domingo, 24 de abril de 2016

O Facebook, trilha os caminhos da Natureza.




O Facebook, trilha os caminhos da Natureza.
Ora de Bicicletas coloridas como o arco íris, onde até o capacete do condutor (a) parece um adorno festivo. E o equipamento, uma fatiota colado (a) ao corpo, salientando as curvas musculadas e por vezes agradáveis.
 Embrenhando-se por caminhos de cabras, subindo as ladeiras bem dentro das matas densas. E quando se lhes depara uma descida vertiginosa por entre calhaus escorregadios que lhes tapam a passagem, voam como águias apanhando de novo o trilho combinado.
Por fim retemperam forças nas tascas obrigatórias, devorando as fêveras e os rissóis para taparem o vazio do estômago.
Ora perdurando os Caminhos de Santiago, cada vez mais procurados pela fé num Santo que ao que se julga trilhou longos anos atrás, estes mesmos caminhos. Transportando nada mais, que uns míseros farrapos colados ao corpo, apoiado num cajado e na alegria estampada em espalhar pelo mundo a doutrina do profeta. Indo morrer em Compostela, onde hoje se eleva uma belíssima catedral em sua honra, sendo a sua imponente escadaria o final de um longo cansaço, misturado com a profunda alegria em ali chegar.
Ora em caminhadas rurais, em longas horas de ameno convívio, em grupos que se juntam regularmente, de garrafa de água na mão e um sorriso feliz por sentirem o ar puro que os limpam os vícios do stress diário. Saltitando pelos trilhos dos antepassados como o meio para chegarem, onde em meia dúzia de minutos hoje, estamos de pé bem juntos.
 No Facebook, não são só segredos mal escondidos e de suspeita verdade.
 É a alegria em lá colocar o prazer em partilhar, a estreita comunhão com a maravilhosa Natureza. Que ainda hoje nos oferece gratuitamente a mais pura forma de vivermos, pelos trilhos da vida que escolhermos.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O cartão está Repleto




São os Security do edifício!
Pelas sete da manhã lá vão eles, de cadeira numa mão e o walkitoque na outra. Prontos para mais um dia enfadonho na vigilância de quem entra e sai, dos blocos do edifício quase pronto a ser o ex-libris da pesquisa cientifica alemã.
E eu de cartão quase exposto na lapela do pólo já gasto da Porsche que já viveu belos dias, sou interpelado por um deles (o que tem a seu cargo o piso), onde vou colocar puxadores, fechaduras, batentes, magnéticos nas portas, que só abrem mediante dispositivos electrónicos. Para se certificar da minha identificação e tomar nota da minha entrada.
Mas com o decorrer das horas mesmo tendo que percorrer o bloco vezes sem conta, o tempo para ele não passa.
Não adianta calcorrear as minúsculas teclas do TLM, na procura de vídeos ou jogos que façam passar o tempo, porque tempo esse, para eles custa imenso a passar.
Hoje enquanto percorria os imensos gabinetes para executar as tarefas determinadas, dei com ele a escrevinhar num cartão sem sequer levantar a cabeça para quem vem lá.
Já me conhece das minhas idas e vindas que o dia é fértil para ir buscar o material. E só deitou uns olhos para verificar se trazia as pantufas a cobrir as botas, para não danificar a alcatifa ainda a cheirar a fresco que revestem o chão destes gabinetes, um luxo para quem vai não tarda muito, dar azo às pesquisas que podem mudar o mundo.
O dia passou e o trabalho ficou perfeito como me é exigido. E juntos, eu e o meu colega antes de demandarmos o piso, fomos verificar se tudo ficou como o encontramos (limpo e asseado). Quando deparei com um cartão rabiscado sem entender o que lá estava desenhado.
Olhei-o enquanto fazia a viagem de regresso e por entre números, figuras e palavras. Nada para mim fazia sentido.
Acredito que cada momento desenhado é um sentimento pensado, na cabeça daquele jovem que poisou por aqui, sabe-se lá vindo de onde.
O cartão está repleto, parece uma pequena tela de um artista almejando pelo fim do dia.
Dobrado e vincado, foi assim jogado para um canto onde eu o apanhei para tentar perceber (sem o conseguir), o que ia na mente daquele jovem que todos os dias me saúda.

sábado, 16 de abril de 2016

Beijo através do Tempo




O beijo leva a iniciar o que os olhos fartam-se de anunciar!
 Por isso, ofereço-te mil beijos iguais aos que desejo. Fartos, intensos, húmidos e carregados de ardor.
Beijar não tem poiso, chega com o desejo. Seja na praia deserta, numa noite a anunciar tempestade.
Seja pela tarde quente, na sombra da árvore despida de preconceitos.
Ou ao acordar, iniciando o dia com a mais bela auto estima.
Beijo no calor da festa. No alvoroço do golo. No aconchego do leito que não é mais que um amontoado de edredões amarrotados.
Beijo no meio de lágrimas brotando depois de uma paixão eufórica.
 Num quarto a abarrotar de santos, presos a pregos que oscilam da parede que se descasca com o tempo.
Beijo através do tempo!
Desde pequeno. Aproveitando a ida da mãe à feira que não era ladra, mas sim tão esperada.
Desde a adolescência. Envolvidos em nudez escondida, apalpada com as mãos desviadas por quem afastava, o que já não encontrava barreiras para arder o desejo.
Beijo desde a maior idade. Pelas altas da madrugada, escondido da malta da pesada, que se atrevia a perscrutar a ousadia, de uma nudez proibida.
Beijo já meio pesado. Pelos anos e pela caminhada, sem fronteiras que me amarre, numa velocidade estonteante como se o mundo fosse acabar mais adiante.
Beijo como uma criança!
Lançando o desejo como a minha herança. Que me alegrará quando por fim, ficar-me pelas lembranças.

domingo, 10 de abril de 2016

Regresso leve e Revigorado




Manhã fresca e silenciosa, ouvindo a água correr no rio como os meus passos que a acompanha ao longo das suas margens pelo passeio, que serpenteia o canal onde o trem retomou a sua marcha de dez em dez minutos.
Inspiro esta tranquilidade, esta paz, que procuro incessantemente nos recantos onde se cruza a natureza tão perto do balburdio da civilização rotinada e sou agraciado pelas aves aquáticas que se banham no leito deste rio.
 Garças esperando pacientemente como estátuas, perfiladas sob as pedras descobertas pelo reduzido caudal, que algum peixe descuidado passe na sua área.
Patos às dezenas num corrupio rio acima, rio abaixo procurando a comida num mergulho ininterrupto realçando a beleza da sua plumagem e dando um colorido maravilhoso á paisagem magnífica.
O povo ainda descansa de uma noite farta de luz e dança. De copos a transbordar as lembranças e de engates para consolar a ânsia. Outros acomodam-se ao descanso nos recantos onde revivem momentos e consolam as saudades em intermináveis conversas que, as tecnologias os levam bem perto da presença física de alguém que os identifica.
Duas horas depois de uma caminhada a inspirar o ar que me limpa as maldades ao organismo, já cansado de tanto consumismo doentio. Regresso leve e revigorado, para preparar o almoço ainda com condimentos trazidos das férias e o bacalhau é rei no forno que já empesta um odor apetitoso aos quatro cantos da casa.