segunda-feira, 11 de julho de 2016

Fizemos maravilhosa História





Passei a esta hora por aqui para me recordar de uma campanha em torno da nossa Seleção.
Cada jogo era a ansiedade e por vezes pela tarde, terminava o trabalho mais cedo (depois repor, tristonho), para assistir a jogos que deixavam a desejar, pelo fraco rendimento no relvado.
Em três jogos, três empates e o apuramento caído do céu, pela bênção de Nossa Senhora de Fátima. Um augúrio para o resto do Europeu!
A euforia era estrangulada pela inquietude do regresso mais cedo a casa.
Vieram os apuramentos e com sorte à mistura, seguimos em frente, com o sonho já aquecido pela realidade.
Comemorávamos no bar do PEPPO e depois saíamos pelas ruas desertas, gritando como loucos. Fazendo ouvir pelas janelas ainda entreabertas, a alegria de conquistarmos mais um degrau que nos levaria a Campeões da Europa.
Perdia o sono pela louca excitação e umas horitas depois, levanto-me para a empreitada. Não existe perdão mesmo com a crente maravilhosa emoção.
Na final, sempre acreditei e não parei de pontualmente escrever o meu sentimento.
No dia D, de todas as decisões. A França mascarada de negro, determinou vencer com as artimanhas do costume.
Eram negros de porte atlético que assustavam os nossos pobres miúdos.
Resolvemos jogar com a mesma moeda e, do banco saltou o nosso pretinho da sorte, que resolveu o jogo em três tempos: cavou faltas, amarelou três franceses e fez o golo, que ficará para a história dos nossos netos.
Antes disso, por vezes me irritaste Seleção amedrontada!
 E um pouco desanimado, presenciava o pavor estampado dos nossos jogadores, naquele relvado pintado de azul petulante.
Por fim já habituado, desde o pontapé de saída. Que até ao apito final, o crer e a sorte nos acompanhava. Levantaste-me do marasmo e gritei bem alto, somos Campeões Caralho!
Somos Campeões, de uma Europa que nunca acreditou que o patinho feio e endividado, fizesse maravilhosa história.


sábado, 9 de julho de 2016

A nossa crença é mais do nosso enorme Coração




A nossa crença é mais do nosso enorme coração.
Que suporta a ansiedade de estar imensos dias longe da Pátria e vive estes rapazes, a chegar ao topo do futebol Europeu, com a felicidade estampada nos caminhos da calçada.
Somos portugueses e acreditamos na glória.
Desde o primeiro jogo que nos juntamos para gritar pela Seleção.
 Tão longe, que por onde passávamos, levávamos a bandeira da esperança e o orgulho de ser Português. Num país que nos acolhe e que se surpreende a cada dia que passa, pelos portugueses roucos que não se cansam.
Queremos que o punhado de tugas, lutem como crê a nossa alma.
Só lutando até ao último rasto de suor, é que podemos gritar pela vitória.
E no final, o sonho mesmo contra todos, rebentará numa sensação maravilhosa!
Já avisei a família. Só regresso depois de percorrer as ruas de meia Europa!

Estar perto de Mim




Noite fresca e agradável, mas melancolicamente solitária!
Depois de uma semana a viver o futebol e o trabalho sem dó, alcanço o fim-de-semana para alívio do cansaço e das noites com pouco tempo para descansar.
A vida por vezes é uma merda. Peço tão pouco e pouco me é oferecido!
Procuro entender quem me recebe e volto por vezes desiludido.
É difícil entender as pessoas que me rodeiam.
 Exigem presença e obediência e recolhem-se nas amarguras quotidianas.
Ameaçam recorrer ao esquecimento da nossa convivência, mas esperam ansiosamente por notícias para descarregar as evidências.
Que mais poderei fazer, do que estar longe de todos e bem perto de mim.
Estar perto de mim e bem, só pode ser bom. Desfrutando dos pensamentos e dos momentos, que guardo carinhosamente em tempos recentes e florentes.
Afinal não estou só!
Sinto a frescura da noite entrando pela janela aberta.
 A única companhia neste esgar de nostalgia, porque ambos sabemos, ela quer-me lá fora. Mas eu teimo em estar cá dentro.
Sinto tamanha necessidade de chegar os últimos dias. Numas férias ainda longe da ansiedade.
Por isso o sorriso é húmido e o olhar fechado na saudade.
Enquanto a alegria do regresso não chega, continuo a jantar só!


