segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O teu coração continua Intacto




Quero-te, quero-te, quero-te!
Que desejo tão presente. Que necessidade premente. Que angustia, contigo tão longe!
Inteira ou feita em cacos. Tenho todo o tempo do mundo para te juntar os pedaços.
Porque a distância quebra por vezes os laços.
 Mas o Natal torna-os a juntar aos nacos, em prendas bordadas com linhas banhadas em transpiração de desejo, que me enlouquece os pensamentos.
Corro pelas trincheiras das ramadas, banhadas com o tempo que a Natureza resolveu-me presentear.
E hoje, ofereceu-me um sol que me despiu as mantas e deixei que o céu se risse, com as tatuagens das trombadas e a brancura da natalidade.
Agora a noite desceu sob as catacumbas do descanso. E ouço o teu chamamento, que já leva mais de dois meses de saudade.
Mas o grito de me queres é intenso e ressoa nos meus ouvidos traumáticos, pela angústia de viver bem longe do querer-te. Mas sempre perto de me teres.
Porque sei que o teu coração continua intacto!

domingo, 20 de novembro de 2016

Sozinho com os meus Momentos




As folhas despiram as árvores numa nudez feia e triste. Deixando-as de tronco cinzento e musguento.
A chuva amolece as palavras carinhosas. Sem brilho nos olhos e de mantas sobre os poros.
O frio acentua-se com o aproximar da noite, que trás o silêncio resguardando os ausentes.
Mas o sorriso de fartos momentos, ainda tão recentes, fortalece um cândido Domingo.

Os dias passam Devagarinho




O frio amainou e os pássaros voltaram a chilrear logo pela manhã.
O sol regressa para colorir e embelezar os campos e oferecer um pouco de alegria.  
Levantei-me bem cedo, como cedo me deitei!
Sinto-me nostálgico e com vontade de dar uns berros para libertar este nó que me amordaça as saudades.
Já lá vão longos dias por aqui. E alguns ainda faltam para rever pessoas que sinto mesmo saudades. Este tempo isolado está a levar-me a uma saturação que se torna difícil de controlar.
Vale, tudo estar a correr pelo melhor e como é o mais importante, ajuda a que os dias passem devagar, devagarinho.
É mais um Domingo entrincheirado neste fim do mundo.
É só campos numa imensa paisagem. E nem vivalma para consolar a vista.
Respiro saúde, mas inspiro saudade!
A casa voltou ao reboliço quotidiano. Embora a maioria ainda esfregue o olho, em trajes que os levaram a cair na cama bamboando como varas verdes.
Irão voltar as conversas do costume e os prognósticos para as férias daqui a três semanas.
Mas como ainda a manhã se levanta ao som de cada despertar, pode ser que a tarde banhada num sol de pouca dura, me leve a dar uma volta neste canto às portas da fronteira germânica.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Porque a cada Volta



Porquê que tivemos de sair do nosso país, escorraçados pela camelice de quem nos disse, que nos amava anos a fio. Só para tentar obter o suco da nossa alma e alimentar os nossos corações com batimentos, agora, cheios de contradições.
Esperando ardentemente que essa fuga saísse furada como queijo picotado, para provar que estava certa, da subtil descoberta que: o homem não presta!
Só que o homem conquistou a liberdade de dançar até a aurora dizer basta.
Mesmo com as mãos cravejadas de calos dos lampiões, que dão luz às cercaduras de betão e portas envidraçadas.
Mas se diverte como uma criança. Que a libertou, enjaulada desde a infância.
E sente que tem algures, gente que o ama mesmo sem confiança.
 Mas cada momento é de esperança, porque a cada volta, surge a louca lembrança.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Adoro esta Casa


Adoro esta casa!
É de uma beleza que a Natureza abençoou, ao possibilitar que quem a construiu, a pousasse no cume do encanto.
E quando me dirijo para o trabalho, ela situa-se mesmo em frente e adoro olha-la imensas vezes.
Numa semana, presenciei como a Natureza é terrível e rodeia em sua volta toda a fúria de dias frios e sombrios.
Numa semana, olhei a casa.
Com as árvores como guardiões de tempestades, coberta de branco, camuflando o verde e fazendo do jardim, uma bela pista de esqui.
 
Numa semana, olhei a casa.
 E nem as árvores enormes e estoicamente barreiras das tempestades. Conseguiram dissipar a grandíssima mancha branca, que se abateu durante todo o dia.
 
Numa semana, olhei a casa.


 E uma vez mais fiquei fascinado pela beleza de quatro paredes brancas com um telhado preto e jardim nos flancos.
Um relvado, descendo até ao encontro da estrada que lhe dá a subida para quem a possui, adorar o canto das aves e o suave vento vindo dos Alpes bem longe.
E já lá vão muitos dias que aqui estou e não me canso de a admirar e mirar quem lá vive.