segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Só por momentos





No meio de três músicas belíssimas, fiquei eufórico!
Respiro paixão por todo o lado e vejo-me abraçado a quem me ama, mesmo que se esconda atafulhada em almofadas!
Danço deliciosamente encostado e sussurro ao seu ouvido, palavras que se soltam como o bater das asas de um anjo.
Sinto-a estremecer de desejo e por momentos ignoro tamanho ensejo.
Só por momentos!
Porque desejo inspirar este momento que surgiu de um apelo bem dentro. Que me elevou num assombro de confiança para os teus braços, ancorados no umbral do balcão olhando para mim, talvez esperando que me decida por fim.
O tempo parou por instantes!
Só nós dois existíamos naquele espaço, atafulhado de gente sequiosa por apelos eloquentes como nós desfrutamos e quando o tempo voltou a marcar o passo que comanda a vida. Nós, simplesmente, agradecemos um ao outro e retiramo-nos de mãos dadas para o nosso canto acostumado ao atrevimento!

domingo, 16 de outubro de 2016

De quem por Vezes




Domingo maravilhoso!
 Sol pelos cantos da casa, oferecendo calor e luz aos campos verdes e fartos de falcões, águias, veados, javalis e tudo o que é passarada!
Num passeio matinal, percorro a longa estrada que curva à esquerda, seguindo o seu rumo ligando meia dúzia de casas e fazendo barreira a longos campos que se assim não fosse, não teriam fim.
Não se vislumbra viva alma!
Mas o dia está formidável.
O sol brilha bem alto, depois de a noite me presentear lua cheia, quando regressava de libertar o peso de uma longa semana, metido em quatro camadas de roupa, para fazer frente ao vento maldito que transportava o frio das montanhas, não muito longe, já carregadas de neve bem visível.
No decorrer do passeio, olhando o céu azul com poucas nuvens que impedem de lhe turvar a cor. Vou absorvido por pensamentos recentes que me retraem por momentos, fazendo uma pausa sentado na única paragem, que se vê nos longos quilómetros até chegar ao coração da vila.
E relembro onde estou e onde estava não há muito tempo atrás.
Que mudança. Que diferença de estado de espírito. Que tranquilidade que respiro!
Tão longe do meu mundo e bem perto de mim mesmo!
A Natureza oxigena-me a esperteza em servir quem aposta em mim, obtendo o proveito tão necessário para o meu sustento.
A Natureza oxigena-me o corpo, para ombrear com as duras traves da empreitada, erguendo deste modo os muros, que não são mais que almofadas ancoradas.
A Natureza transforma-me num lago serpenteado, para cobrir as curvas diárias que no caminho que percorro, surgem do nada.
E é deste modo que os dias se desenrolam. Com o Domingo ainda a oferecer o sol, que se desloca para as costas da casa. Sendo tempo para preparar a próxima semana, sempre a melhor, porque é a altura de receber o mês e a casa volta a ter alegria de quem por vezes gasta tudo num dia (passe a expressão).


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A Moda





A moda é o apogeu da sedução!
Com os fotógrafos em autêntica ebulição.
Acotovelam-se para o melhor ângulo
Babam-se pela deslumbrante ousadia

É a loucura para quem tiver dinheiro à mão
Compra o vestido e a silhueta lá preenchida
Sonham ser como ela, mas com menos ousadia
Afinal são senhoras, de boas famílias

É a beleza de um vestido em tons de rosa
Que abrilhanta tentação escancarada
São confeccionados para grandiosas noites
Oferecidos a noivas e amantes

Só um louco costureiro
Se lembrava de beleza quase erótica
Mesmo sem a mão da menina
Com o andar, abria-se ao espanto!

Eurofelicidade





Em três meses o balanço deste país é consumido pela loucura do desporto e pela realidade nua e crua, que sistematicamente vivemos!
Saímos vencedores do Euro e desatamos a transbordar de euforia. O país parou e recebemos os heróis que ainda, nem tinham acordado para realidade, de sonharem com o enorme feito.
Não era, para menos! Medalhas para toda a gente!
Ainda não tinham secado as lágrimas da Eurofelicidade. Logo o país entrou nas choraminguices dos incêndios. Como pode, nos tempos que vivemos acontecer enorme flagelo.
 Há interesses pelo meio! Há interesses pelo meio. Gritamos e ameaçamos, mas terminamos a idolatrar os bombeiros. Sem medalhas de heróis pelo meio!
Todos os anos é o mesmo!
Ainda o ar cheirava a madeira queimada. Iniciou-se o desporto rei cá no burgo e todo o país manifestou o apelo às cores clubísticas.
As gerrinhas entre rivais, enche todas as páginas dos jornais e o povo vive esperando cada fim-de-semana, para vêr a bola saltitar!
Ninguém sequer pensou de onde veio tanto dinheiro, para dar de mamar a jogadores que ganham num ano, o que nós ganhamos uma vida inteira!
E nos dias de hoje com campeões, a valerem rios de dinheiro.
Ainda em Agosto, o país é invadido pelos imigrantes sedosos de partilhar as aventuras e o dinheiro ganho. Mês de Agosto, mês de matar as saudades.
Ninguém sequer quer saber que, milhares deles pela primeira vez. Abraçam a mala de fechos quebrados, para se lançarem na aventura de ganharem os euros perdidos na pátria maldita. Tentando desesperadamente, que a família não se estilhace.
Acalmaram os incêndios, os imigrantes regressaram ao outro lar. E Iniciou-se o ano escolar!
 Milhares de professores ficaram nas filas do desemprego e as turmas aumentaram de alunos, como se de aviários se tratassem.
Aos pais pouco interessa. E os alunos vão carregados de livros e de TLM, para não perderem pitada dos acontecimentos recentes dos amigos.
Estudam para terem um futuro!
Vão para a Universidade e levam as economias de uma vida e quando lançam o canudo para o ar de triunfo. Nem sonham que o lugar deles é longe do aconchegado abrigo. O país onde vivem, virou-lhes as costas e só espera que imigrem e lhes forneça as divisas para sustentar os gulosos!
É este país que temos!
Com governantes a anunciar aumentos de impostos a cada ano de legislatura e nós coitadinhos, abrimos as pernas e votamos nos meninos!.
Somos um povo que merecemos o país que temos. Porque somos facilmente comandados pelos governantes sem escrúpulos. E por uma minoria que manobra a fragilidade de um povo obcecado no mal dos outros e nas fofoquices da esganiçada comunicação social.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Será que possuo Alma




Escrevo, escrevo e aqui me revejo!
São sentimentos, momentos. Sonhos e deslumbramentos!
Cada dia elevo um sentido. Consoante o estado de espírito.
E em muitos dias, narro um extenso livro aos quadradinhos.
Se alguém me segue. Inicia um périplo para me acompanhar diariamente
Com o tempo, cansa-se de tanto acolhimento.
Construí uma cabana maleável, para sentir as formas com quem me cruzo
Elas (as formas), vão e voltam. Deixam um insulto e no regresso acalmam-me.
Ocupo o tempo a reviver pergaminhos.
Outra forma de recordar a vida.
Já longa e ainda a meio da ponte.
Já a tive presa por um fio. Esse, forte como a muralha da China!
Percorro caminhos bem conhecidos, que me fartam o destino.
Mudo-os para caminhos de cabras e aí, encontro o silêncio e a paz da alma.
Será que possuo alma? Se sim, vagueia pelos canais da Europa!