domingo, 20 de novembro de 2016

Sozinho com os meus Momentos




As folhas despiram as árvores numa nudez feia e triste. Deixando-as de tronco cinzento e musguento.
A chuva amolece as palavras carinhosas. Sem brilho nos olhos e de mantas sobre os poros.
O frio acentua-se com o aproximar da noite, que trás o silêncio resguardando os ausentes.
Mas o sorriso de fartos momentos, ainda tão recentes, fortalece um cândido Domingo.

Os dias passam Devagarinho




O frio amainou e os pássaros voltaram a chilrear logo pela manhã.
O sol regressa para colorir e embelezar os campos e oferecer um pouco de alegria.  
Levantei-me bem cedo, como cedo me deitei!
Sinto-me nostálgico e com vontade de dar uns berros para libertar este nó que me amordaça as saudades.
Já lá vão longos dias por aqui. E alguns ainda faltam para rever pessoas que sinto mesmo saudades. Este tempo isolado está a levar-me a uma saturação que se torna difícil de controlar.
Vale, tudo estar a correr pelo melhor e como é o mais importante, ajuda a que os dias passem devagar, devagarinho.
É mais um Domingo entrincheirado neste fim do mundo.
É só campos numa imensa paisagem. E nem vivalma para consolar a vista.
Respiro saúde, mas inspiro saudade!
A casa voltou ao reboliço quotidiano. Embora a maioria ainda esfregue o olho, em trajes que os levaram a cair na cama bamboando como varas verdes.
Irão voltar as conversas do costume e os prognósticos para as férias daqui a três semanas.
Mas como ainda a manhã se levanta ao som de cada despertar, pode ser que a tarde banhada num sol de pouca dura, me leve a dar uma volta neste canto às portas da fronteira germânica.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Porque a cada Volta



Porquê que tivemos de sair do nosso país, escorraçados pela camelice de quem nos disse, que nos amava anos a fio. Só para tentar obter o suco da nossa alma e alimentar os nossos corações com batimentos, agora, cheios de contradições.
Esperando ardentemente que essa fuga saísse furada como queijo picotado, para provar que estava certa, da subtil descoberta que: o homem não presta!
Só que o homem conquistou a liberdade de dançar até a aurora dizer basta.
Mesmo com as mãos cravejadas de calos dos lampiões, que dão luz às cercaduras de betão e portas envidraçadas.
Mas se diverte como uma criança. Que a libertou, enjaulada desde a infância.
E sente que tem algures, gente que o ama mesmo sem confiança.
 Mas cada momento é de esperança, porque a cada volta, surge a louca lembrança.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Adoro esta Casa


Adoro esta casa!
É de uma beleza que a Natureza abençoou, ao possibilitar que quem a construiu, a pousasse no cume do encanto.
E quando me dirijo para o trabalho, ela situa-se mesmo em frente e adoro olha-la imensas vezes.
Numa semana, presenciei como a Natureza é terrível e rodeia em sua volta toda a fúria de dias frios e sombrios.
Numa semana, olhei a casa.
Com as árvores como guardiões de tempestades, coberta de branco, camuflando o verde e fazendo do jardim, uma bela pista de esqui.
 
Numa semana, olhei a casa.
 E nem as árvores enormes e estoicamente barreiras das tempestades. Conseguiram dissipar a grandíssima mancha branca, que se abateu durante todo o dia.
 
Numa semana, olhei a casa.


 E uma vez mais fiquei fascinado pela beleza de quatro paredes brancas com um telhado preto e jardim nos flancos.
Um relvado, descendo até ao encontro da estrada que lhe dá a subida para quem a possui, adorar o canto das aves e o suave vento vindo dos Alpes bem longe.
E já lá vão muitos dias que aqui estou e não me canso de a admirar e mirar quem lá vive.


domingo, 13 de novembro de 2016

Pessoas com uma sensibilidade fora do Comum.




Semana duríssima que ainda há pouquinho terminou.
Hoje é o descanso merecido e aguardar que nova semana se aproxime, para devanear com o correr dos dias e pensar no Natal que de certeza, irá alegrar este coração encolhido.
Chuva constante a enlamear o chão que temos que erguer.
 Frio sistemático, vindo de todos os lados e infiltrando-se nos poros que tentam respirar fora de um leque de roupa, que de pouco serve para aliviar este frio vindo dos Alpes malditos.
 Neve! Cada vez que desce a temperatura e lá se vai o que protege as mãos, fazendo dos dedos agulhas que se mutilam entre si, levando-me ao desespero até que o calor do contentor, me devolva de novo a corrente sanguínea.
 E uns raios de sol extemporâneos.
 Inspirados como se o ar ameaçasse faltar a qualquer momento, para aquecer a vontade em continuar.
Mas foi uma semana de elogiar, quem por aqui na Áustria nos comanda!
Por duas vezes fomos brindados com umas salsichas quentinhas que deram um aconchego ao estômago e aqueceram o corpo farto de sandes de porco fatiado.
Café a qualquer hora, dentro das pausas que nos concedem com vontade. Quentinho desde o nascer do dia
Na Sexta-feira, foi o Carnaval por estas bandas e no meio do nada. Por entre as escoras hirtas segurando as ramadas que suportam a laje, surgiu o encarregado austríaco, vestido de palhaço, com quatro caixas de bolas de Berlim na mão!
Ficamos boquiabertos!
Com a bondade do homem e com a coragem de se vestir com aquele adorno. E logo ele que pesa quase cento e cinquenta quilos.
Um momento inolvidável com as fotos para a posteridade. Fazendo esquecer as horas antes de uma chuva constante, que nos deixou ensopados até aos ossos. E como agradecimento por belo gesto, trabalhamos para lá da hora do almoço, (já tínhamos estado no quentinho, muito depois do tempo da pausa), aproveitando as tréguas de uma chuva que só reapareceu com o final do dia.
Pessoas extraordinárias!
Pessoas com uma cultura e uma sensibilidade fora do comum.
Pessoas que pouco tem mais do que nós. A não ser a bondade de expressar o nosso apego profissional e muito oferecem, comparando com alguns” Inhaques”, que me tenho cruzado neste longo e delicado caminho.
É a vida. Cada um tem aquilo que merece!