domingo, 3 de julho de 2016

Os Alemães adoram Futebol




O povo prepara-se para mais um jogo, num Europeu que define os melhores entre os melhores. E entramos na última semana, que vai ditar os dois finalistas para disputarem o famoso troféu do velho continente.
Não adianta voltar a falar do impacto que o futebol nutre em todo o mundo. É só assistir ao frenesim que se vive durante um jogo e logo entre duas nações com vasta história de campeões, para avaliar a histeria e ansiedade, que cada lance de possível golo invade os apoiantes.
Italianos e Alemães, discutiam taco a taco a presença nas meias-finais, (onde já está Portugal), num jogo que entrou pelos penaltis, num falho eu e logo falhas tu. Até que necessariamente um deles teria que rumar a casa mais cedo.
E a sorte sorriu ao Alemães, depois de terem estado a um pequeno passo de serem eliminados.
Num ápice as ruas foram entupidas de buzinas estridentes e o povo eufórico com mais uma vitória, da grande favorita à conquista do troféu.
A Alemanha embrenhou-se na euforia, que durou pelas altas horas da madrugada.
A polícia já preparada para estas festas de rua. Ocupava pontos estratégicos da cidade e dissuadia qualquer excesso dos compatriotas.
Nunca pensei que os alemães vivessem tão intensamente o futebol (por norma um povo frio de emoções). Mas são malucos pela bola e enchem todos os lugares onde existir uma cadeira e bebem canecas de cerveja, até que as camisolas brancas se tingem de amarelo, babados pelo licor que jorra como erva daninha nos canteiros dos alpendres.
Foram-se os italianos comunidade muito forte por estas bandas e é com estrondo que os alemães manifestam a sua alegria, perante a tristeza dos italianos que bem perto de mim envolveram-se em confrontos com africanos que içavam a bandeira alemã.
A semana está prestes a iniciar-se.
Pelo meio joga-se a cartada final para se conhecer os dois melhores. Espero que na quarta percorra a vasta avenida com a bandeira das quinas e a buzina bem audível. Tão solitários, como a surpresa presença da nossa seleção na final. Sinal que no domingo, estamos a discutir o caneco tão desejado.
Somos poucos mas somos notados pelas ruas de Wuppertal, que nos acolhe há mais de um ano.

sábado, 2 de julho de 2016

Dentro destas quatro Paredes




Dentro destas quatro paredes se inicia o meu dia.
Lá se encontram, tudo o que é útil para executar as tarefas diárias que são o expoente máximo, do nosso valor como trabalhadores longe da pátria.
Já lá vão vários meses num entra e sai que já virou rotina. Desde a noite ainda menina no Inverno rigoroso e sombrio. Até que a Primavera regresse e traga o dia claro e mais quentinho.
Enquanto mudo de farda no último bocejo, que faz esquecer a cama, muitas vezes o conforto de duros dias, ouço as indicações do que fazer e os erros cometidos depois de tantos avisos. Que são por vezes fruto das dificuldades que enfrentamos a cada hora que passa.
Por dias temos companhia. Já que também vivemos a campanha da nossa Selecção por terras onde também imensos imigrantes labutam dia-a-dia.
É um ligeiro gozo que nos dá, já que mandamos para casa mais cedo: Croatas e Polacos que partilham connosco outras tarefas no mesmo edifício, todos os dias.
Não esquecendo os Húngaros que também cá estão que seguiram o mesmo destino dos outros já referidos.
Só faltam os Galeses para despachar e se assim for, será um enorme gozo encontrar os alemães (seria demais aqui em terras alemãs). E nem quero pensar como irei reagir com esta potência sem igual, campeã do mundo.
Se assim for é para ganhar!
Portugal desperta-nos, dos sonhos à alegria!