domingo, 5 de junho de 2016

Nada penso Eu




Olho-te, sabendo que me separa de ti uma eternidade de tempo. Quando já estivemos a contemplar laminados, os nossos puros sorrisos!
Que posso fazer para te ter, uma mão cheia de dias. Depois de meses, numa dolorosa inquietação.
Nada penso eu!
O meu destino foi traçado num tempo amordaçado.
Ouvir a tua voz suave como uma pena e, aveludada como um anjo que pousa na minha almofada amarrotada. É o carinho intensamente desejado.
Impossível penso eu!
O meu destino foi traçado num tempo amordaçado.
Já nem sonho desejar-te, como em tempos passados. Que me tranquilizavam as penosas jornadas. Porque até os sonhos são irrealizáveis.
O meu destino foi traçado num tempo amordaçado.
Recolho-me nesta vida impraticável. Rodeada de tormentos famintos pela oportunidade em aniquilar o esforço diário que faço, na procura de um simples pólen de felicidade.
Quem sou eu?
Um elementar homem feito de trapos, para a espaços, sugar o ar fresco da madrugada. Tão só, que nem sinto a alvorada.
Mas quem sou eu?
Nada penso eu!

sábado, 4 de junho de 2016

De novo o Facebook




Adoro o Facebook. A Bíblia do nosso tempo!
Lá se retratam as vivências de cada dia, melhor ou pior do que o anterior.
Uns choram a má sorte. Madrasta de vida, que só tem olhos e barriga para os afortunados do costume.
 Outros, publicam a bela vida. Os afortunados do costume, com férias duas ou mais vezes por ano, longe do balburdio diário e bem perto do paraíso imaginário. Tudo a preceito como um conto de fadas, onde o príncipe é sempre quem está ao lado.
Alguns, mencionam marcantes etapas num rosário de ensejos. Recordações de enlaces que todos sabemos com altos e baixos. Ou momentos marcantes de pessoas que se foram e deixam marcas evidentes, numa saudade premente.
Os restantes, vivem de frases feitas por génios a título póstumo. Como consolação de que o que sei hoje, nunca seria o que fui no passado. Ou melhor dizendo, resguardo-me de quem vem lá, amigos como esses, anda o mundo farto.
Mas todos gritam a fé em Deus, como o alívio de todos os dissabores.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O tempo não está Frio




O tempo não está frio
Mas chove a cada instante
Encharco as roupas,
de humidade e cansaço

Os dias passam como o vento
Mas deixam marcas do atrevimento
Mordisco a calçada amassada
Regresso com a alma incomodada

Apregoam-me o esquecimento
Bem longe das minhas incessantes palavras
Estou-me borrifando para charadas
Nem tempo, tenho para arrependimentos

O tempo não está frio
Mas chove a cada instante
Encharco o corpo dorido
De humidade e cansaço

domingo, 29 de maio de 2016

No regresso a casa Sozinho




Vivi o meu dia de anos no meio do meu destino.
Rodeado de colegas sedentos de alegria paga e de brindes da praxe.
 Onde a noite voou como uma pena e o nascer do dia, trouxe um pouco de nostalgia.
Resguardei-me por horas no aconchego dos meus pensamentos, procurando momentos que me saboreassem, num dia que muitos se lembram de mim e outros teimam em afastar-se de mim.
 No regresso a casa sozinho (procuro sempre nestas ocasiões), e enjaulado no cansaço de horas seguidas de barafunda quase sem interrupções. Deparo neste olhar que me é oferecido no placard da avenida.
A criança regala-se com o gelado já meio derretido, num olhar tão enternecedor, que me estacou por longos minutos, admirando esta genuína beleza.
Permaneci obcecado pela imagem, sentindo a criança bem perto de mim.
Registei o momento, num dia que muitos sentiram que me pertencia.