quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Ontem e Hoje




O nosso futebol vive do insulto!
Um chama burro, a quem faz do futebol a chama de um feitio herdado do tempo da velha senhora.
Outro, para não o expulsar, como é apanágio da postura desse senhor por onde passa, tenta dividir o mal pelos acontecimentos de noventa minutos intensos.
 De nada valeram as desculpas, porque desculpas não se pedem! Evitam-se. Já que o menino mimado veio para a praça pública, para gáudio dos bufos da bola. Carpir lágrimas de crocodilo.
 E como o nosso futebol vive num pântano infestado de feras armadas até aos dentes, quem lá tem que transitar, arrisca-se a ser depenado.
 Hoje mais uma jornada para aquecer ainda mais os ânimos.
 Vão ser noventa minutos a ferro e chuva por todo país.
 O menino mimado tem a boca a prémio.
O espanhol do Oporto, tem a cabeça a prémio.
O JJ do Bruno, tem por enquanto a porta aberta.
 O Rui do Vieira, tem ainda a mão cheia de paciência.
Amanhã saberemos quem não pediu desculpas.
 Só um devia de pedir desculpa. Não pela sua capacidade futebolística, essa é bem patente nas desastradas alterações no onze para cada jogo. Mas, na arrogância em conviver com o nosso futebol.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Chove sem Parar




Chove há longas horas, tamanha a sujeira de um ano velho.
Prevê-se toda a semana, para mandar pelas sarjetas o entulho pestilento da corrupção bem evidente. Os rios alargam as suas margens para num ápice, espalhar os destroços nauseabundos, pelo imenso oceano revolto pela herança que é obrigado a engolir.
Passada a chuva com as bermas da esperança limpas e perfumadas, regressa o sol para nos aquecer a alegria e secar a humidade do lar. Para que o pão nosso de cada dia, seja sempre adquirido no próprio dia.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Tenho



Tenho o Natal para te amar.
Sem prendas com laços coloridos.
Um coração a transbordar de magia
Sem truques, porque o amor não se encobre em panos sombrios

Tenho a festa do petiz para te admirar
Onde me encantei com a tua beleza, de fazer corar
Orgulhei-me da tua espontânea afeição
Na última festa, de cortar a respiração  

Tenho o fim do ano para te embalar
E iniciar o ano enlaçado no teu corpo
Bailar, sentindo o bater dos corações
Fazendo promessas sem ilusões

Tenho todo o tempo do mundo, para esperar!
O ano é extenso e carrega dias toldados
Uns tão perto, outros imensamente longos
Resta-me aí, o teu sorriso e o teu doce olhar


sábado, 12 de dezembro de 2015

Não Posso





Não posso viver com a tua presença.
 É doloroso estar a recordar-te e tu bem distante. Tão longe, que já nem a minha vista te encontra.
Não posso sonhar sem te ter presente e tu balanças na descrença e procuras a desgraça alheia para endireitar a tua maleita.
Não posso ser cruel comigo mesmo, quando pressinto que viraste uma longínqua miragem, depois de levar-te ao colo milhas em viagem.
Não posso. Porque não posso, ser infeliz! Quando posso ser feliz, mesmo por uns dias onde sou livre.
Não posso. Porque acafelo como a folha de Outono que murcha ao abandono.

Ainda bem que o Natal junta os fragmentos!

domingo, 6 de dezembro de 2015

As árvores Despidas




O vento do Outono despiu as árvores da berma da via rápida.
Deixou às claras, os ninhos das aves que escondiam as crias invisíveis aos predadores famintos.
Agora prestes a chegar o Inverno gelado, que acumula neve por todos os lados, assisto a troncos depenados com pontos negros de vários tamanhos.
Serão imensos dias frios e sombrios sem aves à vista, até que a Primavera sorria e force a volta das aves, para embelezar a berma da via rápida.
Cruzarão as viaturas em voos rasantes na procura de restos lançados das janelas pelos putos desleixados e logo batem as asas para abafar as bocas abertas, das crias famintas.
São ninhos tão negros como o Inverno que se aproxima. Conto os primeiros enquanto a fila intensa me deixa observar que árvore sim, árvore não. Possui um ninho perfeito como uma mansão.
Desfeita a fila com o roncar dos carros nervosos de tanta espera. Lá se vai a contagem e só me apercebo de pontos negros, que parecem desenhar um gráfico com altos e baixos no vidro da minha janela.
São belos e maravilhosamente arquitectados nos troncos mais altos das árvores escolhidas pelas aves atrevidas.
Em forma de vê, deixam um pouco de cortina, nas árvores nuas e feias como o tempo que se aproxima.
Por fim chego à cidade. E as árvores, dão lugar a troncos volumosos de betão, abafando o negro da noite com as luzes que iluminam os ninhos dos humanos, resguardados do intenso frio.