sábado, 20 de agosto de 2016

Parabéns Mana





Foste para bem longe de nós, numa partida extremamente dolorosa.
Deixando uma parte de mim, ferida para toda a vida.
Os anos passam e as recordações perpetuam-se na minha lembrança. Hoje, amanhã e até, que todos te apareçam de corpo e alma no paraíso onde habitas. Com vizinhos vestidos de branco imaculado, com quem falas pelos cotovelos. Pedindo-lhes que desçam em direcção a nós, para nos ofereceres a protecção que todos necessitamos.
Hoje é o teu aniversário e sinto bem perto do meu coração, que estás feliz. Principalmente, com as felicitações de quem amas, que te enviam com elevado carinho.
E é maravilhoso ver-te de sorriso estampado, apagando as velas do bolo com as cores do céu.
Parabéns Mana!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Selim Almofadado





Rumávamos a casa pensando no imenso trânsito que tínhamos mais uma vez que aguentar e, fartos de nos aparecer gajos (ou gajas), com as orelhas furadas e nelas caber um vedante de um tubo de WC.
Com anilhas de vários tamanhos pelas pálpebras e nariz. Não esquecendo os lábios descobertos e encobertos.
Tatuagens a tapar as côdeas incrustadas como mexilhões colados às rochas.
Crânios rapados dos lados, sobressaindo as orelhas enormes e o que restava do cabelo, mesclado com as cores patriotas.
Nisto mesmo em nossa frente, surgiu esta imagem que logo parou o trânsito.
Não era um TIR, que nos bloqueava a passagem.
Nem um bus, parado. Para receber e deixar viajantes.
Era um selim almofadado, com um rabo de esboroar os olhos.
E a vista originou, que pela primeira vez, não ultrapassássemos os trinta!
Deu para animar a malta!

sábado, 13 de agosto de 2016

Já vou no quarto país para arregaçar as Mangas




Vivo bem longe da família e de quem gosto.
Tudo devido às incertezas de um país virado para fechar as portas a quem paulatinamente subiu os degraus de uma muralha amorosa, com alicerces tingidos em agradável qualidade de vida e uma âncora irresistível aos furacões surgindo pelas costas. Pensava eu nos longos anos, familiarizado com as boas graças.
Com o tempo, acostumei-me ao vai e vem das malas camufladas atrás das grades de aviões e carrinhas apinhadas. Para regressar ao lar e voltar, bem no coração da Europa.
Hoje preparo-me para mais uma debanda de mala às costas para outro país, depois de uns dias em Portugal, onde vou recuperar forças para mais uma etapa, nesta vida de nómada por países da Europa.
Mas custa abandonar um trabalho resguardado das intempéries.
 Onde todos fomos heróis em aprender rapidamente um ofício desconhecido e hoje contemplar uma obra que nos enche de orgulho, por observarmos que tudo demos pela excelência da qualidade que nos era exigido.
Custa deixar uma casa repartida por colegas onde dia a dia partilhamos brincadeiras, choradeiras, gritarias e segredos. Durante dezassete meses.
Custa deixar lugares onde já fazíamos parte da casa. Onde éramos tratados como família e onde também deixamos muito sustento, que nos apaziguou as saudades tão longe, mas bem perto de um choro de almofada.
Custa deixar colegas de muitos países, onde a língua deixou cedo de ser obstáculo, para com um gesto de simples amizade, criarmos laços de ajuda quando era necessária.
Daqui a uns dias, na acostumada correria, voltarei a novos colegas. Alguns já conhecidos (o chefe deixou de ser um até já), por terras onde a música anda de braço dado com o ar que vou respirar. E por entre terra lavrada para erguer torres de betão, irei dar uma valente mão ao reforço da construção!
É a adrenalina que me acompanha desde que deixei forçosamente as mantas do abrigo, nunca antes como destino traçado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

E… Foda-se deixamos o País Arder





O país está a arder!
Nas florestas e bem perto das nossas casas.
Os pobres bombeiros, com o ardor do amor ao próximo inflamando os seus corações. Correm em todas as direcções para acudirem ao desespero das populações. Caindo em qualquer canto, levados pelo cansaço e muitas vezes dolorosamente pela morte, que nos trespassa o agradecimento pela sua causa.
O país arde: de desespero, angústia, de morte e incúria.
Como é possível após tantos anos, presenciar este drama a cada Verão. Onde todos aguardamos para descansar e bronzear o corpo e a alma. Assistirmos ao nosso país a arder de norte a sul. E passamos o ano a discutir alianças de socialistas e comunistas, com mais um partido mesclado de jovens actualizados em ideais impróprios para a grande maioria do nosso povo.
De viagens de governantes e políticos, a bordo de Falcões e foguetões. Para ver a bola e para reuniões que nunca nos trazem a verdadeira glória.
 De condecorações a desportistas que não fazem mais do que abraçar o seu sonho e o martirizar em vitórias.
E… Foda-se, deixamos o País arder!
Derramando lágrimas, enquanto vemos casas devastadas e bombeiros estendidos derreados num qualquer terraço. E algum tempo depois, andamos com os governantes ao colo, pedindo esmola que só vão cair em meia dúzia de sacolas.
Tristeza para mim que vou regressar e já o faço há alguns anos. Assistindo após ultrapassar a fronteira que me devia levar aos abraços. A uma paisagem devastada, que me entristece nos cento e tal quilómetros finais de uma viagem, onde saio de um país que nem um fogo tem há vários anos.
Entro noutro, colorido de verde onde floresce a esperança.
Continuo noutro, onde os terroristas matam e logo corremos a pintar a nossa foto de pesar e nem imaginamos que os temos bem perto do nosso pinhal.
Como podemos temer terroristas,
Quando temos compatriotas com esse destino!
E termino neste quintal carbonizado à beira-mar. Que não é mais do que terra queimada, pelos marginais a soldo de interesses ancestrais.
E Barcelos volta a ser um mar de fogo com o oceano ali tão perto!