domingo, 21 de fevereiro de 2016

Vestígios do teu Alinho




Deixei-te no meio da chuva, que nos encharcava a roupa.
Sentia pequenas gotas escorrendo pelo rosto, lavando a minha face do teu toque tão suave e tímido.
O meu cabelo molhado, aliviava o cérebro de emoções. Sentindo-o atear-se com o contacto da chuva fria.
E caminhei durante longos minutos pela avenida deserta numa madrugada gelada.
Acordei já a manhã trazia o som caseiro dos vizinhos arrastando cadeiras e pousando os tacho, fartos de carne gorda.
O espelho ainda me mostrava vestígios do teu alinho, num rosto satisfeito pelo carinho a que foi sujeito.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Emocionei-me com este Anjo





Desviei a jovem que de costas voltadas para este rosto, só dava atenção ao telemóvel que lhe cobria a emoção. Ficou com ar aborrecido, mas a minha determinação não deixava dúvidas.
E fiquei agarrado à foto por minutos. Que menina tão bela mesmo banhada pela tristeza.
Fotografei-a enquanto esperava pelo colega que me iria levar de volta a casa pelas autoestradas atafulhadas de trânsito que me põe os nervos em franja.
Cobria parte do vidro da paragem dos autocarros, falando da dor de crianças desamparadas.
Como é possível, uma menina encantadora sofrer as amarguras de um mundo cruel.
Dava tudo para a pegar ao colo! Embalá-la com o meu amor e com toda a certeza a fazia sorrir, mesmo que fosse por poucos momentos.
Percorri quase os cem quilómetros que me separam da casa onde passo a maior parte do tempo, longe dos meus meninos, agarrado à foto desta menina soltando uma lagrimazita de grande tristeza.
Emocionei-me com este anjo, abençoada pela beleza!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Não me livro das Brasas




A noite abraça-me para me agasalhar do frio.
O trânsito insiste em deixar-me com os nervos em franja.
Nem a vizinha do carro ao lado alivia-me a tensão, apesar de ter um rosto de cortar a respiração.
Agora é o camião do tamanho de meia dúzia de caralhos que me tapa a visão. E deixo de ver a loirinha do Mazda Mx5!
Arre porra! Que não arredo roda da minha fila. E vejo os do lado, mesmo andando como o caracol, pôr-se a léguas da minha vista.
Mudo de fila e já me movimento como a tartaruga.
Alcanço o caracol mas da loira nem sinal.
Vou passar pelas brasas, porque imagino que vai ser hora de ir para a cama. Quando irei chegar a casa!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

São Valentim




Passei o dia de São Valentim, namorando uma rainha.
Simples e divertida!
Falava sempre com um sorriso majestoso e olhava-me num misto de carinho e alegria. Sensações que se prolongaram pelo dia.
Vestida de vermelho como uma rosa recentemente colhida, soltava esse perfume pelo espaço quentinho e amplo, transformando-o num belíssimo jardim, plantado na estufa que me agitava.
Do alto da sua estatura, estudava cada gesto que as minhas palavras encaminhavam. Deixando sempre um aviso com um olhar bem colado ao meu, que, existia uma barreira para qualquer atrevimento.
Partilhamos o jantar com garfadas de carinho embebidas em pequeníssimas doses de ternura comestível, que nos multiplicavam os sorrisos.
No final, envolvemo-nos em caricias amigáveis por gestos admiráveis e despedimo-nos num olhar de reis, que num dia alindamos o nosso imenso território.
Ela me confessou, que ainda tão novinha já era uma princesinha!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Porque não querem. E porque não podem





Estado que serve a clientela política que os sucessivos governos não conseguem alterar, sobretudo porque não querem. E porque não podem",
Adoro os jornalistas que dizem tudo desta forma bem simples, como se o problema ficasse logo aí resolvido.
“Porque não querem. E porque não podem”!
Ou podem, ou não querem!
Ou querem e não podem!
Em que ficamos?
É por isso que o nosso país navega em águas que “não querem” alterar o seu rumo até ao mar. E “podem” correr livremente, com o mesmo sentido que a leva a corrente!
É fácil escrever: “Porque não querem. E porque não podem”!
Assim agradam a gregos e troianos!
É uma frase tipo! Que fica bem a quem a escreve, não deixando dúvidas e nem contra argumentação.
Mas o cerne da questão prende-se com: “…os sucessivos governos não conseguem alterar, sobretudo porque não querem. E porque não podem",
É sinal que existe, ou existiu governos que podiam, mas não queriam alterar.
Servindo deste modo a clientela politica que conduz (ou conduziu), da maneira que todos sabemos os destinos deste país.
Eu bem queria lutar contra o estado que serve a clientela política. Mas não posso derrubar políticos que a cada dia que passa, nascem para que o Estado os sirva.