quarta-feira, 20 de abril de 2016

O cartão está Repleto




São os Security do edifício!
Pelas sete da manhã lá vão eles, de cadeira numa mão e o walkitoque na outra. Prontos para mais um dia enfadonho na vigilância de quem entra e sai, dos blocos do edifício quase pronto a ser o ex-libris da pesquisa cientifica alemã.
E eu de cartão quase exposto na lapela do pólo já gasto da Porsche que já viveu belos dias, sou interpelado por um deles (o que tem a seu cargo o piso), onde vou colocar puxadores, fechaduras, batentes, magnéticos nas portas, que só abrem mediante dispositivos electrónicos. Para se certificar da minha identificação e tomar nota da minha entrada.
Mas com o decorrer das horas mesmo tendo que percorrer o bloco vezes sem conta, o tempo para ele não passa.
Não adianta calcorrear as minúsculas teclas do TLM, na procura de vídeos ou jogos que façam passar o tempo, porque tempo esse, para eles custa imenso a passar.
Hoje enquanto percorria os imensos gabinetes para executar as tarefas determinadas, dei com ele a escrevinhar num cartão sem sequer levantar a cabeça para quem vem lá.
Já me conhece das minhas idas e vindas que o dia é fértil para ir buscar o material. E só deitou uns olhos para verificar se trazia as pantufas a cobrir as botas, para não danificar a alcatifa ainda a cheirar a fresco que revestem o chão destes gabinetes, um luxo para quem vai não tarda muito, dar azo às pesquisas que podem mudar o mundo.
O dia passou e o trabalho ficou perfeito como me é exigido. E juntos, eu e o meu colega antes de demandarmos o piso, fomos verificar se tudo ficou como o encontramos (limpo e asseado). Quando deparei com um cartão rabiscado sem entender o que lá estava desenhado.
Olhei-o enquanto fazia a viagem de regresso e por entre números, figuras e palavras. Nada para mim fazia sentido.
Acredito que cada momento desenhado é um sentimento pensado, na cabeça daquele jovem que poisou por aqui, sabe-se lá vindo de onde.
O cartão está repleto, parece uma pequena tela de um artista almejando pelo fim do dia.
Dobrado e vincado, foi assim jogado para um canto onde eu o apanhei para tentar perceber (sem o conseguir), o que ia na mente daquele jovem que todos os dias me saúda.

sábado, 16 de abril de 2016

Beijo através do Tempo




O beijo leva a iniciar o que os olhos fartam-se de anunciar!
 Por isso, ofereço-te mil beijos iguais aos que desejo. Fartos, intensos, húmidos e carregados de ardor.
Beijar não tem poiso, chega com o desejo. Seja na praia deserta, numa noite a anunciar tempestade.
Seja pela tarde quente, na sombra da árvore despida de preconceitos.
Ou ao acordar, iniciando o dia com a mais bela auto estima.
Beijo no calor da festa. No alvoroço do golo. No aconchego do leito que não é mais que um amontoado de edredões amarrotados.
Beijo no meio de lágrimas brotando depois de uma paixão eufórica.
 Num quarto a abarrotar de santos, presos a pregos que oscilam da parede que se descasca com o tempo.
Beijo através do tempo!
Desde pequeno. Aproveitando a ida da mãe à feira que não era ladra, mas sim tão esperada.
Desde a adolescência. Envolvidos em nudez escondida, apalpada com as mãos desviadas por quem afastava, o que já não encontrava barreiras para arder o desejo.
Beijo desde a maior idade. Pelas altas da madrugada, escondido da malta da pesada, que se atrevia a perscrutar a ousadia, de uma nudez proibida.
Beijo já meio pesado. Pelos anos e pela caminhada, sem fronteiras que me amarre, numa velocidade estonteante como se o mundo fosse acabar mais adiante.
Beijo como uma criança!
Lançando o desejo como a minha herança. Que me alegrará quando por fim, ficar-me pelas lembranças.

domingo, 10 de abril de 2016

Regresso leve e Revigorado




Manhã fresca e silenciosa, ouvindo a água correr no rio como os meus passos que a acompanha ao longo das suas margens pelo passeio, que serpenteia o canal onde o trem retomou a sua marcha de dez em dez minutos.
Inspiro esta tranquilidade, esta paz, que procuro incessantemente nos recantos onde se cruza a natureza tão perto do balburdio da civilização rotinada e sou agraciado pelas aves aquáticas que se banham no leito deste rio.
 Garças esperando pacientemente como estátuas, perfiladas sob as pedras descobertas pelo reduzido caudal, que algum peixe descuidado passe na sua área.
Patos às dezenas num corrupio rio acima, rio abaixo procurando a comida num mergulho ininterrupto realçando a beleza da sua plumagem e dando um colorido maravilhoso á paisagem magnífica.
O povo ainda descansa de uma noite farta de luz e dança. De copos a transbordar as lembranças e de engates para consolar a ânsia. Outros acomodam-se ao descanso nos recantos onde revivem momentos e consolam as saudades em intermináveis conversas que, as tecnologias os levam bem perto da presença física de alguém que os identifica.
Duas horas depois de uma caminhada a inspirar o ar que me limpa as maldades ao organismo, já cansado de tanto consumismo doentio. Regresso leve e revigorado, para preparar o almoço ainda com condimentos trazidos das férias e o bacalhau é rei no forno que já empesta um odor apetitoso aos quatro cantos da casa.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Deixa Marcas e Pesadelos




Voltei, já passou uma semana. Trazia no rosto o sorriso do último dia, belo e simples como me caracteriza.
Lanchei abraçado a um sorriso. Nas mesmas cadeiras que o descobri faz algum tempo que o mesmo tempo não apaga. Ainda a tarde era fresca como a ternura desse olhar que não me largava um minuto. Olhar que sentia o fim de uns dias e a volta da solidão de meses a fio.
Sentíamos vontade de passear! Passear nos braços um do outro, aproveitando a últimas horas de umas férias que se esfumavam como o sol, abrindo-se quando as nuvens negras davam uma nesga.
Fomos às compras no híper da vila e lá compramos as necessidades para os próximos dias.
Passeamos pelo centro cheio de gente e como a barafunda da hora de jantar era imensa, resolvemos saciar a fome do alimento. Já que a do momento ainda tinha tempo para estilhaçar no nosso canto secreto.
Resolvemos ir ao cinema, numa de poiso amoroso e ver o filme da quadra, “Ressurreição”!
Adoro estes filmes que retratam a vida de Cristo antes e após a ressurreição. E não tardou que me embrenhasse na tela amarelada do deserto e nas roupas suadas de pó e fé dos apóstolos.
Era segunda-feira de Páscoa e segundo rezam os mandamentos, Cristo tinha ressuscitado e procurava sossegar os discípulos que se tornariam os seguidores de uma doutrina que mudou a fé no mundo.
Fim do filme, despregar os olhos da tela e elevá-los para a minha Cinderela.
A noite já ia longa numa tarde que se tornou magnifica. E como a hora das despedidas são dolorosas como guilhotinas, deixamo-nos consolar pela lua cheia, que nos mantinha presos à teia.
Por fim, chegou o fim de umas férias que hoje passados oito dias, deixam marcas e pesadelos!