quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Não Adianta




Não adianta esquecer as flechadas do passado, já que o arco aponta para o mesmo alvo.
Não adianta escolher outro sentido, onde as minhas pegadas apagam o virgem da caminhada.
Porque esgueirando-me, não me esconde na sombra de nenhuma alma penada!
Não adianta esperar pela onda dourada, já que o que ela arrasta é alegria abstracta.
Não adianta deixar surgir a madrugada, já que o sono tarda e o corpo reclama.
Porque aguardando, morro de velho abafado!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O silêncio é dono do nosso Espaço.




Andamos a vinte à hora, muito mais que meia hora.
E não descobrimos uma brecha, para me esgueirar deste trânsito caótico
Chove à velocidade do nosso andamento
E é fácil, tudo virar aborrecimento.
Inclino a cabeça para baixo num rapidíssimo sono de segundos.
Ouço as risadas dos resistentes por enquanto, numa de heróis por momentos.
Passados minutos irritantes, todos se rendem ao cansaço. E o silêncio é dono do nosso espaço.
Tardamos a chegar ao lar. Numa noite em que as luzes iluminam o asfalto.
Dos vinte, passamos aos sessenta e o desabafo de chegar mais rápido desvanecesse em poucos quilómetros.
Uma hora, duas horas e não se deslumbra a meta da chegada.  
No pára e arranca, salva-se a esperança de temos todo o tempo do mundo, para devorar umas buchas.
Por fim estacionamos no primeiro buraco que encontramos.
São quatro andares com setenta e oito escadas contadas até à exaustão.
Lançamos o corpo para o primeiro” baloiço” que nos amortece os ossos.
E a mesa farta-se de embalagens de enchidos, meias vazias e a abarrotar de pequenos fios de gordura que se acumulam nas orlas.
O pão pode ser do dia anterior, mas a vontade de trincar qualquer coisa, dá cor ao nosso rosto.
Por fim o banho retemperador!
Leva as poeiras que teimosamente se infiltram no corpo e a dureza de um dia que leva horas a terminar.
A cama, seja composta ou recentemente mudada, é o recanto de sonhos que nos comandam a vida.
Nela recuperamos as forças.
 Nela revivemos os rostos de quem nos mantêm vivos!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Vinte e Sete




Comprei um bolo de chocolate como ele gosta.
Espetei-lhe duas velas e juntei os quatro colegas
Cantamos os parabéns com os olhos húmidos
Verti duas lágrimas que fulminaram as chamas

A primeira apagou a vela dois
Tinhas esses anos e já corrias e saltavas
Difícil era apanhar-te, só quando choravas
Aconchegava-te no colo e silenciavas o pranto

A segunda apagou a vela Sete
Entraste na escola e logo correste atrás da bola
Horas depois fui-te buscar ansioso.
E tu radiante, mostraste-me o teu nome no caderno de ouro

Como vês são vinte e Sete
Os anos que desabrochaste pela vida fora
Muitos pais sentem a dor dos filhos fora
Eu estou fora, mas a alegria é bem cá dentro

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Parabéns Filho




Escrever todos os anos sobre o aniversário de um filho, obriga a repetir-me em demasia sobre qualidades do mesmo, adquiridas sob a minha tutela.
Hoje está por sua conta, não longe de mim porque está sempre tão junto que lhe sinto a respiração como se ainda fosse um menino.
Agora homem feito e de linguagem precisa, sem grandes argumentos para eu contrariar as suas certezas. Vai conseguindo levar a água ao seu moinho.
Tenho um filho enorme!
Em altura e sabedoria e como tantos jovens, desperdiça a inteligência com que formou a sua aparência.
Educado, sem vícios. Orgulhoso e interventivo.
 Ainda não entendeu o dom que Deus lhe deu!
Foi o primeiro!
Transformou a minha vida num crescimento rapidíssimo, para fazer frente em tão curto espaço de tempo a Pai e Marido.
Esteve no bom e no mau. Mas a um filho tudo se oferece. E tudo merece!
Parabéns Diogo e sempre o soubeste: Sabes onde me encontrar e tudo farei para te alegrar.
Vai, diverte-te! Dança com quem conquistou o teu coração e perdoa quem te jogou para o pantanal.
Abraça a vida e colhe dela o melhor que ela te abençoa.  Sem pores em risco a tua ainda frágil personalidade.