas amor?
Anseias minuto a minuto o meu regresso dourado. Será amanhã? Ou daqui a uma semana?
 Sentindo por fim, que me desejas mesmo que só volte, daqui a um ano.
Para quando o retorno do nosso calor?
Quero-te, quero-te, quero-te!
Inteiro ou feito em cacos. Tenho todo o tempo do mundo para te juntar os pedaços. Porque sei que o teu coração continua intacto!