sábado, 24 de setembro de 2016

Talvez hoje seja um Dia



Terminou uma semana louca e duríssima!
Iniciou-se com chuva a penetrar nos frágeis ossos já gastos pela vida que vai deixando marcas.
E terminou com um sol radioso a tornar a ir à mala na busca das manguitas.
Agora é tempo de descanso para recuperar para nova semana que não tarda.
Enquanto isso, a malta mata o tempo no meio da barafunda do costume.
Uns, como eu. Depois de um descanso abençoado e com um convite para o jantar a quatro. Saiu-me a fava de lavar a louça.
Outros beneficiando das novas tecnologias, falam para a família e revêm a filhota ainda bebé e vertem uma lagrimazita teimosa.
Um, inverna no quarto e só lhe pomos a vista em cima quando a segunda-feira chegar.
Outro, já a idade avança como os brancos de um cabelo a esconder as orelhas, dança o vira e maravilha a malta.
Os restantes andam de um lado para o outro parecendo baratas tontas. De cerveja na mão e falando alto.
A noite aproxima-se e é chegado o momento de uma saída para distrair um pouco, mas os locais por cá são restritos e ainda nenhum deles conheço.
Talvez hoje seja um dia onde me vá divertir e esquecer uma dor malandra que me acossa há longo tempo.
Amanhã temos peru assado, oferecido pela D.Maria e como o sol permanece com temperaturas de Verão, vamos almoçar bem perto das macieiras, sem antes fazer uma visita à capelinha e enchermos o peito de fé, que tanto necessitamos.



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Parabéns César




Hoje o meu irmão mais velho faz anos!
Não brinquei com ele de pequenino.
 Não me deu umas palmadas na infância.
 Não me deu conselhos na adolescência.
E só uma vez dormi com ele!
Para irmos às enguias, de noite e como nada pesquei, dormi sem sono e estranhando a cama ainda de almofada de palha.
Vivia com a minha avó no meio de rezas e Deus primeiro.
 Com um quintal para andar com a bicicleta de madeira e o rio tão perto que numa corrida descalço, lançava-se de peito feito.
No Inverno quase lhe molhava os pés, num quarto encostado à rua ainda de terra batida.
Nós vivíamos entrincheirados em vizinhos!
Hoje somos irmãos de corpo inteiro. Vivemos paredes meias com a alegria de nos vermos sem pensar, que estivemos tanto tempo. Tão perto e longe um do outro.
Parabéns mano! Sabes que estou no fundo da mesa a comer o arroz de cabidela e a beber o maduro tinto que tenho que levar porque tu só bebes verde branco.
E canto-te os parabéns com a prenda do costume!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mais um Dia


Terminei há pouco o trabalho! 
Dez horas durinhas com o início chuvoso, obrigando a fato impermeável para resguardar uma chuva miudinha e irritante.
Num sobe e desce contínuo, lá conseguimos preparar o que nos foi pedido e por volta do meio-dia, a chuva resolveu parar, depois de quatro dias cair sem cessar.
Pela tarde, mais do mesmo e por fim, finalmente, regressei a casa cansado mas satisfeito pelo dever cumprido.
Jantei duas febras grelhadas e um arroz de netinhos com uma cerveja austríaca (vou-me habituando ao sabor) e duas maças cá da casa, do quintal da Dª Maria.
Agarrei no café e vim cá para fora enquanto o tempo não esfria e ainda me dá o prazer de admirar o cair da noite.
Sentado numa cadeira plástica tipo esplanada, observava o que se passava à minha volta.
Em frente fica uma capelinha onde a Dª Maria todos os dias, mal o dia nasça, vai pedir o que bem entende e de lá não arreda pé, sem que antes deixar a pagina do livro das orações, no dia correspondente ao calendário.
Confesso que antes de sair para o trabalho, vou lá numa fugida e lance a minha oração para o dia me correr de feição.
Ao lado existe uma vacaria de um vizinho que ainda nem a cara lhe vi. Só ouço os mugidos dos animais engordando, para servirem o prato de quem se mata a trabalhar horas a fio.
Há direita, ficam os terrenos da Dª Maria, onde sorrateiramente colho as maças que servem de lanche e sobremesa regularmente.
Mais ao fundo é o alvoroço de mil e oitocentos perus, que engordam pela vasta área de terrenos verdes e sem pesticidas.
Vivo no meio dos animais e aves. Onde a Natureza deixou um marco lindíssimo. Não faltando os charcos vastos que de certeza me irão acordar, com o barulho dos batráquios não tarda muito.


domingo, 18 de setembro de 2016

Amar é um Sentimento




Amar é um sentimento tão nobre, que desenha-lo no nosso rosto. É a recompensa de o possuirmos!
Não devemos ter melindre em o demonstrar!
É a beleza da conquista. Nascida num olhar bem próximo, ou num avolumar de encontros.
No amor não pode existir orgulho!
Só existe a sinceridade de um grandíssimo privilégio.
Adquirido num redemoinho de sensações, que nos levam à certeza de amarmos quem nos quer bem.
Quando amamos, do nosso corpo brotam emoções maravilhosas. Que nos tornam felizes por tanto tempo, que temos a sensação, de mesmo com a morte sermos felizes para sempre.
O nosso coração bate meigamente, mas velozmente. Quando nos aproximamos de quem nos ama.
A nossa alma une-se em volta do amor que nos pertence e o dia torna-se o mais feliz de todos. E o próximo mais feliz que o seguinte.
 E por fim temos um amor para toda a vida!
Ao caminharmos pelas ruas do nosso destino, cruzamo-nos com milhares de pessoas que descobrem o nosso singelo sorriso.
Ele é o baluarte da nossa felicidade. Ele é o expoente máximo, do nosso amor.
Deixamos uma mágoa de amargura, a quem deslumbra no nosso rosto. A ternura de descobrir raios de puro amor.
O amor é magia!
Surgida na aproximação de dois dedos, que transformam o desejo em paixão. Por vezes, dificilmente controlada.



sábado, 17 de setembro de 2016

Entendo cada vez mais esta Vida




Percebo o desenrolar da vida, como ela entende a minha preocupação em torna-la risonha para mim.
Não é fácil!
 Atendendo a que ela faz parte de um universo de famintos, prontos a devorar o pão que o criador ofereceu a todos, mas muitos de nós, amolga o pão que o diabo amassou.
A chuva não dá tréguas desde que a noite entrou nos aposentos apinhados de gente, em busca de melhor vida para as crianças alimentadas a slogans da comunicação em rede. E obriga a desistir do sustento, já encharcados em molhas de longos minutos a bater o dente.
Chuva que não pára. Tempo que não voa e cá estou, na esperança de melhores dias e entendendo cada vez mais, esta vida.
Dor que fere o físico, mas que não atormenta o espírito. Esse, por agora ditoso. Acalorado por momentos bonitos, em dias puros repletos de magia.
Olho o horizonte da janela com vista para o verde da Natureza.
Não vejo alma que se movimente. Não vislumbro animal que busque alimento.
O dia está deprimente, a casa acumula-se de gente. O sossego é sonegado compreensivelmente pelas gritarias dos mais ásperos e desbocados.
Só me resta esperar e acomodar-me no meu canto.
Nem tudo é mau, já que o fim-de-semana chegou e pode ser que a noite me proporcione algum conforto.